Sem subvenção, carnavalesco e cantor, Caprichosos pode ficar de fora do Carnaval 2018

Por Redação

Mais de 20 carnavais no Grupo Especial e dona de desfiles memoráveis da Marquês de Sapucaí nas últimas décadas, a Caprichosos de Pilares não consegue, nem com tamanha bagagem, se estabilizar pra simplesmente entrar na Avenida. Mais uma vez sem as documentações necessárias e vivendo uma briga judicial eterna – entre situação e oposição -, a escola não pode receber a subvenção municipal, o que tem tornado quase impossível a missão de botar o carnaval na rua.

Após a notícia que a verba da prefeitura não vai cair nas contas da azul e branco, houve uma debandada geral. Saíram, só nesta semana, o carnavalesco Sandro Gomes, o cantor Tem-Tem Jr. e o diretor de carnaval.

– A escola não está nas condições que me apresentou assim que cheguei, o sentimento é de tristeza – disse o intérprete Tem-Tem Jr, ao anunciar o desligamento da Caprichosos.

A presidente de honra Juliana Leandro já acenou com a possibilidade de não desfilar, em entrevista ao site Carnavalesco.

Da política, a Caprichosos de Pilares tirou inspiração para os seus carnavais mais brilhantes, com o toque crítico e bem-humorado do carnavalesco Luiz Fernando Reis, nos anos 1980. Agora, décadas depois, é justamente a política, fonte das melhores sacadas já vistas na escola, que aparece como ativo central na derrocada de uma bandeira tão importante. Consagrada ‘campeã do povo’ no passado, a azul e branco pode ter no presente um terceiro rebaixamento consecutivo e uma vergonha jamais registrada pra ela.

A temporada de 2018 reserva, pelo visto até aqui, mais um capítulo de um inferno astral que não parece ter fim. A representante de Pilares, bairro da Zona Norte, vem de duas quedas de grupo seguidas e desfila – ou desfilaria – no Grupo de Acesso C, que é a quarta divisão da festa, na Segunda-feira de Carnaval.

A briga de poder envolve situação, comandada por Carlos Fernando Leandro, filho e neto dos ex-presidentes Alberto Leandro e Fernando Leandro, e a oposição, que tem Paulo de Almeida, também ex-presidente da Caprichosos, como nome mais conhecido. De sentença em sentença, liminar em liminar, a azul e branco vai minguando.