Por Rafael Arantes

Os ensaios técnicos em preparação ao Carnaval 2016 começam a movimentar o Sambódromo carioca neste domingo, 13, com Acadêmicos da Rocinha, Alegria da Zona Sul e Unidos de Vila Isabel, a partir das 19h. Um dos sambistas mais ansiosos para o início da temporada de treinos das escolas, que funcionam como uma boa prévia do desfile, é José Carlos Faria Caetano, o Machine, conhecido nos bastidores carnavalescos como o “síndico” da Passarela do Samba. É que há mais de 30 anos ele mora na própria Marquês de Sapucaí e, por isso, tem propriedade de dizer que conhece melhor do que ninguém o palco da festa.

Com tanto domínio do local, Machine não perde um dia de ensaio sequer e, por vezes, faz o comentarista e dá seus pitacos a quem requisita a opinião do morador da área mais vip da folia. Em conversa com o Sambarazzo, por exemplo, ele fez uma avaliação inusitada sobre o desempenho das escolas: ele acha que o resultado para quem busca perfeição demais pode ser desapontador.

– As escolas precisam vir para o ensaio técnico buscando erros e acertos. Não adianta vir para brincar. Jogo é jogo e treino é treino. A ideia do ensaio técnico é ver o que pode ser melhorado, não tem competição. Se for nessa onda de acertar demais no ensaio técnico, pode ter certeza que vai errar no dia do desfile – afirma.

Machine diz que escolas precisam levar a sério os treinos, mas frisa que a agremiação que acertar muito em ensaio pode decepcionar no desfile oficial – Foto: Reprodução/Facebook

Pista já vem sendo ocupada há cerca de um mês para ensaios secretos na madruga, sobretudo por casais de mestre-sala e porta-bandeira e equipes de comissão de frente, que costumam treinar em horários que o Sambódromo fica às moscas, a fim de manter em sigilo o que preparam para o desfile de suas escolas:

– Todos que quiserem poderão ter seu tempo de ensaio aqui, é só manter o mesmo esquema de enviar um ofício pra gente e marcar o melhor horário. Estamos de 18h às 7h preparados para ajudar todo mundo.

Diretores querem mais ensaios técnicos

Diretor de harmonia da Vila Isabel e da Cubango (Série A), Decio Bastos pede um número maior de ensaios técnicos no palco principal da festa. Segundo ele, a própria Vila, que será uma das primeiras a treinar na Marquês de Sapucaí, sente falta de um segundo encontro para se atualizar da situação dos possíveis erros que não gostaria de ver no desfile pela impossibilidade de ajustar em mais de uma oportunidade:

– Acho que o que falta para as escolas é ter mais de um ensaio técnico, como já aconteceu aqui no Rio. Concordo totalmente que vamos lá pra descobrir nossos erros, e acho que falta a segunda chance de conferirmos se conseguimos melhorar. Cada escola tem seu palco de ensaio, mas não é a mesma coisa. A Sapucaí tem que ser mais aproveitada pelas agremiações, sempre digo isso. A Vila será a primeira a ensaiar e depois vamos nos modulando nos ensaios da 28 de Setembro (rua onde é sediada a quadra da azul e branco), mas queria muito ter um segundo encontro lá. Temos que estudar o nosso campo de jogo.

Decio acredita que escolas deveriam ensaiar mais de uma vez na Sapucaí | Foto: Pawel Loj / Divulgação
Decio Bastos acredita que escolas deveriam ensaiar mais de uma vez na Sapucaí – Foto: Pawel Loj/Divulgação

Quem endossa o discurso de Decio é Kenga, diretor de carnaval da Renascer de Jacarepaguá, que também já iniciou sua maratona de ensaios de rua antes do de testar seus componentes no Sambódromo.

– Concordo totalmente com o Machine. Essa é a hora que temos para errar. O nome já diz, ali vamos buscar aprimorar o andamento da escola, da bateria… Se tiver alguma coisa pra errar tem que ser nessa hora. Sinceramente, eu acho até que cada escola deveria realizar dois ensaios técnicos, pois são muito valiosos – conclui.