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Anísio Abraão David

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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

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Por Luiz Felippe Reis

Quem é ligado em Carnaval sabe da importância da família Abraão David – principalmente na figura de Anísio – para formação, crescimento e consolidação da Beija-Flor de Nilópolis entre as maiores escolas de samba do Rio de Janeiro. Aos 80 anos, o homem forte da azul e branco sabe que inevitavelmente vai chegar a hora de passar o bastão da escola para um sucessor. E, já que alguém terá de substituí-lo mesmo, por que não o próprio filho?

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo – criado pelo coreógrafo Marcelo Misailidis -, que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. A sacada para falar de algo tão triste e atual foi de Gabriel David, filho do patrono Anísio Abraão David, talvez na maior intervenção do herdeiro nos caminhos da escola de samba até hoje.

Como ele confessa, Gabriel chegou a ficar ‘travado’ na hora de opinar, mas contou com a abertura da comissão de carnaval e tem conseguido, aos poucos, dar uns toques e participar mais ativamente do processo de criação no desfile do ano que vem.

– Meu pai me deu total condição de entrar no barracão e fazer o que eu quisesse, com respeito, com tudo, mas tive possibilidade de conversar com o Laíla, de todo mundo me ouvir e conversar de volta, que é o mais importante. Não adianta eu chegar, falar, todo mundo ouvir e fazer. O legal é que rolou uma sinergia. Eu ficava meio travado de chegar na comissão, porque eu tava me metendo no trabalho dos caras, mas eles foram muito positivos. Eles ouviram as ideias, rebateram, e a gente consegue conversar. Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito – revela Gabriel.

Com aval de Laíla, Gabriel David, filho de Anísio Abraão David, tem ganhado força na Beija-Flor de Nilópolis: ‘Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito

O dirigente da nova geração tem como objetivo atrair o público mais jovem, por isso a criação de um tema sobre desigualdades sociais, algo tão presente no cotidiano. Gabriel, no entanto, sabe que é fundamental ouvir as vozes da experiência para achar uma mescla no pensamento, capaz de renovar sem tirar as identidades.

– Eu tenho que pegar mais experiência ainda. As pessoas mais velhas pensam diferente, é normal. Tem um contraste. Mas quando o contraste é construtivo, aí pode ser positivo pro Carnaval. Eu tento trazer isso pro Carnaval, mas eu tenho 20 anos… Tem uma equipe forte por trás. Pessoas mais velhas, mais novas, que pensam o tempo todo pra chegar as conclusões. Claro que às vezes a gente quer dar um passo maior que a perna, sempre tem alguém pra travar, isso é muito importante – ponderou.

Em 2018, a Beija-Flor será a sexta e última a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial. A escola busca o 14° título na história. A azul e branco é a maior campeã do Século XXI com sete campeonatos (2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011 e 2015).

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Por Redação

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. A sacada para falar de algo tão triste e, infelizmente, atual, foi de Gabriel David, filho do patrono Anísio Abraão David.

O dirigente de 20 anos de idade fez questão de conversar com várias cabeças brilhantes da Beija-Flor para buscar uma sacada para virar enredo e não abria mão de um tema: problemas sociais do Brasil. Quem fez a ligação com a obra literária “Frankestein, ou o moderno Prometeu” e levou a ideia formatada foi Marcelo Misailidis, que é coreógrafo da própria escola. A partir daí, Gabriel e todo time da azul e branco abraçaram o projeto.

Gabriel David foi o responsável pela ideia de um enredo – posteriormente criado por Marcelo Misailidis – que abordasse problemas sociais para aproximar os mais jovens – Foto: Divulgação

– Quando eu conversei com quase todo mundo na escola, falei que queria que a gente falasse dos problemas sociais. A minha geração se preocupa muito com isso. Quero aproximar o público jovem, eu falo isso o tempo todo.  A gente vive num mundo que não se sabe o que vai acontecer amanhã. Eu queria fazer algo sobre os problemas sociais, e o Marcelo veio com a ideia do monstro, e o negócio decolou – disse.

Agradar os mais jovens e, claro, renovar o público que curte a festa é um dos objetivos de Gabriel David. Levar pra Avenida um enredo atual, do cotidiano e que todos, sem exceção, se interessam é uma estratégia exatamente pra isso.

– Tem coisas no Carnaval que podem começar a mudar. A mudança é necessária. O Carnaval só tem a ganhar. Você fala para uma cidade, um país inteiro. Então, você precisa passar uma mensagem que todo o país precisa ouvir… O Carnaval é fantástico pra isso, então vamos usar isso pra melhorar. Tanta coisa ruim no mundo acontecendo, vamos combater essas coisas ruins com o Carnaval – comentou Gabriel, que costuma levar a galera dele pra conhecer a Beija-Flor.

– Trago meus amigos pra ficar aqui comigo, e os amigos começaram a trazer outros amigos. No último Carnaval, todo mundo começou a vir, então não tinha espaço físico, meio que rolava um revesamento. Mas todo mundo que vem aqui sempre gosta. É uma energia muito positiva, né? O bloqueio morre quando você entra aqui. Você chega na quinta-feira e vê um ensaio, você se arrepia – disse.

Gabriel com amigos na quadra da Beija-Flor, acompanhado pelo mestre de bateria Rodney, incluindo Enzo Celulari (de preto), filho do ator Edson Celulari e da atriz Claudia Raia – Foto: Rodrigo Mesquita/Divulgação

Para ser atual e mais próximo do que se fala no Brasil, Gabriel David e a Beija-Flor se apegaram no enredo, que é criado por Marcelo Misailidis. O coreógrafo acredita que um tema como o apresentado pela azul e branco, 30, é capaz de aumentar o interesse pelos desfiles de 2018.

– A provocação do Gabriel era buscar um enredo pra despertar o interesse no espetáculo. Eu sou um homem de espetáculo. E uma forma de despertar um espetáculo é você forçar o argumento pra que se tenha uma linha dramática. É funcionar como um pano crítico dos problemas sociais. E o sentido estético precisa ser forte lá na frente. Nada mais atual. Nenhuma pessoa do Rio de Janeiro hoje sai sem medo de alguma coisa. A cidade está mergulhada num filme de terror. É o momento de desenvolver uma narrativa nesse sentido – opinou Misailidis, coreógrafo da comissão de frente da Beija-Flor desde 2014.

Um dos carnavalescos da comissão de carnaval, Cid Carvalho vê que já era hora do Carnaval resgatar enredos que coloquem os dedos nas feridas do Brasil.

– A crítica social se perdeu faz tempo. As escolas de samba, que tiveram sempre isso como fator histórico, se perderam nisso de repente. Um enredo, infelizmente, oportuno. O abandonado é vítima, não é um monstro. O monstro é quem abandona. A Beija-Flor quer é alertar, ser porta-voz, um grito, desabafo, mas com o jeito carioquês de mostrar as coisas… Mas não vamos transformar o desfile numa tragédia – sintetizou Cid.

‘A Beija-Flor quer alertar, ser porta-voz, é um grito, um desabafo’, decretou o carnavalesco Cid Carvalho – Foto: Irapuã Jeferson

A Beija-Flor tem um bom histórico com enredos críticos sociais. Em 2003 com “O povo conta a sua história: Saco vazio não para em pé. A mão que faz a guerra faz a paz” foi campeã, iniciando uma série de três campeonatos seguidos. Em 1989, não levou, mas entrou para a história com “Ratos e urubus, larguem minha fantasia”, vice-campeão daquele ano, mas até hoje festejado pelos torcedores da “Deusa da Passarela” e amantes da festa.

Em 2018, a Beija-Flor será a última a desfilar na Segunda-feira de Carnaval pelo Grupo Especial.

Foto de capa: Eduardo Hollanda/Divulgação

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Por Redação

Quem nunca fez uma boa “trollagem” de 1º de abril, considerado o Dia da Mentira? No Carnaval, sem ser necessário estarmos no primeiro dia do quarto mês do ano, a boataria corre solta à boca pequena ou até mesmo se espalha nas redes sociais como realidade inquestionável.

Sem perder a inspiração da data mais mentirosa de todas, o Sambarazzo lembra alguns grandes boatos do samba que ganharam eco e até vultos de verdade.

Morte de Anísio durante Carnaval de 2014

Foi num Domingo de Carnaval do ano de 2014 que a fofoca de que o presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, Anísio Abraão David, tinha morrido correu pela Marquês de Sapucaí. Não se sabe quem começou a espalhar a história, mas a real é que a informação circulou e chegou a ser anunciada em rádios que transmitiam ao vivo.

Na época, Anísio havia sido internado na semana anterior no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul do Rio. Segundo pessoas próximas, ele teve fortes dores no peito, sendo submetido a um procedimento cirúrgico. Ele ficou no CTI do hospital, e recebeu alta na quinta-feira, ainda antes do Carnaval.

Três anos depois, Anísio chegou aos 80 anos e segue firme e forte no comando da Beija-Flor de Nilópolis.

 

Paulo Barros vai fazer trovoada e tempestade de raios na Sapucaí

Que o Carnavalesco Paulo Barros tem ideias mirabolantes ninguém duvida. Mas tudo tem limite. Só que o povo que tava ansioso pelo desfile da Unidos da Tijuca em 2013, numa homenagem à Alemanha, não teve. No pré-Carnaval, se definiu que o artista tinha um segredo guardado a sete chaves: ele faria trovejar na Avenida e faria cair uns raios na pista de desfiles.

Teve torta alemã, Thor, obras literárias do país europeu e tudo mais, mas nada de raios e trovões, e o boato, como era de se supor, não rolou pra valer. A fofoca começou porque o título do enredo era: ‘Desceu num raio é trovoada. O Deus Thor pede passagem pra mostrar nessa viagem a Alemanha encantada’.

 

Renato Lage é da Unidos da Tijuca

A uma semana do Carnaval 2017, o Jornal O Dia cantou a pedra. O carnavalesco Renato Lage cancelou o casamento de 15 anos com o Salgueiro e já havia acertado um contrato com a Unidos da Tijuca para 2018. O divórcio entre o artista e a vermelho e branco, como bem adiantou o jornal, se esgotou após a Quarta-feira de Cinzas, mas o acordo com a Tijuca não era tão certo assim. Tanto é que Lage fechou com a Grande Rio pouco depois do fim da temporada.

Não dá pra saber se Horta, presidente da Tijuca, e Renato chegaram a negociar, mas o certo é que a história não se confirmou, e o carnavalesco hoje é da tricolor de Caxias, e não da agremiação do Borel.

 

Renato Lage foi proibido de entrar no barracão do Salgueiro

A pouquíssimos dias para o desfile deste ano outro boato envolvendo o carnavalesco Renato Lage tomou conta das redes sociais. Desta vez, de que ele estava proibido de ter acesso ao barracão da vermelho e branco antes do desfile. Segundo os mais afiados, seria uma represália da diretoria salgueirense pela saída do artista de lá.

Poucos dias após, o Salgueiro apresentou o barracão à imprensa e lá estava Renato participando do evento, enfraquecendo o disse-me-disse que tinha rolado.

 

Por três anos, a ex-rainha de bateria da Portela, Patrícia Nery, conviveu com os boatos de que seria destronada

Ex-rainha de bateria da Portela, Patrícia Nery ficou por quatro temporadas no posto. Mas se fosse depender dos boatos, ela sairia logo no primeiro ano. Cecília Rabello, filha de Paulinho da Viola, a modelo Gracyanne Barbosa, Adriane Galisteu e outras belas mulheres foram “colocadas” no lugar de Patrícia várias vezes entre 2013 e 2016.

Passava o Carnaval e não tinha jeito. Era notícia certa em alguns veículos. Patrícia resistiu bravamente aos boatos e às “cavadas” por três anos até, de fato, sair da escola em outubro do ano passado, dando lugar para a passista Bianca Monteiro, atual rainha.

 

Na Mocidade, Paulo Barros criou carro para explodir em homenagem a filho de patrono

Outro bafafá envolvendo o carnavalesco Paulo Barros antes do Carnaval 2015 foi quando o artista estava na Mocidade Independente de Padre Miguel. No roteiro da verde e branco naquele ano havia uma alegoria que jogaria pelos ares a sensibilidade do artista.

É que, pelos boatos que correram dias antes do desfile, um carro iria explodir para representar uma homenagem ao filho do patrono Rogério de Andrade, que morreu após uma explosão de bomba num carro de passeio.

 

Cecília Rabello nova rainha da Portela

Filha de Paulinho da Viola Cecília Rabello chegou a ser dada como certa pra ocupar o posto de rainha de bateria em 2016, logo depois do desfile 2015. A portelense, no entanto, teve que desfazer o boato com uma declaração no Facebook. Ela, claro, agradeceu pelo carinho da torcida, mas negou o disse-me-disse. Patrícia Nery ficou no posto por mais um ano e oito meses.

 

Ronaldo “Fenômeno” enredo da Beija-Flor

Um dos maiores ídolos da história da seleção brasileira de futebol, Ronaldo “Fenômeno” chegou a ver seu nome como enredo da Beija-Flor versão 2017. Mas a história, que havia aparecido com muita força em 2015, não vingou, e o que era praticamente confirmado nunca chegou a estar próximo mesmo. A azul e branco escolheu Marquês de Sapucaí em 2016 e Iracema no último Carnaval.

O carnavalesco da escola na época, Fran Sérgio, negou que o tema tenha sido considerado. Recentemente, em entrevista à rádio FM O Dia, o presidente de honra Anísio Abraão David também negou qualquer aproximação com o enredo sobre Ronaldo, negando que tenha havido qualquer tipo de reunião para debater tal questão.

 

Raíssa de Oliveira namorando Roberto Carlos

Em 2011, a rainha de bateria da Beija-Flor Raíssa de Oliveira teve que ouvir que estava tendo um affair com o rei Roberto Carlos, que era o enredo da escola de samba naquele ano.

Na época, diversos veículos de imprensa, embora não cravassem a informação da pretensa relação, davam a entender o clima de romance sempre que mencionavam os dois. A história nunca foi confirmada.

 

Juliana Alves não é mais rainha de bateria da Tijuca

Essa também é clássica. Nos últimos dois anos, é verdade, o boato perdeu força, mas de 2013 a 2015 a atriz Juliana Alves teve de conviver com a fofoca de que estaria de saída da Tijuca.

O papo furado ganhou intensidade em 2015 porque, segundo críticos mais ferrenhos, Juliana estaria acima do peso. Em resposta, o presidente Horta chamou a majestade de “gostosona”, reafirmando que a bela continuaria à frente da “Pura Cadência”. A tijucana vai para o sexto ano na parceria com mestre Casagrande, em 2018.

 

Luiza Brunet enredo da Renascer de Jacarepaguá

Uma das mulheres mais expressivas do Carnaval nos anos 1990, a ex-modelo Luiza Brunet estava querendo voltar ao Carnaval 2017, tanto que retornou este ano à Imperatriz Leopoldinense, recordando os mais áureos tempos dela na Sapucaí. Mas bem antes disso, em meados de 2016, alguns malandrinhos da internet, naturalmente saudosos, chegaram a inventar que Brunet seria enredo da Renascer.

Até uma logomarca fake do tema foi criada. A escola da Série A emitiu uma nota, repudiou a informação falsa e confirmou, meses depois, um outro enredo para o Carnaval que viria.

 

Juliana Paes rainha de bateria da Viradouro

O retorno da Viradouro ao Grupo Especial depois de cinco anos gerou expectativas em 2015. A ansiedade era tamanha que os boatos ganharam forma. Ex-rainha da bateria da escola, a atriz Juliana Paes chegou a ser dada como certa na representante de Niterói naquele ano.

Não foi bem assim. A moelo Raíssa Machado seguiu à frente da bateria, e Juliana Paes de fato desfilou, mas integrou a comissão de frente, se apresentando bem longe dos ritmistas.

 

Mick Jagger enredo da Grande Rio

O caminho até era próximo. A Grande Rio realmente fez um enredo sobre uma estrela da música. Mas a escolha foi Ivete Sangalo, que causou um auê danado no carnaval da tricolor em 2017. O roqueiro inglês adora o Brasil, vira e mexe está por aqui, tem até um filho com a apresentadora brasileira Luciana Gimenez, musa da escola, mas passou longe de ser tema no palco principal do samba brasileiro.

Ainda em 2015, davam como certo que Mick Jagger seria enredo da Grande Rio. A história não vingou e, pelo jeito, não vingará tão cedo. A escola de Duque de Caxias já tem até tema para 2018, e não é o astro da música. O comunicador José Abelardo Barbosa, o Chacrinha, será o protagonista da narrativa no ano que vem.

 

China enredo

Para alguns especialistas em economia, a China será, em breve, a maior potência mundial. Mas todo esse poderio ainda não foi visto na Sapucaí. Dá pra dizer que não é por falta de disse-me-disse. Vira e mexe, o país asiático é tido como possibilidade de enredo em pelo menos três ou quatro escolas do Grupo Especial. Até hoje, nada passou de especulação e o negócio da China não firmou em nenhuma agremiação.

Será que vinga em algum momento?

 

 

Elza Soares enredo da Mocidade

Antes mesmo do Carnaval 2016, veículos importantes confirmaram para 2017: “Elza Soares será enredo da Mocidade”. Se houve negociação ou não é um outro papo, mas o certo é que não rolou a tão esperada homenagem. Poucos meses depois, a verde e branco anunciou que Marrocos, país africano, seria o tema para o desfile responsável por botar a escola de volta ao Desfile das Campeãs após 14 anos.

E o clima entre a artista e a escola esfriou. Vice-presidente da agremiação, Rodrigo Pacheco disse que Elza, através de seu empresário, teria cobrado um “valor oneroso” para ser homenageada na Sapucaí. A cantora, por outro lado, disse que não houve convite. Difícil ver esse carnaval sobre a torcedora ilustre da Mocidade acontecer tão cedo, pelo jeito.

 

Tim Maia/ Renato Russo enredo da Ilha em 2017

O enredo afro levou a Ilha novamente a desfilar bem, atingindo o 8° lugar nesta temporada. Mas antes disso, ainda nas especulações sobre qual seria o enredo para o ano que viria, cantores como Tim Maia e Renato Russo apareceram como enredo na Ilha para 2017.

Tim Maia surgiu como enredo de 2017, e estaria negociado desde 2015, antes mesmo do desfile da Ilha sobre as Olimpíadas em 2016. Em 2016, Renato Russo foi apontado como possibilidade forte por investidores e familiares do cantor que queriam levar uma proposta aos dirigentes da tricolor. Veículos também noticiaram como concreta a homenagem ao autor de sucessos como “Faroeste Caboclo”.

 

Viviane Araújo incorporou no ensaio técnico

O ensaio técnico do Salgueiro a poucas semanas do Carnaval 2016 foi um sucesso. Viviane Araújo, conhecida como a “rainha das rainhas”, fez uma apresentação memorável, chamando atenção da plateia e dos próprios integrantes da vermelho e branco. Houve até quem relatasse a performance da majestade acrescentando que ela teria incorporado uma entidade em frente ao Setor 1.

A história ganhou força nas redes sociais, mas não passou de um exagero de quem acompanhou de perto a apresentação de Vivi logo no começo do treino salgueirense. Na época, a atriz e rainha de bateria negou a história.

 

Antes do carnaval 2016, Paulo Barros fechou com a Tijuca

O casamento entre o moderno carnavalesco Paulo Barros e a tradicionalíssima Portela gerou dúvida pra muita gente que é apaixonada por Carnaval. A estreia do artista em 2016 foi um sucesso, a azul e branco ficou em terceiro lugar, perdendo o título por um décimo. Mesmo assim, o boato de que Barros estaria saindo da “Águia” de Madureira correu o mundo do samba.

A ida dele pra Tijuca foi dada como certa, mas poucos dias depois do desfile Paulo ele renovou com a Portela, frustrando a especulação de que ele já estaria acertado com a escola de Fernando Horta, onde o carnavalesco ganhou três campeonatos. A Unidos da Tijuca também renovou com a comissão de carnaval, na época formada por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo.

Até o Carnaval 2018, pelo visto, muito boato vai rolar.

 

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Por Angelina Nunes

Dona de sete títulos nos últimos 15 anos, a Beija-Flor de Nilópolis não deve estar, pelo retrospecto recente, lá muito satisfeita com o sexto lugar deste ano. A vaga no Sábado das Campeãs deu pelo menos a chance da representante de Nilópolis exibir de novo a novidade desta temporada – a escola aboliu as alas e fez grandes grupamentos com fantasias misturadas, chamados de “Tribos Beija-Flor”.

Na Quarta-feira de Cinzas, a inovação não foi perdoada pelo júri. No quesito Fantasias, nenhuma nota 10: 9,7, 9,9, 9,9 e 9,8 foram as avaliações. O enredo, que contava a história de Iracema, também sofreu: 9,9, 10, 9,8 e 9,9.

Neste sábado, 4, o presidente de honra da escola, Anísio Abraão David, foi polido na hora de criticar os jurados, mas garantiu que a inovação foi compreendida pela escola e pelo público da Sapucaí.

– Jurado erra mesmo, mas vamos ver o mapa, ver a justificativa do jurado pra saber. Vamos ver o que vão explicar. A ideia foi compreendida, pra gente foi, pro público eu tenho certeza que foi também – disse.

Se a Beija-Flor não tivesse perdido os décimos nos quesitos Fantasias e Enredo, teria terminado em 3° lugar. A azul e branco ainda tomou penalidades no premiado casal de mestre-sala e porta-bandeira, Selminha Sorriso e Claudinho, e no tão elogiado samba-enredo. Cada um perdeu um décimo.

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“Não vai demorar muito a bandeira virar capacho”, “Será que esqueceram o que é o pavilhão de uma escola de samba?”, “Perdão a todos que defendem o seu manto”

Roberta Freitas, Thainá Teixeira e Rute Alves, porta-bandeiras de Santa Cruz, Rocinha e Unidos da Tijuca, ao comentarem o vídeo, que viralizou nas redes, de uma passista sambando de biquíni com o pavilhão da Unidos da Tijuca.

 

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“Apaixonado? Sim, muito! Estou feliz. A Vivian é uma pessoa incrível, uma companheira mesmo”

Wilsinho Alves, diretor de carnaval da União da Ilha, ao assumir o namoro com a musa da escola, a bela Vivian Sister.

 

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Vi a alegria no rosto das pessoas. Eu passava e sentia o povo cantando pra você, por você. Todos os músicos dizendo que isso nunca aconteceu na Sapucaí, essa comoção toda. Foi mais do que especial. O que vivi hoje foi indescritível”

Ivete Sangalo, cantora e enredo da Grande Rio neste ano, ao traduzir o sentimento de participar da festa dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí.

 

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“É fácil ser rainha, difícil é se manter tanto tempo”

Raíssa de Oliveira, rainha de bateria da Beija-Flor de Nilópolis, sobre os 15 anos como majestade principal dos ritmistas nilopolitanos.

 

 

“Carnaval carioca e brasileiro deixou de ser profano há muitos anos. O Carnaval gera emprego, gera receita para o Estado, ajuda muitas pessoas desempregadas. Falo isso para o povo de Deus, o profano está na cabeça das pessoas, é necessário ver com outros olhos”

Anderson Paz, cantor da Porto da Pedra, que é evangélico, ao comentar como enxerga a tal “festa profana”.

 

 

 

“Vamos cantar pra caralho! Bora, porra”

Levi Junior, presidente da Vila Isabel, ao tentar mexer com os brios dos componentes da azul e branco, momentos antes do ensaio técnico, realizado há uma semana.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“Queria agradecer ao Supermercado Guanabara, ao meu amigo Emílio Guaracamp, à CSA, à Top Rio, à Odebrecht, infelizmente…, mas é parceira”

Moisés Coutinho, o “Zezo”, presidente da Santa Cruz, ao cumprimentar todos os patrocinadores da escola de samba, no microfone oficial da Sapucaí, durante o início do ensaio técnico da verde e branco.

 

 

 

“Ainda não foi dessa vez. Eles tentam, tentam, tentam, mas existe um pai maior. Estou bem”

Laíla, diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, ao mandar um recado especial para a comunidade de Nilópolis direto do hospital.

 

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Eu tava esquecida dessa emoção. Tanto tempo sem dançar… Um ano parece que é pouca coisa, mas foi muito significativo. Hoje foi especial”

Lucinha Nobre, porta-bandeira da Porto da Pedra, ao se emocionar pela volta à Sapucaí depois de ficar um ano sem escola.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“Não tenho essa coisa de ter que ganhar todo ano. A gente luta sempre pra conseguir o melhor, mas aquela coisa de que se não ganhar vou querer morrer… Não, isso não. Eu não sou fanático”

Fran Sérgio, um dos carnavalescos da Beija-Flor de Nilópolis, ao falar sobre os resultados, entre vitórias e derrotas, que já viveu na carreira.

 

 

Foto: Irapuã Jerferson
“Estou pasmo”

Carlinhos de Jesus, coreógrafo de comissão de frente da Ilha e ex-comunicador da MPB FM, ao saber da notícia que a rádio encerrou atividades.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“É muita prepotência achar que um dia eu possa ser rainha. Estou muito feliz, gratificada, está muito bom, é uma grande honra”

Wanessa Camargo, musa da Mocidade, sobre a possibilidade de um dia chegar ao posto de rainha de bateria.

 

 

 

“É machista, racista e homofóbico. Quem são os presidentes negros? Quantas mulheres? Quantos gays? A cota é baixíssima. Vamos soltar foguetes pelas mulatas que são rainhas de bateria. Isso é uma procissão de negritude. Na hora que não tiver o quadril o gringo vai embora. É a única fonte de lucro”

Milton Cunha, comentarista da TV Globo, em entrevista ao site Carnavalesco, ao ser perguntado sobre a existência de preconceito no Carnaval.

 

 

 

“O castigo vai acabar. Já passou da hora do Império Serrano voltar pro seu lugar”

Vera Lúcia, presidente do Império Serrano, ao projetar uma melhor sorte para a verde e branco no Carnaval deste ano.

 

 

 

“Pô, é um dos melhores momentos que eu já vivi. Tô me sentindo o presidente dos Estados Unidos”

Renato Thor, presidente da Tuiuti, ao definir o momento que vive presidindo a escola de samba recém-chegada ao Grupo Especial.

 

 

 

Foto: Reprodução/Internet
“Depois que ele chegar aos 21 ele vai decidir, mas sabe como é idade, é muito novo, pode se arrepender. Mas se ele quiser, tô aqui pra apoiar”

Anísio Abraão David, presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, ao admitir que a sucessão de poder na azul e branco pode acabar sendo uma missão para o filho dele mais novo, Gabriel David. A declaração foi em entrevista à Rádio FM O Dia.

 

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Acho que filho não é empecilho de nada. E quando ele estiver entendendo as coisas, vou levá-lo comigo. Tenho certeza de que vai se orgulhar”

Viviane Araújo, rainha de bateria do Salgueiro, ao projetar o futuro com o noivo Radamés, que é jogador de futebol.

 

“A Caprichosos de Pilares não enrolou bandeira, a Caprichosos tá fazendo carnaval, a Caprichosos vai fazer um grande desfile. Vamos estar orgulhosos, porque há seis meses a escola não tinha luz, não tinha mesa, cadeira. Estamos recuperando a estrutura moral da Caprichosos”

Marquinhos do Toldo, diretor de carnaval da Caprichosos, ao rebater os boatos de que a azul e branco poderia não desfilar em 2017.

 

 

 

“Fiquei desesperada, triste, decepcionada. O interesse final era arranjar dinheiro de qualquer jeito pra escola. A minha vida nunca foi um mar de rosas e dinheiro nenhum vai me corromper. Me senti usada”

Mel Brito, ex-rainha de bateria da Caprichosos e musa do Tuiuti, ao anunciar que não é mais rainha de bateria da escola de Pilares, bairro da Zona Norte carioca.

 

 

 

Foto: Eduardo Hollanda / Divulgação
“Não tô aqui pra roubar o posto de ninguém. Vim somar à escola, não importa o posto. Vou tentar dar o melhor de mim. Acho que gostar de samba é não depender de um posto pra nada”

Camila Silva, nova rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, ao comentar o clamor da comunidade pela escolha do nome dela como rainha em detrimento à empresária Carmem Mouro, que deixou o posto dois dias depois.

 

 

 

“Minha aposentadoria é aqui. Meus filhos vão me substituir. É a minha casa, minha terra. Não tem para onde correr. A Mocidade me completa, e eu completo a Mocidade”

Wander Pires, intérprete da Mocidade, ao se declarar à verde e branco em pleno ensaio técnico.

 

 

“As baterias estão muito iguais, volto a bater nessa tecla. Eu vim querendo fazer diferente, vou arriscar tudo”

Átila Gomes, mestre de bateria da Sossego, ao criticar baterias do Carnaval e evidenciar os objetivos para este ano.

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Só saio se for totalmente nua. Quer dizer, nua não pode… De tapa-sexo…”

Mulher Melão, modelo, ao dizer como gostaria de desfilar no Carnaval que se aproxima.

 

“Eles insistem em agredir a todo instante, com algumas colocações preconceituosas e racistas. Além de ofensas à escola, eles diminuem a imagem do índio, como se o índio não fosse nada. Que no desfile da Imperatriz fique provado que a escola em momento algum quis agredir o agronegócio e que seja exaltada a imagem de respeito ao próximo que o enredo traz”

Cahê Rodrigues, carnavalesco da Imperatriz, sobre a polêmica com o agronegócio, que reagiu negativamente ao tomar conhecimento de alguns trechos do samba-enredo da escola em homenagem aos índios do Parque Indígena do Xingu.

 

 

“Desenvolvi todo o projeto da comissão de frente e passei pra ele, da criação aos movimentos. Falei que não queria balé, pulinhos e, quando fui ao ensaio, tinha exatamente o que eu não queria, um (dançarino) levantando o outro… Não posso colocar o meu projeto em risco.”

Paulo Barros, carnavalesco da Portela, ao comentar a demissão do coreógrafo de comissão de frente Renato Vieira.

 

Foto: Michele Iassanori

“A gente só toma conhecimento do enredo, em si, quando o samba é escolhido. Não querendo ser visionário, mas acho que a Grande Rio vai ser um sucesso”

Alexandre Louzada, carnavalesco da Mocidade, ao analisar os enredos e os sambas das adversárias para o Carnaval deste ano.

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Por Luiz Felippe Reis

Quem é ligado em Carnaval sabe bem da importância da família Abraão David – principalmente na figura de Anísio – para formação, crescimento e consolidação da Beija-Flor de Nilópolis entre as maiores escolas de samba do Rio de Janeiro. Aos 80 anos, o homem forte da azul e branco sabe que inevitavelmente vai chegar a hora de passar o bastão da escola para um sucessor. E, já que alguém terá de substituí-lo mesmo, por que não o próprio filho?

Gabriel David, de 19 anos, o mais novo dos herdeiros do presidente de honra, surge como nome imponente para assumir o comando da maior paixão do pai, a Beija-Flor. Em praticamente tudo que envolve a escola, o cara tá no meio. Dos trabalhos diários no barracão – guiado pelo mestre Laíla – até os ensaios na quadra em Nilópolis, Gabriel gosta de estar sempre por perto, entendendo cada vez mais a mecânica de gerir uma multicampeã.

Gabriel David acompanha de perto todos os preparativos da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval 2017 – Foto: Divulgação

Na última quarta-feira, 25, em entrevista à Rádio FM O Dia, o todo-poderoso da Beija-Flor pela primeira vez admitiu que, se o filho quiser, estará ao lado dele numa possível transição de poder. Devagar com o andor, Anísio prefere aguardar o rapaz amadurecer o desejo de assumir o controle.

– O Gabriel é um garoto ainda, tem 19 anos, ele vai decidir a vida dele, é cedo. Se ele achar que deve ser o presidente, é amadurecer e ver, mas isso é mais pra frente. Depois que ele chegar aos 21 ele vai decidir, mas sabe como é idade, é muito novo, pode se arrepender. Mas se ele quiser, tô aqui pra apoiar – disse Anísio, em resposta à pergunta do jornalista Aydano André Motta, que participou da entrevista na emissora.

Há dois anos, ao Sambarazzo, ele reconheceu que precisava mesmo dar uma descansada das funções na Beija-Flor.

Em entrevista Anísio disse que vai apoiar o filho mais novo, Gabriel, caso ele queira assumir a Beija-Flor – Foto: Irapuã Jeferson

Na linha do pai, Gabriel David também é cauteloso e prefere continuar no aprendizado dentro da escola para só definir algo no futuro.

– Tenho que aprender muita coisa ainda pra pensar em presidência ou alguma coisa assim, mas eu gosto muito do Carnaval, e isso que importa – comentou o estudante de administração.

Em outro momento da entrevista, Anísio esbanjou bom humor ao falar sobre os planos para os próximos anos.

– Vou viver até os 104 anos. Cem pra viver e quatro pra descansar – brincou, arrancando risadas dos radialistas.

A Beija-Flor de Nilópolis é a terceira maior campeã do Carnaval – só atrás de Portela e Mangueira -, com 13 títulos. A trajetória vencedora começou em 1976 com “Sonhar com rei dá leão”, enredo desenvolvido pelo saudoso carnavalesco Joãosinho Trinta, mas que é de autoria do próprio Anísio Abraão David, como ele mesmo revelou durante o papo na rádio.

Em seu tempo dedicado ao Carnaval, Anísio acumulou, além de títulos para a Beija-Flor, relevantes conquistas para as escolas de samba, entre elas a criação de uma editora para conceder os direitos autorais aos autores das obras compostas para embalar os desfiles das agremiações. Ele também estava com a escola na primeira formação da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio, em 1984, chegando a presidir a instituição nos dois anos seguintes.

A Beija-Flor ensaia hoje à noite, dia 29, na Sapucaí.

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Por Leonardo Lupi

Homenageada em São Paulo pela Nenê de Vila Matilde, Cláudia Raia também brilhou no carnaval do Rio. Desfilando novamente pela Beija-Flor, sua escola do coração, a atriz cruzou a Sapucaí à frente da quarta alegoria da azul e branco, com uma fantasia que representava ‘A dama mais nobre da corte do Brasil’.

Embora feliz por ter sido tema em São Paulo, a artista revelou não ter a pretensão de também ganhar uma homenagem da ‘Deusa da Passarela’.

– Foi muito conveniente o enredo da Nenê porque sou paulista, não carioca. Acho muito legítimo que São Paulo me homenageie. Não pretenderia ser enredo da Beija-Flor porque acho que já fui muito homenageada pela escola. Sou madrinha da escola, é muita responsabilidade. Faço um trabalho o ano inteiro com a comunidade. É uma outra relação. Já fui presenteada, sou homenageada todo ano, como estou sendo agora, na Beija-Flor – justificou a global.

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Foto: Michele Iassanori

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Por João Paulo Saconi

Neguinho da Beija-Flor abriu o desfile da azul e branco de Nilópolis, já na madrugada desta segunda, 8, fazendo uma homenagem especial à irmã, Tina Flor, que morreu em novembro do ano passado. Antes de começar a cantar o samba-enredo da escola para este Carnaval, o cantor dedicou o desfile para ela.

– Quero dedicar esse desfile à Tina. (…) Espero que aonde ela estiver, esteja torcendo por mim e pela nossa Beija-Flor. Muito obrigado! – disse Neguinho ao público do Setor 1 do Sambódromo.

Logo após a homenagem, o intérprete, que comemora 40 anos de carreira neste ano, entoou o samba da Beija-Flor, levantando a Marquês de Sapucaí durante a primeira noite de desfiles do Grupo Especial do Rio de Janeiro.

Foto: Michele Iassanori
Foto: Michele Iassanori

 

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Por João Paulo Saconi

Pra quem esperava Edson Celulari tocando na bateria da Beija-Flor de Nilópolis, como ele geralmente costuma fazer, o próprio ator manda a letra: sem ensaio, nada feito. É que o artista desfilou com uma camiseta da diretoria da azul e branco durante o desfile deste domingo, 7, e, pelo segundo ano consecutivo, escolheu não dar aquela famosa palhinha entre os ritmistas dos mestres Plínio e Rodney.

– É uma questão de oportunidade. Esse ano não pude ensaiar, e, pra mim, é algo sério. Não consigo entrar sem ensaiar. Tem que entender os movimentos, as harmonias, as paradas e semiparadas que a bateria faz. É o lugar que eu mais gosto de sair, eu amo. Conheço todo mundo. Só faz sentido se eu me empenhar. É ali que eu curto mais – disse Celulari ao Sambarazzo.

Foto: Paulinho Thomaz
Foto: Paulinho Thomaz

A Beija-Flor foi a terceira escola a desfilar no Domingo de Carnaval pelo Grupo Especial carioca. A agremiação tenta o bicampeonato com o enredo “Mineirinho genial! Nova Lima – cidade natal. Marquês de Sapucaí – o poeta imortal”, em homenagem ao político e jurista que dá nome à Passarela do Samba.

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Por Rafael Arantes

Um dos clichês que mais perduram no Carnaval é o “O setor 1 é um termômetro da Avenida”. E certamente a frase se mantém na boca de todos por um simples motivo: é verdade. Não há como negar que entrar na Passarela do Samba e ouvir um “É campeã!” é pra jogar qualquer escola de samba nas alturas e facilitar bem mais o desfile ou ensaio técnico. E a Beija-Flor de Nilópolis passou por isso neste domingo, 31, que encerra a série de treinos na Avenida.

Quem ficou pra lá de satisfeito com a aclamação popular foi o patrono da escola que é “de fato nilopolitana”, Anísio Abraão David. Ao ver a recepção calorosa do público que esteve na Sapucaí, o homem forte da Beija-Flor ficou ligeiramente emocionado.

Anisio e fabiola
“É campeã”! Saudada pelo público, a Beija-Flor, do patrono Anísio Abraão David, que aparece ao lado da mulher Fabíola, fez a festa do público da Sapucaí – Foto: Sambarazzo

– Feliz em ver o povo assim. E que Deus nos abençoe também – resumiu Anísio, que revelou recentemente ao Sambarazzo o desejo de dar uma relaxada das funções na Beija-Flor no futuro.

Daqui a sete dias, a Beija-Flor desfila pra valer na Marquês de Sapucaí, buscando o quatro bicampeonato da história e o 14° título com o enredo “Mineirinho genial! Nova Lima – Cidade Natal: Marquês de Sapucaí – O poeta imortal”, desenvolvido por uma comissão de carnaval capitaneada por Laíla.

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Por Redação

Na reta final dos ensaios de comunidade, a Beija-Flor recebeu nesta quinta-feira, 21, algumas personalidades em sua quadra em Nilópolis, na Baixada Fluminense, no Rio. Com toda a pompa que a ocasião pedia, a escola acolheu na noite de treino alguns de seus filhos fiéis mais famosos.

A atriz Claudia Raia e o publicitário José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, o Boni, estiveram na casa da “Deusa da Passarela” e caíram no samba nas dependências da azul e branco. Além deles, o promoter da Grande Rio David Brazil, que costuma dar o ar da graça em Caxias, se deslocou pouco mais de 10km e aportou na cidade natal da atual campeã do Carnaval.

Anisio, Boni e David Brazil
Que trio! Patrono Anísio Abraão David (à direita) recebeu na quadra da Beija-Flor o promoter David Brazil e o publicitário e ex-diretor de TV Boni – Foto: Irapuã Jeferson

Ex-chefão da Globo, Boni revelou que vai desfilar mais uma vez na Beija-Flor neste ano. Em 2014, a escola de Nilópolis teve como tema o diretor de TV com o enredo “O astro iluminado da comunicação brasileira”. O 7° lugar não abalou em nada a relação da agremiação com o publicitário, que, sempre que pode, marca presença em território nilopolitano. Na quadra, Boni ficou até o final do ensaio, fazendo questão de passar toda a madrugada ao lado da comunidade.

Boni corte do carnaval
Com a corte do Carnaval 2016, Boni posou para fotos usando uma camisa que evidencia o carinho do empresário pela escola de samba – Foto: Irapuã Jeferson

Outra a curtir todas no ensaio da Beija-Flor foi a atriz Claudia Raia, que tem muita história pra contar nos mais de 30 anos desfilando pela escola. Recentemente, em entrevista ao Jornal “O Beija-Flor”, ela lembrou o Carnaval de 2004, quando desfilou debaixo de tempestade e escorregou várias vezes na Avenida. Mas nesta quinta, nem chuva e muito menos Claudia caíram na quadra. Muito elegante, ela distribuiu sorrisos e se dispôs aos flashes dos fotógrafos nas quase duas horas que ficou em Nilópolis.

Claudia raia beija-flor
Na alegria ou na dor! O casal de anfitriões Anísio e Fabíola, além do cantor oficial da escola, Neguinho da Beija-Flor, fizeram as honras da casa para a “nilopolitana” Claudia Raia – Foto: Irapuã Jeferson

Mãe do ex-craque Ronaldo, Dona Sônia Nazário curtiu o fenômeno que é a comunidade nilopolitana e aproveitou a noite de samba na quadra da maior campeã do século XXI.

Sonia Nazario, Boni e Claudia Raia
A mãe do Fenômeno esteve na quadra da Beija-Flor ao lado de figurões como Claudia Raia e Boni – Foto: Irapuã Jeferson

Veja mais fotos do ensaio:

Boni, Claudia Raia, David e Anisio
Boni, Claudia Raiaj, David Brazil foram pra lá de bem recebidos pelo patrono da Beija-Flor, Anísio Abraão David – Foto: Irapuã Jeferson
Claudia Raia, sonia capeta e neguinho
Claudia Raia ao lado de dois ícones da Beija-Flor: o cantor oficial Neguinho e a eterna rainha de bateria Sônia Capeta – Foto: Irapuã Jeferson

 

Raissa de Oliveira
Como sempre, a atual rainha de bateria da Beija-Flor, Raíssa de Oliveira, deu show à frente dos ritmistas de Nilópolis – Foto: Irapuã Jeferson
Cassio Dias e Claudia Raia edit
Passista da escola, Cássio Dias parou um pouquinho de sambar e tirou fotos com Claudia Raia – Foto: Irapuã Jeferson

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Por Luiz Felippe Reis

A cinco dias do mais famoso réveillon do mundo, o do Rio de Janeiro, a Beija-Flor garantiu sua presença nas areias de Copacabana, bairro da Zona Sul carioca, com seu time titular completo. É que a azul e branco de Nilópolis, contratada pela prefeitura da “Cidade Maravilhosa” para se apresentar ao público durante as comemorações da virada, resolveu convocar de última hora sua maior estrela: o cantor oficial da escola, Neguinho da Beija-Flor.

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Olha o Réveillon aí, gente! Patrono e diretor bancam, e Neguinho estará na festa da virada na orla mais concorrida do Ano Novo – Foto: Irapuã Jeferson

No acerto com a atual campeã do Carnaval, a prefeitura não cobria o alto cachê normalmente cobrado por Neguinho nos eventos de réveillon que costuma estrelar Brasil afora. Mas nem esse contratempo vai impedir o intérprete de estar com sua escola de coração, dando as boas-vindas a 2016 em belíssimo estilo. É que o patrono da agremiação, Anísio Abraão David, e o diretor administrativo geral de barracão, Almir Reis, resolveram coçar o bolso e vão bancar a presença do dono da voz mais conhecida da Sapucaí no palco principal da festa: em frente ao Copacabana Palace, na orla mais cobiçada do planeta.

Dizem por aí que a primeira vez a gente nunca esquece. E Neguinho será debutante em dose dupla, já que o compositor de sucessos como “O Campeão (Domingo eu vou ao Maracanã…)” e “Mulher, mulher, mulher” nunca passou um réveillon fazendo shows com a Beija-Flor, e tampouco esteve em Copa para uma festança desse tamanho. Radiante pela nova oportunidade, o intérprete prefere não falar em valores, mas comemora as duas estreias.

– Fiquei muito feliz, a Beija-Flor resolveu dar esse presente a mim e às milhões de pessoas na praia. Vai ser muitíssimo gratificante passar com a minha família Beija-Flor. Eu nem iria ver os fogos, ia passar em casa dormindo, mas aí eles resolveram me dar esse presente – festeja Neguinho, que costuma encerrar o ano em palcos europeus.

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Acostumado ao luxo europeu, Neguinho agora é do Réveillon carioca. Bom para quem estará em frente ao Copacabana Palace pra acompanhar os show da Beija-Flor com sua principal estrela – Foto: Irapuã Jeferson

Mas quem gosta de samba e Carnaval não precisa ficar esperando a chegada triunfal da “Deusa da Passarela” e de Neguinho da Beija-Flor, que está programada para rolar já nas primeiras horas de sexta-feira, 1, por volta das 2h da manhã. É que duas figurinhas carimbadas da festa mais popular do Brasil vão apresentar a série de shows no palco principal do “Réveillon de Copacabana”: nada mais nada menos que Milton Cunha, repórter da TV Globo, e David Brazil, o gago mais badalado do país, que é promoter da Grande Rio, que começarão a agitar as areias da “Princesinha do Mar” às 18h do dia 31.

Vai à Copa no Réveillon da próxima quinta-feira? Veja a programação completa!

Riotur

 

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Por Luiz Felippe Reis

Esta poderia ser mais uma matéria da seção “Lado B”, onde o Sambarazzo mostra a outra profissão dos sambistas. Mas a função de ator se transformou no único lado profissional do carnavalesco Ubiratan Silva, o Bira, após o artista pedir dispensa da comissão de carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, em maio deste ano, para se dedicar integralmente à arte da atuação. Com sua companhia “Amor & Arte”, o camarada saiu dos barracões para ganhar o Brasil com seus espetáculos teatrais.

Ubiratan Silva
Ex-integrante da comissão de carnaval da Beija-Flor agora leva vida viajando pelo país com sua companhia de teatro – Foto: Arquivo pessoal

“A Beija-Flor consumia todo o meu tempo”, diz o carnavalesco

Hoje mais preocupado com os textos e as cenas, o carnavalesco deu um tempo de alegorias e fantasias para se focar nos palcos. Mas o desligamento não foi dos mais fáceis para Bira, que lembra da comoção na azul e branco quando anunciou sua saída. Até o patrono da Beija-Flor, Anísio Abraão David, fez um singelo pedido ao ator para que ele não se afastasse da atual campeã da festa.

– Todo mundo pediu muito para que eu não saísse. O “Seu” Anísio mesmo. Ele falava ‘Ô, meu filho, dá pra ficar na escola, você pode continuar fazendo suas coisas de teatro, faz os dois’. E eu respondi ‘Tô tentando há 22 anos’. E não dava mais mesmo. A Beija-Flor consumia todo o meu tempo. Meu mundo se dividia em dois. O teatro, como o Carnaval, demanda muita entrega, nunca deu pra conciliar. São minhas duas paixões, mas está na hora de me entregar ao teatro – garante Bira, que é oito vezes campeão do Carnaval integrando a comissão de carnaval da Beija.

No vídeo abaixo, Bira interpreta grandes cenas de filmes agraciados com o Oscar, (premiação da Academy of Motion Picture Arts and Sciences), nos últimos cinco anos.

Milton Cunha já dirigiu o artista

Desde menino, o destino parecia encaminhar a união das duas artes na vida de Bira. Aos 14 anos, quando apenas sonhava em ser um ator famoso, o artista teve logo quem como diretor de teatro? Milton Cunha. Não deu outra. O experiente carnavalesco logo percebeu o talento de Ubiratan para os desenhos, e o levou para o Carnaval, assim que foi chamado pela Beija-Flor, em 1993.

– Na época, eu ajudava o Milton a desenhar os figurinos e cenários que a gente usava no teatro. Daí, quando ele foi pra Beija-Flor me levou junto. Em 1997, quando ele saiu de lá, o Laíla veio com a ideia de montar a comissão, e eu fiquei. Sempre ensaiava os grupos que faziam alas teatralizadas. Eu organizava, trabalhava e transformava os passistas em verdadeiros atores – conta Ubiratan Silva, que teve Milton Cunha como professor na AFE (Associação Fluminense de Educação) , atual UNIGRANRIO, em Duque de Caxias.

Atualmente, Bira roda o país com o espetáculo “O aniversário do Chaves”, de criação da Cia. Amor & Arte. O carnavalesco interpreta o protagonista da história – Foto: Arquivo pessoal

Seis meses afastado da Beija-Flor, Bira, no entanto, frequenta a escola. Na verdade, o carnavalesco, que se diz um “beija-floriano doente”, acompanha todo o desenrolar do enredo em homenagem ao político Marquês de Sapucaí, que a escola prepara para o Carnaval 2016. Para o ano que vem, só falta decidir se ele vai desfilar ou se vai ficar na plateia só assistindo, algo que não acontece há mais de duas décadas:

– Vou lá toda semana. Vejo tudo, olho os figurinos, vou na quadra, participo dos ensaios quando dá. E tô empolgado com possibilidade de assistir o desfile. Quero desfilar, mas ao mesmo tempo dá vontade de só assistir, porque por todos esses anos eu não via. Lá na hora você está preocupado com outras coisas, você não assiste, né? Mas gostaria de assistir.

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Por Luiz Felippe Reis

Homem forte da Beija-Flor há mais de cinco décadas, Anísio Abraão David é uma das figuras mais reconhecidas do Carnaval. Um dos responsáveis pela guinada da azul e branco dentro do seleto grupo das grandes agremiações da festa, o patrono, aos 78 anos, confessa que já pensa em dar uma amenizada em suas atribuições na representante de Nilópolis, a atual campeã.

Anísio interno
Anísio Abraaão David na quadra do Salgueiro, prestigiando o lançamento do CD das escolas de samba do Grupo Especial no Carnaval carioca – Foto: Irapuã Jeferson

– Tá na hora! Já tenho ali cinquenta e tantos anos, tá na hora de dar uma “relaxadazinha” – revela o presidente de honra.

Anísio ou “papai”, como carinhosamente é chamado pela comunidade nilopolitana, não indica quem deve ser o seu sucessor. Para ele, o triunfo da escola no futuro só depende de uma receita bem simples e caseira: o amor.

Anísio e Laíla
Na quadra de sua querida Beija-Flor, Anísio ao lado de um de seus homens de confiança na escola, o diretor de carnaval e geral de harmonia Laíla – Foto: Felipe Araújo

– Qualquer um que for fazer um trabalho vai conseguir campeonato. A escola tem amor, isso vale muito. O samba hoje é gostar da escola que você está, isso é suficiente pra conseguir o título – garante confiante o patrono, que tem propriedade pra falar, afinal de contas venceu 13 carnavais e conquistou mais 12 vice-campeonatos.

Em meio a tantos desfiles inesquecíveis, Anísio não perde muito tempo na hora de eleger o favorito:

– O primeiro campeonato foi a maior alegria que poderíamos ter, que foi o “Sonhar com rei dá leão” (1976, desenvolvido por Joãozinho Trinta). Dali pra frente, começou tudo – finaliza.

Em seu tempo dedicado ao Carnaval, Anísio acumulou, além de títulos para a Beija-Flor, relevantes conquistas para as escolas de samba, entre elas a criação de uma editora para conceder os direitos autorais aos autores das obras compostas para embalar os desfiles das agremiações. Ele também estava com a escola na primeira formação da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio, em 1984, chegando a presidir a instituição nos dois anos seguintes.

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