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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

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Por Redação

Centenas de pessoas foram às ruas na tarde deste sábado, 17, para manifestar descontentamento com a decisão do prefeito Marcelo Crivella de reduzir em 50% a subvenção das escolas do Grupo Especial e também dar menos verba às agremiações dos grupos de acesso.

Representantes de várias escolas, como Portela, Mangueira, Beija-Flor e Grande Rio, realizaram um “desfilaço” em direção ao Sambódromo, que teve concentração na entrada principal do prédio da prefeitura, no Centro do Rio.


– Só nos resta entender que o prefeito não largou o bispo. É uma questão religiosa. É uma busca por esvaziamento do Carnaval como um todo, isso falando de escola de samba. E vai chegar em outros segmentos do Carnaval, a tudo que tiver ligado ao que eles chamam de ‘festa do coisa ruim’ – esbravejou o carnavalesco da Beija-Flor, Cid Carvalho, que participou do ato promovido pela página “Sambistas da Depressão”.



Carnavalesco da São Clemente, Jorge Silveira também reservou o dia de folga para protestar e defendeu a causa citando a relevância social do considerado o evento mais popular do planeta.


– A gente espera o contrário, acreditamos que é o momento de se investir mais. As escolas do Especial têm um número enorme de profissionais. Mas a gente não deve esquecer que esse corte prejudica ainda mais as escolas do Acesso e as da Intendente Magalhães (no Campinho, onde desfilam as agremiações dos grupos B, C, D e E). É necessário que a prefeitura entenda que o Carnaval tem um papel social, cultural e econômico de base fundamental para a cidade. Não é hora de cortar, é hora de investir – reclamou o artista.

“Qualquer pessoa que tem caixinha de isopor sabe a importância da festa”

Coreógrafo da Beija-Flor, Marcelo Misailidis foi outro a participar do movimento em prol da manutenção da verba que a prefeitura dava às escolas – para 2017, cada uma do Especial recebeu R$ 2 milhões.


– É uma afronta ao patrimônio cultural da nossa cidade. Esse embate, essa discussão é importante pra esclarecer a população da importância da festa. É uma festa pra trazer recursos pra cidade. Qualquer pessoa que tem uma caixinha de isopor sabe a importância de uma festa. Não é uma festa que onera os cofres públicos, pelo contrário. Gera riqueza. Os eventos são fundamentais – argumentou.


Segundo a Riotur, o Carnaval deste ano arrecadou para o município cerca de R$ 3 bilhões e atraiu mais de 1 milhão de turistas. Apesar dos números expressivos, o órgão diz não ver motivos para polêmica e promete tentar mais recursos com a iniciativa privada.


Na última quarta-feira, 14, a Liga Independente das Escolas de Samba, a Liesa, suspendeu os desfiles de 2018. A entidade responsável pelos desfiles do Grupo Especial do Rio alega que o corte na verba inviabilizaria a produção do espetáculo.

*Fotos: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

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Fé! Porta-bandeira do Salgueiro vai ao Vaticano e pede pelo Carnaval

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Por Redação

De férias na Itália, mas ligada em tudo o que rola no Brasil, Marcella Alves aproveitou a viagem de lazer para fazer uma fezinha.

Sidclei Santos e Marcella Alves formam o casal de mestre-sala e porta-bandeira principal do Salgueiro | Foto: Valéria del Cueto

Impactada, como a maioria dos sambistas, com a notícia de que a prefeitura do Rio decidiu reduzir em 50% a subvenção às escolas de samba, e ciente de que a Liesa divulgou comunicado suspendendo os desfiles de 2018, alegando não ter condições de produzir o espetáculo da Sapucaí, a porta-bandeira do Salgueiro resolveu levar a bandeira da vermelho e branco pra ser abençoada no Vaticano, sede e símbolo mundial da Igreja Católica.

– Que Deus nos ajude e que a manifestação cultural do nosso povo continue recebendo a devida importância. Não deixem o samba morrer – clamou Marcella na sagrada terra onde vive Papa Francisco, após tirar foto com o pavilhão salgueirense ao lado de um padre carioca.

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Uma das figuras mais representativas do Carnaval do Rio, Neguinho da Beija-Flor está descontente com o corte em 50% da verba que a prefeitura vinha cedendo às escolas de samba. Para o intérprete mais famoso da festa – que segundo a Riotur atraiu para a cidade na última temporada 1,1 milhão de turistas, gerando uma arrecadação para o município de aproximadamente R$ 3 bilhões -, o evento mais popular do planeta não tem culpa da crise que assola o Rio de Janeiro. Nesta semana, a Liesa decidiu suspender os desfiles de 2018, alegando que a redução da subvenção inviabiliza a produção do espetáculo.

– Espero que o prefeito tenha a sensibilidade de rever a decisão dele. Eu, que faço parte dos desfiles há 41 anos, conheço muito bem a importância das escolas como manifestação cultural. Ele (prefeito Marcelo Crivella) pede sacrifício de todos, dizendo que o cofre do município tá vazio, mas não foram as escolas que botaram a prefeitura do Rio no vermelho. E a situação financeira da cidade vai piorar. Se não tiver desfiles, ele não vai poder contar nem com os 3 bilhões de reais que o carnaval rendeu pra cidade este ano. Então, nada tá tão ruim que não possa piorar, né prefeito? – disse Neguinho ao Sambarazzo.

Na manhã desta sexta-feira, 16, a Riotur emitiu um comunicado à imprensa falando em crise. Num trecho, informa que os gastos gerados pelo evento são muitos e que a manutenção do Sambódromo é cara e que gastou, somente em iluminação nos dias de desfiles, mais de R$ 600 mil reais. O texto, que ainda reconhece a relevância do Carnaval como gerador de empregos, ainda afirma a pretensão do órgão em buscar ajuda da iniciativa privada, já que a Liesa frisa não ter condições de produzir os desfiles das escolas de samba com 50% a menos da subvenção da prefeitura (menos R$ 1 milhão para cada uma).

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Após a Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro anunciar a suspensão dos desfiles de 2018, alegando ser inviável produzir a festa com o corte de 50% da subvenção da prefeitura, que passaria a ser de R$ 1 milhão de reais para cada escola, a Riotur emitiu nesta sexta, 16, um comunicado no intuito de dar fim à polêmica. Para a empresa de turismo do município, mesmo com a redução na verba é possível que as agremiações coloquem seus carnavais na rua.

No texto enviado à imprensa, o órgão de turismo – comandado na gestão de Marcelo Crivella pelo xará Marcelo Alves – informa que os gastos com a festa já são muitos: “Em 2017, só para arcar com os custos da iluminação da Passarela do Samba nos dias de desfile, o município desembolsou R$ 655 mil”, diz trecho do comunicado.

Foto: Tatá Barreto/Riotur

Leia a íntegra do email da Riotur enviado à imprensa:

“A Riotur esclarece que o remanejamento de uma parte da verba destinada às escolas de samba do Grupo Especial não significa que o município deixará de apoiar os desfiles promovidos pelas agremiações. A medida foi tomada em virtude das limitações orçamentárias que já foram amplamente divulgadas pela imprensa desde o início do ano. A revisão de custos e a redução de gastos também foram adotadas em todos os órgãos e contratos da estrutura direta e indireta da administração municipal.

Diante da crise, deve-se priorizar o que é essencial e nesse momento aplicar recursos na educação e na alimentação das crianças nas creches é primordial.

A prefeitura e a Riotur reconhecem a importância da maior festa popular do mundo, que faz da cidade do Rio de Janeiro um dos principais destinos turísticos no período, gerando emprego e renda para a população. Por esse motivo, o Carnaval carioca continuará recebendo o incentivo e recursos do poder público municipal. O repasse da prefeitura para as escolas de samba para o Carnaval 2018 vai chegar a R$ 13 milhões de reais.

A Riotur já estuda o desenvolvimento de mecanismos para que sejam captados investimentos da iniciativa privada. O lançamento de um caderno de encargos, como já é feito para o desfile de blocos que fazem parte da programação do Carnaval de rua, está sendo avaliado.

É importante ressaltar que o repasse de recursos às escolas de samba não é único investimento da prefeitura para o desenvolvimento e realização do Carnaval. O município tem um gasto anual enorme com a manutenção da estrutura do Sambódromo. Em 2017, só para arcar com os custos da iluminação da Passarela do Samba nos dias de desfile, o município desembolsou R$ 655 mil. Além disso, efetivos dos mais diversos órgãos são mobilizados para garantir o sucesso da operação do evento.

Finalizando, não existe motivo para polêmica. O Carnaval do Rio está garantido. E vai continuar sendo o maior espetáculo do planeta.”

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*Foto de capa: Fernando Grilli/Riotur

Por Redação

A secretária de cultura da cidade do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira, emitiu uma opinião sobre a decisão do prefeito Marcelo Crivella de cortar 50% da subvenção municipal às escolas de samba do Grupo Especial.

Nilcemar, que é neta da lendária Dona Zica da Mangueira, é uma agente cultural de larga trajetória no samba. Ela criou o Centro Cultural Cartola, foi dirigente do Museu da Imagem e do Som e lutou para que o gênero samba fosse considerado patrimônio da humanidade, título concedido pela Unesco em 2007. Sobre a polêmica, ela defendeu a argumentação de Crivella sobre as dificuldades das finanças da prefeitura e propôs, a partir da redução de verbas, uma reinvenção para o Carnaval.

Nilcemar Nogueira é secretária de cultura da gestão Crivella – Foto: Reprodução/Facebook

Alegorias menores, comissões de frente mais tímidas e valorização do sambista são pautas que entraram na lista de adequações possíveis das escolas na visão da secretária. Leia o texto escrito por ela nas redes sociais.

“O Carnaval carioca é uma expressão do povo desta cidade. Além das nossas escolas de samba – e aqui destaco não só as do Grupo Especial mas todas, prestando enorme reverência à fibra e à arte das que se apresentam na Intendente Magalhães -, temos os blocos e as bandas que ocupam com sua alegria as ruas do Rio, numa tradição que só cresce ano a ano, e manifestações lindas como os bate-bolas, entre tantas outras.
A crise econômica no país atinge todos os setores. Ninguém está à margem dela. Nem o carnaval, nem as escolas de samba. Isso nos preocupa a todos. E todos que amamos a festa, e eu a amo, estamos neste momento responsáveis por pensar soluções, envolvendo adequações de custos, revisões de processos e gastos, repensando o que foi o desfile e o que ele pode ser sem perder suas características. E quando falo em características, falo do sentido cultural, nas pessoas, no ser humano: as passistas, as baianas, o ritmista, a costureira, o aderecista em primeiro lugar. Onde esta crise econômica já impacta a vida dessas pessoas. Não tenho uma resposta agora. Ouço proposições. Talvez uma alegoria a menor por escola, como já ouvi sugerido? Talvez um ano sem tripés nas comissões de frente, que poderiam levá-las de volta a uma exibição coreográfica mais tradicional? Sã reflexões, pontos de partida. Não digo “é isso” ou “é aquilo”. Eu penso cultura. Eu penso gente. Mas também penso gestão. É irreal não enxergar a crise enorme do país. Não enxergar que é preciso se adaptar à redução de recursos disponíveis, rever o que era feito e como era feito. O grande mestre Fernando Pamplona, um farol do carnaval carioca, dizia: “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso”. Ninguém está com dinheiro sobrando no bolso. Nem os cofres municipais. E ninguém, tenho certeza, ninguém no poder público municipal quer ver o carnaval do Rio sem o desfile das escolas do Grupo Especial. É preciso sentar e estudar toda a situação diante das restrições. Apontar possibilidades de reinvenção do desfile, buscar fontes diferenciadas e privadas de recursos (ainda que sem a garantia de que nessa crise vai ser possível obtê-los), olhar abertamente as planilhas de custos atuais das apresentações, construir sinergia e otimizar gastos. A Riotur é o órgão responsável pelo espetáculo. Sei que ela está aberta e empenhada. Ela administra o espetáculo e a estrutura turística da cidade. É momento de dar as mãos e juntar as cabeças na busca de soluções para um cenário econômico adverso real. Sou e sempre fui coerente com minhas causas – e uma delas é o samba como forma de expressão. Como Secretaria de Cultura, zelo pelos corpos que seguram nossas tradições.”

Na noite da última quarta-feira, 14, a Liesa decidiu suspender o Carnaval 2018 até que o prefeito da cidade decida mudar de ideia e reverter a ideia de cortar pela metade às subvenções municipais aos desfiles.

 

Por Luiz Felippe Reis

Na tarde desta sexta-feira, 9, o cônsul geral da França no Rio de Janeiro, Brice Roquefeuil, visitou o barracão da São Clemente na Cidade do Samba na Zona Portuária do Rio e certamente teve um dos dias que mais se sentiu em casa desde que assumiu o consulado, há três anos. É que o francês conheceu o projeto de alegorias, viu os protótipos das fantasias e ficou sabendo cada detalhe do enredo ‘Onisuáquimalipanse’, criado pela carnavalesca Rosa Magalhães e que versa sobre a construção do Palácio de Versalhes, ambientado pela inspiradora França do Século XVII.

Mesmo não sendo um marinheiro de primeira viagem no complexo que abriga as 12 escolas do Grupo Especial carioca, o cônsul, acompanhado de uma comitiva, ficou impressionado com o trabalho apresentado pela turma da São Clemente. Anfitriã da tarde, Rosa fez questão de explicar cada detalhe do tema ao representante do governo francês liderado pelo presidente François Hollande.

A carnavalesca Rosa Magalhães e o vice-presidente Roberto Almeida Gomes foram os responsáveis por mostrar cada detalhe ao cônsul (de camisa branca) e ao restante da comitiva – Fotos: Irapuã Jeferson

– Na verdade, já vim na Cidade do Samba. Mas hoje tive a oportunidade de ver as fantasias e carros alegóricos. Experiência única encontrar os artistas, a Rosa Magalhães explicou tudo. Muito impressionado pela harmonia do projeto, a coerência, a criatividade. Muito bom gosto. Ela pegou um pouco do bom gosto francês – comentou o oficial, que já trabalhou na embaixada francesa na Rússia e na Turquia.

Governo francês não vai patrocinar desfile

Durante o tour, o vice-presidente da São Clemente, Roberto Almeida Gomes, fez questão de mostrar o passo a passo da construção das esculturas e de todas as engrenagens mecânicas das alegorias, mostrando como as escolas de samba produzem a maior festa popular brasileira. Embora empolgado com cada informação, Brice alertou que o governo da França não vai atuar no patrocínio direto ao Carnaval da São Clemente, mas prometeu auxílio para ligar empresas francesas e falar sobre o desfile. E como não é bobo, o gringo tratou de arrumar um lugarzinho para estar na Sapucaí com a representante de Botafogo na festa mais popular do Brasil.

– O governo francês não vai participar no financiamento de escolas. Mas queremos divulgar para empresas. Esperamos que as empresas se interessem em participar. Eu quero desfilar. Já vi algumas fantasias que quero vestir. Ainda não escolhi, tem que ver. Mas tenho uma ideia – confirmou Brice.

Brice Roquefeuil conheceu cada detalhe do projeto de Rosa na São Clemente: ‘Fiquei impressionado pela harmonia e coerência do projeto’ – Foto: Irapuã Jeferson

Michelin será procurada para doar pneus

Quem ficou pra lá de animado com a visita dos gringos foi o presidente da São Clemente, Renato Almeida Gomes, o Renatinho, que, após a visita tratou de se reunir com os franceses para falar de negócios. A ideia era saber como o consulado francês poderia colaborar mais ativamente com a São Clemente. Pelo visto, a reunião foi proveitosa.

– As fantasias estão todas prontas, então determinamos cotas para alegorias. A Michelin pode entrar com pneus novos, a GE entraria com geradores e toda iluminação moderna que a gente tá pra fazer nos carros. Não é aquela coisa de vir um dinheirão e tal. Eles enalteceram o enredo que é deles, a história deles, e eles estão felizes. A São Clemente quer subir mais um degrau, quer mostrar que tá podendo – disse, empolgado, Renatinho.

A turma da São Clemente recepcionou na tarde da última sexta-feira, 9, a comitiva do consulado da França no Rio de Janeiro – Foto: Irapuã Jeferson

Segunda a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, a São Clemente busca a tão sonhada vaguinha no Sábado das Campeãs, que envolve as seis melhores da festa.

Renato e Marcia deixam a Vai-Vai

Por Redação

Deu ruim! Acabou da pior maneira o namoro de um ano dos carnavalescos Renato e Márcia Lage com a paulistana Vai-Vai.

Renato e Marcia deixam a Vai-Vai
Renato e Marcia deixam a Vai-Vai

A escola, que ficou em quarto lugar no Carnaval de São Paulo, segundo Márcia não cumpriu o que combinou com os artistas, que ficaram injuriados com o pouco caso da agremiação e se desligaram no fim da noite desta quarta-feira, 9.

Márcia Lage publicou em seu perfil no Facebook um texto para se afastar oficialmente da Vai-Vai. A postagem, assinada por ela e pelo marido Renato, relata tentativas frustradas de contato com a presidência da alvinegra.

Marcia Lage utilizou o Facebook para anunciar desligamento da Vai-Vai | Foto: Reprodução Internet
Marcia Lage utilizou o Facebook para anunciar desligamento da Vai-Vai | Foto: Reprodução Internet

Renato e Márcia Lage seguem assinando os desfiles no Rio, pelo Salgueiro, de onde recebem muito bem – e em dia -, obrigado.

Por Rafael Arantes

As escolas do Grupo Especial lutaram contra a crise financeira do país, que já afetou até o mundo do samba, mas Jorge Caribé, carnavalesco da Renascer de Jacarepaguá, deixou de lado as preocupações sobre a precária situação financeira pela qual passa o Carnaval do Rio. Acostumado a tirar leite de pedra para finalizar desfiles nos grupos de acesso, o artista garante que, nas divisões mais baixas da folia a falta de dinheiro é algo mais que normal.

– Qual foi o ano que o Grupo de Acesso não fez carnaval na crise? Pra gente nada mudou. Falta de dinheiro não é problema para o Grupo de Acesso. Todos os carnavalescos daqui sabem fazer carnaval reciclando, mudando de material… Sempre damos jeito – disparou o carnavalesco.

Jorge Caribé enfrentou a crise com total tranquilidade | Foto: Sambarazzo
Jorge Caribé enfrentou a crise com total tranquilidade | Foto: Sambarazzo

Acostumado a encarar a situação precária na Série A, o carnavalesco dá os louros do momento de paz da Renascer de Jacarepaguá ao retorno do presidente Salomão, que já quitou toda a folha salarial da escola antecipadamente.

– Muita gente fala que não tem problema no acesso porque cada escola recebe R$ 1 milhão… R$ 1 milhão pra quem está limpo, não é?! As escolas recebem esse valor, mas vão perdendo para pagar suas dívidas. Então é sempre mais complicado – afirmou.

Salve, Salomão! Presidente da Renascer já pagou todos os funcionários do barracão | Foto: Sambarazzo
Salve, Salomão! Presidente da Renascer já pagou todos os funcionários do barracão | Foto: Sambarazzo

Depois do conturbado desfile de 2015, o carnavalesco exaltou o momento tranquilo da escola de Jacarepaguá. Com o retorno do presidente Salomão, a escola vive uma fase sem grandes estresses e já conta com o barracão em fase final de acabamento e grande parte de seus funcionários totalmente pagos até o Carnaval.

– Ano passado foi um Carnaval de superação da escola, mas esse ano foi bem diferente. Nosso presidente já pagou toda a folha de pagamento do barracão, eu já estou pago. Eu sei que ele queria fazer um trabalho até melhor, mas vamos caminhando como conseguimos e comemorando muito essa presença dele para nos ajudar – comentou.

 

 

 

Por Leonardo Lupi

A carnavalesca Márcia Lage parece não ter motivos para reclamar da carreira no Carnaval carioca. Desde 2011 no Salgueiro e com contratado renovado até 2017, a artista tem uma parceria artística pra lá de sólida com o marido, Renato, dentro da “Academia do Samba”. Mas nem tudo são mil maravilhas na trajetória dela na festa mais popular do Brasil. Ao Sambarazzo, a senhora Lage abriu o verbo recordando suas passagens por Império Serrano (2009) e Mangueira (2010), quando assinou sozinha os desfiles dessas escolas de samba.

Nem sempre o trabalho foi só alegria para a sorridente carnavalesca. Márcia lembra os perrengues que passou no Império, e afirma que teve que usar seu "lado ruim" - Foto: Irapuã Jeferson
Nem sempre o trabalho foi só alegria para a sorridente carnavalesca. Márcia lembra os perrengues que passou no Império, e afirma que teve que usar seu “lado ruim” – Foto: Irapuã Jeferson

“O Império é aquela escola que fica esperando um milagre… Um salvador”, opina Márcia.

A artista se queixou da desorganização das escolas, na época em que passou por elas, principalmente o Império Serrano, que teve Márcia como carnavalesca, em 2008 (com Renato) e em 2009 (sozinha). Na época, a missão era manter a verde e branco no Grupo Especial, o que não aconteceu. Ela desenvolveu o enredo “Lenda das sereias e os mistérios do mar”, uma reedição do desfile de 1976 da própria agremiação da Serrinha.

– Costumo dizer que o Império é uma escola com potencial de componentes maravilhosos, tal qual a Mangueira, mas tem o umbigo pra dentro. É aquela escola que fica esperando um milagre, sei lá, um Antônio Conselheiro, um salvador pra tirar ela do limbo. É toda uma complexidade ali porque eles são mais desanimados, digamos assim – opinou Márcia.

Márcia Lage não tolerava ter que pegar os materiais do Salgueiro para completar seu Carnaval no Império: ‘Era vergonhoso”

Segundo a carnavalesca, foram muitos os obstáculos encontrados no período que tocava o carnaval da verde e branco sem a companhia do maridão, em 2009. Ela conta que acabou utilizando muitos materiais do Salgueiro, na época comandado apenas por Renato, para o desfile do Império Serrano.

– Tive que lidar com muita dificuldade. No ano seguinte, quando o Império subiu, eu peguei muita coisa do Salgueiro. Era vergonhoso. Ficava dormindo no barracão, peguei grampo, placa. O que eu podia, pegava do Salgueiro pra ajudar a terminar ali. E isso é verdade. Briguei muito pra levar um carnaval, no mínimo, decente. Mas, enfim, a escola tem uma dificuldade intrínseca – declarou a artista sobre o Império, que desde a queda para o Acesso, justamente no ano em que Márcia trabalhava por lá, nunca mais voltou ao Especial e amarga sete carnavais consecutivos fora da elite.

Márcia pegou o abacaxi de fazer o desfile do Império Serrano em 2009, quando a escola havia acabado de subir para o Grupo Especial. A carnavalesca teve que se desdobrar pra terminar o carnaval a tempo - Fotos: Pedro Kirilos/ Riotur
Responsável por comandar artisticamente o Carnaval do Império Serrano, Márcia cortou um dobrado na época: “dormia no barracão”, diz a mulher de Renato Lage que não conseguiu manter a verde e branco no Grupo Especial. – Fotos: Pedro Kirilos/ Riotur

A carnavalesca revela falta de afinidade com ex-presidente

Na Mangueira, por sua vez, Márcia teve uma passagem relâmpago, pois acabou saindo durante a preparação para o carnaval de 2010. Sem qualquer saudades dos tempos de verde e rosa, a carnavalesca aponta diferenças entre os problemas das duas escolas:

– A Mangueira é o contrário, é umbigo pra fora. É aquilo assim: eu posso ir de bunda de fora que eu ganho o carnaval e foda-se. E tinha uma pessoa (Ivo Meirelles) na liderança que a gente não deu certo, infelizmente, naquele momento.

Acostumar a trabalhar com o marido, Renato Lage, Márcia se aventurou a assinar sozinha carnavais no Império Serrano e na Mangueira, na época presidida por Ivo Meirelles - Fotos: Julio César Cândido e Philipe Lima/Ag News
Acostumada a trabalhar em parceria com Renato, Márcia se aventurou a assinar sozinha carnavais no Império Serrano e na Mangueira – Fotos: Julio César Cândido e Philipe Lima/Ag News

As adversidades encontradas nessas escolas renderam bastante dor de cabeça para Márcia. Convivendo diariamente com as dificuldades no Império e na Mangueira, a carnavalesca conta que tinha que evocar das trevas seu lado “demoníaco”.

– A dificuldade é muito mais no aspecto de gestão do que o ambiente, porque eu fico dentro, fico no barracão, a gente bebe cerveja. O problema são as administrações e como você barganha isso. Chega às vezes num limite de você ver ter que ver o seu projeto 80% daquilo que você almeja. Você chora, você grita. É um lado muito ruim, uma porção muito ruim que você tem que pôr em prática. Eu não gostei de visitar meu lado demoníaco não, sabe. Não gostei nem um pouco – desabafou a carnavalesca, hoje feliz no Salgueiro, com quem já renovou contrato para 2017.

Antes de ingressar no carnaval, Márcia não conseguia entender por quê uma festa tão alegre causava tanto estresse para o marido, o também carnavalesco Renato Lage - Foto: Irapuã Jefferson
Antes de ingressar no carnaval, Márcia não conseguia entender como uma festa tão alegre causava tanta dor de cabeça no marido, o também carnavalesco Renato Lage – Foto: Irapuã Jefferson

Antes de entrar no Carnaval, Márcia não entendia estresse do marido Renato Lage. Já hoje em dia…

Já acostumada com o clima hostil que os barracões podem ter, Márcia contou que, antes de ingressar no mundo do samba, não entendia o porquê uma festa como o Carnaval trazia tanto aborrecimento para Renato Lage.

– O Renato é mais trabalhado, digamos assim, para lidar com as adversidades. Mais calejado, mais velho. Quando eu não estava tão no mundo do carnaval, eu trabalhava na TV Educativa, mas ajudava ele, eu tinha um distanciamento. Eu não entendia por que carnaval era pra ser uma coisa alegre e tem esse estresse todo. Não coadunava na minha cabeça. Aos poucos, casando com ele e frequentando mais os bastidores, quando passei a assumir a responsabilidade com ele,  ainda achava meio surreal. Quando eu passei a ter que ir pra frente, assumir a postura de liderança, entendi que realmente é muito difícil, porque você lida com várias cabeças – conta.

“Tem gênio pra caraca dentro de escola de samba”, dispara a artista

Já que resolveu abrir o jogo ao Sambarazzo, Márcia Lage parece não ter guardado nenhuma reclamação por fazer. Sobrou até para os “entendidos” de dentro das escolas de samba.

– Tem gênio pra caraca dentro de escola de samba. Os primeiros opositores que você encontra são de dentro da escola. O primeiro embate que você encontra antes de colocar o seu carnaval na pista são os contras de dentro da sua escola. Todo mundo sabe. Aí tem aqueles: “Eu não disse?”, “isso aí não vai dar certo”. Então você fica tentando mostrar que “não, vai”, “podemos”, “não, mas não é assim” e, enfim, é complicado – lamentou a artista.

O que passou, passou! Depois de passar aperto em outras escolas, Márcia está feliz no Salgueiro, ao lado de Renato e da presidente, Regina Celi - Foto: Felipe Araújo
O que passou, passou! Depois dos perrengues em outras escolas, Márcia está feliz no Salgueiro, ao lado de Renato e da presidente, Regina Celi – Foto: Felipe Araújo

 

 

No detalhe! Bambu e galhos secos são os elementos que decoram todo o quinto carro da escola | Foto: Sambarazzo

Por Rafael Arantes

Galhos secos e bambus. Esses dois elementos da natureza, nas mãos dos carnavalescos Alexandre Louzada e Edson Pereira, se transformaram em materiais de decoração na Mocidade para o Carnaval 2016. Pra concluir o projeto imaginado, a dupla, que já tem contratado renovado até 2017, usou e abusou da criatividade pra botar a verde e branco de Padre Miguel novamente entre as melhores da festa mais popular do Brasil.

Quinto carro da Mocidade, "Sacra insurreição", vai falar do sertão brasileiro e é todo feito de galhos secos e bambu | Foto: Sambarazzo
Quinto carro da Mocidade é todo feito de galhos secos e bambu | Foto: Sambarazzo

Sem aquelas esculturas gigantescas apresentadas pelos artistas ao Sambarazzo dia desses, o quinto carro da Mocidade, que vai falar do sertão brasileiro e foi intitulado de “Sacra insurreição”, é uma prova do quanto é indispensável a criatividade em tempos de crise. Materiais orgânicos formam toda a decoração da alegoria, que receberá um jogo especial de iluminação na Avenida.

– Temos que fazer valer o nosso trabalho, que é fazer o diferente. Nos preocupamos muito para que cada setor tenha uma característica particular, o que é favorável nessa questão plástica – Explica Edson Pereira, que estreia em 2016 pela Mocidade depois de dois carnavais elogiadíssimos na vizinha Unidos de Padre Miguel.

Carro Mocidade
No detalhe! Bambu e galhos secos são os elementos que decoram a alegoria | Foto: Sambarazzo

Além dos problemas financeiros, encontrar materiais no mercado tem sido missão difícil para as escolas de samba. Com isso, usar as armas do improviso têm sido a melhor saída. Com a chegada de Alexandre e Edson, o barracão da Mocidade passou por uma total reformulação, o que dificulta o uso de alternativas já presentes para suprir os problemas encontrados.

– A equipe foi totalmente mudada e fica mais difícil de ter conhecimento de tudo que tem, mas na medida do possível tentamos achar algo. Não é por falta de vontade, mas a temática é totalmente diferente do Carnaval anterior. É o Carnaval da crise. Está faltando muito material no mercado. São materiais importados, que não existe estoque nas lojas. Muitas vezes começamos de uma forma e acabamos tendo que encontrar outra solução no meio do caminho para finalizar essa questão – finalizou Edson.

Na busca pelo título, que não vem há 20 anos, a Mocidade será a quinta a desfilar no Domingo de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “O Brasil de La Mancha: sou Miguel, Padre Miguel. Sou Cervantes, sou Quixote cavaleiro, pixote brasileiro”.

 

 

 

Por Luiz Felippe Reis

Com passagens por escolas como Beija-Flor, Mangueira, Mocidade e Vila Isabel, o carnavalesco Cid Carvalho, hoje na Cubango (Série A), já fez diversos carnavais baseados no luxo e que custaram milhões aos cofres das agremiações do Grupo Especial. Agora no Acesso, o artista experimenta a sensação de ter que estimular ao máximo sua criatividade pra fazer da verde e branco de Niterói campeã da Série A em 2016 e levá-la pela primeira vez na história à elite da festa mais popular do Brasil.

Carnavalesco da Cubango, Cid Carvalho marcou presença no Sambanet
Carnavalesco da Cubango, Cid Carvalho abriu o verbo e criticou administrações de algumas escolas do Carnaval carioca: “estão deixando de pagar profissionais” – Foto: Sambarazzo

Dono de um tetracampeonato (pela Beija-Flor, em 1998, 2003, 2004 e 2005) no Carnaval, que o gabarita para falar, Cid analisou a atual crise financeira, que paira sobre escolas do Rio de Janeiro. Se mostrando bem lúcido, o carnavalesco acredita que ainda há uma solução para tirar as agremiações do vermelho. Pelo bem da festa, o artista sai em defesa dos operários dos barracões que trabalham ano a ano fazendo possíveis as belas alegorias e fantasias nos desfiles exibidos para o mundo inteiro.

– Deveria se tirar cada vez mais dinheiro do espetáculo plástico e investir no profissional. É muito dinheiro em iluminação, movimentos e tecnologia, e estão deixando de pagar profissionais contratados pra fazer o básico. O aderecista, a costureira, o escultor, o pintor de arte… Essa gente tem que ser respeitada e valorizada, tem que pagar essa gente. Que o Carnaval volte a ser mais criativo pra colocar em teste as fortunas que são pagas, abrindo mão de outros que ganham tão pouco, e não recebem. É a hora. Rever conceitos. Tô aqui tentando apontar um caminho. Acho triste escolas de samba patinando em dívidas. Acho triste o espetáculo tentar manter uma grandiosidade que não lhe é mais possível – opina Cid Carvalho, que em 2014, no meio da confecção do desfile, saiu da Vila Isabel alegando que estava com salários atrasados, assim como toda sua equipe de barracão. Poucos meses depois, o carnavalesco entrou num acordo com a agremiação e concluiu o trabalho. A azul e branco terminou em 10° lugar.

Cid Carvalho
Cid Carvalho teve duas passagens pela Vila Isabel: em 2007 e 2014. Na última experiência, o carnavalesco não tolerou problemas financeiros da escola e abandonou o barco por dois meses, mas acabou retornando para finalizar o projeto – Foto: Fernando Azevedo/Divulgação

Lembrando da atitude de abandonar o Carnaval da Vila no meio do caminho, Cid amplia a questão e acredita que tem faltado peito para a classe dos carnavalescos lutar por uma relação mais profissional no dia a dia das escolas de samba, principalmente no que diz respeito ao pagamento de salários.

– Todos têm famílias. Todo mundo tem gente pra cuidar, que se pague essa gente. Falta a eles (os carnavalescos) exigirem o tratamento de artista e profissional e de exigir pra sua equipe esse mesmo tratamento. Me perguntaram se tenho medo de ficar queimado. O correto não seria ficar queimado quem não paga? Acho que falta a imprensa dar o peso necessário da reivindicação de quem diz “não recebi”. Prefiro me queimar. Carnaval me deu tudo, sou muito grato ao Carnaval, mas se tiver que sair queimado por estar reivindicando… eu fico fora, então… não tem problema nenhum – garante.

Em 2015, Cid Carvalho foi da Mangueira e não teve um bom resultado – Foto: Felipe Araújo

Pelas palavras do experiente carnavalesco, a Cubango, nova casa de Cid, parece ser um ponto fora da curva, em meio a essa falta de organização infiltrada nas escolas. Satisfeito na representante de Niterói, o artista é só elogios à administração do presidente Olivier Luciano, o “Pelé”.

– A Cubango tem um lado positivo. Ela não fala que vai pagar R$ 2 milhões. Ela fala que vai pagar R$ 100 mil, mas paga os R$ 100 mil. Para o profissional, é melhor esse jogo. O jogo aberto, franco… Não é aquela escola de samba que come sardinha e arrota caviar. É uma escola muito bem pensada, muito bem dirigida, pé no chão. É uma escola inteligente, essa é a palavra. Tem consciência do que pode e deve gastar – elogia Cid.

Para fazer da Cubango campeã em 2016, o carnavalesco prepara o enredo “Um banho de mar à fantasia”. A verde e branco será a última a desfilar, no Sábado de Carnaval, pela Série A, fechando as apresentações do Grupo de Acesso.

 

Por Rafael Arantes

“Amor perfeito”, uma das músicas de mais sucesso de Cláudia Leitte, virou a forma como a cantora define a relação com a Mocidade Independente, escola em que desfilará pelo segundo ano consecutivo como rainha de bateria.

De agenda cheia, a artista, que é carioca, vem fazendo de tudo para conseguir conciliar os compromissos nos palcos e na Marquês de Sapucaí. Mesmo admitindo a dificuldade de ajustar as datas de todos os eventos, a relação com a verde e branco de Padre Miguel já tem lugar certo no coração da rainha, que desfilou beleza e simpatia no ensaio técnico da pentacampeã da festa no último domingo, 10.

Cláudia se acabou no ensaio técnico da Mocidade; Cantora se declarou para a escola de Padre Miguel | Foto: Felipe Araújo
Cláudia se acabou no ensaio técnico da Mocidade; Cantora se declarou para a escola de Padre Miguel | Foto: Felipe Araújo

– É muito louco porque você se desloca para estar sempre por perto e em Padre Miguel e são muitos compromissos. Acho isso aqui um máximo mesmo e olha… De uma coisa eu tenho certeza: eu nunca vou deixar de ser Mocidade. Serei Mocidade para sempre – contou a Rainha, que, dia desses, perdeu o posto por algumas horas, durante o ensaio de rua da Mocidade, quando a cantora Anitta, que é musa da verde e branco, teve seu momento de realeza à dianteira da bateria da escola.

No segundo ano à frente dos ritmistas da “Não existe mais quente”, a cantora já tem se sentido à vontade, mesmo sabendo da importância de ser a realeza dos percussionistas de mestre Dudu.

– Me sinto sim em casa, mas é diferente. Aqui você fica à vontade, é um momento de diversão, mas tem também uma responsabilidade, você está a serviço da bateria. Mas é um máximo estar aqui – disse.

Cláudia é rainha da bateria da Mocidade pelo segundo ano consecutivo | Foto: Felipe Araújo
Cláudia é rainha da bateria da Mocidade pelo segundo ano consecutivo | Foto: Felipe Araújo

Cobrada pelos entendidos da festa mais popular do Brasil, que costumam criticar a gata pela ausência nos eventos da Mocidade Independente, “Claudinha”garante que não tem nenhuma intenção de abrir mão dos mil compromissos. A dobradinha da cantora está garantida: Carnaval do Rio de Janeiro e de Salvador.

– Vou cantar a vida inteira. É o mesmo repertório, a mesma banda, meus fãs estão sempre ali… Nada muda,  mas se eu parar de fazer isso vou parar de sentir prazer, este é o meu eterno desafio. Eu sou muito otimista e amo fazer o que eu faço – finalizou.

Agenda cheia! Além de desfilar na Mocidade, Cláudia continuará cantando no Carnaval de Salvador | Foto: Caio Duran / Ag. News
Agenda cheia! Além de desfilar na Mocidade, Cláudia continuará cantando no Carnaval de Salvador | Foto: Caio Duran / Ag. News

Por Rodrigo Hang e Rafael Arantes

O cinema invadiu a Passarela do Samba durante o ensaio técnico da Inocentes de Belford Roxo, na noite do último domingo, 10. O enredo “Cacá Diegues – Retratos de um Brasil em Cena”, do carnavalesco Marcio Puluker, empolgou o cineasta. Presente no Sambódromo, o artista alagoano mostrou que compactua da ideia do lendário compositor mangueirense Nelson Cavaquinho, que clamava nos versos de uma de suas clássicas músicas “…Me dê as flores em vida…/Depois que eu me chamar saudade/Não preciso de vaidade/Quero preces e nada mais”.

Homenageado desfilará no último carro da Inocentes no sábado de Carnaval | Foto: Sambarazzo
Flores em vida! Enredo da Inocentes, o cineasta Cacá Diegues vai aparecer na última alegoria da “Caçulinha da Baixada” | Foto: Sambarazzo

– Meu coração está batendo muito forte porque essa homenagem é uma surpresa e uma honra muito grande. No geral, a gente faz isso (homenagens) com as pessoas que já morreram, mas é bom que façam com as pessoas vivas, que possam aproveitar a homenagem, como eu agora. Tem tanta gente viva que merece homenagem, pra quê procurar morto? Deixa o morto em paz – pediu, aos risos, Cacá.

O diretor de cinema, que tem como grandes sucessos da carreira “Xica da Silva” (1976), “Bye, Bye, Brasil” (1979) e “Tieta do agreste” (1996), vai desfilar no último carro, que vai representar “O Grande Circo Místico”, nome da última produção cinematográfica dele (rodado em 2015, mas que será lançado ainda neste ano). Ele convidou atores e atrizes com quem trabalhou ao longo de quase 60 anos de carreira. Pra quem já uniu em algumas oportunidades filmes e o universo carnavalesco, como em “Carnaval dos 500 anos” (2000) e “Quando o Carnaval chegar” (1972), aposta a fusão dos gêneros artísticos dá samba.

– Eu acho muito bacana. Na maioria dos meus filmes tem sempre samba ou Carnaval, ou as duas coisas juntas. De certo modo, já tenho uma relação antiga com o Carnaval. Faz parte da minha formação, sempre assisti aos desfiles, desde a época da Avenida Presidente Vargas – garantiu o folião.

Cineasta Cacá Diegues será homenageado no desfile da Inocentes de Belford Roxo | Foto: Divulgação
“Cacá Diegues – Retratos de um Brasil em cena” é o enredo desenvolvido pelo carnavalesco Márcio Puluker | Foto: Divulgação

A Inocentes de Belford Roxo é a terceira a desfilar no Sábado de Carnaval, dia 6 de fevereiro.

Por Rafael Arantes

Um dos principais símbolos sexuais do funk carioca, Renata Frisson, a “Mulher Melão”, mal chegou ao posto de rainha de bateria da Inocentes de Belford Roxo e já está causando. Há menos de duas semanas na função, a gata substituiu a modelo Alessandra Matos, que, ao ser dispensada da escola, justificou sua saída ao fato não poder pagar pela permanência à frente dos ritmistas da “Caçulinha da Baixada”.

A moça garantiu ao Sambarazzo que vai desfilar no Sábado de Carnaval quase como veio ao mundo. O modelito, que deve arrancar os mais intensos suspiros dos marmanjos na Avenida, será do jeitinho que o público já conhece bem: quase nenhum.

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Renata Frisson, a Mulher Melão, promete desfilar seminua à frente dos ritmistas da “Cadência da Baixada”, bateria comandada pelo mestre Washington Paz | Foto: Felipe Araújo

– Eu vou estar quase nua, bem à vontade. Quanto menor, melhor. O povo quer isso. Está bem pequenininho e bem bonito – contou Renata, que já desfilou com os seios à mostra na Sapucaí.

“A comunidade gosta muito de mim”, diz Melão

Se a fantasia já é esperada com ansiedade pela rainha, a oportunidade de estar à frente dos percussionistas da “Cidade do Amor” é outro motivo que faz Melão comemorar.

Como veio ao mundo! Mulher Melão já desfilou com seios à mostra na Grande Rio ao lado do amigo David Brazil | Foto: Ag. News
Quase como veio ao mundo! Mulher Melão já desfilou com seios à mostra na Grande Rio ao lado do amigo David Brazil | Foto: Ag. News

– Foi um convite que surgiu de última hora pela comunidade, que gosta muito de mim. Estou muito feliz e quero fazer muito bonito pra defender a escola – disse.

Com sua rainha quase desnuda, a Inocentes de Belford Roxo será a terceira escola a desfilar no Sábado da festa mais popular do Brasil, no dia 6 de fevereiro, com o enredo “Cacá Diegues – Retratos de um Brasil em cena”, desenvolvido pelo carnavalesco Márcio Puluker.

Colaborou: Rodrigo Hang 

Por Rafael Arantes e Rodrigo Hang

Mesmo conhecida por ser uma das primeiras escolas a finalizar os trabalhos no barracão da Cidade do Samba, no Rio, a União da Ilha não escapou da crise financeira do Brasil, que tem deixado muita gente com o “pires na mão”.

Ao anunciar um enredo sobre as Olimpíadas, a tricolor parecia que ia dar uma banana para as dificuldades econômicas e teria o bolso cheio para desenvolver o Carnaval deste ano. Mas a banda não tocou do jeito que imaginava o maestro da escola, o presidente Ney Filardi. Revoltado, o todo-poderoso da nona colocada em 2015 reclamou ao Sambarazzo da prefeitura do Rio, que, segundo ele, não cumpriu com acordos pré-estabelecidos.

Presidente da Ilha nega promessas do Rio 2016 e do Comitê Olímpico, mas diz que aguardava ajuda maior da Prefeitura | Foto: Sambarazzo
#Chateado! Presidente da Ilha botou na roda promessa da prefeitura do Rio que não foi cumprida até hoje, a 27 dias do desfile da escola | Foto: Sambarazzo

– O Comitê Rio 2016 nunca me prometeu nada e o Comitê Olímpico Brasileiro muito menos. Houve sim uma promessa da Prefeitura, que falo mesmo, e que até agora não veio. Toda ajuda é muito bem-vinda, não é? A crise atingiu a União da Ilha também, mas a gente compensa a falta de dinheiro com o amor à escola. Vamos torcer pra essa crise passar logo e voltar tudo à normalidade – afirmou Ney durante o ensaio técnico da União da Ilha do Governador, realizado neste domingo, 10, na Marquês de Sapucaí.

Presidente Ney quer debater rumos do Carnaval: “Muita coisa precisa ser discutida”

Pra botar os pingos nos “Is”, o homem forte da União da Ilha não quer deixar toda essa complicação financeira das escolas de samba para o Carnaval 2016 passar em branco. Ele vai propor um debate na Liesa para, em parceria com as corimãs do Grupo Especial, chegar a um denominador comum afim de melhorar as condições para as agremiações da festa mais popular do Brasil.

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As dificuldades que as escolas de samba estão enfrentando não podem passar sem qualquer reflexão e merecem ser debatidas para que tudo melhore, assim deseja Ney, que, na foto, aparece ao lado de Elmo José dos Santos, diretor de carnaval da Liesa | Foto: Divulgação/União da Ilha

– Muita coisa precisa ser discutida e feita para que a gente possa fazer o Carnaval direito. Acho que as autoridades precisam olhar pras escolas com mais carinho, principalmente aquelas que têm pouco recurso. Espero que no máximo na primeira semana de Março a gente possa conversar sobre isso – finalizou Filardi, que é o comandante da Ilha desde 2009.

Será que a ausência de patrocínio vai resultar num impacto perceptível ao público, ou a Ilha vai driblar a crise com maestria. Isso, só vai dar saber no Domingo de Carnaval, quando a tricolor será a segunda a desfilar com o enredo “Olímpico por natureza. Todo mundo se encontra no Rio”, desenvolvido pelos carnavalescos Paulo Menezes e Jack Vasconcelos.

 

Por Redação

Que a crise está aí, corroendo as finanças do brasileiro, não é novidade pra ninguém. E é claro que essa retração nacional não passaria sem deixar rastro no Carnaval. Com menos dinheiro em caixa, custos majorados e a sempre presente cobrança em fazer jus ao chamado maior espetáculo da terra, os presidentes das escolas de samba têm de se virar nos “30”.

Com a desafiadora missão de fechar as contas, tá valendo de tudo dentro do barracão de algumas escolas de samba do Rio de Janeiro. Na Unidos da Tijuca, por exemplo, o presidente Fernando Horta está querendo economizar pela conta de luz. Para não deixar cair o nível do desfile da azul e amarelo, o comandante da escola do Pavão prefere ficar no calorão e manda desligar o ar-condicionado, quando acha que não há tanta necessidade de refrescar o ambiente de trabalho.

– Está muito difícil para a gente fechar essas contas. Pode ser que em janeiro as coisas sejam diferentes, mas vamos tentar. Temos que superar isso tudo com criatividade e imaginação, pra fazer esse grande espetáculo. Mando desligar a luz quando não é necessário, mando desligar o ar-condicionado… O que não podemos é deixar cair o nível do nosso carnaval – diz Horta, que viu a Tijuca fechar seu balanço do último ano sem nenhuma dívida, mas ainda não sabe como ficará a situação após o desfile de 2016.

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Presidente da Tijuca, Horta não está nem aí para os 40° graus do verão: o negócio é manter o desfile tijucano em alto nível – Foto: Divulgação/Mauro Samagaio

“Que as pessoas que prometeram ajuda não falhem”, pede presidente da Ilha

É verdade que a União da Ilha não tem nenhum título no Grupo Especial (seu melhor resultado foi um segundo lugar com “Bom, bonito e barato”, em 1980), mas o mês de dezembro era um dos períodos do ano mais vitoriosos para os torcedores da tricolor. No que já vinha se transformando numa tradição recente do Carnaval, a escola do presidente Ney Filardi estava sempre um passo à frente da maioria das agremiações na confecção do desfile nas dependências da Cidade do Samba, na Gamboa, Zona Central do Rio. Mas, também sofrendo os piores efeitos da crise financeira, a representante da Ilha do Governador já não ostenta mais aquele adiantamento no trabalho no complexo de barracões.

– Em relação aos outros anos, já era para ter 80% das coisas prontas. A crise também chegou na escola que eu dirijo. Espero que algumas promessas sejam traduzidas em realidade e as pessoas que me prometeram ajuda não falhem. O cronograma é totalmente diferente. O dinheiro faz uma falta terrível. Mas nada desesperador, é a crise. Tudo vai sair, a hora vai chegar – assegura Ney, com certo otimismo.

Carnaval da Ilha está atrasado quando comparado aos cronogramas dos últimos anos | Foto: Divulgação
Carnaval da Ilha está atrasado quando comparado aos cronogramas dos últimos anos – Foto: Divulgação

Presidente da Viradouro, da Série A, acha que quitaria dívidas com verba do Especial

Se no Grupo Especial, que é a elite do Carnaval carioca, a coisa já está preta, imagine na Série A, que não tem os mesmos contratos e nem os mesmos repasses generosos, tampouco a mesma força dos holofotes… Presidente da Unidos do Viradouro, escola rebaixada no último desfile, Gusttavo Clarão vem sentindo na pele o peso da queda para o “segundo grupo”.

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Presidente da Viradouro afirma que se tivesse ficado no Grupo Especial teria chances de quitar as dívidas da escola – Foto: Irapuã Jeferson

– Vou ser bem sincero. Nessa época de crise, acho que a gente está tirando leite de pedra. Desde que assumi, a escola tinha dívidas. Consegui abater muita coisa. Muito processo trabalhista, muito bloqueio, mas as coisas continuam. Se a gente continuasse no Especial, acredito que teríamos sanado essas dívidas.

Colaboraram: Luiz Felippe Reis, Leonardo Lupi e Rafael Arantes

 

Por João Paulo Saconi

Ei, você aí, que é fã de carteirinha do Carnaval carioca e não quer ver as escolas do chamado maior espetáculo da Terra passando dificuldades, em meio ao período de vacas magras que o Brasil atravessa, já pode começar a coçar o bolso. A Acadêmicos da Rocinha está promovendo uma campanha para tentar engordar os cofres da agremiação em preparação ao desfile do ano que vem. A ideia partiu do carnavalesco Alex de Oliveira, que produz o carnaval da tricolor pelo segundo ano consecutivo e está receoso em relação à grana que a escola vai poder investir no projeto que está desenvolvendo na busca do título da Série A.

– Desde o ano passado estava tentando fazer esse projeto sair. A falta de verba acontece até no Grupo Especial. O que vier é lucro! O “não” nós já temos. A esperança continua – admite o carnavalesco, que para poupar ainda mais, vai reciclar esculturas usadas por Paulo de Barros no desfile do último Carnaval da Mocidade Independente de Padre Miguel.

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Ei, você aí! Me dá um dinheiro aí! Carnavalesco da Rocinha teve a ideia de criar uma “vaquinha” para financiar o desfile da escola – Foto: Fernando Maia/Divulgação

Por enquanto, a “vaquinha” da escola arrecadou apenas R$ 10

Em cerca de 45 dias, a Rocinha espera receber doações de torcedores e admiradores pela internet para somar ao montante atual de apenas R$ 10. Os doadores ganharão recompensas como camisetas, ingressos para ensaios de quadra e ainda o direito de assistir a escola no Setor 1 (convite geralmente cedido à comunidade), e até uma fantasia para o desfile. Os valores das doações que darão direito a recompensas variam entre R$ 20 e R$ 10 mil reais. A meta máxima de arrecadação é de R$ 250 mil.

Veja a tabela de valores propostos pela Rocinha para conseguir concluir o projeto do Carnaval 2016

R$ 25 mil: finalização das fantasias da ala das crianças

R$ 50 mil: finalização das fantasias da ala das crianças e Velha Guarda

R$ 75 mil: finalização das fantasias da ala das crianças, Velha Guarda e baianas

R$ 250 mil: finalização dos carros alegóricos

Quem não chora não mama! Alex criou hashtag para incentivar comunidade

Desde que entrou na Rocinha, logo após o rebaixamento da escola para a Série B no Carnaval de 2014, Alex criou o lema “Acredita, Rocinha!” e o transformou na hashtag #AcreditaRocinha, que ele compartilha incansavelmente em suas redes sociais. O slogan virou moda entre os torcedores da comunidade e tem servido como mensagem de incentivo para a superação de dificuldades.

– Nasceu ano passado, dado ao fato da escola ter sofrido revés e sofrido com o descenso. Por conta disso, ao ser apresentado na escola, como carnavalesco para 2015, pedi que acreditassem no projeto e que derrota seria se não lutássemos pela possibilidade de vitória. No fim, ela veio. Acredita! Eu nasci para o desafio – complementa Alex, cheio de paixão pela agremiação.

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Bolso vazio e sorriso no rosto! Em 2014, a Rocinha foi rebaixada cheia de problemas financeiros, mas seus componentes não deixaram de acreditar na escola – Foto: Raphael David/Riotur

Quando a Rocinha foi rebaixada para a Série B em 2014, a escola de São Conrado, na Zona Sul do Rio, passou por momentos difíceis na Marquês de Sapucaí. Com problemas financeiros, a agremiação desfilou com as quatro alegorias repletas de problemas de acabamento e acabou ficando um ano afastada do Sambódromo, e se viu obrigada a desfilar este ano na menos glamurosa Estrada Intendente Magalhães, no bairro do Campinho, na Zona Norte da cidade.

A Rocinha retorna à Sapucaí para ensaiar na noite deste domingo, 13, e desfila abrindo a folia na Sexta-feira de Carnaval, com o enredo “Nova Roma é Brasil, Brasil é Rocinha!”. Para ajudar o desfile da escola, você pode clicar aqui e fazer a sua doação.

Por Luiz Felippe Reis

Devo, não nego, pago quando puder… Esse parece ser o lema da atual administração da Mangueira. Com a crise financeira instalada no Brasil e o dólar indo às alturas, batendo próximo da casa dos R$ 4 reais, realmente não tá fácil pra ninguém, ainda mais para a verde e rosa, que chegou a acumular uma dívida superior a R$ 12 milhões.

Eleito em 2013 com a missão de realizar uma gestão baseada na austeridade financeira, o presidente da escola, Chiquinho da Mangueira, não tem o menor pudor ao assumir que, dentre todas as agremiações do Grupo Especial do Carnaval carioca, a Estação Primeira vive o pior quadro no quesito finanças.

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Presidente da Estação Primeira, Chiquinho da Mangueira assume grave condição dos cofres mangueirenses: “Em menos de seis anos, não resolve”, assegura o dirigente – Foto: Divulgação/Alerj

– Eu não tenho dúvida nenhuma que a escola que está em pior situação financeira, com dívidas, é a Mangueira. A gente já vai para o terceiro ano fazendo carnaval e pagando dívidas ao mesmo tempo. Em menos de seis anos, a Mangueira não resolve essa situação. Implodir um prédio demora dez minutos, pra construir um, dura anos. Se não tivéssemos que fazer carnaval, em três anos a Mangueira estaria arrumadinha – argumenta Chiquinho, que tem mandato até 2016.

Mangueira responde a mais de 100 processos na Justiça

Além de se esforçar para buscar no mercado profissionais que possam aumentar as chances de campeonato da Mangueira, atentar para uma boa definição de enredo (ano que vem, a cantora Maria Bethânia será o tema do desfile da agremiação), tentar escolher um bom samba, pagar os funcionários e outras atribuições de quem ocupa a posição de executivo, este ano Chiquinho precisou se preocupar também com a Justiça. É que, ao todo, a escola de coração de estrelas da música como Alcione e Beth Carvalho teve de responder a mais de 100 processos trabalhistas, que foram abertos ao longo dos últimos três anos.

– Na Mangueira, são 119 ações trabalhistas, e 30 estão rolando. Estamos negociando. As dívidas da Mangueira são incontestáveis. Tem ações cíveis de pessoas que prestaram serviços pra escola, com contratos assinados, recibos de que entregaram o serviço pronto e cheques que foram e voltaram duas ou três vezes – revela o atual comandante da verde e rosa, que assumiu a presidência da agremiação substituindo o músico Ivo Meirelles.

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Eleito em 2013, Chiquinho da Mangueira tem mandato vigente até o ano que vem – Foto: Júlio Ricardo/Site da Mangueira

“Quando o presidente da Liga me telefona, já sei que é notícia ruim”, revela

Contrariando o lema da campanha eleitoral do deputado federal Tiririca, a Mangueira mostra, portanto, que pior do que tá, pode ficar. Além da coleção de dívidas trabalhistas, a escola sofre severos embargos em suas receitas por causa de algumas pendências financeiras. Chiquinho explica que a instituição deixa de receber repasses da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba (entidade que rege o Grupo Especial do Rio), porque a própria liga acaba se vendo obrigada a sanar os débitos mangueirenses, quando acionada judicialmente.

– Todas as cobranças chegam na Liesa. É só você perguntar para o presidente da Liesa (Jorge Castanheira). Ordem judicial ele não hesita, ele cumpre e paga. Quando o presidente da Liga me telefona, eu já sei que é notícia ruim. E ele me mostra, e, claro, desconta da receita da Mangueira. Se uma escola tem que receber R$ 800 mil, a Mangueira, quando vai receber, recebe R$ 400, 300, 250 mil… é que abate o que a liga já pagou daquilo que a Mangueira devia de anos anteriores – detalha.

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Apesar do período de “vacas magras”, Chiquinho está otimista em relação ao resultado do desfile: “Eu acredito no título” – Foto: Felipe Araújo

“Como faz pra manter as pessoas que não pode perder?”, questiona o dirigente

Além de presidente de escola de samba, Chiquinho atua na política. Fundador do projeto Olímpico da Mangueira em 1990, se elegeu deputado estadual doze anos mais tarde. Quatro anos depois, se reelegeu para mais um mandato na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. No meio do caminho de parlamentar, surgiu a presidência da Suderj, a Superintendência de Desportos do Estado do Rio de Janeiro, onde ficou entre 1999 e 2006. Com tanta experiência em administrar empresas e projetos, ele não titubeia na hora de dizer que a Mangueira tem a pior condição financeira dentre todas as instituições que teve oportunidade de gerir.

– Passei por um momento muito difícil na Suderj. O Maracanã estava muito abandonado, mas tinha uma estrutura por trás, que era o Estado, aí fica mais fácil. A Mangueira, não. Temos as mesmas fontes de renda das outras escolas: a quadra, a subvenção da prefeitura (do Rio) e o dinheiro da televisão. Mas só pra você ter uma ideia, a Mangueira recebeu a metade do que as outras receberam do dinheiro da TV (da Rede Globo, detentora dos direitos de transmissão da festa no Sambódromo). No pós-Carnaval, você fica um tempão sem receber nada. Como você faz pra manter as pessoas que você não pode perder? Água, luz, barracão, quadra? É difícil – finaliza o presidente, que, mesmo diante da frágil saúde financeira da Mangueira, bota fé no título do próximo Carnaval.

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Pra aliviar a preocupação com as contas da Mangueira, só curtindo um sambinha no “Palácio do Samba” ao lado da mulher, Priscilla Riche Habib – Foto: Júlio Ricardo/Site da Mangueira

A Estação Primeira de Mangueira será a última escola a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Maria Bethânia: a menina dos olhos de Oyá”, assinado pelo carnavalesco Leandro Vieira, que estreia no posto na única verde e rosa entre as agremiações do Grupo Especial do Rio.

Foto de capa: Divulgação/Alerj

Por João Paulo Saconi

Na Marquês de Sapucaí, o grito de guerra de Wantuir de Oliveira, da Portela, é um dos mais notáveis e conhecidos pelo público folião. Nos arredores da residência do intérprete, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, o som que ganha espaço semanalmente é o tradicional barulho dos comerciantes e moradores em sua habitual negociação, da qual o cantor faz parte desde garoto. Casado com a funcionária pública Rosilene Pereira há dois anos, é o maridão quem faz as compras da casa e faz questão de ir à feira para encher as sacolas e garantir a dispensa cheia, a um preço camarada.

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Com um bom poder de barganha, Wantuir nunca deixa a feira que frequenta em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, de mãos abanando – Foto: Irapuã Jeferson

Com a maior lábia, o cantor oficial da Portela solta a voz na hora de pagar menos por mais.

– Quando chego, faço a minha caminhada pela feira estudando o preço. Não compro nada muito maduro, porque dura pouco e estraga logo. Gasto de R$ 20 a R$ 30 reais, depende do que vou comprar lá pra casa – conta o mais famoso feirante de Caxias, conhecido e querido por todos os vizinhos e comerciantes.

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Encontro de “coirmãos”! Com a camisa da Portela, Wantuir compra bananas com um vendedor salgueirense: amizade de quem se encontra na feira há muitos carnavais – Foto: Irapuã Jeferson

Para não ter erro nas compras da semana, Rosilene, a mulher de Wantuir, prepara uma lista dos produtos, que o intérprete, que divide o microfone portelense com o recém-chegado à escola Gilsinho, segue à risca. Mas, se faltar qualquer item dos pedidos, Wantuir já sabe que deve correr para o mercado e comprar.

– Minha mulher faz uma lista e eu vou à feira. Como ela trabalha como funcionária pública, eu preciso ir. É ela quem cozinha em casa. Se falta algo, ela não fica brava, mas eu vou no mercado e compro o que faltou – diz o músico, que tem a carne assada preparada pela amada como sua comida favorita, sempre acompanhada de uma salada com ingredientes que ele arruma com aquele desconto em suas frequentes idas à feira.

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Intérprete compra alface para a salada que acompanha seu prato favorito: carne assada – Foto: Irapuã Jeferson

Com os anos de experiência quando o assunto é feira, Wantuir sai de casa todas as quartas-feiras para escolher a dedo as frutas e os legumes que vai comprar. Sem pressa, o artista fica circulando entre as barracas até a hora da xepa.

– Vou há bastante tempo, desde criança. Tenho poucas lembranças sobre esse tempo, eu ia mais pra acompanhar o pessoal lá de casa – relembra o cantor da azul e branco de Madureira, que tem 58 anos e é nascido na capital de Minas Gerais, Belo Horizonte.

Foto de capa: Irapuã Jeferson