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comissão de carnaval da Beija-Flor

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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

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Por Luiz Felippe Reis

Quem é ligado em Carnaval sabe da importância da família Abraão David – principalmente na figura de Anísio – para formação, crescimento e consolidação da Beija-Flor de Nilópolis entre as maiores escolas de samba do Rio de Janeiro. Aos 80 anos, o homem forte da azul e branco sabe que inevitavelmente vai chegar a hora de passar o bastão da escola para um sucessor. E, já que alguém terá de substituí-lo mesmo, por que não o próprio filho?

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo – criado pelo coreógrafo Marcelo Misailidis -, que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. A sacada para falar de algo tão triste e atual foi de Gabriel David, filho do patrono Anísio Abraão David, talvez na maior intervenção do herdeiro nos caminhos da escola de samba até hoje.

Como ele confessa, Gabriel chegou a ficar ‘travado’ na hora de opinar, mas contou com a abertura da comissão de carnaval e tem conseguido, aos poucos, dar uns toques e participar mais ativamente do processo de criação no desfile do ano que vem.

– Meu pai me deu total condição de entrar no barracão e fazer o que eu quisesse, com respeito, com tudo, mas tive possibilidade de conversar com o Laíla, de todo mundo me ouvir e conversar de volta, que é o mais importante. Não adianta eu chegar, falar, todo mundo ouvir e fazer. O legal é que rolou uma sinergia. Eu ficava meio travado de chegar na comissão, porque eu tava me metendo no trabalho dos caras, mas eles foram muito positivos. Eles ouviram as ideias, rebateram, e a gente consegue conversar. Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito – revela Gabriel.

Com aval de Laíla, Gabriel David, filho de Anísio Abraão David, tem ganhado força na Beija-Flor de Nilópolis: ‘Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito

O dirigente da nova geração tem como objetivo atrair o público mais jovem, por isso a criação de um tema sobre desigualdades sociais, algo tão presente no cotidiano. Gabriel, no entanto, sabe que é fundamental ouvir as vozes da experiência para achar uma mescla no pensamento, capaz de renovar sem tirar as identidades.

– Eu tenho que pegar mais experiência ainda. As pessoas mais velhas pensam diferente, é normal. Tem um contraste. Mas quando o contraste é construtivo, aí pode ser positivo pro Carnaval. Eu tento trazer isso pro Carnaval, mas eu tenho 20 anos… Tem uma equipe forte por trás. Pessoas mais velhas, mais novas, que pensam o tempo todo pra chegar as conclusões. Claro que às vezes a gente quer dar um passo maior que a perna, sempre tem alguém pra travar, isso é muito importante – ponderou.

Em 2018, a Beija-Flor será a sexta e última a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial. A escola busca o 14° título na história. A azul e branco é a maior campeã do Século XXI com sete campeonatos (2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011 e 2015).

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Por Redação

Fim da linha para o período mais misterioso do Carnaval: o da escolha dos enredos. Todas as 13 escolas do Grupo Especial já sabem – e todo mundo também – sobre o que vão falar no próximo desfile.

O resgate de temas críticos se destaca. Pelo menos cinco enredos abriram as portas a reflexões de toda sorte, seja de caráter social ou cultural. Racismo (Tuiuti), xenofobia (Portela), preconceito contra mulheres (Salgueiro), desigualdade social (Beija-Flor) e até um debate mais profundo sobre os destinos da festa na Sapucaí, com a Mangueira. Outras narrativas históricas e culturais também compõem uma safra de enredos digna de aplausos.

DOMINGO

Na estreia pelo Império Serrano, o carnavalesco Fábio Ricardo aposta na cultura milenar da China para manter a verde e branco nove vezes campeã da festa na elite. A ideia é mostrar, além da riqueza histórica dos chineses, que a escola da Serrinha e o país asiático têm mais coisas em comum do que se possa imaginar.

 

 

Jorge Silveira estreia no Especial e leva pra Avenida “Academicamente popular”, sobre os 200 anos da escola de belas artes do Rio de Janeiro, a mais importante da América latina. A sacada do artista é levar as artes plásticas ao público, com uma linguagem popular, alegre, mas cheia de conteúdo histórico que o tema exige.

 

Atual campeão pela Portela, Paulo Barros foi para a Vila Isabel e vai transportar todo mundo na Sapucaí pra tempos que ainda virão. “Corra que o futuro vem aí” promete esbanjar tecnologia e impactar com muitas imagens de leitura direta e objetiva. Pra onde vamos? Como será o amanhã? Perguntas que a Vila se propõe a responder em ritmo de samba em 2018.

 

 

Na Tuiuti, Jack Vasconcelos propõe reflexão com “Meu Deus, Meu Deus. Está extinta a escravidão?”. Após 130 da Lei Áurea, os negros ainda vivem sob as amarras do racismo e da falta de igualdade das oportunidades -uma “bondade cruel”, como definiu o carnavalesco na sinopse. Uma leitura histórica, imersa numa crítica atualíssima.

 

 

O renomado casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage e a Grande Rio brindam com alegria a Sapucaí no Domingo de Carnaval. “Vai para o trono ou não vai?” homenageia José Abelardo Barbosa, o gigante Chacrinha, um dos maiores comunicadores da história da televisão brasileira e figura emblemática da cultura nacional.

 

 

Leandro Vieira meteu o dedo na ferida. “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” critica os destinos escolhidos pelo Carnaval e desbrava os porquês do evidente distanciamento popular das escolas. Reflexão imediata a partir do corte de verba da prefeitura de Marcelo Crivella, que não será poupado no desfile.

 

Atual campeão, Alexandre Louzada aposta na mesma fórmula vitoriosa de 2017. Pra quem uniu Brasil e Marrocos num desfile vencedor, “Namastê… A estrela que habita em mim, saúda a que existe em você” forma um elo do nosso país com a exuberante Índia do gigantesco Mahatma Ghandi.

 

SEGUNDA

O multifacetado Miguel Falabella é o dono dos holofotes da Tijuca em 2018. Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo lançam “Um Coração Urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”, que mostra vida e obra do artista, um dos grandes escritores nacionais de entretenimento do país.

 

 

 

Em sua volta à Portela, a professora Rosa Magalhães dá mais uma aula com “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”. Uma crítica atual que aborda intolerância e xenofobia dentro de uma história encantadora de judeus fugidos da Europa, com destino ao Nordeste do Brasil, que contribuíram na formação de Nova York.

 

 

Severo Luzardo põe a mesa, a Sapucaí come com os olhos e a União da Ilha experimenta um enredo sobre culinária: “Brasil bom de boca”. A ideia é mostrar os hábitos alimentares do brasileiro, passando pela influência estrangeira em nossos pratos. Da mesa de jantar ao galpão do boteco, tem pra todos os gostos.

 

 

 

Sob o comando artístico de Alex de Souza, o Salgueiro se reencontra com um tema afro. “Senhoras do ventre do mundo” exalta históricas mulheres negras, que, apesar de seus feitos, tinham de lidar com o preconceito em suas épocas. Embora não seja focado na crítica, o enredo deixa uma mensagem contra a intolerância.

 

 

 

Pela Imperatriz, Cahê Rodrigues faz “Uma noite real no Museu Nacional”, contando a história de 200 anos do espaço cultural, artístico e científico do Rio de Janeiro. O palácio serviu de casa para a família real, o que deve devolver à Imperatriz a cara suntuosa da década de 1990, quando a escola levou quatro campeonatos.

 

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. Um tema atual e mais um a lançar críticas sociais abrangentes.

 

O Carnaval do Grupo Especial começa em pouco mais de seis meses, a partir do dia 11 de fevereiro.

 

Foto de capa: Cezar Loureiro/Riotur

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Por Luiz Felippe Reis

Dizem que tudo que é bom dura pouco, mas no caso da comissão de carnaval da Beija-Flor a ligação se alongou por anos – vinte pra ser mais específico. Mas, a partir de agora, o método vai ser diferente. O carnavalesco Fran Sérgio informou ao Sambarazzo que todos os artistas que integravam o time da comissão foram dispensados.

Fim da linha! Beija-Flor dispensa comissão de carnaval – Foto: Rodrigo Mesquita

 

Com o grupo de carnavalescos, que já teve Alexandre Louzada, Cid Carvalho, Shangai, Fran Sérgio e por aí vai, a azul e branco de Nilópolis colecionou campeonatos – foram oito desde 1998 até 2017 – e carnavais memoráveis.

Fran Sérgio, Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends, Cristiano Bara, Rodrigo Pacheco, Wladimir Morellembaum, Brendo Vieira, Gabriel Mello, Adriane Lins e Léo Mídia formaram a última comissão de carnaval da escola que é “de fato nilopolitana”.

Fora da Beija-Flor, Fran Sérgio já começa a ser disputado por escolas do Especial

Maior campeão do Carnaval, Fran Sérgio já imaginava essa renovação nos quadros da Beija e reconhece que estava mesmo na hora do rompimento.

– A Beija-Flor vai ser sempre a minha escola de coração, mas meu ciclo acabou. Já estava na hora. Tô bem animado com as novas possibilidades, com a mudança. Sou eternamente agradecido. Foram 23 anos de muito aprendizado e de muitas alegrias – disse Fran, que já foi oito vezes campeão do Grupo Especial do Carnaval carioca.

Embora não confirme detalhes sobre negociações que já rolam, Fran recebeu três propostas do Grupo Especial e deve decidir seu destino nos próximos dias.

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Por Luiz Felippe Reis

Apesar da variedade de enredos do Grupo Especial que falam de religião, personalidades, movimentos culturais, histórias e outros bichos, algumas narrativas vão se esbarrar na Avenida e darão aquela sensação de déjà vu nos espectadores em determinados momentos. É o caso de Imperatriz e Beija-Flor, que prometem usar e abusar das cores e da leveza da estética indígena.

A verde e branco homenageia os índios do Xingu, já a representante de Nilópolis conta a história de Iracema – a virgem dos lábios de mel -, que largou tudo por um grande amor, seguindo a literatura de José de Alencar. Apesar da semelhança de temas, os carnavalescos Cahê Rodrigues (Imperatriz) e Fran Sérgio e a comissão (Beija-Flor), pelo visto, vão fazer cada um a sua maneira.

Cahê promete realismo na indumentária indígena; Fran aborda o tema com fantasias mais elaboradas, usando segunda pele, pena e muita maquiagem – Foto/Reprodução documentário “As hiper mulheres” e Paulo Pinto/LIGASP

A diferença vai ser vista na vestimenta dos índios, reais ou caracterizados, que vão aparecer na Sapucaí. Fran e a comissão de carnaval vão botar pra jogo um índio mais comportado, com uma pele preparada especialmente para cobrir o corpo, além do uso de penas e muita maquiagem. Do outro lado, Cahê aposta numa ‘plástica sensual’, usando e abusando da nudez indígena – cerca de 30% da escola vai estar parcialmente nua.

– O tema é indígena, então a escola tá com menos roupa. Geralmente não gosto de expor o corpo das pessoas que desfilam, mas o tema permite essa linguagem. A escola está mais pelada, mais solta, figurinos mais leves. Vou poder usar uma plástica mais sensual. Nos últimos carnavais, a escola vinha mais vestida. A Imperatriz precisava ser mais ousada neste ano – comenta Cahê Rodrigues, no quinto carnaval seguido pela verde e branco.

Cahê Rodrigues é carnavalesco da Imperatriz há cinco anos – Foto: Irapuã Jeferson

Representando a comissão de carnaval, Fran Sérgio explica que prefere não abusar da nudez, o que, por outro lado, não significa deixar de valorizar a cultura do indígena.

– Não vai ter nudez. A gente aplicou uma solução bem legal pra isso, com a pele indígena que substitui a nudez, muita maquiagem também. O índio brasileiro é muita pena, e vai ter esse colorido. A gente tá bem original, vai ter muito índio, como na história de José de Alencar, que enaltece o tempo todo o índio como o dono da terra, a floresta do índio, a cultura do índio, a vida do índio… A gente segue isso – explica Fran Sérgio, que tem 20 anos de comissão de carnaval na azul e branco.

Fran Sérgio integra a comissão de carnaval da Beija-Flor há mais de duas décadas – Foto: Irapuã Jeferson

Imperatriz e Beija-Flor se encontram no Domingo de Carnaval, pelo Grupo Especial, na Sapucaí. A verde e branco desfila primeiro como a terceira do dia de abertura da elite. A representante de Nilópolis será a sexta e última da noite.

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Por Luiz Felippe Reis

Independentemente do enredo, o barracão da Beija-Flor de Nilópolis é sempre uma atração à parte. Invariavelmente luxuoso e cheio de detalhes, o carnaval da azul e branco é um dos mais esperados pelo público – torcedores ou não da “Deusa da Passarela”, dona de treze títulos na festa.

E 2017, com o enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, ofertou uma reedição de todo esse interesse. Ao longo do ano, começaram a vazar na internet algumas imagens das criações da comissão de carnaval – formada por Fran Sergio, Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends e Cristiano Bara -, comandada por Laíla. E logo as esculturas fizeram o maior sucesso na rede, deixando a turma apaixonada por samba ainda mais empolgada pelo que virá em poucos dias no desfile nilopolitano.

Ainda 2016, uma escultura de um índio bastante expressivo direto da porta de entrada do barracão da Beija-Flor vazou nas redes. Hoje, já pintado, é uma das marcas do abre-alas da escola de samba

– A escultura é expressiva pela dramática história da Iracema, ela te leva a isso – explica Fran Sérgio, exaltando o trabalho dos três escultores-chefes do barracão: Élcio, William e Vagner.

O enredo, distribuído nas seis alegorias – A Beija-Flor diminuiu uma em relação a 2016 -, começa exaltando a crença indígena, através de Yamandú, Deus supremo na mitologia Tupi-Guarani e criador de Tupã, que controla o clima, o tempo e o vento. Em tons azuis, o abre-alas chama atenção.

Já no segundo carro, as páginas do livro de José de Alencar começam a se abrir, e o encontro de Iracema com o português Martim acontece nas matas. Eles se apaixonam, e a nativa leva o novo amor à aldeia dos Tabajaras, tribo onde é sacerdotisa de Tupã e, por isso, tem a virgindade preservada à divindade. O estrangeiro é rejeitado, mostra a terceira alegoria. A fuga da protagonista, a guerra entre as tribos Tabajara e Pitiguara, o filho miscigenado, Moacir, e uma homenagem ao estado do Ceará estão inseridos na narrativa através dos carros.

Da pureza de Iracema até as guerras entre tribos, a Beija-Flor vai contar o ‘Anagrama de América’

Na crise financeira do Brasil, até que um enredo que trata com intimidade a linguagem indígena cai bem. Afinal de contas, a ambientação bucólica normalmente sai muito mais em conta do que um desfile futurista, tecnológico ou barroco.

– É muito rústico. Usamos materiais alternativos, palha, capim… Coisas nacionais, tem nada importado. A estética indígena é boa, não digo que foi mais fácil que ano passado, mais fácil não existe, só que agora, com as mudanças, foi uma alegoria a menos, um setor a menos, economizou – festeja o carnavalesco.

Outra curiosidade que deixa Fran Sérgio em clima de festa é olhar para este carnaval e os dois últimos e concluir que a origem brasileira foi retratada com menções aos negros, estrangeiros e, agora, indígenas:

– Em três anos, a Beija-Flor fez África, corte, com o Marquês, e o índio agora. Fizemos três raças formadoras do povo brasileiro.

Em busca do 14° campeonato da história, a Beija-Flor de Nilópolis será a sexta e última a desfilar no Domingo de Carnaval, pelo Grupo Especial. A escola é a maior campeã do Século XXI com sete conquistas.

 

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Por Luiz Felippe Reis

O último domingo, 27, foi de festa – e que festa!– para ficar na memória de quem foi ao Clube Monte Líbano, na Lagoa, Zona Sul carioca. É que foi lá o palco da segunda edição da Feijoada do Sambarazzo, evento que reuniu um seleto grupo de sambistas, que não deixou passar a chance de curtir a combinação mais consagrada do Carnaval: samba com feijão.

Fotos: Michele Iassanori e Irapuã Jeferson

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A vitoriosa combinação do samba com feijão, mais uma vez, fez sucesso no segundo grande evento do Sambarazzo

No requintado, charmoso e espaçoso clube, os sambistas, entre famosos e anônimos, acompanharam shows de alguns dos principais nomes do gênero: Diogo Nogueira e Xande de Pilares; além da luxuosa participação da turma da Mangueira, com as presenças dos mestres Vítor Art e Rodrigo Explosão no comando da bateria, do intérprete Ciganerey, da rainha Evelyn Bastos e do casal de mestre-sala e porta-bandeira da verde e rosa Matheus Olivério e Squel Jorgea. No camarote, ex-presidentes da atual campeã do Carnaval, como Elmo José dos Santos e Alvaro Caetano, prestigiaram o Sambarazzo e representaram à altura o atual mandatário na escola, Chiquinho da Mangueira. Além deles, Jorge Castanheira, presidente da Liesa, também esteve pelas bandas do Monte Líbano e confraternizou com o site. Entre os dirigentes, Rodrigo Pacheco, vice-presidente da Mocidade, e Luiz Carlos Magalhães, presidente da Portela foram outros a comparecer.

O evento, que teve duração de cerca de oito horas contou ainda com Milton Cunha, ex-carnavalesco e atual contratado da TV Globo. Ele foi o apresentador do evento e, com o estilo irreverente, foi um show à parte sempre que surgia no palco.

Os carnavalescos Paulo Barros (Portela), Alexandre Louzada (Mocidade) Annik Salmon, Mauro Quintaes, Marcus Paulo e Hélcio Paim (Unidos da Tijuca), Fran Sérgio (Beija-Flor), Paulo Menezes (equipe da Portela), Wagner Gonçalves (Inocentes de Belford Roxo) e Jaime Cezário (Porto da Pedra) também curtiram a festa.

Entre a galera que arrebenta no gogó, Além de Ciganerey, umas das principais atrações da feijoada, Neguinho da Beija-Flor, Dominguinhos do Estácio (da Viradouro), Tinga (Unidos da Tijuca), Emerson Dias (Grande Rio), Igor Sorriso (Vila Isabel), Wantuir (Tuiuti), Zé Paulo Sierra (Viradouro), Diego Nicolau (Renascer) e Anderson Paz (Porto da Pedra) também aproveitaram a Feijoada do Sambarazzo, que já encontra lugar certo no calendário dos sambistas.

Só a turma do gogó! Emerson Dias (Grande Rio), Igor Sorriso (Vila Isabel), Zé Paulo (Viradouro), Diego Nicolau (Renascer) e Dominguinhos (Viradouro)
Só a turma do gogó! Emerson Dias (Grande Rio), Igor Sorriso (Vila Isabel), Zé Paulo (Viradouro), Diego Nicolau (Renascer) e Dominguinhos (Viradouro) foram alguns dos intérpretes que participaram da Feijoada

Mestres de bateria, mestres-salas, porta-bandeiras, dirigentes, ex-dirigentes, coreógrafos… e sambistas de toda natureza foram ao Monte Líbano e viveram horas de pura descontração e alegria. No popular, bombou!

Veja quem curtiu a 2ª Feijoada do Sambarazzo 

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Dominguinhos do Estácio, cantor da Viradouro
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Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor
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Alexandre Louzada, carnavalesco da Mocidade
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Paulo Barros e Shayene Cesário, carnavalesco e musa da Portela
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Marcus Paulo, Mauro Quintaes, Annik Salmon e Hélcio Paim, o quarteto de carnavalescos da Unidos da Tijuca
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Jorge Castanheira, presidente da Liesa – a Liga Independente das Escolas de Samba
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Rodrigo Pacheco, vice-presidente da Mocidade

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Os coreógrafos de comissão de frente Priscilla Mota, Rodrigo Negri (Grande Rio) e Claudia Mota (Imperatriz)

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O apresentador da Feijoada do Sambarazzo, o sempre espirituoso Milton Cunha
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Wantuir de Oliveira, cantor da Paraíso do Tuiuti
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Tinga, cantor oficial da Unidos da Tijuca
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Gracielle Chaveirinho, dançarina do “Esquenta”, da Rede Globo e da Inocentes, ao lado do cantor Zé Paulo Sierra, da Viradouro
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Squel, porta-bandeira da Mangueira
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Dandara Oliveira, musa da Vila Isabel
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Júnior Schall, diretor de carnaval da Vila Isabel
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Giovanna Justo, porta-bandeira do Tuiuti
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Alex Marcelino, mestre-sala da Portela
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Alessandra Chagas, porta-bandeira da Viradouro
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Raphaela Caboclo, porta-bandeira do Império Serrano, e Amanda Poblete, porta-bandeira da Vila Isabel
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Viradouro, Porto da Pedra e Estácio! Mestres Maurão e Chuvisco com o cantor Anderson Paz (ao centro)
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Só gata! Shayene Cesário, musa da Portela, Elaine Ribeiro, passista show, Charlene Costa, musa da Beija-Flor, e a bela Larissa Neto
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A dupla de coreógrafos da Mocidade, Jorge Texeira e Saulo Finelon com Cíntia Abreu, mulher do vice-presidente da escola, Rodrigo Pacheco
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Wagner Gonçalves, carnavalesco da Inocentes de Belford Roxo
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O casal de mestre-sala e porta-bandeira da São Clemente, Fabrício Pires e Denadir Garcia (nas extremidades) com seus amores na Feijoada do Sambarazzo
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André Cezari, um dos carnavalescos da Beija-Flor de Nilópolis

Os Shows!

A Feijoada já recebia os primeiros sambistas, e o grupo Estrelatto já ambientava o clube Monte Líbano com o melhor do ritmo mais tradicional do Rio de Janeiro: o samba.

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Embora a tarde já se aproximasse do fim, a festança estava só no começo. Xande de Pilares entrou no palco do Monte Líbano disposto a agitar o público da Feijoada do Sambarazzo. O artista entrou no ritmo da festa e foi literalmente pra galera durante o show.

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E já que o domingão foi dia de mandar a tristeza embora, logo na sequência ao show de Xande de Pilares, Diogo Nogueira entrou no palco para manter o alto nível da tarde de samba e deixar os fãs em delírios.

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Olha, dá pra cravar que na plateia não havia fã mais orgulhosa do que Milena Nogueira, mulher de Diogo Nogueira e rainha de bateria do Império Serrano

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E se atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu, o público da Feijoada do Sambarazzo teve ainda mais nas primeiras horas da noite de domingo, 27. A campeã do Carnaval 2016, a Estação Primeira de Mangueira, encerrou a noite, sob a voz do intérprete oficial Ciganerey, com os sambas mais festejados da história laureada da escola, e ainda contou com uma participação surpresa dos cantores Emerson Dias (Grande Rio), Igor Sorriso (Vila Isabel), Wantuir (Tuiuti) e Anderson Paz (Porto da Pedra).

O casal Matheus Olivério e Squel dançou com a elegância de sempre e levou as notas dez do público da Feijoada do Sambarazzo em forma de aplausos. A estonteante rainha de bateria Evelyn Bastos mostrou o incontestável samba no pé e reinou com a graça de sempre à frente dos ritmistas dos mestres Vítor Art e Rodrigo Explosão.

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Por Redação

A Beija-Flor de Nilópolis divulgou nesta terça-feira, 1º, as fantasias comerciais para o desfile de 2017. Quatro alas estão disponíveis à venda, duas a menos que na temporada passada. A redução pode até não agradar quem procura uma vaga no desfile das escolas de samba, mas é exatamente o que esperava o diretor de carnaval Laíla para o ano que vem.

Na azul e branco desde 1975, o dirigente chegou a administrar 48 alas comerciais, mas desde então fez de tudo para diminuir ao máximo a quantidade. O maior desejo de Laíla é conseguir abolir totalmente a comercialização de fantasias na escola de Nilópolis.

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Em busca de perfeição nos quesitos de chão, o diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, Laíla, já reduziu mais de 90% das alas comerciais desde que chegou na azul e branco nos anos 1970 – Foto: Irapuã Jeferson
– Peguei a Beija-Flor com 48 alas comerciais. Foi muita briga pra chegar onde nós chegamos. Tô com quatro alas, 70 pessoas por ala, um total de 280 pessoas. Os presidentes de alas são moradores de Nilópolis, e Seu Anísio (Abraão David, patrono da Beija-Flor) tem um respeito muito grande por eles. A minha vontade é acabar. Nada contra os presidentes… o problema é não poder ensaiar. Alguns caras vendem roupa no Domingo de Carnaval, em porta de hotel, atrapalha o desenvolvimento, não cantam. Tô brigando e tô querendo que se tenha ala comercial com pessoas da adjacências de Nilópolis – contou Laíla.

Em 2017, a Beija-Flor levará para a Sapucaí o enredo “Iracema – A Virgem dos lábios de mel”. A escola será a última a desfilar no dia 26 de fevereiro.

Veja as fantasias que já estão à venda, com valores a partir de R$ 1.400:

Fantasia Beija-Flor

Fantasia Beija-Flor

Anote os contatos dos responsáveis pelas alas:

Renda – Ana Maria – (21) 2692-0886 / (21) 97945-3573

Pescador – Terezinha – (21) 2792-1063 (21) 96805-6556 (21) 3684-7234 e Elcio – (21) 2791-1770 (21) 99993-0011

Cordel – Débora – (21) 2791-0953 / (21) 99158-7259 / (21) 99117-9049 Tuninho – (21) 2791-7377 /(21) 99492-9876 e Figueira – (21) 2217-4400 /(21) 99911-9993

Teatro – Néa – (21) 2691-8956 (21) 2691-8006 (21) 99711-0190, Luizinho – (21) 2796-0872

É Nessa que eu vou – Helinho – (21) 96472-2909 *Foto no site da Beija-Flor

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Por Luiz Felippe Reis

O Carnaval 2017 teve que esperar até julho deste ano para conhecer todos os enredos que estarão na Avenida em fevereiro próximo. Enquanto o público apaixonado esfrega as mãos para saber quem vai chegar com força aos desfiles, as escolas e, especialmente, os carnavalescos começam a tocar os trabalhos para o desenvolver dos temas, que se apresentam com leituras bem distintas entre si.

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Diversidade! Vários tipos de temas aguardam o Carnaval 2017 – Foto: Fernando Grilli/Riotur

Última campeã da festa, a Mangueira deixou a linha de homenagear uma personalidade no passado inesquecível do Carnaval 2016 e buscou um enredo com um viés popular, buscando levar pra Sapucaí a relação íntima do povo brasileiro com as imagens religiosas; Salgueiro e Beija-Flor se inspiraram na literatura para o desenvolver de suas histórias; Tijuca e Vila Isabel vão soltar o som e buscar as origens da música, sendo que a escola do Borel foca mais na musicalidade norte-americana.

A Portela se propõe a um mergulho nas águas doces do mundo, num tema cheio de história, que também é amplamente abordada na São Clemente com o seu “Onisuáquimalipanse”, que vai mostrar as ambientações para a construção do Palácio de Versalhes. E ainda tem a Tuiuti com uma reverência ao movimento tropicalista, marcante durante os anos 1960 no Brasil.

A Imperatriz quer defender e exaltar os índios; a Grande Rio é Ivete Sangalo; a Mocidade vai mostrar as belezas e a rica cultura de Marrocos, país do extremo noroeste africano; e a Ilha vai com um enredo afro.

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Enredo “superbacana” na Tuiuti

O movimento Tropicalista influenciou a geração nos idos de 1960, embalada por artistas de diversas vertentes, incluindo a música, a poesia e as artes plásticas. Pegando um gancho no Movimento Modernista, do manifesto antropofágico, o carnavalesco Jack Vasconcelos desenvolve o “Carnavaleidoscópio tropifágico”, numa visão romântica, crítica, mas sem perder o bom-humor e altamente carnavalizada daquele período histórico brasileiro.

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O Domingo de Carnaval vai ser dia de Ivete para a Grande Rio

Uma das divas contemporâneas da música popular brasileira, a baiana Ivete Sangalo é a grande homenageada da Grande Rio, através do enredo “Ivete do rio ao Rio”, do carnavalesco Fábio Ricardo. O tema quer, além de levantar a poeira e fazer rolar a festa na Sapucaí, mostrar a história artística e de vida da cantora, passando pela origem familiar da famosa até o desabrochar de uma das artistas mais veneradas do país.

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Foto: Irapuã Jeferson

 

Visão social não escapa aos olhos da Imperatriz em homenagem aos índios do Xingu

Pra exaltar a cultura, a história, os legados e a riqueza indígena, a Imperatriz Leopoldinense não pretende escapar as questões sobre os direitos desse povo tão presente na história de fundação do país. “Xingu – O clamor que vem da floresta”, de Cahê Rodrigues, além de reverenciar os índios e homenagear os 50 anos do Parque Indígena do Xingu, quer também servir de proteção e deixar a mensagem da importância da preservação das áreas dos povos do Xingu.

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Foto: Leandro Ribeiro

 

Origem africana dos ritmos na Vila

Última escola a divulgar enredo para o Carnaval 2017, a Vila Isabel se propõe a um desbravar histórico sobre a origem africana dos estilos musicais pelo continente americano. “O som da cor” é um enredo autoral do carnavalesco Alex de Souza, que vai para o segundo ano seguido na azul e branco de Noel.

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A inspiração literária do Salgueiro

Adaptado da obra literária do italiano Dante Alighieri, “A divina comédia” o enredo “A divina comédia do Carnaval”, que é desenvolvido pelos carnavalescos Renato e Márcia Lage, pretende levar a “Academia” ao décimo título da galeria. Escrita no Século XIV,  o poema narrativo mostra uma trajetória pelo Inferno, Purgatório e Paraíso, como uma trilogia, descrevendo cada etapa da viagem. Ao final, numa espécie de paraíso do samba, a vermelho e branco oferece o desfile a três dos maiores carnavalescos da história: Fernando Pamplona, Joãosinho Trinta e Arlindo Rodrigues.

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Beija-Flor apaixonada pela virgem dos lábios de mel

“Iracema – A virgem dos lábios de mel”, desenvolvido pela comissão de carnaval da Beija-Flor, quer emocionar o público da Avenida e fechar com muito amor o Domingo da festa mais popular do Brasil. Baseada no romance “Iracema – a lenda do Ceará”, escrito por José de Alencar, uma das pérolas da literatura brasileira, a azul e branco desbrava a história de amor entre a personagem principal da trama com o navegador português Martim, que, juntos, dão origem a Moacir, o primeiro cearense miscigenado.

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Segunda-feira

União da Ilha é afro

Fazia um bom tempo que a Ilha não se reencontrava com uma narrativa toda ela baseada na estética afro. E não teve como adiar. A pedido da comunidade, esse tipo de enredo foi o eleito pelo presidente Ney Filardi, e “Nzara Ndembu – Glória ao senhor do tempo” será desenvolvido pelo carnavalesco Severo Luzardo. O tema promete levar para Avenida uma mensagem poética sobre a relação da humanidade com o tempo.

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Especialidade de Rosa Magalhães na São Clemente

“Onisuáquimalipanse” é o enredo desenvolvido pela carnavalesca campeoníssima Rosa Magalhães para a São Clemente. A narrativa com viés histórico lembra, e muito, o tipo de tema que mais consagrou a artista durante a década de 1990 em seus diversos títulos com a Imperatriz. A criação do Palácio de Versalhes num ambiente da França do Século XVII devem dar uma linha mais requintada no carnaval da escola de Botafogo.

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Mocidade pra lá de Marrakech

Para fazer a Mocidade retornar ao protagonismo do passado, a dupla de carnavalescos formada por Alexandre Louzada e Edson Pereira prepara um enredo sobre Marrocos, país do extremo noroeste da África. “As mil e uma noites de uma Mocidade pra lá de Marrakech” vai exaltar a cultura marroquina, capaz de dar cores e variados elementos à confecção de desfile da verde e branco.

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Foto: Reprodução/internet

 

Direto dos Estados Unidos, Unidos da Tijuca solta o som

Com um estilo todo moldado na comunicação fácil com o público, a Tijuca lança um enredo pra lá de popular e que vai mexer com os fãs de várias partes do mundo. “Música na alma, inspiração de uma nação”, desenvolvido pela comissão de carnaval, formada por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Marcus Paulo e Hélcio Paim, parte de um encontro acontecido em 1957 entre Louis Armstrong e Pixinguinha para unir Brasil e Estados Unidos, levando pra Avenida um pouco da história dos ritmos mais consagrados em terras americanas com homenagens especiais a alguns ídolos dos “States”.

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O rio que passou na vida da Portela

A Portela se propõe a um mergulho nas águas doces do mundo, fazendo menção, claro, à música composta por Paulinho da Viola, um dos grandes artistas portelenses. Desenvolvido pelo carnavalesco Paulo Barros, “Foi um rio que passou em minha vida e meu coração se deixou levar” vai falar sobre aspectos culturais, religiosos e costumes de alguns rios do planeta.

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Com a ajuda do santo, Mangueira espera o bi

A busca pelo bicampeonato mangueirense vem acompanhada de um enredo ‘popular’, como define o carnavalesco Leandro Vieira, que desenvolve “Só com a ajuda do santo”, que revela um pouco da relação bem íntima do povo brasileiro com o sacro, de como as pessoas comuns lidam com as imagens religiosas, num desfile que promete tirar um retrato três por quatro da devoção brasileira.

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Foto: Michele Iassanori

 

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Por Redação

Já nas altas horas da madrugada do Domingo de Carnaval o clima de romance vai tomar conta da Sapucaí, quando a Beija-Flor de Nilópolis iniciar o derradeiro desfile da primeira noite de apresentações da Avenida.

É que o tema oficial da maior campeã do Sambódromo é uma narrativa baseada no romance “Iracema – a lenda do Ceará”, escrito por José de Alencar, uma das pérolas da literatura brasileira. A virgem dos lábios de mel – Iracema – virou um símbolo da história do estado nordestino por retratar o amor entre a personagem principal da trama com o navegador português Martim, que, juntos, dão origem a Moacir, o primeiro cearense miscigenado. Tudo isso diante do cenário histórico da colonização européia no continente americano no início do século XVII.

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Mas o belo conto, pra virar enredo, teve que ganhar uma disputa interna contra um tema-homenagem ao ex-comunicador José Abelardo Barbosa Medeiros, o Chacrinha, que tinha força também na azul e branco. O duelo entre os enredos foi duro. Entre conversas, argumentações e convencimentos, foram uns 3 meses de angústia para o nilopolitano. Ao final, deu Iracema pra alegria da comunidade e da comissão de carnaval, que estava na torcida pelo anúncio da virgem dos lábios de mel.

– Houve a história do Chacrinha, que era muito bom, mas era mais uma homenagem, e isso pesou. Iracema é uma história de amor. Foi naturalmente, não foi algo forçado. É como uma corrida, né? E ela foi vencendo, foi passando à frente, então ela venceu pela própria força dela. A história está fazendo 150 anos, e é super atual. O que mais se fala hoje é a presença da mulher na política, na vida social, e ela é uma guerreira do amor, a Iracema, e daí nasceu o Moacir, o primeiro miscigenado, e o Carnaval precisa desse tipo de história – opina Fran Sérgio, um dos integrantes da comissão da Beija-Flor, ao lado de Victor Santos, André Cezari, Bianca Behrends e Claudio Russo, todos liderados por Laíla.

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Comissão da Beija-Flor, que queria e conseguiu emplacar Iracema como enredo, já tem o projeto da narrativa quase pronto – Foto: Rodrigo Mesquita

Através do Facebook, os torcedores da Beija-Flor fizeram a diferença para a definição de Iracema. Cada postagem de um apaixonado pela escola na rede social era um pontinho a mais na disputa interna para a escolha do tema.

– Comunidade foi essencial. As pessoas, conforme sabiam, achavam lindo e postavam. Eles participaram muito dessa disputa de fazer um enredo que você acha que é legal pra escola no momento certo. Iracema nada mais é que a nossa própria origem. Nós somos indígenas. Ela é um anagrama de América. Como a América foi colonizada, da forma que foi, a paixão dela pelo português, o Martim. É uma história cheia de encantos. A gente tem certeza que fará um grande Carnaval, rústico, primitivo, bem na base indígena – adiantou o carnavalesco octocampeão da festa mais popular do Brasil.

Maior campeã da Século XXI, com sete títulos, a Beija-Flor de Nilópolis será última a desfilar no Domingo de Carnaval, pelo Grupo Especial, buscando o décimo quarto campeonato na história.

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Terminado o Carnaval, e todas as escolas de samba, menos a grande campeã, querem saber: “Onde foi que eu errei?”.

Com as justificativas dos jurados, divulgadas normalmente de quatro a cinco semanas após a Quarta-feira de Cinzas, a planta é dada, e então as diretorias começam a se mexer pra modificar ou pelo menos apurar o desenvolvimento de cada quesito afetado no desfile que passou.

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Tá tranquilo, tá favorável para o carnavalesco Renato Lage, que coloca o Salgueiro no topo entre os figurinos do Grupo Especial nos últimos cinco anos – Foto: Irapuã Jeferson

Para os donos das notas 40, os elogios e louros da perfeição até a próxima festa. Para os mal aventurados na temporada, a corneta soa em tom de crítica, muitas vezes feroz e injusta.

De olho nas avaliações dos jurados da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba, que é quem rege o Grupo Especial, o Sambarazzo quis saber quem está melhor em cada um dos quesitos nos últimos cinco anos. E nesta sexta-feira, 8, vamos em frente com a série de apuração dessa meia década conferindo as melhores e piores em Fantasias, essas criações dos carnavalescos que dão cores, formas e significados aos desfiles.

No início da semana, começamos com o ranking de Samba-Enredo e, logo na sequência foi a vez de apurarmos Enredo. Desvendamos os melhores rendimentos em Bateria. E na última quinta-feira, 7, foram descortinadas quem costuma se dar bem no quesito Harmonia.

O equilíbrio à toda prova marcou as definições do Ranking de Fantasias. Com a caneta pesada dos jurados desse quesito, foi difícil para qualquer escola manter um gráfico linear. Até 2014, por exemplo, a União da Ilha liderava, mas os dois anos seguintes custaram a ponta pra tricolor, que terminou em 8°. De 2012 pra cá, Salgueiro e Unidos da Tijuca perderam 1,1 ponto cada, mas terminaram à frente das demais.

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Os figurinos de Renato Lage não foram plenamente aprovados pelo júri em 2016, mas, mesmo assim, o Salgueiro lidera o Ranking de Fantasias dos últimos cinco anos – Foto: Michele Iassanori

Foi necessário usar o segundo critério de desempate – maior número de notas 9,9, – para apontar que a 1ª colocada foi mesmo a “Academia do Samba”. A escola do Borel ficou com o 2° lugar, mas superou a vizinha da grande Tijuca em 2016 por quatro décimos. Méritos da comissão de carnaval, formada por Mauro Quintaes, Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo. O melhor ano do Salgueiro no quesito foi na temporada passada com quatro 10 para os figurinos de Renato Lage.

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40 pontos! Fantasias da Tijuca agradaram os jurados, e a azul e amarelo só perdeu a liderança no segundo critério de desempate do Ranking – Foto: Michele Iassanori

Nos quesitos plásticos, a Beija-Flor não costuma ter tantos problemas, e como esperado, ocupa uma boa posição: 3° lugar no Ranking de Fantasias. Uma nota 40 em 2016 bastaria para a azul e branco liderar a classificação, mas cinco décimos ficaram pelo caminho, e o terceiro posto foi o que sobrou. 2012, 2013 e 2015 foram os melhores anos da comissão de carnaval comandada por Laíla, de acordo com o júri da Liesa: três 10 e um 9,9.

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A leveza das fantasias da Beija-Flor não garantiu à ela as melhores notas do ano, mas mantiveram a “Deusa da Passarela” entre as três primeiras do Ranking – Foto: Michele Iassanori

Mesmo em 4°, a Portela tem muito o que comemorar, principalmente ao perceber o passado recente, no qual uma nota 10 que fosse em Fantasias já era pra agradecer aos céus. Desde 2014, a Águia iniciou uma recuperação impressionante – que passou pela mudança de administração – nas avaliações de seus figurinos e saltou do 10° lugar para o 4°. Nesse recorte de cinco anos, a azul e branco de Madureira é a única a conseguir notas 40 em dois anos consecutivos (2015, com Alexandre Louzada, e 2016, com Paulo Barros).

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Fazendo coleção de notas 10 em Fantasias nos últimos dois anos, a Portela cresceu no quesito após a mudança de administração e ocupa o 4° posto no Ranking – Foto: Michele Iassanori

Recuperação também foi uma tônica para a Imperatriz no quesito. Em 2012, a verde e branco estava na rabeira do Ranking, mas mostrou a mesma força portelense para reagir. A diferença é que a escola ainda tem deixado alguns escassos décimos pelo caminho, o que impede uma disputa mais parelha pela ponta. A chegada do carnavalesco Cahê Rodrigues em 2013 ajudou a primeira tricampeã do Sambódromo a subir na tabela.

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Para chegar ao 5° lugar do Ranking de Fantasias, a Imperatriz Leopoldinense teve que se recuperar de 2013 pra cá – Foto: Michele Iassanori

Vila Isabel, Mangueira, União da Ilha, Mocidade, Grande Rio e São Clemente, que completam o G-11 das escolas que se mantêm no Especial há pelo menos cinco anos, fecham o Ranking.

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Por Redação

Os três primeiros meses de pós-Carnaval podem até ser os menos agitados dentro das quadras das escolas de samba. É aquele clima de ressaca após os desfiles da Marquês de Sapucaí. Mas nos bastidores a coisa esquenta.

É neste período de entressafra que as postulantes ao título do ano seguinte armam o terreno para conquistar o topo na próxima festa. Entre definir a equipe e o enredo para a temporada que se aproxima, uma decisão equivocada pode custar caro e um mínimo acerto pode levar à consagração. Por isso, todo cuidado é pouco.

Na Beija-Flor, a discussão é mesmo o enredo. E uma das possibilidades mais fortes para virar o tema oficial da maior campeã do Sambódromo é uma narrativa baseada no romance “Iracema – a lenda do Ceará”, escrito por José de Alencar, uma das pérolas da literatura brasileira. A virgem dos lábios de mel – Iracema – virou um símbolo da história do estado nordestino por retratar o amor entre a personagem principal da trama com o navegador português Martim, que, juntos, dão origem a Moacir, o primeiro cearense miscigenado. Tudo isso diante do cenário histórico da colonização européia no continente americano no início do século XVII.

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Iracema! O romance indianista de José de Alencar é um dos mais conhecidos e venerados da literatura brasileira… e a história é uma das mais cotadas para virar enredo na Beija-Flor – Foto: Reprodução/Internet
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Um das estátuas de Iracema fica localizada na lagoa de Messejana, em Fortaleza, capital do estado do Ceará – Foto: TV Verdes Mares/Reprodução

Dentro da própria Beija-Flor, outro tema ganhou força nas últimas semanas: um enredo-homenagem ao ex-comunicador José Abelardo Barbosa Medeiros, o Chacrinha. 2017 é ano do centenário de nascimento do apresentador de TV e rádio dos mais famosos entre as décadas de 1950 e 1980.

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Abelardo Barbosa, o Chacrinha, também está cotado para virar enredo na azul e branco de Nilópolis para 2017 – Foto: Reprodução/Memória Globo

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Por Redação

Nos últimos anos, só em 2014 a Beija-Flor foi tão mal avaliada no quesito Fantasias como nesta temporada. Se naquele ano, quando a escola homenageou o ex-diretor de TV Boni, quatro décimos ficaram pelo caminho, desta vez 0,3 ponto foi perdido na luta da azul e branco para defender o título de campeã do Carnaval. O 5° lugar deixou um gostinho pouco saboroso ao paladar nilopolitano.

9,8; 10; 9,8; e 9,9 foram as avaliações dos jurados às fantasias da Beija-Flor. Nas justificativas que trafegaram entre dificuldade de leitura nos figurinos, ausência de elementos e falta de uniformidade no tamanho das saias das baianas, quem mais se destacou foi a julgadora do último módulo do quesito.

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Para surpresa de muitos, a Beija-Flor desfilou bem mais leve do que normalmente costuma… ganhou até elogio da jurada Desirée Bastos, de Fantasias – Foto: Michele Iassanori

Desirée Bastos, que deu 9,9 para as roupas da “Deusa da Passarela”, após explicar a nota se apegando ao que chamou de “problema de formas na representação da silhueta do Século XIX”, isso nas alas 26 e 32, resolveu tecer um elogio à comissão de carnaval da Beija-Flor. A leveza dos figurinos deixou a jurada “impressionada” e, pelo visto, bastante satisfeita.

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Por Luiz Felippe Reis

A poucos dias dos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, a coisa mais fácil é achar um carnavalesco dentro barracão. Ainda mais se for o Fran Sérgio, da Beija-Flor de Nilópolis. É que o artista, assim que o Carnaval se aproxima, faz as malas e se “muda” para a Cidade do Samba, no Centro do Rio. Com uma suíte especial no quarto andar da fábrica de alegorias da azul e branco, ele dedica 24 horas do dia aos trabalhos na atual campeã da festa.

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Fran Sérgio não leva o trabalho pra casa… ele fez uma casa no trabalho! Desde dezembro, o carnavalesco da Beija-Flor mora no barracão da escola na Cidade do Samba – Foto: Sambarazzo

Desde dezembro morando no barracão, Fran deu um toque todo particular ao cantinho, onde costuma desenhar, ver televisão, criar, descansar e escapar dos estresses do cotidiano.

– Nem sempre tive esse espaço aqui. Consegui esse espaço e fui arrumando aos poucos pra ficar uma coisa parecendo uma casa mesmo. É onde relaxo e também penso algumas coisas sobre fantasia, alegoria, aqui tem muita inspiração pra mim. Você aqui não pega trânsito, não tem muito aquele estresse do dia a dia. É bem mais tranquilo, e me deixa mais suave – diz Fran Sérgio.

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Sem estresse! O carnavalesco assiste eventualmente a televisão e encontra refúgio na arte dos desenhos e na espiritualidade no belo altar cigano – Foto: Sambarazzo

Embora seja um filho fiel da Beija-Flor, Fran Sérgio tem a própria família e escolhe o domingo para ficar bem perto dos mais chegados. Morador de Nilópolis, cidade da Baixada Fluminense, o carnavalesco volta pra casa no primeiro dia da semana para ver a mãe, Dona Maria Henriques, além do casal de cachorros, Lídia e Perseu, e o velho parceiro de infância, o papagaio Louro, que tem quatro décadas de vida.

A saudade até aperta no carnavalesco, mas faltando alguns dias para o desfile da Beija-Flor… não tem jeito. O trabalho fala mais alto, e Fran faz de moradia o local de labuta. Com perfil trabalhador, o artista, no entanto, pondera que a cumplicidade com os operários de barracão também prevalece na hora de se “mudar”.

– Não é só o trabalho que me faz ficar aqui. Fico preocupado, quero saber como estão os detalhes. As pessoas trabalham bastante a noite, e você fica aqui junto, dá uma força. É um companheirismo, lealdade com o trabalho como um todo. Barracão de uma escola de samba é uma coisa viva, tem uma magia, e isso me contagia. Durmo às 4h da manhã e às 8h já estou de pé pra trabalhar – revela Fran Sérgio, que, ao lado da comissão de carnaval (hoje formada por Cláudio Russo, Bianca Behrends, Victor Santos, André Cezari, todos sob o comando de Laíla), é o maior campeão da era Sambódromo com oito títulos.

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Fran é meticuloso e não muda a arrumação das coisas na suíte especial do barracão: Além dos desenhos preservados sobre a mesa, as paredes mantém intactos os quadros de todas as ilustrações das alegorias do Carnaval 2014, quando a escola homenageou o ex-diretor de TV Boni; “O inverso das origens”, livro de Rosa Magalhães é uma boa pedida para leitura, afinal de contas o carnavalesco é fã da artista da São Clemente – Fotos: Sambarazzo

´Fran Sérgio deve estar certo quando fala sobre a magia de um barracão de escola de samba. Afinal, é de lá que saem os sonhos mais improváveis e as realizações mais aclamadas da Avenida. Mas convenhamos que, em algum momento, principalmente a cinco dias do desfile, com tudo praticamente pronto, deve bater um certo tédio no carnavalesco, né? Que nada! Fran se diverte acompanhando ensaios nas noites da Cidade do Samba.

– Gosto de ficar lá fora, vejo os ensaios da Cidade do Samba, a comissão de frente às vezes ensaia aqui dentro. Tem sempre alguma coisa acontecendo. Tem o pessoal fazendo fantasia, lá embaixo o pessoal da alegoria, e fico pensando em algo que dá pra melhorar. Às vezes, as três da manhã tô ali na sacada namorando os carros, vendo o que pode melhorar, e mudo um detalhe ou outro. E acabamento é isso, é detalhe. Não é nem questão de material caro ou barato, é a atenção que você dá a cada pedacinho dos carros – finaliza o carnavalesco.

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No “quintal” de casa, Fran botou um muro de isopor todo estilizado na frente da entrada da suíte para preservar um pouco a privacidade do lugar – Fotos: Sambarazzo

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Por Redação

A convite do Sambarazzo, o site que é o queridinho dos sambistas, as maiores estrelas do Carnaval se reuniram em Copacabana, bairro nobre da Zona Sul do Rio, para celebrar a chegada do ano novo em grande estilo. Representantes das escolas do Grupo Especial carioca confraternizaram e brindaram – com direito a champanhe – nas areias mais concorridas do maior réveillon do mundo.

O evento parecia uma espécie de gravação da vinheta de fim de ano da Globo, já que o elenco escalado para o encontro foi de peso. Entre os convidados que marcaram presença na última reunião informal de 2015 dos principais artistas da festa mais popular do Brasil, os carnavalescos Paulo Barros (Portela) e Rosa Magalhães (São Clemente); o cantor Neguinho da Beija-Flor, o coreógrafo Carlinhos de Jesus, e o repórter e comentarista da TV Globo Milton Cunha, que passaram uma tarde pra lá de animada na companhia de outras feras do samba.

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O Sambarazzo reuniu um timaço de sambistas nas areias de Copacabana pra uma confraternização especial de despedida de 2015! Jorge Texeira (coreógrafo da comissão de frente da Mocidade), Paulo Barros (carnavalesco da Portela), Ito Melodia (cantor oficial da União da Ilha), Amauri Santos (carnavalesco da Estácio de Sá), Carlinhos de Jesus (coreógrafo), Selminha Sorriso (porta-bandeira da Beija-Flor), Squel Jorgea (porta-bandeira da Mangueira), Fran Sérgio (carnavalesco da Beija-Flor), Rosa Magalhães (carnavalesca da São Clemente), Milton Cunha (comentarista de carnaval da TV Globo), Raíssa de Oliveira (rainha de bateria da Beija-Flor) e Simone Drumond (destaque da Imperatriz); Hélio e Beth Bejani (coreógrafos do Salgueiro), Fabrício Pires (mestre-sala da São Clemente), Emerson Dias (cantor oficial da Grande Rio), Ciça (mestre de bateria da União da Ilha), Casagrande (mestre de bateria da Unidos da Tijuca), Neguinho da Beija-Flor (cantor oficial da Beija-Flor de Nilópolis), Saulo Finelon (coreógrafo da Mocidade) e Thiago Diogo (mestre de bateria da Grande Rio) – Fotos: Irapuã Jeferson

Réveillon-Sambarazzo-INTERNA_BOLA_BRINDENo inusitado encontro promovido pelo Sambarazzo, os sambistas, a menos de 40 dias para os desfiles da Marquês de Sapucaí, acharam uma brecha na agenda para entrar no clima de festa e brindar em conjunto a chegada de 2016. Os artistas do maior espetáculo da terra se entregaram ao espírito de ano novo e distribuíram beijos e abraços, traduzindo o título de “coirmãos” dos grêmios recreativos.

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Aquele abraço! Paulo Barros e Ito Melodia; Emerson Dias e Neguinho; e Wander Pires e Thiago Diogo não esconderam a alegria de poder festejar com amigos do samba – Foto: Irapuã Jeferson
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Beijos mil! Carlinhos de Jesus e Squel; Rosa Magalhães e Milton Cunha; e os pombinhos do réveillon Sambarazzo, Hélio e Beth Bejani – Fotos: Irapuã Jeferson

Na boa filosofia dos hippies, os sambistas mergulharam no clima de “Paz e Amor” e botaram a conversa em dia. Rolou de tudo nos papos: Carnaval, vida pessoal e as projeções para 2016.

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No encontro, regado a muito champanhe, os artistas da festa trocaram, além de gentilezas, muitas ideias. Teve papo de política, dinheiro, crise, amores e, claro, muito samba – Foto: Irapuã Jeferson

Três representantes da ala feminina do samba, Squel Jorgea, Selminha Sorriso, e Simone Drumond fizeram graça para as lentes do Sambarazzo. Já o cantor da Portela, Wantuir de Oliveira, registrou seu momento nas areias mais disputadas do último dia ano para tomar a clássica bebida do réveillon, champanhe, com o performático Milton Cunha.

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Adeus ano velho! A galera que brilha na Marquês de Sapucaí fez a maior farra com o Sambarazzo – Fotos: Irapuã Jeferson

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Tim-tim! Estrelas do samba fecharam o ano brindando e provando que a rivalidade é restrita aos dias de desfiles na Avenida – Foto: Irapuã Jeferson

Veja o que as estrelas do samba esperam para o próximo ano!

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Viva 2016! Rolou até chuva de champanhe – Foto: Irapuã Jeferson

3, 2, 1…. Veja a contagem regressiva dos sambistas no Réveillon do Sambarazzo!

O Sambarazzo deseja a todos os leitores um excelente 2016, com muita saúde, sorte e samba!

Agradecimento: Quiosque Rainbow

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Por Luiz Felippe Reis

Esta poderia ser mais uma matéria da seção “Lado B”, onde o Sambarazzo mostra a outra profissão dos sambistas. Mas a função de ator se transformou no único lado profissional do carnavalesco Ubiratan Silva, o Bira, após o artista pedir dispensa da comissão de carnaval da Beija-Flor de Nilópolis, em maio deste ano, para se dedicar integralmente à arte da atuação. Com sua companhia “Amor & Arte”, o camarada saiu dos barracões para ganhar o Brasil com seus espetáculos teatrais.

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Ex-integrante da comissão de carnaval da Beija-Flor agora leva vida viajando pelo país com sua companhia de teatro – Foto: Arquivo pessoal

“A Beija-Flor consumia todo o meu tempo”, diz o carnavalesco

Hoje mais preocupado com os textos e as cenas, o carnavalesco deu um tempo de alegorias e fantasias para se focar nos palcos. Mas o desligamento não foi dos mais fáceis para Bira, que lembra da comoção na azul e branco quando anunciou sua saída. Até o patrono da Beija-Flor, Anísio Abraão David, fez um singelo pedido ao ator para que ele não se afastasse da atual campeã da festa.

– Todo mundo pediu muito para que eu não saísse. O “Seu” Anísio mesmo. Ele falava ‘Ô, meu filho, dá pra ficar na escola, você pode continuar fazendo suas coisas de teatro, faz os dois’. E eu respondi ‘Tô tentando há 22 anos’. E não dava mais mesmo. A Beija-Flor consumia todo o meu tempo. Meu mundo se dividia em dois. O teatro, como o Carnaval, demanda muita entrega, nunca deu pra conciliar. São minhas duas paixões, mas está na hora de me entregar ao teatro – garante Bira, que é oito vezes campeão do Carnaval integrando a comissão de carnaval da Beija.

No vídeo abaixo, Bira interpreta grandes cenas de filmes agraciados com o Oscar, (premiação da Academy of Motion Picture Arts and Sciences), nos últimos cinco anos.

Milton Cunha já dirigiu o artista

Desde menino, o destino parecia encaminhar a união das duas artes na vida de Bira. Aos 14 anos, quando apenas sonhava em ser um ator famoso, o artista teve logo quem como diretor de teatro? Milton Cunha. Não deu outra. O experiente carnavalesco logo percebeu o talento de Ubiratan para os desenhos, e o levou para o Carnaval, assim que foi chamado pela Beija-Flor, em 1993.

– Na época, eu ajudava o Milton a desenhar os figurinos e cenários que a gente usava no teatro. Daí, quando ele foi pra Beija-Flor me levou junto. Em 1997, quando ele saiu de lá, o Laíla veio com a ideia de montar a comissão, e eu fiquei. Sempre ensaiava os grupos que faziam alas teatralizadas. Eu organizava, trabalhava e transformava os passistas em verdadeiros atores – conta Ubiratan Silva, que teve Milton Cunha como professor na AFE (Associação Fluminense de Educação) , atual UNIGRANRIO, em Duque de Caxias.

Atualmente, Bira roda o país com o espetáculo “O aniversário do Chaves”, de criação da Cia. Amor & Arte. O carnavalesco interpreta o protagonista da história – Foto: Arquivo pessoal

Seis meses afastado da Beija-Flor, Bira, no entanto, frequenta a escola. Na verdade, o carnavalesco, que se diz um “beija-floriano doente”, acompanha todo o desenrolar do enredo em homenagem ao político Marquês de Sapucaí, que a escola prepara para o Carnaval 2016. Para o ano que vem, só falta decidir se ele vai desfilar ou se vai ficar na plateia só assistindo, algo que não acontece há mais de duas décadas:

– Vou lá toda semana. Vejo tudo, olho os figurinos, vou na quadra, participo dos ensaios quando dá. E tô empolgado com possibilidade de assistir o desfile. Quero desfilar, mas ao mesmo tempo dá vontade de só assistir, porque por todos esses anos eu não via. Lá na hora você está preocupado com outras coisas, você não assiste, né? Mas gostaria de assistir.

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Por Redação

A última quinta-feira, 17, ganhou ares de sexta-feira, 13, para os mais de 50 milhões de brasileiros viciados no WhatsApp, uma rede de comunicação via celular que conquistou o mundo, já chegando bem perto da marca de 1 bilhão de usuários ativos em todo o planeta. É que por determinação da 1ª Vara Criminal de São Bernardo do Campo (cidade paulista) o aplicativo deveria sair do ar por 48 horas em todo território nacional, deixando a galera na mão e sem visualizar as tão esperadas setinhas azuis nas mensagens deixadas aos amigos.

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WhatsApp ficou bloqueado por algumas horas e deixou milhões de brasileiros agoniados sem o aplicativo – Foto: Reprodução/Instagram

Até que um enviado dos céus, o desembargador Xavier de Souza, do Tribunal de Justiça de São Paulo, resolveu expedir uma liminar, que libera a utilização total dos serviços do aplicativo, por volta das 11 horas da manhã ainda na quinta-feira. Mas a primeira metade do dia de ontem foi tensa para a galera que adora papear no WhatsApp. Assim como milhões de brasileiros, os sambistas do Carnaval carioca que não saem do “Zap” ficaram aliviados com a reviravolta judicial.

Um dos carnavalescos da Beija-Flor, Fran Sérgio, contou ao Sambarazzo como foram as horas de “horror” sem o aplicativo de comunicação via celular. O artista só aliviou sua “depressão” ao matar as saudades do WhatsApp, após a liberação do uso.

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Carnavalesco da Beija-Flor foi o que mais lamentou o bloqueio do aplicativo na última quinta-feira, 17: “Foi horrível” – Foto: Irapuã Jeferson

– Surtei. Eu surto se ficar sem Whatsapp. Relutei pra ter, pra criar uma conta, mas depois viciei. Quando ficou fora, foi horrível. Não tinha WhatsApp, não tinha ninguém… Senti falta daquele barulhinho. Só melhorei à tarde, quando voltou a funcionar. Faço tudo por ali, resolvo coisas de trabalho e vida pessoal – conta Fran, que é oito vezes campeão da festa mais popular do Brasil pela Beija-Flor de Nilópolis.

Ao contrário do cenário do Carnaval, onde é uma das mais experientes da festa, a carnavalesca Rosa Magalhães apenas engatinha nas redes sociais. Com dificuldades para lidar com a era digital, a artista até se esforça. Exatamente no dia em que a heptacampeã da folia estava aprendendo a mexer no WhatsApp, o bloqueio do aplicativo surgiu como um banhaço de água fria.

– Aprendi de manhã, à tarde já não funcionava. É Implicância comigo? Todo mundo me perguntava, ” Você não tem WhatsApp?”. Parecia indigente, quando dizia que não. Mas, agora que tá funcionando, vou voltar a aprender – promete Rosa, que foi campeã por Império Serrano (1982), Imperatriz (1994, 1995, 1999, 2000 e 2001) e Vila Isabel (2013).

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Mas o quê? Justamente no dia que Rosa Magalhães aprendeu a mexer no WhatsApp, a justiça bloqueou o funcionamento do aplicativo no Brasil – Foto: Irapuã Jeferson

Cantor oficial da Portela, Wantuir Oliveira, que não é bobo nem nada, aproveita o aplicativo para levar o leite das crianças para casa. Enquanto para alguns o WhatsApp serve para interagir entre amigos e conhecer gente nova, o intérprete leva o dispositivo como indispensável para sua carreira profissional.

– Comercialmente, é maravilhoso, uma ferramenta fundamental. Um cara me ligou pelo WhatsApp, de Belém do Pará, pra eu fazer feijoada lá dia 16. Outro de Manaus, pra eu fazer dia 30. Pessoalmente, ligo pra alguns amigos, prefiro ligar. Não sou muito dependente, não. Uso mais pra trabalho. O cara quer que eu grave um samba, às vezes, gravo por ali mesmo e mando. Iria sentir falta se tivesse parado tudo. É sensacional – opina Wantuir, que vai para o terceiro ano seguido na Águia de Madureira.

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Wantuir não abre mão de fazer a feira! Mas para chegar lá e comprar tudo do bom e do melhor, o cantor precisa trabalhar, e o WhatsApp é fundamental na hora de fechar bons shows por todo o Brasil – Foto: Irapuã Jeferson

Ponto fora da curva nesse desespero nacional instaurado desde o bloqueio do aplicativo na última quinta-feira, 17, a herdeira do presidente da Imperatriz Leopoldinense, Simone Drumond, fez lembrar aquele sucesso do início dos anos 2000 da cantora Pop Luka: “Tô nem aí”.

– Fiquei numa boa. Achei que minha dependência fosse maior, fiquei tranquila – desdenhou levemente.

Herdeira de Luiz Pacheco Drumond, o presidente da Imperatriz, Simone não se importou com a ausência do “Zap”: “Fiquei numa boa” – Foto: Irapuã Jeferson