Santa de casa! Primeira-dama cuida de ações judiciais da Mangueira: ‘Não recebo nada’

Por João Paulo Saconi

O trabalho da primeira-dama da Mangueira vai além das tradicionais ações sociais que são comuns às ocupantes do posto, dentro ou fora do mundo do Carnaval. Priscilla Riche Habib, que está junto do presidente Chiquinho da Mangueira desde o início de 2012, utiliza os conhecimentos que conquistou na graduação, através do curso de Direito, para representar oficialmente a verde e rosa em audiências judiciais.

Os processos são, segundo a advogada, herança da gestão anterior da agremiação, que se soma às dívidas da antiga administração que não foram saudadas nem com a conquista do campeonato no último Carnaval. Desde que o atual dirigente assumiu as rédeas, é Priscilla quem tem cuidado de cada episódio no judiciário.

– Tenho alguns processos particulares que faço sozinha, além dos processos e das audiências da Mangueira que faço desde o primeiro dia do primeiro mandato do Chiquinho. Nós pegamos a escola com uma dívida muito grande. A antiga gestão não pagou nada a ninguém. Isso é público e notório. Vou representando a escola em todas as audiências, que são muitas. No começo, eram mais do que são agora (de duas a quatro por dia), porque nós já conseguimos arrumar a casa. Ganhamos o Carnaval, a Mangueira deu a volta por cima, mas ainda paga um preço – afirma Priscilla, destaque da coluna “Lado B” do Sambarazzo.

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Casada com o presidente Chiquinho da Mangueira, Priscilla Habib representa a verde e rosa em audiências judiciais | Foto: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

O trabalho jurídico em prol da escola de samba é feito sem qualquer ônus para os cofres mangueirenses, conforme a primeira-dama fez questão de frisar:

– Nunca ganhei um real por audiência feita. Também é um trabalho filantrópico, social. Faço pela Mangueira e não recebo nada – conta Priscilla, que já atuou integralmente na área após se formar, mas acabou abrindo mão de um emprego num escritório de advocacia para fazer um intercâmbio nos Estados Unidos, onde morou por um semestre.

Comércio também é uma das paixões de Priscilla

Do outro lado do túnel que divide a Zona Norte – onde se localiza a Mangueira – e a Zona Sul, Priscilla encontrou outro ofício capaz de mobilizá-la tanto quanto a Estação Primeira. A mulher de Chiquinho da Mangueira toma conta de uma loja de embalagens que é gerida há anos pela família e, hoje, é dividida entre ela e a irmã.

– O comércio vem da minha família. Ela é toda, tanto por parte de pai, quanto parte de mãe, do comércio. Meus bisavôs dos dois lados, tanto paterno, quanto materno, vieram tentar uma vida melhor aqui. Um veio da Síria e o outro do Líbano. Começaram do nada e foram galgando espaço, abrindo uma loja, duas, três… É uma coisa que passou de geração para geração – explica.

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Além de atuar no setor jurídico da Mangueira, Priscilla Habib também trabalha numa loja de embalagens que pertence a sua família, na Zona Sul do Rio de Janeiro | Fotos: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

As finanças são as principais atribuições de Priscilla no negócio familiar. Com a mesma coragem utilizada para defender a Mangueira nos tribunais, a primeira-dama é responsável por manter as contas do local em dia, mesmo em meio à crise econômica.

– Resolvi assumir a loja, sem abandonar a minha área, o Direito. Nós duas estamos na loja, eu e minha irmã, cada uma numa área. Ela fica com o setor de compras e eu na parte financeira. Pago contas, duplicatas, fecho caixa… No comércio, geralmente é importante dividir tarefas – ressalta Priscilla.