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Beija-Flor

Por Kaio Sagaz

Dia desses, Laíla já tinha batido um papo revelador com a reportagem do Sambarazzo. Mas, ao esbarrarmos com o diretor de carnaval da Beija-Flor nesta terça, 16, ao lado de fora do barracão da escola na Cidade do Samba, no Rio, eis que o rumo da prosa acabou virando matéria.

Um dos mandachuvas da azul e branco, ele aproveitou para dar um basta na ala virtual que anda espalhando comentários nas redes sociais de que haja uma briga de egos na escola de Nilópolis. Chateado com o que tem lido e ouvido, foi enfático ao garantir que não há espaço para desavenças. Com 74 anos de idade, 61 deles dedicados à festa, ele fez questão mandar um recado para o mundo do samba.

– Vou deixar bem claro: não perco a minha liderança pra ninguém, e não perco a maneira de solucionar. Se tivéssemos em crise, resolveríamos tudo depois do carnaval – garantiu.

Laíla garante: ‘Não perco a minha liderança pra ninguém’ – Foto: Irapuã Jeferson

“Não tem nova fase porra nenhuma”

A tal vaidade começou a virar assunto fora das dependências da Beija-Flor com a ascensão do jovem Gabriel David (20 anos), herdeiro de Anísio Abrahão David (presidente de honra) dentro da agremiação. Pra turma que adora uma especulação, a juventude e a tradição não teriam chegado a um denominador comum. Mas os dois, em diferentes entrevistas ao site, deixam claro que aliança ainda pode render bons frutos através de um indispensável respeito mútuo.

Mescla entre juventude de Gabriel e experiência de Laíla pode render bons frutos na escola de Nilópolis: ‘Gabriel tem ótimas ideias, lógico que surgem debates’ – Foto: Irapuã Jeferson

– Não tem nova fase de Beija-Flor porra nenhuma, é isso que está todo mundo achando, não tem nada disso. Quando acabou o carnaval do ano passado, eu me reuni com o Seu Anísio e falei pra ele que a criação chegou no limite alegórico, que o povo reclama, a escola reclama e não estamos conseguindo sair disso. Foi quando tentamos contratar o Paulo Barros e o Renato Lage (carnavalescos da Vila Isabel e Grande Rio, respectivamente), e não deu certo. Eu busquei os caminhos. O Gabriel tem ótimas ideias, mas que precisam estar dentro daquilo que a gente sabe fazer. É lógico que em um grupo de pessoas novas, com ideias novas, e eu sendo tradicionalista, surgem debates. Queria mudar, mas mudar com inteligência, e nós tínhamos encontrado o caminho. Houve resistência e algumas coisas nós achávamos que não estava certo. Agora, tudo foi tomando um caminho normal – explicou Laíla, que ainda conta no time que integra a comissão carnavalesca com o experiente Cid Carvalho e o coreógrafo Marcelo Misailidis, que passou a atuar na parte de criação do conjunto alegórico.

“Essa nova forma de fazer harmonia foi obra do papaizinho aqui”

Em 2017, a principal aposta de Laíla foi a reconstrução da dinâmica das alas. Numa iniciativa inédita, ele transformou todos os componentes em parte de uma grande composição teatral – vestiu toda a escola de Indio dentro do enredo “A Virgem dos lábios de mel – Iracema”. Resultado? Nenhuma nota 10 no quesito Fantasias e um sexto lugar no placar geral.

Em 2017, Laíla apostou na troca de alas pelas tribos, se aproveitando do enredo de viés indígena que a escola preparou – Foto: Irapuã Jeferson

– A reconstrução das alas foi mais uma tentativa, e vou continuar esse ano. Uma andorinha só não faz verão. Mas um dia, e não vai tardar, vão ver que estou certo. Porque, ao ver os desfiles, achei que estavam muito iguais. Essa nova forma de fazer harmonia, que hoje se tornou uma loucura, foi obra do ‘papaizinho’ aqui. Vou aproveitar muitas coisas do ano passado, juntando o antigo com o novo – prometeu.

“A Beija-Flor também está em crise financeira”

Quem tem o privilégio de circular pela Cidade do Samba, onde se concentram os barracões de todas as escolas do Grupo Especial do Rio, nota que o cenário é bem diferente de outros carnavais. Faltando menos de um mês para o desfile, muitas escolas ainda sofrem com problemas financeiros e fornecimento de materiais, o que gerou um atraso preocupante nos preparativos para o grande dia de cada uma pisar na Sapucaí. A Beija-Flor, famosa por não passar aperto quando o assunto é grana, também entrou no barco da crise.

– São sessenta e poucos anos de carnaval, foi uma caminhada muito difícil. Em 1968, no Salgueiro, montei o carnaval da escola em um domingo, no Pavilhão de São Cristóvão. Às seis da manhã, tinha oito carretas do Salgueiro lá. Oito! E acabamos de montar na hora do desfile. Cada um tem que saber o que faz. A Beija-Flor também está na crise financeira, nós nunca tivemos carnaval pra estar acabando agora, em cima da hora – concluiu.

A Beija-Flor será a sexta escola a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, 12 de fevereiro, fechando os desfiles do Grupo Especial. O enredo é “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”.

Por Redação

“Como será o amanhã?”. A pergunta, versada no samba da União da Ilha de 1978, é a que mais passa na cabeça do povo, ainda mais no começo do ano, período de fazer planos e buscar realizar novos e antigos sonhos. No caso do Sambarazzo, é claro que a curiosidade gira em torno do Carnaval. Já que perguntar não ofende, convocamos um time de videntes pra responder o que interessa: Quem vai se dar melhor na Quarta-Feira de Cinzas e deixar a Apoteose consagrada campeã da festa de 2018?

E, como dizem que as cartas não mentem jamais, vejamos o que futuro reserva a cada uma das 13 escolas do Especial no Carnaval que já bate à porta.

Esmeralda de Gaya apontou o futuro pelo baralho cigano, mesma origem da clarividência de Sibyla Rudana, que confirmou as previsões no Baralho da Maria Padilha, entidade cultuada na umbanda e no candomblé, técnica igualmente utilizada pela cartomante Rosana Castela. Representante do xamanismo, o cigano Roberto El Marttini fecha a seleção de místicos convidada pelo Sambarazzo.

 Previsões por escola:

Esmeralda de Gaya – Vem cheia de orgulho e segurança. Fará um belo desfile, estará entre as primeiras, mas não ganha.

Roberto El Marttini – Há uma mulher que sabe usar a flexibilidade. Os problemas parecem maiores do que são, será um carnaval de boas recordações. Tem relações honestas de trabalho, empresa com filosofia e cultura pautada dentro dos padrões e valores éticos, é um bom jogo profissional. Não será um ano de campeonato, mas é um ano favorável pra Portela. Tem beleza, empolgação, vejo um bom desfile, deve estar entre as quatro ou cinco primeiras, mas sem vitória.

Rosana Castela – Por uma questão de teimosia, estão teimando por alguma coisa que sabem que não vai ser favorável, e isso será feito e eles serão traídos. Essa traição pode ser evitada se fizerem uma parceria ou uma negociação com alguém pra reverter o quadro da escola. Tem gente que não tá se entendendo bem. O jogo não aponta ela como vitoriosa.

Sibyla Rudana –  Fica entre as seis primeiras colocadas. No centro do jogo tem um apoio muito grande e uma verdadeira fortuna na síntese da Portela. A torre (que saiu no jogo da cigana pra Portela) fala de coisas que são esclarecidas. Quando a torre desaba, a luz entra. Algo está sendo feito de uma forma, que precisa ser feito de outra. Mas vai estar entre as seis primeiras. É um caminho de redenção. Consegue desatar um nó financeiro. E tem uma pessoa amiga, muita amiga, ligada à escola, que não vai ficar na escola.

Esmeralda de Gaya – Um desfile rico, vibrante, surpreendente e marcante. No momento, as cartas me mostram as três maiores possibilidades de campeonato, e a Mocidade está entre essas maiores possibilidades.

Roberto El Marttini – A Mocidade tem a carta do pavão. Temos que levar em consideração que 2018 é regido por Saturno, que requer perfeccionismo. Vai ter beleza, luxo, glamour… Vejo sorte nos negócios, tudo revertido em luz e paz espiritual, a justiça divina falará por seu intermédio. Um jogo muito bom, de campeã.

Rosana Castela – Vai encontrar algumas dificuldades, mas vai superar, diante de algumas mudanças que já estão acontecendo. Viram que algo iria desfavorecer e tomaram atitudes internas, modificaram e começaram a seguir um bom caminho. Está com caminhos abertos. A Mocidade é uma das favoritas.

Sibyla Rudana –  Não vejo a Mocidade sendo prejudicada nem fazendo um desfile ruim. Tudo que se pode dizer em termos de fluxo de influências tá favorecido. Mas ainda há coisas internas pra serem resolvidas, organizadas. Volta sábado com certeza.

Esmeralda de Gaya – Mais uma vez o Salgueiro virá com um belo desfile no sentido de alegorias. Desfile lindo aos olhos, mas sem a emoção que o enredo pede. O Salgueiro arrasta um período de pertubações astrais, em virtude de débitos espirituais que precisam ser sanados. Fica entre as seis melhores.

Roberto El Marttini – Salgueiro conta com a sorte. Há grande chance, no entanto, de ser manipulado por alguém de fora, o que pode causar dor e sofrimento. Poderá ser impedido de colher os frutos do trabalho, o que vai causar um aborrecimento por não perceber no resultado o esforço despendido. Volta no Sábado.

Rosana Castela – Uma das favoritas. Vai sofrer uma traição, que pode ser em nível de julgamento. Pode entrar na Avenida com tudo pra ser “a escola” e sofrer com notas indevidas, de ninguém saber explicar as notas. Mas o jogo mostra sorte. O Salgueiro vai ter um bom caminho. Se for prejudicado, será por essas traições no momento de julgamento.

Sibyla Rudana – Tem caminhos abertos pra conseguir uma excelente colocação. Mas é obrigada a se submeter a uma circunstância interna, que coloca a escola em sacrifício, uma solicitação superior, uma imposição negativa pra ela. É uma escola que vai fazer sucesso. Volta no Sábado.

Esmeralda de Gaya –  Vai fazer um desfile surpreendente, com muito amor, garra e alegria. Vem agarrando a chance da vitória, com a essência da Mangueira do passado, apostando no amor de seus integrantes para fazer a escola brilhar. Vai ser um desfile marcado pela emoção e segurança, e com muita vontade de vencer. No momento, as cartas me mostram as três maiores possibilidades de campeonato, e a Mangueira está entre essas maiores possibilidades.

Roberto El Marttini – Passa uma névoa de instabilidade na escola, falta mais harmonia interna, deve haver ou houve rupturas por mal-entendidos, e o desfecho da Mangueira neste ano traz alto risco de estresse. Não vejo boa sorte.

Rosana Castela – Jogo indica boa sorte, bom caminho, bom trabalho. Grandes possibilidades de ser a campeã. Jogo muito bom mesmo. Melhores “caídas” (cartas no jogo) foi a da Mangueira.

Sibyla Rudana – Muitas forças espirituais participando do enredo. Conflitos, adversidades, falta de resolução de problemas que estão diante do nariz, a escola precisa se unir mais. O que vejo é um cabo de força. Uns querem uma coisa, outros querem outras coisas. Corre risco de ficar numa posição indesejável. Provavelmente, não volta no Sábado das Campeãs.

Esmeralda de Gaya –  Apesar das expectativas em torno dessa escola, fará um desfile para cumprir seus requisitos, mas sem grandes marcas de expressão. Briga pelo Sábado das Campeãs.

Roberto El Marttini – A vibração é boa, a Grande Rio conta com sorte, luxo, beleza e tem grandes acertos. Não pode modificar o passado, mas pode atuar no presente preparando um futuro melhor. Há quem tente impedir o progresso, mas no final vencerá. Ela e a Mocidade vão apresentar muita riqueza, acima das outras, mas Saturno rege e exige perfeccionismo. Vai estar bem colocada, mas não leva.

Rosana Castela – Há um problema de poder na escola. Alguém está de alguma forma minando caminhos que pudessem favorecer a escola. Não é alguém agindo pra desfavorecer a escola, mas pra desmerecer o trabalho que está sendo feito por alguém, pra tirar o brilho de alguém.

Sibyla Rudana – Cinco de paus na carta do ambiente significa que tem que lutar muito pra conseguir que os olhos se voltem pra você. Mas é uma escola que tem sorte e muito dinheiro investido. Rei de Ouros, com favorecimento de recursos. Muita visibilidade. O corte diria que consegue o que quer, não como quer. Tem portas abertas, chama atenção e faz sucesso.

Esmeralda de Gaya – Muitos imprevistos e pertubações no decorrer dos trabalhos da Beija Flor. Mas a escola traz consigo o poder de transformar as adversidades em força, e seus componentes conseguem transmitir isso na Avenida. Fará um desfile arrebatador, que emocionará e contagiará aos espectadores. É uma das três mais fortes candidatas ao título no jogo.

Roberto El Marttini 2 – Neste ano, Saturno rege, e ele pede um perfeccionismo, muita destreza, e borboleta e águia são os animais de poder que representam essa perfeição. A Beija-Flor tem a borboleta. Vai fazer um carnaval muito diferente dos outros, bem melhor que nos carnavais anteriores, vai surpreender. Tem no desfecho do jogo harmonia, felicidade familiar, poder criativo usado para o bem.

Rosana Castela – Vai surpreender. Tem um conjunto harmônico, as coisas estão coesas. Isso vai surpreender as pessoas. Pode ser que sofra algum abalo na hora do desfile. Mas é uma candidata. Não por ser a Beija-Flor, mas pelo nível de organização, pelo que está sendo feito lá dentro. Podemos dizer que é candidata ao campeonato.

Sibyla Rudana – Tem O Mago, o Fazedor, o que faz e acontece. Hoje, a vibe da Beija-Flor é de campeã. Muita energia trabalhando. Muito difícil perder. Hoje, pelo jogo, a favorita é a Beija-Flor. Tem muito apoio espiritual.

Esmeralda de Gaya – É um desfile para cumprir requisitos, mas sem grandes marcas. Briga pelo Sábado das Campeãs.

Roberto El Marttini 2 – Vive um inferno astral. Precisa de uma harmonia de inter-relacionamento e, mais do que o quesito, precisa expandir o núcleo de amizades. Existe uma influência energética negativa, que pode mais uma vez tirar essa escola do Desfile das Campeãs. Acho difícil voltar.

Rosana Castela – Existe uma falta de concordância dentro da Imperatriz. Por algum motivo, pessoas se metem em assuntos que não devem se meter. Uma parceria foi quebrada e quebrou o equilíbrio emocional da escola.

Sibyla Rudana – Jogo fala de uma desistência. Tem alguém saindo fora. Ou tem alguém que não tá muito localizado no assunto. Carta fala de morte. Não é necessariamente morte, não. É alguém que sai fora. Mas a síntese do jogo é a Torre, que simboliza “não sei o que faço, não sei o que quero”. Mas há a imagem de uma criança pedindo colo. Tem uma crise interna. Vai me surpreender se no meio desse caos a Imperatriz voltar no Sábado.

Esmeralda de Gaya – É um desfile sem grandes marcas. Não cai.

Roberto El Marttini – Não fará este ano um carnaval pra ser campeã, mas se mantém no Grupo Especial. Tá precisando de força, tá vivendo dificuldades grandes. Não é um caminho fácil pra ela. É importante não ficar se lamentando, e se reerguer.

Rosana Castela – Caminhos abertos. Vem abençoada pela espiritualidade. Está com caminho de sorte. Tá redonda a escola. Há perigo de uma traição externa. Um julgamento pode não ser o correto. A Ilha vem bem.

Sibyla Rudana – Enguiços muito grandes no meio do caminho. Tem empenho, compromisso de chegar lá, mas tem que ter muito cuidado com fogo. Muito fogo pro meu gosto. Muito cuidado com a manutenção das coisas. Aconselho que busque apoio nas energias que acreditam, pra que possam melhorar essa tendência. Ainda mostra que a escola tem sorte, mas tem coisa a consertar e está precisando de ajuda.  Diria que não cai.

Roberto El Marttini – Dá pra ver que é uma escola movida à paixão. Não pode pensar em desistir, pois está alcançando êxito aos poucos, tem sorte, vejo reconhecimento. Não creio que fique entre as seis, mas não cai.

Rosana Castela – Vai ter algumas alegrias nesse carnaval. Vai chegar mais longe do que espera. Na verdade, não imaginam onde vão chegar. Vai ser prejudicada, vai ter alguns embaraços e dificuldades. Vai causar prejuízo ético. Não cai.

Sibyla Rudana – Época de virada. Mudança favorável. Tem no centro do jogo uma aliança boa. O brilho de uma pessoa, que colhe os frutos de um grande sucesso. A São Clemente não vai ficar mal, não. Embora o 7 de Paus diga que tem uma posição acirrada, dependendo de décimos pra chegar numa posição melhor.

Roberto El Marttini – O ano de 2018 Saturno está na regência. Já falei da exigência pelo perfeccionismo neste ano, e isso favorece a Vila Isabel e a Beija-Flor. A Vila tem a carta da águia, a grande visionária. Vai despertar paixões no desfile, mas é importante controlar as emoções.

Rosana Castela – Caminho próspero. De vitórias. De boa sorte. Trabalho bem sério. Trabalhando no passinho dela. Pode plenamente ter vitória. Tudo tá muito positivo. Muito favorável. Não tá passando por problema financeiro, ou de direção. Tá trabalhando em silêncio, mas trabalhando bem.

Sibyla Rudana – Se não ganhar, tá entre as seis. Favorecimento muito grande. Tem o sol no centro do jogo. Mas tem alguma coisa relacionada a atropelo de última hora. Não é acidente. Mas atrapalha. Pinta com força muito grande. Muito interessante o jogo dela. Volta entre as seis com certeza.

Roberto El Marttini – Vai se recuperar. Tem inimigos ocultos querendo criar situações pra desestabilizar. Se tiver autoconfiança fortalecida, vencerá isso. Briga pelo Sábado das Campeãs.

Rosana Castela – Tem bons caminhos. A escola vai sofrer algum tipo de injustiça. É uma escola que apesar de ter um bom caminho de condições de chegar lá, não está entre as que podem voltar. Mas poderia estar muito melhor. Alguém precisa rever os conceitos. Às vezes, dar um passo atrás é uma questão de inteligência.

Sibyla Rudana – É uma volta dela aos grandes espetáculos. Centro do jogo tem uma parceria boa, que chama a atenção das pessoas positivamente. Corta essa sociedade o Dois de Ouros, que sugere ralar mais um pouco. Que volte a ter mais criatividade. Fala sobre um desequilíbrio financeiro, falta de grana. No caminho, porém, tem a carta do carro, falando que a pessoa tem que dominar situações e harmonizar, mas tem no jogo uma vitória. O desfile vai ter destaque.

Roberto El Marttini – Tem um samba de forte vibração. Saturno exige, além de perfeccionismo, muita criatividade, e a Tuiuti terá boa criatividade. O jogo diz que só não terá êxito se não quiser, fala pra não ter medo de recomeçar do zero e terá proteção pra isso.

Rosana Castela – Vem passando por algumas dificuldades. Tendência a não sobreviver a este Carnaval no Grupo Especial.

Sibyla Rudana – Risco de ter problema. Não é legal quando tem no centro do jogo uma carta de finalização, que é a morte. Vai estar bonita. Mostra um enguiço, um problema. Tem dois cortes no jogo da Tuiuti, não gostaria que tivesse. Mostra no desfecho do jogo uma certa melancolia, tristeza, incapacidade de resolução de problemas, dificuldades.

Roberto El Marttini – Tem empolgação, esperança, mas entra com fatores negativos. Pode não cair, mas é difícil. Dá pra ver que é uma escola que tem muito amor envolvido ali dentro. O jogo fala de persistir no sonho e que a ferida, por mais dolorosa que seja, se cura. E o desfecho diz que justiça não se discute, luta-se por ela.

Rosana Castela – Tem tudo pra ter boas vitórias. Vai acontecer uma traição ou já está acontecendo um racha. Por questões de opinião, de forma de conduzir as coisas. Alguém está querendo arrumar a casa, mas há quem não queira mexer, o que leva a um racha. É como se a escola se dividisse em dois segmentos. Momento de crise no Império. Pode até não cair, mas não será fácil.

Sibyla Rudana – Centro do jogo é o sol. Chama atenção. Recomeça uma jornada de ascensão. Espero que não caia, porque tem um grande desafio interno pra resolver. Não é externo. Um peso, uma perturbação… Mas o Império vai à luta, e consegue chamar atenção.

Nota importante: A cartomante Esmeralda de Gaya não detalhou os desfiles e o resultado das escolas que, no jogo dela, ficarão de fora do Sábado das Campeãs. Por isso, algumas agremiações estão sem as considerações da vidente.

*Baralho Cigano e Quiromancia (leitura de mão) => Esmeralda de Gaya: (22) 97403-4807

*Oráculo Xamã e Baralho Cigano => Roberto El Marttini: (21) 2722-1863 / (21) 98728-6186

*Búzios e Baralho da Padilha => Rosana Castela: (21) 97044-6839 / (21) 4141-8797

*Baralho Cigano, Baralho da Padilha e Pêndulo => Sibyla Rudana: (21) 97530-7799 / (21) 3624-7555

Por Luiz Felippe Reis

Na noite desta quarta-feira, 3, já sem o calor dos ensaios técnicos tradicionais do mês de janeiro, a Sapucaí recebeu uma chuva de verão anunciando tempo aberto para as 13 baterias do Grupo Especial. O Sambódromo serviu de palco para ritmistas e outros segmentos acertarem os últimos detalhes para o “Encontro do Samba”, evento realizado pela prefeitura do Rio no próximo sábado, 6, na orla de Copacabana, maior cartão-postal da Cidade Maravilhosa.

Casais de mestre-sala e porta-bandeira também participaram do treino na Avenida – Foto: Irapuã Jeferson

Cerca de 70 ritmistas, passistas e primeiros e segundos casais de cada escola estiveram na Avenida, todos eles sem plateia – que pena -, mas mantendo a batida, o samba no pé e o bailado em dia. Mesmo não cumprindo a função técnica dos ensaios da Sapucaí, o “Encontro do Samba” tá ganhando ares de um substituto à altura pros mais saudosos dos treinos gratuitos. Os mestres de bateria, por exemplo, tão se amarrando na ideia.

– Vai parecer um ensaio técnico, a ideia foi legal – disse Nilo Sérgio, líder da “Tabajara do Samba”, a bateria portelense.

Essa história de lembrar um pouco dos ensaios técnicos, que por 15 anos e até 2017 movimentaram o verão carioca, também cativa os mestres Chuvisco, da Vila, Rodney, da Beija-Flor, e Rodrigo Explosão da Mangueira:

– A gente vai fazer um dia de alegria em Copacabana. Lá vai ser um evento pro povo, como era o ensaio técnico. Vamos com tudo, vai ser uma grande festa – disseram.

Baterias ensaiaram para o “Encontro do Samba”, super evento marcado para o próximo sábado, dia 6 – Fotos: Irapuã Jeferson

Na mesma vibe, tá o mestre da Unidos da Tijuca, Casagrande, que pretende trabalhar um pouco mais em cima do andamento da bateria pro dia do evento. É que na orla os ritmistas vão acompanhar sambas gravados num ritmo bem mais cadenciado que o normal.

– Iniciativa muito boa. Você juntar 840 ritmistas tocando sambas antológicos, a ideia é fora de série. É um momento difícil pra todas as escolas. Os ritmistas hoje em dia não estão acostumados a tocar nesse andamento. Tem muita coisa pra acertar ainda – adiantou o comandante da “Pura Cadência”.

Mestre Dudu, campeão pela Mocidade em 2017, aproveita a valorização aos ritmistas que o evento vai gerar pra puxar sardinha pra classe que forma o coração das escolas de samba.

– É histórico. Esse evento é pra mostrar a força da bateria. Ninguém quer brigar, mas tem que ver a gente com bons olhos. Os ritmistas, a gente costuma dizer, são os primeiros a chegar na quadra e os últimos a sair – disse.

Escolas de samba voltaram ao palco do samba nesta quarta-feira, 3 – Fotos: Irapuã Jeferson

Vítor Art, parceiro de Explosão na bateria mangueirense, e Ricardinho, da Tuiuti, valorizam o projeto do “Encontro do Samba” mais pela pegada da união dos ritmistas e das baterias

– Teve uma reunião antes, a galera tá mais junta, a gente trocou ideias, é bacana isso de ter novas ideias juntos. Vai ser uma diversão, e o Carnaval é isso – opinou Vítor.

– Favorece a união das baterias – completou o líder da “Super Som”.

A partir das 19h, no próximo sábado, 6, o “Encontro do Samba” vai reunir a maior bateria já vista no mundo, com mais de 1.000 ritmistas das 13 escolas de samba do Grupo Especial. Uma parte vai sair do Leme (Avenida Princesa Isabel) e outra da altura da rua Figueiredo Magalhães, para um encontro marcado no meio da orla de Copa. Ao final do desfile pela Avenida Atlântica, os sambistas se juntarão à Orquestra Petrobras Sinfônica para um show no palco montado em frente ao Copacabana Palace. Vão participar ainda do evento cantores ligados ao ritmo, como Martinho da Vila, Alcione, Diogo Nogueira e o novo fenômeno da música pop, a cantora Iza.

A divisão será feita por dois grupos para que todas as 13 baterias se encontrem no meio da orla, no mesmo palco onde foi realizado o Réveillon carioca. Império Serrano, Paraíso do Tuiuti, Vila Isabel, União da Ilha, Grande Rio, Mangueira e Mocidade formam um grupo; e o outro vem com os ritmistas, passistas e casais de Unidos da Tijuca, São Clemente, Imperatriz Leopoldinense, Beija-Flor, Salgueiro e Portela

Por Redação

Uma discussão que o Carnaval precisa encarar, e que vai muito além dos cortes de verba, é no que diz respeito ao conceito da festa e sua realização. O que pode ser melhorado no evento da Sapucaí? O que pode despertar maior interesse do público? Novas ideias, fora de velhos clichês, podem fazer a diferença pro samba voltar aos tempos de glória e cair nos braços do povo novamente, com a mesma força de outros carnavais.

Aos 20 anos de idade, Gabriel David, conselheiro da Beija-Flor e herdeiro do patrono Anísio Abraão David, abre o debate para reflexão e propõe novos métodos. Na visão dele, o Carnaval precisa se remodelar pra ontem.

– Se o Carnaval não mudar, vai acabar. E é uma mudança urgente. Tem que ser um espetáculo mais atual, mais comercial. E não é planejar pra daqui a uns anos, não. Vamos mudar agora, em 2018. Vai ser o quarto ano que estou mais presente, mas é o primeiro que começo a falar. Comecei a pedir um pouco mais de interação. Acredito muito na figura do carro alegórico, que foi uma figura que a gente fugiu no Carnaval passado. Mas, no Carnaval deste ano acho que a gente dá um bom passo nesse sentido – opina.

“Paro pra assistir o Paulo Barros”

‘Paro pra assistir o Paulo Barros. Acho que ele muda a concepção de fazer carnaval. Quero evoluir com base na ideia dele’, admitiu Gabriel – Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

Para o novato, o estilo de Paulo Barros deve ser seguido pelos demais carnavalescos da festa, a título de seduzir o público.

– Paro pra assistir o Paulo Barros, por exemplo. Acho que ele muda a concepção de fazer carnaval. Quero evoluir com base na ideia dele. Muito se critica se o Paulo cria ou copia. Mas esse não é o ponto. A qualidade dele é essa, é ter interatividade com o público, é se preocupar com o espetáculo. Não acho que seja só botando gente em cima de carro batendo palma. É muito mais do que isso. A comissão (da Beija-Flor) deste ano não foi criada pra ganhar carnaval. Não é que eu não queira ganhar. Quero passar a imagem de que você não perdeu seu tempo ali, indo ao Sambódromo – discursa Gabriel.

“Ninguém fica 12 horas ouvindo só samba”

Vivendo intensamente o cotidiano do barracão da Beija-Flor, Gabriel David compartilha com o diretor de carnaval Laíla novas propostas para a festa – Foto: Irapuã Jeferson

Pra este ano, Gabriel David vai lançar uma área VIP na Avenida. “Nosso Camarote”, comandado por ele, e que tem como sócio Ronaldo Fenômeno, vai ter de tudo. De música sertaneja aos sucessos do momento de todos os ritmos, incluindo os sambas-enredo, uma tática utilizada hoje por qualquer festival internacional de música. O conselheiro busca unir tantos estilos a fim de atrair para o mundo do Carnaval os mais jovens.

– Será um camarote totalmente diferenciado. Boate que não toca só samba. Foi esse tipo de espaço que fez o jovem voltar à Sapucaí. Ninguém fica 12 horas só ouvindo samba, nem 12 horas ouvindo só sertanejo. Qualquer festival toca outros tipos de música. Esse é um modelo que o Carnaval ainda não entendeu. Você tem que dar um serviço completo pro cliente. Os shows principais acontecerão nos intervalos. A ideia é trazer o público jovem pra escola de samba, num ambiente que o jovem queira estar, com artistas como Luan Santana e Ludmilla, e sambistas como Jorge Aragão e Péricles – conta.

Por Redação

A Beija-Flor de Nilópolis, assim como todas as escolas de samba, corre atrás de receitas para a construção ideal do Carnaval que se aproxima. A azul e branco deu um passo importante: nesta sexta-feira, 15, conseguiu aprovação para captar, via Lei Rouanet – Lei de incentivo à cultura -, a bagatela de R$ 2,4 milhões, segundo a coluna de Lauro Jardim, do Jornal O Globo. Agora, a missão é buscar as empresas interessadas no projeto para finalizar a operação.

Esperança de grande desafogo, diante do corte de verbas públicas – em 50% – ao Carnaval imposto pelo prefeito do Rio Marcelo Crivella, o Ministério da Cultura decidiu nesta semana cancelar o repasse no valor de R$ 8 milhões – R$ 1 milhão pela Lei Rouanet e R$ 7 milhões através da Caixa – às escolas de samba do Grupo Especial, jogando um balde de água fria nas pretensões mais animadas de dirigentes e torcedores.

Em 2018, a Beija-Flor tenta o 14° título da galeria com o enredo crítico “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, desenvolvido pela comissão de carnaval.

Foto de capa: Fernando Grilli/Riotur

Por Redação

Esperança de grande desafogo, diante do corte de verbas públicas – em 50% – ao Carnaval imposto pelo prefeito do Rio Marcelo Crivella, o Ministério da Cultura decidiu cancelar o repasse no valor de R$ 8 milhões – R$ 1 milhão pela Lei Rouanet e R$ 7 milhões através da Caixa – às escolas de samba do Grupo Especial, jogando um balde de água fria nas pretensões mais animadas de dirigentes e torcedores.

O departamento do Governo Federal, do presidente da República Michel Temer, alegou que exigências não foram cumpridas pela Liesa. Em nota, o MinC esclareceu a reviravolta:

– Infelizmente a Liga das Escolas de Samba não atendeu as exigências da Caixa e do MinC, que são as mesmas feitas a todos os projetos culturais patrocinados via Lei Rouanet – destacou o texto, que ainda responsabiliza a Liesa pela impossibilidade do repasse: ‘A responsabilidade é da Liga das Escolas de Samba’.

Presidente da Liesa, Jorge Castanheira reagiu às alegações do Ministério da Cultura e lamentou a negativa do governo brasileiro.

– A nossa preocupação é muito grande com relação a isso. Nós fizemos tudo o que foi pedido, e aí vem essa informação contrariando tudo o que tinha sido combinado lá atrás. Não sei se tem esperança ainda, não posso dizer – lamentou.

Decisão do Ministério da Cultura tirou R$ 8 milhões do Carnaval – Foto: Irapuã Jeferson

Entenda a história:

Em junho deste ano, o prefeito Marcelo Crivella anunciou um corte de 50% da subvenção direcionada às escolas de samba. A decisão gerou desdobramentos: a primeira delas foi executada pela Liesa, que chegou a suspender os desfiles da Sapucaí do Grupo Especial.

Com a fogueira acesa, sambistas chegaram a sair às ruas para se manifestar contra a redução de verba. A partir daí, o prefeito recebeu os dirigentes e não arredou o pé, mantendo o valor de R$ 1 milhão para cada escola do Especial. Poucos dias depois, os presidentes das agremiações finalizaram as negociações e ficou estabelecido que o contrato dos anos anteriores seria mantido, só com a alteração, evidentemente, das datas e dos valores.

Outro acordo era de que o pagamento da subvenção seria feito em cinco parcelas. Quatro delas de R$ 225 mil e uma última de R$ 100 mil, com o primeiro pagamento previsto para o mês de julho. Houve atrasos e até agora, meados de dezembro, apenas a metade do valor foi quitado.

Cúpula de dirigentes do Carnaval foi a Brasília e saiu de lá com promessa de apoio financeiro do Governo Federal, que não aceitou o projeto elaborado pelas escolas de samba – Foto: Divulgação

Uma luz no fim do túnel surgiu com o apoio do Governo Federal, encabeçado pelo ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, que encampou a luta das escolas e prometeu repôr a verba perdida. Os dirigentes foram a Brasília e voltaram pra casa com a promessa dos R$ 13 milhões – R$ 1 milhão pra cada. Sem previsão de quando a grana iria chegar, sobrava como alento a promessa de R$ 8 milhões através da Caixa Econômica, o que se perdeu nesta semana.

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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

Por Redação

Já que a Beija-Flor em 2018 critica, entre outras coisas, o dramático quadro das crianças abandonadas, a escola não poderia desistir dos jovens talentos e apostou na dupla mirim de cantores Giovana Galdino e Guilherme Karraz. Após serem vetados do CD, os dois foram convidados para participar do desfile oficial da azul e branco no carro de som comandado por Neguinho da Beija-Flor.

Guilherme Karraz e Giovana Galdino vão cantar com Neguinho da Beija-Flor no desfile – Fotos: Eduardo Hollanda

Apaixonada pelas escolas de samba, a duplinha estava com tudo certo para brilhar ao lado de Neguinho da Beija-Flor na faixa oficial da agremiação no CD do Grupo Especial de 2018. Giovana, que conquistou o Brasil no “The Voice Kids”, da TV Globo, em 2017, e Guilherme contavam com a aprovação da comunidade e do diretor de carnaval Laíla, mas questões burocráticas junto ao Juizado da Infância e da Juventude impediram que os talentos prodígios cantassem com a representante de Nilópolis.

O samba defendido pelos dois na fase da disputa de samba-enredo da Beija ganhou as redes sociais e, antes mesmo da final do concurso, já aparecia como uma das trilhas sonoras mais festejadas da temporada.

– Estamos muito felizes – resumiu a emoção Maria Thereza, que é mãe de Giovana e também cantora. Ela foi convidada para cantar com Neguinho na Avenida, assim como os meninos.

O samba-enredo da Beija-Flor foi composto, oficialmente, por Di Menor BF, Kiraizinho, Diego Oliveira, Bakaninha Beija Flor, JJ Santos, Julio Assis e Diogo Rosa. Na faixa apresentada ainda na época de concorrente, a obra contava com Giovana Galdino fazendo a introdução com o próprio samba numa cadência mais leve, e Guilherme era o responsável pelo grito de guerra, que antecedia os intérpretes Bakaninha, Nino do Milênio e Tinga.

Relembre o clipe do samba inscrito na disputa:

A Beija-Flor encerra o Carnaval 2018, na Segunda-feira, com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar – os filhos abandonadas da pátria que os pariu”, criado por Marcelo Misailidis e desenvolvido pela comissão de carnaval, que tem Laíla, Cid Carvalho, Victor Santos, Bianca Behrends, Rodrigo Pacheco e Léo Mídia.

Por Luiz Felippe Reis

Sabe aquele jogador de futebol que parece predestinado a fazer os gols decisivos que garantem o campeonato? No Carnaval, esse “matador” é o Tinga. Ô cantor pra gostar de decidir nas finais de samba-enredo. Só nos concursos do Grupo Especial deste ano, ele ganhou em sete escolas – Portela, Mangueira, Beija-Flor, Imperatriz, União da Ilha, Vila Isabel e Império Serrano.

Tem Tinga pra todas! Cantor da Tijuca participou de oito finais de samba e venceu sete – Fotos: Felipe Araújo

E se o aproveitamento já parece dos melhores, imagine considerando as variáveis que impediram o cantor tijucano de participar de outras finais. A Tuiuti não fez disputa e optou por encomendar um samba-enredo, a São Clemente não permitiu que cantores do Especial participassem da competição, na Mocidade o intérprete não foi convocado por qualquer parceria e na Tijuca ele não participa do concurso por ser da casa. O resultado é: de nove disputas, Tinga venceu em sete, próximo a 80% de vitórias. No Salgueiro, uma das duas em que perdeu, chegou na final e ficou pertinho de outro triunfo.

Cheio de moral com as parcerias de todas as áreas do Rio, Tinga faz a linha da modéstia nada à parte e prefere dar mais mérito ao talento dos compositores.

– Eles depositam total confiança em mim. Às vezes, tô com uma parceria num lugar, na outra escola já tô contra aquela parceria… A gente brinca muito com isso. Eu fico feliz em fazer. E isso já vem de longa data, as parcerias não trocam muito, e eu trabalho com os melhores compositores do Rio, então fica um pouco mais fácil pra mim. São os melhores sambas. Nem sempre a gente ganha, mas sempre a gente tá final – disse o cantor que ‘Solta o bicho’.

Tinga já tá ligado no valor que tem pras parcerias.

– Agora vou cobrar caro. Mentira, tô brincando – encerrou, com o costumeiro bom humor.

Destaque no Carnaval da Unidos da Tijuca em 2017, Tinga vai para o quinto desfile consecutivo na escola do Pavão. O cantor é tricampeão da festa: venceu duas vezes na Vila Isabel (2006 e 2013) e uma na Tijuca (2014)

Por Redação

Dona dos direitos de transmissão dos desfiles das escolas de samba, a TV Globo desistiu de gravar os anuais clipes com casais, passistas, rainhas, bateria e intérpretes das agremiações, apresentando os sambas-enredo do Grupo Especial versão 2018.  No lugar, o canal carioca apostará num novo formato.

Agora, os vídeos de cerca de um minuto terão as trilhas sonoras oficiais do próximo Carnaval e, em vez da festa dos segmentos, uma edição de imagens do desfile de 2017.

A TV se justificou através da assessoria dizendo se tratar da valorização do samba-enredo como protagonista. Os vídeos devem ser exibidos a partir de janeiro se estendendo até dias antes da festa na Sapucaí que começa no dia 9 de fevereiro.

 

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Por Marcelo Barros

Não rola um Carnaval sem a clássica discussão em relação ao cobiçado posto de rainha de bateria das maiores escolas de samba: celebridade ou representante da comunidade?

Os argumentos são fartos e, prós e contras computados, cada um faz sua escolha como acha que deve. Fato é que nem uma famosa obrigatoriamente pode ser considerada desgarrada da história de uma agremiação, tampouco uma até então anônima vai se valer desta condição pra entregar a garra e o charme necessários a uma função que, se não vale nota, é sempre “quesito” aguardado pelo público, via de regra a razão de ser de qualquer espetáculo artístico.

Ibope alto! A apresentadora Sabrina Sato, da Vila Isabel, é a rainha de bateria com o maior número de fãs no Instagram I Foto: Fernando Maia/Riotur

Um termômetro interessante é o frisson que essas beldades despertam nas pessoas no mundo do samba e no mundo virtual. O quanto de gente pode uma rainha alavancar para um desfile, um evento, uma atividade organizada pela entidade carnavalesca? Isso, com o indispensável auxílio da internet, é possível ser medido em números.

O Instagram, por exemplo, evidencia bem o assunto. Não tem como ser ignorada a influência nem o engajamento que pode acarretar um bom post divulgador no meio digital. Dito isso, o ranqueamento das mais seguidas rainhas de bateria do Grupo Especial vira uma curiosidade boa de matar. A medir pelo índice de plateia virtual, quem pode ser mais útil, angariar mais torcedores, desfilantes, consumidores de produtos, compradores de ingressos de shows para as escolas de samba?

Eis as 13 beldades da divisão principal e seus milhões de seguidores!

1 – Sabrina Sato (@sabrinasato) – Unidos de Vila Isabel. Fãs: 11.500.000

2 – Juliana Paes (@julianapaes) – Grande Rio. Fãs: 11.400.000

3 – Gracyanne Barbosa (@graoficial) – União da Ilha. Fãs: 5.600.000

Campeãs de audiência! Sabrina (Vila Isabel), Juliana (Grande Rio) e Gracyanne (União da Ilha) fazem o maior sucesso na rede I Imagens: Reprodução/Instagram

4 – Viviane Araújo(@araujovivianne) – Salgueiro. Fãs: 4.800.000

5 – Juliana Alves (@julianaalvesiam) – Unidos da Tijuca. Fãs: 1.300.000

6 – Evelyn Bastos (@evelynbastosoficial) – Mangueira. Fãs: 122.000

7 – Flávia Lyra (@lyraflavia) – Imperatriz Leopoldinense. Fãs: 103.000

8 – Raíssa de Oliveira (@raissadeoliveirarainha), – Beija-Flor. Fãs: 54.700

9 – Camila Silva (@iamcanilasilva) – Mocidade Independente. Fãs: 47.400

10 – Milena Nogueira (@milenanogueira) – Império Serrano. Fãs: 26.900

11 – Bianca Monteiro (@biancamonteirooficial) – Portela. Fãs: 14.300

12 – Raphaela Gomes (@raphaelagomes) – São Clemente. Fãs: 2.734

13 – Carol Marins (@pretadz) – Paraíso do Tuiuti. Fãs: 2.302

Presidente recusou oferta de R$ 300 mil pra manter filha rainha

Em setembro deste ano, a atriz Nathália Rodrigues usou as redes sociais pra fazer um desabafo contemporâneo. Ela revelou ter perdido um papel por ter poucos fãs virtuais.

Pelo menos no samba esse está longe de ser critério para eleger uma dona de coroa.

Se o ibope de Carol Marins na internet não é padrão Globo, na Tuiuti a moça é praticamente a dona da p***a toda! Pai dela e presidente da escola, Renato Thor já recusou uma oferta de R$ 300 mil pra manter a herdeira no posto, mostrando que preciosa ali é a ligação dela com a comunidade.

Carol Marins pode ainda não ser campeã de curtidas, mas faz o maior sucesso em casa I Foto: Reprodução/Instagram

– Não tem dinheiro no mundo que pague a felicidade da minha filha em estar à frente dos ritmistas da ‘Supersom’ (como é conhecida a bateria da Tuiuti). Recebi muitas propostas, sim, até de R$ 300 mil, mas recusei todas – revelou Thor ao Sambarazzo.

Seguidores e curtidas à parte, a verdade é uma só: independentemente da origem da rainha, quem acompanha as postagens delas percebe um ponto em comum, que é o amor pelo Carnaval. É essa a batida, além das baterias, que as move e torna o brilho de cada uma ainda mais intenso. Vale seguir todas elas no Instagram e curtir em forma de coração cada foto, história, pensamento… Só não vale “stalkear”!

*Montagem de capa: Fotos Ag. News/Divulgação/Reprodução Internet

Por Luiz Felippe Reis

Fazer carnaval tem ficado cada vez mais difícil, e a crise, algoz comum das escolas da Série A, atingiu as agremiações do Especial que até pouco tempo contavam com verbas de todo canto. A grana diminuiu de 2014 pra cá, é verdade, mas nada é passível de comparação com o que acontece nesta temporada. Os desfiles de 2018 estão severamente ameaçados. Um país em lenta recuperação financeira e a natural fuga de capital já nem são os piores dos problemas.

A prefeitura resolveu cortar pela metade a subvenção às escolas da elite – caiu de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão -, o que afetou a produção dos desfiles e até ajudou a impulsionar o cancelamento dos ensaios técnicos da Marquês de Sapucaí. A verba prometida pelo Governo Federal – cerca de R$ 600 mil por agremiação – ainda esbarra em trâmites burocráticos. Pra completar, na última quinta-feira, 19, o Ministério do Trabalho decidiu interditar os barracões da Cidade do Samba. O órgão exige mudanças na parte elétrica e em outras condições de trabalho.

Num beco quase sem saída, a preocupação começa a tomar conta nas escolas de samba. Diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, Laíla tem uma sugestão para baratear os carnavais do Especial: gastar menos com carros alegóricos e apostar na força dos componentes.

– As escolas deveriam se reunir e fazer o Carnaval com três alegorias só e inserir o investimento nas suas comunidades. Vai ficar mais barato, alegorias de começo, meio e fim… e deixa o povo extravasar com o que tem de melhor – opinou Laíla em conversa com o Sambarazzo.

Hoje, o limite mínimo de alegorias num desfile do Especial é de cinco carros alegóricos – o máximo é de seis.

Diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla quer desfiles com três alegorias – Foto: Eduardo Hollanda

Interdição dos barracões pode demorar: ‘Estamos aflitos’

O superintendente em exercício do Ministério do Trabalho no Rio, Claudio Secchin, disse na última segunda-feira, 23, que os trabalhos na Cidade do Samba só serão retomados após a aplicação de uma série de medidas para garantir a segurança dos funcionários.

Além da interdição, a situação financeira preocupa:

– Só fazendo mágica, tem que ser malabarista. O descaso das autoridades com as escolas é total – disse Ney Filardi, presidente da União da Ilha do Governador.

Laíla cita o atraso total nos barracões.

– Estamos todos aflitos, porque a crise econômica já fez com que a produção deste ano começasse a atrasar. Ainda estamos na parte da montagem das ferragens das alegorias e não temos “plano B”. Estamos aguardando a posição da nossa diretoria – comentou Laíla, em entrevista ao Jornal Extra.

Presidente da Tijuca, Fernando Horta alerta para os riscos do Carnaval 2018 não se realizar.

– Estamos com o carnaval em risco. A gente espera que a Liesa chegue rapidamente em um acordo com o Ministério do Trabalho para que esses ajustes sejam feitos. Só não concordo que essas medidas sejam tomadas neste período do ano — disse Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca.

Por Luiz Felippe Reis

Foram 169 sambas-enredo concorrentes lutando pra virar hino nas escolas do Grupo Especial, mas apenas 13 ganharam tal honra, depois de muita disputa, rivalidade, emoção intensa e grana investida. Com tudo escolhido – após mais de três meses de eliminatórias -, o passo seguinte foi ajustar pra deixar impecáveis as trilhas sonoras no CD oficial de 2018.

Por sete dias, os segmentos das agremiações da elite tomaram a Cidade do Samba e gravaram o batuque das baterias, as vozes dos cantores e, como já é tradicional, o coro de fundo das comunidades. Algumas escolas convocaram a participação da sua galera pelo Facebook, outras, além disso, prepararam ônibus pra carregar essa multidão aos estúdios montados especialmente no complexo de barracões. O resultado disso foi algo infelizmente incomum: Cidade do Samba movimentada.

Diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla é o produtor do CD das escolas de samba do Grupo Especial e acaba sendo um conselheiro técnico nas gravações das coirmãs – Foto: Eduardo Hollanda

Iniciadas no dia 17 de outubro, com Tuiuti e Grande Rio, as sessões de gravação terminaram nesta segunda-feira, 24, com a Beija-Flor de Nilópolis. O processo, que é bem desgastante, chega a durar três ou quatro horas por escola, mas ninguém sai de lá até que esteja perfeito. O comando técnico é de Laíla, diretor de carnaval da Beija-Flor, mas que, na gravação do CD, veste a camisa de todas.

– Tenho uma honra muito grande por ter recebido essa oportunidade lá atrás. As escolas estão muito fechadas com relação a esse trabalho, os diretores estão atendendo cada vez mais. Sou um cara muito pé no chão, mas sei o quanto eu contribuí. Não sou de ficar humilhando, nem me achando melhor que ninguém. Trabalho sempre com o “nós” – comentou Laíla, que há 50 anos participa da produção do disco.

Vamos lembrar as apresentações na Cidade do Samba das treze escolas do Grupo Especial. Por ordem, Tuiuti, Grande Rio, São Clemente, União da Ilha, Império Serrano, Mangueira, Vila Isabel, Salgueiro, Portela, Unidos da Tijuca, Imperatriz, Mocidade e Beija-Flor.

 

Dia 17

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 18

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 19

Vídeo: Srzd

Foto: Vinícius Albudane

 

Fotos: Marcelo Moura/Mangueira

 

 

Dia 20

Fotos da Vila: Eduardo Hollanda

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 21

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 22

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Eduardo Hollanda

 

 

Dia 23

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

Por Luiz Felippe Reis

Solo adubado pelos enredos, irrigado nas sinopses e finalmente nesta sexta-feira, 20, a tão esperada colheita de sambas-enredo para o Carnaval 2018 chegou ao fim. Após emocionantes, polêmicas e acirradas finais dos concursos das obras concorrentes em dezenas de quadras espalhadas pelos quatro cantos do Rio de Janeiro, todas as escolas do Grupo Especial e da Série A já sabem as trilhas sonoras oficiais que serão tocadas na Sapucaí em fevereiro do ano que vem.

Vamos conhecê-las!

Em sua volta à Portela, a professora Rosa Magalhães dá mais uma aula com “De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá”. Uma crítica atual que aborda intolerância e xenofobia dentro de uma história encantadora de judeus fugidos da Europa, com destino ao Nordeste do Brasil, que contribuíram na formação de Nova York.

Compositores: Samir Trindade, Elson Ramires, Neyzinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, J. Salles e Girão

Intérpretes: Tinga, Marquinhos Art’Samba, Diego Nicolau e Zé Paulo

 

 

 

 

Atual campeão, o carnavalesco Alexandre Louzada aposta na mesma fórmula vitoriosa de 2017. Pra quem uniu Brasil e Marrocos num desfile vencedor, “Namastê… A estrela que habita em mim, saúda a que existe em você” forma um elo do nosso país com a exuberante Índia do gigantesco Mahatma Ghandi e de tanta riqueza cultural e religiosa.

Compositores: Altay Veloso, Paulo César Feital, Zé Glória, J. Giovanni, Denilson do Rozário, Carlinhos da Chácara, Alex Saraiça e M. Meiners

Intérpretes: Zé Paulo e Igor Vianna

 

 

 

 

Sob o comando artístico de Alex de Souza, o Salgueiro se reencontra com um tema afro. “Senhoras do ventre do mundo” exalta históricas mulheres negras, que, apesar de seus feitos, tinham de lidar com o preconceito em suas épocas. Embora não seja focado na crítica, o enredo deixa uma mensagem contra a intolerância. A vermelho e branco busca o campeonato que não vem há nove anos.

Compositores: Xande de Pilares, Demá Chagas, Dudu Botelho, Renato Galante, Jassa, Leonardo Gallo, Betinho de Pilares, Vanderley Sena, Ralfe Ribeiro e W Corrêa

Intérpretes: Xande de Pilares, Leozinho Nunes e Luizinho Andanças

 

 

 

 

 

O carnavalesco Leandro Vieira meteu o dedo na ferida. “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” critica os destinos escolhidos pelo Carnaval e desbrava os porquês do evidente distanciamento popular das escolas. Reflexão imediata a partir do corte de verba da prefeitura de Marcelo Crivella, que não será poupado no desfile.

Compositores: Lequinho, Júnior Fionda, Alemão do Cavaco, Gabriel Machado, Wagner Santos, Gabriel Martins e Igor Leal.

Intérpretes: Tinga

 

 

 

 

O renomado casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage e a Grande Rio brindam com alegria a Sapucaí no Domingo de Carnaval. “Vai para o trono ou não vai?” homenageia José Abelardo Barbosa, o gigante Chacrinha, um dos maiores comunicadores da história da televisão brasileira e figura emblemática da cultura nacional.

Compositores: Edispuma, Licinho JR., JL Escafura, Marcelinho Santos, Gylnei Bueno e Hélio Oliveira

Intérpretes: Ito Melodia e Leozinho Nunes

 

 

 

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. Um tema atual e disposto a lançar críticas sociais abrangentes, partindo da inspiração da história bicentenária de “Frankenstein”.

Compositores: Di Menor BF, Kiraizinho, Diego Oliveira, Bakaninha Beija Flor, JJ Santos, Julio Assis e Diogo Rosa.

Intérpretes: Tinga, Nino do Milênio e Bakaninha

 

 

 

 

Pela Imperatriz, Cahê Rodrigues faz “Uma noite real no Museu Nacional”, contando a história de 200 anos do espaço cultural, artístico e científico do Rio de Janeiro. O palácio serviu de casa para a família real, o que deve devolver à Imperatriz a cara suntuosa da década de 1990, quando a escola levou quatro campeonatos.O título não vai pra Ramos, bairro de origem da verde e branco, desde 2001.

Compositores: Júlio Alves, Jorge Arthur, Maninho do Ponto, Marcio Pessi, Piu das Casinhas

Intérpretes: Tinga

 

 

 

O carnavalesco Severo Luzardo põe a mesa, a Sapucaí come com os olhos e a União da Ilha experimenta um enredo sobre culinária: “Brasil bom de boca”. A ideia é mostrar os hábitos alimentares do brasileiro, passando pela influência estrangeira em nossos pratos. Da mesa de jantar ao galpão do boteco, tem pra todos os gostos.

Compositores: Ginho, Marcelão da Ilha, Flavinho Queiroga, Júnior, Thiago Caldas, John Bahiense, André de Souza e Prof. Hugo

Intérpretes: Tinga e Tuninho Jr.

 

 

 

Jorge Silveira, carnavalesco estreante no Grupo Especial, leva pra Avenida “Academicamente popular”, sobre os 200 anos da escola de belas artes do Rio de Janeiro, a mais importante da América latina. A sacada do artista é levar as artes plásticas ao público, com uma linguagem popular, alegre, mas cheia de conteúdo histórico que o tema exige.

Compositores: Ricardo Góes, Flavinho Segal, Naldo, Serginho Machado, Fabiano Paiva, Gustavo Clarão e Igor Marinho

Intérprete: Bruno Ribas

 

 

 

Atual campeão pela Portela, Paulo Barros foi para a Vila Isabel e vai transportar todo mundo na Sapucaí pra tempos que ainda virão. “Corra que o futuro vem aí” promete esbanjar tecnologia e impactar com muitas imagens de leitura direta e objetiva. Pra onde vamos? Como será o amanhã? Perguntas que a Vila se propõe a responder em ritmo de samba em 2018.

Compositores: Júlio Alves, Pinguim, JP, Marcelo Valência e Deco Augusto

Intérprete: Tinga, Marquinho Art’samba, Pepê Niterói e Rodrigo Gauz

 

 

 

 Ator, diretor, escritor, autor, dramaturgo e tudo mais Miguel Falabella é o dono dos holofotes da Tijuca em 2018. Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo lançam “Um Coração Urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”, que mostra vida e obra do artista, um dos grandes escritores nacionais de entretenimento do país.
Compositores: Mart’nália, Fadico, Totonho, Marcelinho Moreira e Dudu
Intérprete: Wander Pires

Na Tuiuti, Jack Vasconcelos propõe reflexão com “Meu Deus, Meu Deus. Está extinta a escravidão?”. Após 130 da Lei Áurea, os negros ainda vivem sob as amarras do racismo e da falta de igualdade das oportunidades -uma “bondade cruel”, como definiu o carnavalesco na sinopse. Uma leitura histórica, imersa numa crítica atualíssima.

Compositores:Cláudio Russo, Moacyr Luz, Jurandir, Zezé e Aníbal.

Intérprete: Nino do Milênio

Na estreia pelo Império Serrano, o carnavalesco Fábio Ricardo aposta na cultura milenar da China para manter a verde e branco nove vezes campeã da festa na elite. “O Império do samba na rota da China”. A ideia é mostrar, além da riqueza histórica dos chineses, que a escola da Serrinha e o país asiático têm mais coisas em comum do que se possa imaginar.

Compositores: Tico do Gato, Chupeta, Henrique Hoffman, Lucas Donato, Arlindinho, Andinho Samara, Victor Rangel, Jefferson Oliveira, Ronaldo Nunes e André do Posto 7.

Intérprete: Tinga

 

 

SÉRIE A

Eis a safra:

COMPOSITORES: Zé Glória, William Lima, Gugu Psi, Lico Monteiro, Lucas Neves, Matheus Gaúcho e Lucas Macedo.

 

COMPOSITORES: Alexandre Naval, Filipe Medrado, Luiz Sapatinho, Pelé, Thiago Sousa, Marcio de Deus e Diego Tavares.

 

COMPOSITORES: Claudio Russo, Xande de Pilares, W. Corrêa, Ribeirinho, Alan Santos, Toninho do Trayler, Carlinhos do Mercadinho, Cabeça do Ajax e Jefinho Rodrigues.

 

COMPOSITORES: Bira, Oscar Bessa, Duda S.G., Márcio Rangel, Alexandre Villela, Guilherme Andrade, Adelyr, Bruno Soares e Rafael Raçudo.

 

COMPOSITORES: Marcio André, Anderson Benson, Amaury Cardoso, Ronaldo Nunes, Flavinho Segal, Marquinhos do Armazém e JR Vidigal

 

COMPOSITORES: Samir Trindade, Marcio André, Elson ramires, Paulo Lopita 77 e Núia

 

COMPOSITORES: Gabriel Martins, Bello, Wagner Big, Junior Fionda, Marcio André Filho, Jairo e Gigi da Estiva

 

COMPOSITORES: Claudio Russo, Diego Nicolau e Moacyr Luz

 

COMPOSITORES: Claudio Russo e André Diniz

 

COMPOSITORES: Felipe Filósofo, Ademir Ribeiro, Sérgio Joca, Orlando Ambrósio, Macaco Branco, Mário da Vila Progresso, Pacote, Xandinho Nocera, Fabio Borges, Ivan Câmara e Bertolo

 

COMPOSITORES: Preguinho, Tatiane Abrantes e Claudio Mattos

 

COMPOSITORES: Samir Trindade, Telmo Augusto, Fernandão, Girão, Marco Moreno, Marcelão e Thiago Meiners

 

COMPOSITORES: Diego Nicolau, Dudu Senna, Richard Valença , Renan Diniz, Orlando Ambrósio, Rafael Tinguinha, Rafael Prates, André Kaballa, Marcio de Deus, Washington Motta e Ivan Câmara

O Carnaval 2018 começa em pouco mais de três meses. A festa começa no dia 9/2, na Sexta-feira de Carnaval, com os desfiles da Série A, que tem continuidade no Sábado de festa. Domingo e Segunda rolam os desfiles do Grupo Especial.

 

Por Redação

Apesar de ter gravado um samba que foi eliminado do concurso de samba-enredo da Beija-Flor, que tinha como cabeça da parceira o compositor Miguel Menezes, Neguinho da Beija-Flor admite que a obra não era a mais adequada para a azul e branco disputar o título de 2018.

O samba, feito a partir da sinospe assinada pela comissão de carnaval para o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, foi cortado semanas atrás pela comissão julgadora. O intérprete explica ao Sambarazzo que se apaixonou pela obra já na primeira audição, mas que as composições que seguem no concurso são melhores.

– Achei a melodia do samba excelente. A letra realmente não era a mais adequada pra contar o enredo, mas não quis desperdiçar o samba, e resolvi gravar. Fiz alguns ajustes na letra, que me fizeram entrar na parceria. Todas as obras que continuam na disputa são realmente superiores e estou tranquilo, assim como toda a nossa comunidade, que, seja qual for o samba vencedor, a escola terá uma obra-prima para o ano que vem – garante.


Neguinho não vai cantar o samba na quadra: "Seria um desrespeito"

Sem revelar o samba favorito, a voz oficial da azul e branco de Nilópolis diz que vai incluir a obra campeã no repertório dos shows que costuma fazer Brasil afora.

– Gravei porque quis botar minha voz como cantor e não como intérprete oficial da Beija-Flor. Ainda não resolvi se vai entrar no repertório dos meus shows, mas o samba que for escolhido estará com certeza, como sempre esteve. Não vou cantar o samba eliminado na quadra porque acho que seria um desrespeito aos outros compositores, e principalmente com a obra vencedora – emenda o artista, que em 2018 completará 42 anos como cantor principal da Beija-Flor.

O samba eliminado, repaginado por Neguinho e pelos demais parceiros Tamir, Marcondes, Bocão, Paulo Bispo e Veni Vieira, agora é intitulado "O poder da ganância".

O samba oficial que a Beija-Flor vai levar para a Sapucaí no Carnaval 2018 será escolhido no dia 19 de outubro, uma quinta-feira, na quadra da escola.

Confira a letra do samba eliminado e "abraçado" por Neguinho!

O poder da ganância

Os olhos da ganância seduziram
Se apaixonaram pela ambição
Espalhando dor e sofrimento
Mergulhados na corrupção
As mãos do egoísmo e da cobiça
Castigam esse povo sofredor
Ferindo a dignidade
Com as garras da maldade
Fazendo a vida um terror

Indiferente sob a luz do seu olhar
A imagem refletida que você não sabe amar
Discriminado dentro do seu coração
Um vazio de tristeza, de horror, escuridão

Fora os poderosos que não amam
Os filhos que a sorte não sorriu
Que ficaram abandonados
Pela Pátria Mãe Gentil
Falsas promessas para alguns terem riquezas
Mas esquecem da pobreza em palácios colossais
Ainda tentam derrubar nossa cultura
Profanando o Carnaval
Mas o samba é nosso templo
Nossa Arte Popular

É Brasil, é brasileiro
E faz nossa gente cantar

Por Redação

O Carnaval 2018 vai ficar sem a maior festa popular que ele proporciona: os ensaios técnicos. É que a Liesa, através do presidente Jorge Castanheira, confirmou nesta quarta-feira, 4, que os treinos da Marquês de Sapucaí, que rolam sempre nos meses de janeiro e fevereiro, semanas antes dos desfiles oficiais, estão fora do calendário do próximo ano.

A falta de verba suficiente para a realização dos ensaios foi a argumentação usada pelo dirigente da liga, em entrevista ao Jornal Extra, para pôr um fim definitivo no mais emblemático evento de aproximação da festa com o povão. Há 15 anos os ensaios técnicos faziam parte das atividades de lazer dos cariocas, com entrada franca, o que garantia lotação máxima do Sambódromo nos dias dos treinos das escolas mais populares.

– O ensaio técnico está sendo cancelado porque a Liesa não tem recursos. Não tem como a gente fazer. Sem verba, só com patrocínio. Por enquanto, não tem. A Liesa vem bancando sozinha esses ensaios. Isso aí, pra gente, é um custo de R$ 3,5 milhões a R$ 4 milhões. Esse ano, infelizmente não vamos conseguir fazer – disse Castanheira ao jornal carioca.

Presidente da Liesa, Castanheira anuncia fim dos ensaios técnicos: ‘Não temos como fazer’ – Foto: Irapuã Jeferson

A afirmativa da Liesa confirma uma tendência, que vinha sendo cogitada desde os cortes de verba da prefeitura do Rio de Janeiro em 50% – caiu de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão por escola. Em julho, após uma reunião, entre as várias que foram feitas, envolvendo dirigentes do Carnaval e o prefeito Marcelo Crivella, Castanheira já havia indicado um futuro incerto dos ensaios técnicos. Ainda no sétimo mês do ano, o Governo Federal fez uma espécie de reposição da subvenção retirada pelo município, o que, no entanto, não pode, segundo a liga, garantir a realização dos treinos no Sambódromo.

Escolas ainda esperam repasse de verba

Crivella prometeu quitar os três meses em débito com as escolas no último dia 25 de setembro, o que ainda não aconteceu. Mas a promessa da Riotur, empresa de turismo da prefeitura, é que a verba vai cair na conta das agremiações nos próximos dias. A subvenção deve ser repassada integralmente até o mês de novembro, de acordo com as negociações firmadas entre escolas e Crivella.

*Foto de capa: Alexandre Macieira/Riotur

Por Redação

Após meses de reuniões, acusações e justificativas, a prefeitura do Rio de Janeiro e as escolas de samba vão começar a se acertar. É que o prefeito Marcelo Crivella prometeu neste sábado, 16, quitar as parcelas atrasadas da subvenção municipal às agremiações do Grupo Especial. Os repasses dos meses de julho, agosto e setembro serão pagos no próximo dia 25, de acordo com o Jornal O Globo.

Nas reuniões entre Crivella e os dirigentes do samba, ficou definido que a prefeitura pagaria R$ 1 milhão por escola em cinco parcelas – de julho a novembro. Alegando complicações burocráticas, a prefeitura deve três meses – ou R$ 675 mil por agremiação. Com o acerto daqui a menos de 10 dias, ficará faltando apenas o investimento parcelado de outubro e novembro, no valor de R$ 325 mil.

Prefeitura do Rio deve começar a pagar as parcelas da subvenção no próximo dia 25, uma segunda-feira – Fotos: Divulgação e Reprodução/Internet

Em junho deste ano, o prefeito Marcelo Crivella decidiu cortar 50% da subvenção direcionada às escolas de samba – de R$ 2 milhões por agremiação passou a ser R$ 1 milhão. A decisão gerou desdobramentos: a primeira delas foi executada pela Liesa, que suspendeu os desfiles da Sapucaí do Grupo Especial. Pouco depois, a liga revogou a decisão. Incitando reações de toda sorte, a redução da verba continua sendo alvo de debates e gerou até manifestações de rua.

 

Por Redação

Crise nacional e corte de verba da prefeitura praticamente em 50%. Os fatos que se conjugaram contra o Carnaval poderiam formar um cenário caótico. Mas parece que o jogo virou, não é mesmo? Com R$ 13 milhões a menos de subvenção municipal, já que o prefeito Marcelo Crivella resolveu cortar quase metade dos incentivos, o Governo Federal resolveu investir na festa e anunciou a liberação de R$ 8 milhões, através da Caixa Econômica Federal, via Lei Rouanet, que permite abater do valor do imposto de renda parte dos investimentos em cultura.

Após o sinal verde do ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, o presidente da República Michel Temer garantiu – em reunião com os dirigentes do Carnaval em Brasília – compensar a perda de verba na esfera do município. Os detalhes da divisão da verba entre as escolas serão anunciados no próximo dia 24. Se o repasse for dividido em partes iguais, cada agremiação do Especial fica com cerca de R$ 615 mil.

Entenda a história:

Em junho deste ano, o prefeito Marcelo Crivella anunciou um corte de 50% da subvenção direcionada às escolas de samba. A decisão gerou desdobramentos: a primeira delas foi executada pela Liesa, que chegou a suspender os desfiles da Sapucaí do Grupo Especial.

Com a fogueira acesa, sambistas chegaram a sair às ruas para se manifestar contra a redução de verba. A partir daí, o prefeito recebeu os dirigentes e não arredou o pé, mantendo o valor de R$ 1 milhão para cada escola do Especial. Poucos dias depois, os presidentes das agremiações finalizaram as negociações e ficou estabelecido que o contrato dos anos anteriores seria mantido, só com a alteração, evidentemente, das datas e dos valores.

Outro acordo era de que o pagamento da subvenção seria feito em cinco parcelas. Quatro delas de R$ 225 mil e uma última de R$ 100 mil, com o primeiro pagamento previsto para o mês de julho. Até agora, dia 16 de setembro, nenhuma das duas primeiras partes foram quitadas.

Uma luz no fim do túnel surgiu com o apoio do Governo Federal, encabeçado pelo ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, que encampou a luta das escolas e prometeu repôr a verba perdida. Os dirigentes foram a Brasília e voltaram pra casa com a promessa dos R$ 13 milhões – R$ 1 milhão pra cada. Ainda não há previsão de quando a grana vai chegar, mas o anúncio dos R$ 8 milhões pela Caixa já deu alento.

*Foto de capa: Tatá Barreto/Riotur

 

Por Redação

No Carnaval ela se destaca dançando na pista com o corpo praticamente todo coberto, deixando de fora basicamente o belo “Sorriso” que carrega como nome artístico. Mas Selminha anda provando nas redes sociais que também faria bonito na Beija-Flor de Nilópolis ocupando uma outra função: a de rainha de bateria.

Sempre em dia com o quesito malhação, a mais famosa entre as porta-bandeiras das escolas de samba não deve em nada ao físico das beldades que brilham na Sapucaí com pouca roupa.

No último fim de semana, que foi de muito sol no Rio de Janeiro, a bonita foi a Angra dos Reis, no Sul Fluminense, curtir uma das paradisíacas praias de lá. Para alegria dos seguidores da sambista, ela resolveu compartilhar alguns momentos do passeio, com direito a vários cliques de biquíni.


As imagens, claro, fizeram o maior sucesso nas redes.

– E a gente nem imagina que existe tudo isso embaixo daquelas roupas luxuosíssimas!!! Wow!!!!!!! – escreveu um fã da porta-bandeira.

Simpática, como sempre, Selminha agradeceu a cada uma das mensagens, que enalteciam bastante o corpaço digno de rainha de bateria.

– Que sereia linda, maravilhosa e sensacional! – declarou outro seguidor de Selminha Sorriso.

Já dá pra posar pro ensaio sensual do Sambarazzo, hein, Selminha?

Por Luiz Felippe Reis

Quem é ligado em Carnaval sabe da importância da família Abraão David – principalmente na figura de Anísio – para formação, crescimento e consolidação da Beija-Flor de Nilópolis entre as maiores escolas de samba do Rio de Janeiro. Aos 80 anos, o homem forte da azul e branco sabe que inevitavelmente vai chegar a hora de passar o bastão da escola para um sucessor. E, já que alguém terá de substituí-lo mesmo, por que não o próprio filho?

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo – criado pelo coreógrafo Marcelo Misailidis -, que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. A sacada para falar de algo tão triste e atual foi de Gabriel David, filho do patrono Anísio Abraão David, talvez na maior intervenção do herdeiro nos caminhos da escola de samba até hoje.

Como ele confessa, Gabriel chegou a ficar ‘travado’ na hora de opinar, mas contou com a abertura da comissão de carnaval e tem conseguido, aos poucos, dar uns toques e participar mais ativamente do processo de criação no desfile do ano que vem.

– Meu pai me deu total condição de entrar no barracão e fazer o que eu quisesse, com respeito, com tudo, mas tive possibilidade de conversar com o Laíla, de todo mundo me ouvir e conversar de volta, que é o mais importante. Não adianta eu chegar, falar, todo mundo ouvir e fazer. O legal é que rolou uma sinergia. Eu ficava meio travado de chegar na comissão, porque eu tava me metendo no trabalho dos caras, mas eles foram muito positivos. Eles ouviram as ideias, rebateram, e a gente consegue conversar. Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito – revela Gabriel.

Com aval de Laíla, Gabriel David, filho de Anísio Abraão David, tem ganhado força na Beija-Flor de Nilópolis: ‘Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito

O dirigente da nova geração tem como objetivo atrair o público mais jovem, por isso a criação de um tema sobre desigualdades sociais, algo tão presente no cotidiano. Gabriel, no entanto, sabe que é fundamental ouvir as vozes da experiência para achar uma mescla no pensamento, capaz de renovar sem tirar as identidades.

– Eu tenho que pegar mais experiência ainda. As pessoas mais velhas pensam diferente, é normal. Tem um contraste. Mas quando o contraste é construtivo, aí pode ser positivo pro Carnaval. Eu tento trazer isso pro Carnaval, mas eu tenho 20 anos… Tem uma equipe forte por trás. Pessoas mais velhas, mais novas, que pensam o tempo todo pra chegar as conclusões. Claro que às vezes a gente quer dar um passo maior que a perna, sempre tem alguém pra travar, isso é muito importante – ponderou.

Em 2018, a Beija-Flor será a sexta e última a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial. A escola busca o 14° título na história. A azul e branco é a maior campeã do Século XXI com sete campeonatos (2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011 e 2015).