Por Redação

Única agremiação da Série A ainda sem enredo para o ano que vem, a Santa Cruz também não sabe como vai colocar o carnaval na rua em 2019, é o que diz o presidente Zezo ao Sambarazzo. Nesta quinta-feira, 2, o barracão da verde e branco foi lacrado, com todas as alegorias dentro, por parte de representantes de uma empresa privada, que comprou o terreno na Zona Portuária do Rio, nas proximidades da Cidade do Samba.

Terrenos na Zona Portuária foram vendidos para a iniciativa privada | Foto: Arquivo

A Santa Cruz ficava no mesmo espaço ocupado pela Inocentes de Belford Roxo, que também teve que deixar o local. A tricolor da Baixada, inclusive, recebeu a “visita” de um oficial de justiça e uma viatura da Polícia Militar para se retirar do lugar.

— Não vou anunciar enredo. Não tem enredo. Não sei se vou fazer Carnaval. Não tenho nem local pra fazer Carnaval. Se até setembro eu arrumar um barracão, eu faço Carnaval — avisa Zezo.

Barracão da Santa Cruz foi lacrado com todas as alegorias dentro | Foto: Reprodução/Internet

O dirigente afirmou que não pensou em nenhum local pela região Central do Rio para instalar a escola e que pode ter que levar todas as alegorias para Santa Cruz, bairro da Zona Oeste do Rio, que fica cerca de 65 km distante da capital fluminense, onde acontecem os desfiles.

— Todo mundo estava sabendo desse despejo e ninguém fez nada. O oficial de justiça e o advogado ainda tiveram o bom senso de deixar os carros lá dentro. Não vão pegar chuva, pelo menos. Mas não posso entrar pra trabalhar. O que o poder público vai fazer? Será que vai ter Carnaval? — questiona.

Zezo não sabe como irá fazer o Carnaval do ano que vem | Foto: Reprodução/Internet

Inocentes se hospeda em barracão

Despejada, a agremiação de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, já arrumou um canto provisório. O presidente da escola, Reginaldo Gomes, levou a estrutura de carros para um outro galpão bem próximo ao antigo. O novo espaço era ocupado pela Viradouro, que subiu para o Grupo Especial.

Nesta quinta-feira, a Inocentes recebeu a “visita” da Polícia Militar e de um oficial de justiça | Foto: Arquivo pessoal

— Conseguimos um local aqui próximo. Ao lado da Rocinha, onde estava a Viradouro. Era o antigo barracão do Arranco do Engenho de Dentro. Estou dando o meu jeito, mas é uma outra área provisória. Precisamos de uma Cidade do Samba 2. Foi a promessa do antigo prefeito. O poder público não está nos dando atenção — lamenta Reginaldo.

Segundo a Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Lierj, responsável pelo grupo, um terreno localizado na Avenida Brasil, no bairro do Caju, está sendo pleiteado junto à prefeitura para que Inocentes, Alegria da Zona Sul, Acadêmicos de Santa Cruz e Sossego possam desenvolver os trabalhos para o ano que vem.

Lierj divulga comunicado em tom de protesto

A entidade que organiza os desfiles da Série A divulgou nesta sexta-feira, 3, um comunicado sobre a retirada das agremiações da Zona Portuária do Rio. Leia abaixo:

“Estamos no segundo semestre de 2018 e a situação dos barracões das escolas de samba da Série A fica a cada dia mais crítica. Cinco agremiações já foram desalojadas: Alegria da Zona Sul, Unidos de Bangu, Inocentes de Belford Roxo, Acadêmicos de Santa Cruz e Acadêmicos do Sossego, além da Unidos do Porto da Pedra, que já está com ordem de despejo e sem local para levar as alegorias. No mesmo caminho, a Rocinha também vem sendo processada, assim como há um sério risco para a Renascer de Jacarepaguá.

É extremamente preocupante observar que as desocupações vêm ocorrendo sem qualquer tipo de planejamento por parte do poder público e da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto, responsável pela maior parte das ações de despejo.

Até o momento, o que vem sendo notado é que as escolas estão sendo removidas e jogadas ao relento, sem que haja a indicação de outros espaços para que os carros alegóricos e os materiais possam ser preservados e transferidos, de forma que os trabalhos continuem sem prejuízo ao Carnaval da Série A do Rio de Janeiro e, consequentemente, aos artistas que vivem dessa manifestação cultural.

Sabe-se que a CDURP, inclusive, já agendou reuniões com Polícia Militar, CET-Rio, Comlurb, Defesa Civil, SECONSERMA, Superintendência Regional do Centro, Guarda Municipal e outros órgãos para desocupar o barracão da Unidos do Porto da Pedra.

O receio maior é que ocorra algo semelhante ao drama já observado nessa quinta-feira (2), quando uma viatura da Polícia Militar chegou ao espaço onde estão a Santa Cruz e a Inocentes com um oficial de justiça executando a ordem de despejo imediato.

Vale ressaltar, ainda, que vêm sendo comuns os casos de incêndios envolvendo barracões da Série A. Só neste ano, por exemplo, o fogo já destruiu alegorias e trouxe incontáveis prejuízos para escolas como Porto da Pedra e Unidos da Ponte.

Após muita procura e insistência por parte da Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, a Riotur havia prometido em maio viabilizar junto à Prefeitura a cessão de um terreno para que as escolas de samba pudessem realizar os trabalhos em segurança e em condições dignas. A Lierj já oficializou o pedido e efetuou todos os procedimentos indicados, porém, até o momento, ainda não teve um retorno concreto.

Nunca é demais recordar que, no Carnaval de 2018, a verba (que já sofrera um corte de 50% e um impacto direto de 75% no valor total) só foi liberada a menos de duas semanas para os desfiles. Na ocasião, houve uma promessa da Riotur para que as conversas fossem antecipadas e esse problema não se repetisse no ano seguinte.

Enquanto isso, já estamos em agosto e a maioria das escolas de samba da Série A sequer possuem um local para construir o Carnaval.

A Lierj ressalta que, além de estar acompanhando tudo de perto, manifesta total apoio e suporte às agremiações, além de não medir esforços para que as promessas do poder público sejam cumpridas e o Carnaval da Série A não seja ainda mais prejudicado”.

*Foto de capa: Irapuã Jeferson

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