Verde e rosa pode! Carnavalesco da Mangueira critica ministra de Bolsonaro: ‘Cor não tem gênero’

Por Redação

Estão dando o que falar as mais recentes declarações da ministra dos Direitos Humanos do governo Jair Bolsonaro. Damares Alves, que é pastora evangélica e advogada, foi filmada enquanto discursava a um grupo de interlocutores em Brasília sobre o que chama de uma “nova era no Brasil”. Nas imagens divulgadas nesta quarta, 3, ela aparece dizendo que, agora, “menino veste azul e menina veste rosa”.

Ministra recém-empossada do governo Bolsonaro, Damares Alves foi filmada enquanto dizia que, em sua gestão, ‘menino veste azul e menina veste rosa’

O papo reto esquentou os tamborins dos debates nas redes sociais e despertou a atenção do carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira, acostumado a trabalhar as cores da escola (o verde e o rosa) na construção das alegorias e confecção fantasias para o Carnaval.

Em reposta à responsável pela pasta dos Direitos Humanos, Mulheres e Família, o artista compartilhou nas redes sociais uma foto da comissão de frente da Estação Primeira para o desfile de 1977. No registro, os sambistas Nelson Cavaquinho, Cartola, Tuninho Caolha e Carlos Cachaça aparecem vestidos com ternos que, aos olhos da ministra Damares, provavelmente não seriam adequados como trajes para homens.

— #Cornãotemgênero, senhora Ministra! Esse pessoal não pode ver uma vergonha que já quer passar, né não? Na foto, a histórica comissão de frente da Mangueira para o carnaval de 1977 — escreveu Leandro, que tem o costume de se posicionar politicamente através da internet.

 

Livre das amarras, Leandro Vieira vira e mexe é visto por aí vestindo rosa (uma das cores da Mangueira). Em resposta à ministra Damares Alves, ele utilizou as redes sociais para compartilhar uma foto em que mangueirenses ilustres vestem trajes que, para ela, seriam femininos | Fotos: Irapuã Jeferson/Sambarazzo e Reprodução/Facebook

Críticas políticas nada tímidas

Essa não é a primeira vez que Leandro se posiciona publicamente sobre ações de personalidades importantes do mundo da política. Quem acompanha a trajetória dele sabe que, desde que o prefeito do Rio cortou 50% das verbas para o Carnaval de 2018, o carnavalesco não se furtou a reprovar a atitude de Marcelo Crivella (PRB).

Neste contexto, a Mangueira levou para a Sapucaí uma imagem do político retratado como judas. A narrativa bíblica da traição foi utilizada para relembrar a promessa de campanha em manter o apoio financeiro às agremiações, o que não aconteceu.

Crivella ganhou uma ‘homenagem’ assinada por Leandro Vieira no desfile da Mangueira: uma imagem dele no lugar do judas que a população costuma estourar, simbolicamente, no sábado anterior à Páscoa | Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

Leandro adotou a mesma postura combativa em relação ao projeto Escola Sem Partido, que tramitou na Câmara dos Deputados antes do recesso parlamentar de fim de ano. Parte da resposta dele diante da proposta que visa banir questões ideológicas dos colégios foi a concepção do enredo para este ano, “História para ninar gente grande”. A ideia é apresentar versões alternativas daquilo que é narrado pelos livros didáticos sobre o que aconteceu no passado histórico do Brasil.