Só Portela deu contra! Mocidade foi reconhecida campeã por 7 votos a favor, 5 abstenções e 1 contra

Por Redação

Não foi unânime a decisão do Carnaval 2017 ter duas escolas de samba campeãs. A Mocidade, que na noite desta quinta-feira, 5, passou a dividir o título com a Portela, após reunião a portas fechadas na sede da Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa, agora chega ao hexacampeonato de sua história.

A verde e branco, que reivindicou o troféu de campeã, agora empata com a azul e branco de Madureira. Participaram do encontro que marcou a virada de jogo representantes das 13 agremiações do Grupo Especial. Votaram a favor da Mocidade sete escolas. Houve cinco abstenções e apenas a Portela votou contra a Mocidade.

– A escola estava brigando pelo certo, cumprimos nosso papel. Não foi pedido nada de absurdo. Não questionamos o título, pedimos pra dividir. A Liesa agiu bem por reparar um erro material. A Mocidade não foi campeã da forma ideal, da forma mais emocionante, na Quarta-feira de Cinzas. Mas vamos fazer festa, vamos comemorar – disse Rodrigo Pacheco, vice-presidente da Mocidade.

Diretoria da Mocidade em festa! O vice-presidente administrativo Luís Claudio Ribeiro; o patrono Rogério de Andrade; o vice-presidente da escola, Rodrigo Pacheco; o diretor de carnaval Marquinho Marino; e a advogada Valéria Stelet – Foto: Irapuã Jeferson

Presidente da Liesa diz que Portela pode entrar com recurso

O dirigente, que teve a companhia do patrono Rogério Andrade na plenária da liga, disse que a reunião teve momentos de ânimos exaltados, mas ressaltou que tudo correu dentro da mais perfeita ordem, considerando a relevância do assunto em pauta.

– Foi uma discussão acalorada, mas houve respeito entre todas as partes. Viemos prontos para o debate de ideias e deu tudo certo. A liga tá muito receptiva a esse debate pela melhoria – completou.

Presidente da Liesa, Jorge Castanheira disse que o fato, inédito na história do Carnaval, alertou a possibilidade de a Portela, que até então comemorava o título sozinha, após 33 anos sem levantar a taça, recorrer da decisão:

– Tudo relativo ao Carnaval foi debatido hoje. Foi um ano de aprendizado. Faremos, daqui pra frente, reuniões específicas e nós precisamos identificar itens que vão ser debatidos, assim como acidentes. Foi discutido o que deu certo e o que não deu certo, como a gente faz todo Carnaval. Mas existe possibilidade de recurso no estatuto da liga. Esgotadas as vias administrativas, a Portela tem também o direito de recorrer à justiça comum.

Presidente da Imperatriz não gostou do resultado

O presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luiz Pacheco Drumond, que já presidiu a Liesa (1998-2001), participou da plenária e não gostou do desfecho do caso.

– Para o samba, no geral, foi ruim. A mais prejudicada é a Liesa, é o Carnaval – disse.

Entenda o caso!

No fim do mês passado, a Mocidade convocou uma coletiva de imprensa para anunciar as medidas que pretendia tomar diante da divulgação das justificativas das notas do júri técnico do Carnaval 2017. A escola luta para reparar o equívoco do jurado de “Enredo” Valmir Aleixo, que alegou ter dado 9,9 à verde e branco por causa da ausência de um destaque de chão que não estava presente no roteiro oficial do desfile. A confusão se deu porque o julgador, na hora de avaliar a Mocidade, consultou a primeira versão do livro que havia recebido da liga, numa reunião prévia de instrução no dia 31 de janeiro, mas que acusava a existência de uma destaque de chão que, na versão oficial do livro, entregue aos jurados no dia do desfile oficial, não era citada.

Em virtude do problema, a Liesa estuda mudanças em relação à entrega do roteiro dos desfiles.

– Nos próximos carnavais, vamos ter que mudar o sistema. A liga vai ter que cobrar para as escolas um prazo definitivo e, a partir de um momento, mudanças serão feitas somente por erratas. Vamos tomar esse caso como referência para corrigir alguns procedimentos – explicou Castanheira.

Portela estava há 33 anos sem ganhar

A Mocidade, que perdeu o campeonato exatamente por um décimo para a Portela, entrou com um recurso administrativo para requerer o título e também a premiação de campeã, em divisão com a Portela, que há mais de três décadas não vencia o Carnaval. O último campeonato da Mocidade foi em 1996.

– Não queremos tirar o título da Portela, mas é justo que a gente também seja campeão – defendeu o gerente administrativo Leandro Gomes, que participou da primeira manifestação sobre o assunto, dia 22 de março, também em frente à sede da Liesa.

Nesta quinta-feira, 6, às 17h, a Portela vai realizar uma coletiva para comentar a divisão do título do Carnaval 2017.