Só a campeã! Liesa não confirma ensaios técnicos, mas garante treino da Beija-Flor na Sapucaí

Por Redação

A notícia de que a Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) conseguiu arrecadar R$ 600 mil via Lei Rouanet (de incentivo à cultura) para a realização dos ensaios técnicos antes do Carnaval 2019 reacendeu as esperanças dos sambistas nesta sexta, 4. Na contramão da euforia, o presidente da instituição, Jorge Castanheira, alerta os leitores do Sambarazzo: ainda não há nada fechado sobre o tema, nem mesmo um roteiro de datas mantido, como fez parecer uma corrente divulgada hoje via Whatsapp e desmentida pelo dirigente.

O maior obstáculo segue sendo financeiro: apesar da doação feita pela Ball, empresa que produz e recicla latinhas de alumínio, a quantia ainda não é suficiente para que as agremiações possam fazer o saque do valor. Cada projeto apresentado para captação via Rouanet precisa atingir, segundo afirma Castanheira, pelo menos, 20% do valor previamente requisitado na proposta enviada ao Ministério da Cultura. No caso dos ensaios técnicos, o projeto prevê um custo de R$ 2.604.143,85.

Não é bem assim! Jorge Castanheira, presidente da Liesa, explica que os ensaios técnicos não estão confirmados, ainda não têm datas certas para acontecer e nem programação pré-estabelecida | Foto: Arquivo

Desta maneira, os treinos só poderão ser realizados caso existam novos aportes de outras empresas e, além disso, se contemplarem apenas as escolas de samba do Grupo Especial. Os gastos com treinos envolvendo a Série A chegavam, conforme a Liesa divulgou anteriormente, à casa dos R$ 4 milhões, algo inviável de ser captado a esta altura do campeonato.

— Como não atingiu os 20% necessários pra sacar, nada feito ainda. A Lei Rouanet ainda não está aprovada pra 2019. Há uma perspectiva grande de conseguir esse recurso. Nesse caso, faríamos um grupo de datas, mesmo de maneira menor, pra fazer os ensaios. Teríamos somente as escolas do Especial, que já nos demonstraram interesse. Mas não teria a participação das escolas da Série A. Estamos fazendo o possível para viabilizar, estamos fazendo de tudo — garante Castanheira.

Os tradicionais treinos foram cancelados ano passado em virtude da falta de recursos financeiros. A Liesa argumentou que arcava sozinha com os custos para realização do evento. Há 15 anos, os eventos faziam parte das atividades de lazer dos cariocas, sempre com entrada franca, o que garantia a lotação máxima da chamada “Passarela do Samba”.

Beija-Flor é a única com ensaio garantido

Mantendo o esquema do ano passado, o teste de luz e som do Sambódromo (acompanhado da lavagem da pista pelas baianas) está confirmado e vai acontecer no domingo que antecede os desfiles, dia 24 de fevereiro. A campeã de 2018, Beija-Flor de Nilópolis, será a única a cruzar a passarela se nada mudar.

A possibilidade de a vice, Paraíso do Tuiuti, também treinar em campo de jogo, está descartada. Isso só vai acontecer se todas as outras 12 escolas, além das duas, puderem participar dos trabalhos.

— Se houver calendário de ensaios técnicos para o Grupo Especial, sim (a Tuiuti irá ensaiar). Mas não tá garantido. Único garantido é o da Beija-Flor — esclarece o mandatário.

A Beija-Flor será a única escola a treinar na Sapucaí, se nada mudar nas próximas semanas| Fotos: Alexandre Macieira/Riotur

Busca por patrocínio da Light continua

Castanheira também declarou que ainda há a possibilidade da Light, concessionária de energia elétrica do Rio, patrocinar os ensaios através da lei de isenção do ICMS, algo que vem sendo articulado pelo governo e pela prefeitura, com apoio da Empresa Pública de Turismo do Rio (Riotur).

Com a redução do número de escolas — por conta da não participação das agremiações do acesso — o custo para viabilizar os treinos no Sambódromo seriam reduzidos. No entanto, a Liesa ainda estuda como aplicar os valores arrecadados.

— Existe uma despesa diária, estamos fazendo esse cálculo para reduzir na proporção das escolas que ensaiariam. Somente depois disso saberemos o valor necessário para viabilizar. Temos os gastos de carro de som, banheiros químicos, e cada gasto varia em função do tempo de utilização das estruturas — detalha o presidente.

Fake news! Lista de ensaios era falsa

Informado pela reportagem da existência de uma lista com a suposta ordem dos ensaios técnicos das escolas, que circulou como algo definido na internet, Castanheira nega a existência de qualquer programação pré-estabelecida:

— Não sei de lista nenhuma. Não tem nada oficial. Como informei, nem sabemos se terá ensaio técnico.

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