Por Redação

Dono de um dos desfiles mais comentados da última temporada, que deu o vice-campeonato à Paraíso do Tuiuti, o carnavalesco Jack Vasconcelos promete um carnaval ainda mais crítico do que o de 2018, quando colocou um destaque vestido de vampiro usando uma faixa presidencial, numa clara referência a Michel Temer. O artista conta ao Sambarazzo que o enredo sobre o Bode Ioiô, um ilustre personagem do folclore cearense, vai dialogar com a atual situação política do país.

Jack com o bode Ioiô, personagem do enredo da Tuiuti para 2019 – Foto: Divulgação

– Será um desfile mais crítico do que 2018. Faremos uma crítica direta ao retrocesso. Ninguém pensa na salvação pela educação. Hoje, há um crescimento da selvageria, da justiça pelas próprias mãos. Há uma falta da visão do comunitário – pensa Jack Vasconcelos.

Impactante! A comissão de frente da Tuiuti de 2018 foi um dos destaques do desfile sobre a escravidão – Foto: Arquivo

O carnavalesco ainda pretende explorar a forma como o cenário atual da política brasileira se encaixa dentro da história do bode que, reza a lenda, chegou a ser eleito vereador no Ceará. O animal viveu em Fortaleza na início do século XX.

– O bode acaba virando um pano de fundo dentro disso tudo. O bode mostra o desespero das pessoas porque elas não têm mais crença no político. Ou seja, é melhor votar num bode, em um animal, do que numa pessoa que sabe ler, falar, interagir – completa.

Vampiro com faixa presidencial foi sucesso durante os desfiles de 2018 – Foto: Sputnik/Cris Dias

“Estou muito mais à vontade”, revela Jack

Assinando o sexto carnaval na Paraíso do Tuiuti, tendo conquistado o vice-campeonato no último desfile, um feito histórico tanto para a azul e amarelo quanto para a carreira do carnavalesco, Vasconcelos afirmou que está se sentindo bem mais à vontade para 2019. O desfile, plasticamente, será mais leve e colorido, seguindo uma das marcas de Jack.

– É um desfile muito diferente do ano passado. O desfile da escravidão era muito denso e isso passava para o visual. Era muito metalizado, mais pesado. Ano que vem será o oposto, será mais ensolarado (risos).  O enredo do bode pede uma molecagem, umas coisas mais coloridas – conta.

Assim como em 2018, a escola optou por não fazer disputa de samba-enredo. A obra dos compositores Moacyr Luz, Claudio Russo, Dona Zezé, Jurandir e Aníbal foi divulgada no mês passado. 

*Foto de capa: Sputnik/Cris Dias

NENHUM COMENTÁRIO

Deixe uma resposta

48 − 44 =