Samba in Rio? Reunião com dirigentes do carnaval teve representante de Roberto Medina

Por Redação

A plenária urgente da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) realizada na noite da última segunda-feira, 10, contou com um observador especial em meio aos dirigentes das 14 agremiações que formam o Grupo Especial. O coordenador da área de operações do Rock in Rio, Márcio Cunha, esteve na sede da organização, no Centro do Rio, representando o empresário Roberto Medina, idealizador do famoso festival de música.

A informação confirma a existência de uma possibilidade apontada pelo colunista Leo Dias, do Jornal O Dia, de que o Carnaval da Sapucaí passe a ser futuramente gerido em parceria com Medina. O Sambarazzo apurou que Márcio Cunha esteve entre os presidentes e que não houve, da parte dele ou de outros interlocutores, referências a uma possível negociação imediata.

A reunião entre dirigentes acabou com o presidente do grupo, Jorge Castanheira, convocando publicamente a Prefeitura da cidade a se reunir com as agremiações para dar explicações sobre o corte de 50% na verba para 2019. O pedido foi atendido e um encontro com Marcelo Alves, presidente da Empresa Pública de Turismo (Riotur), foi marcado para esta quarta, 12.  A possível parceria com a equipe de um dos maiores festivais de música do mundo não foi mencionada em nenhum momento após o debate da cúpula.

‘Que a vida começasse agora, e o mundo fosse nosso outra vez’… O Rock in Rio, do empresário Roberto Medina, pode ter o modelo de gestão compartilhado com o Carnaval do Rio | Fotos: Divulgação/Rock in Rio

‘Homem-forte’ do festival

As operações das últimas três edições do Rock in Rio (de 2013, 2015 e 2017) foram coordenadas por Márcio Cunha, que seria o possível responsável pelo chamado “maior espetáculo da Terra” entre os que fazem parte do grupo de Medina. Cunha é gestor administrativo, formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio) em 2008, e há quase uma década integra a equipe do festival — entrou em 2010 para trabalhar no retorno do RiR à cidade.

Márcio Cunha (em pé, de paletó preto) é coordenador da área de operações do Rock in Rio e acompanhou reunião da Liesa na última segunda, 10 | Foto: Reprodução/Facebook

A nova proposta, segundo noticiou O Dia, teria sido apresentada por Gabriel David, filho do presidente de honra da Beija-Flor, Anísio Abraão David. O jovem, de apenas 21 anos, tem integrado ativamente a gestão da azul e branco de Nilópolis desde o último Carnaval, quando foi considerado um dos responsáveis pela conquista de mais um campeonato.

Em entrevista concedida no início do ano, Gabriel afirmou que se o Carnaval não mudasse, iria acabar. Ele defendeu que a modificação necessária para garantir o futuro da festa envolvia o reforço urgente do apelo comercial relativo ao evento.

Política de compliance

O primeiro impacto inicial da mocidade seria relativo à realização de negociações comerciais, à aplicação de recursos financeiros e à consideração da política de compliance dos patrocinadores. Nessas áreas, já a partir de agora, segundo o jornal, o modelo da Liesa daria lugar ao do Rock in Rio. No entanto, nada foi assinado ainda.

Uma das medidas prioritárias seria a entrada de uma empresa de auditoria que averiguaria os contratos já firmados pela Liga com fornecedores e empresas terceirizadas.

O termo “compliance” (utilizado para definir o conjunto de normas que uma empresa utiliza para cumprir suas obrigações éticas e legais) aliás, tem sido mais ouvido do que nunca entre o rufar das baterias. É que parte da crise instalada está relacionada à saída da Uber, patrocinadora que deixou o Carnaval na semana passada, alegando ter sido orientada a fazê-lo pela matriz americana, preocupada com as manchetes sobre a prisão do deputado estadual Chiquinho da Mangueira, presidente da verde e rosa, pela Operação Lava-Jato, no início de novembro.

Contrato de quatro anos

A duração dos trabalhos sob comando de Roberto Medina, conforme revela Leo Dias, teria validade inicial de quatro anos, contando a partir de 2019. Para a pré-temporada que se iniciará após a Quarta-feira de Cinzas, visando o Carnaval de 2020, a transformação seria “mais radical”, de acordo com o jornalista.

Roberto Medina: um homem do Rio

Idealizador do Rock in Rio desde 1985, o empresário Roberto Medina é assumidamente um apaixonado pela chamada “Cidade Maravilhosa”. É dele, por exemplo, a assinatura da criação da Árvore do Rio, instalada na Lagoa Rodrigo de Freitas, na Zona Sul carioca.

Medina também contribuiu para o projeto da prefeitura de Marcelo Crivella, sob a liderança do presidente da Riotur, Marcelo Alves, para a tentativa de criação de um calendário anual de eventos do município.

O “Encontro do Samba”, que levou as agremiações do Grupo Especial a tomarem a Praia de Copacabana no início deste ano, foi criado para fazer parte desta iniciativa.