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Por Redação

É só terminar o Carnaval, e todas as escolas de samba querem saber: “Onde foi que eu errei?”. Com as justificativas dos jurados, divulgadas duas semanas e meia após a Quarta-feira de Cinzas, a planta é dada, e então as diretorias começam a se mexer pra modificar ou pelo menos apurar o desenvolvimento de cada quesito afetado no desfile que passou.

Para os donos das notas 40, os elogios e louros da perfeição até a próxima festa. Para os mal-aventurados na temporada, a corneta soa em tom de crítica, muitas vezes feroz e injusta.

De olho nas avaliações dos jurados da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba, que é quem rege o Grupo Especial, o Sambarazzo quis saber quem está melhor em cada um dos quesito nos últimos cinco anos, de 2014 a 2018. E nesta quarta-feira, 28, começamos a terceira edição da série de apuração com a alma das agremiações, o Samba-Enredo, que ano após ano embasa o espetáculo visual e emoldura a história apresentada na Passarela.

Mangueira tem o melhor rendimento no Samba-Enredo nos últimos cinco anos – Foto: Gabriel Monteiro/Riotur

Pela primeira vez desde que levantamos os dados, a Portela não é a primeira colocada. O samba de 2018 deixou de seguir a tendência de gabaritar, enquanto a Mangueira persistiu implacável com uma sequência de 17 notas dez e tomou a ponta. De uma só vez, a verde e rosa se livrou das notas ruins de 2013, teve 40 pontos nesta temporada e contou com o deslize da águia pra virar a líder em Samba-Enredo, recuperando uma diferença que era de 0,8 (oito décimos).

Ciganerey e Péricles defenderam o samba da Mangueira na Sapucaí – Fotos: Irapuã Jeferson e Dhavid Normando/Riotur

Uma das fortalezas no caminho portelense, o Samba-Enredo da escola não gabaritou pela primeira vez em seis anos. As leves despontuações tiraram da águia a liderança no ranking, mas não a certeza de que o quesito segue como ponto alto da azul e branco na briga pelos campeonatos.

Firme no terceiro lugar vem o Salgueiro, que, apesar de ter perdido décimos importantes – até decisivos – no quesito nos últimos anos, tem boas notas no geral e observa a liderança de Mangueira e Portela não tão distante. O novo levantamento deu à Academia um saldo de positivo de 0,6 (seis décimos), graças a exclusão do ano de 2013 – o pior recente – e as duas notas dez de 2018.

Quarta colocada no ranking, a Imperatriz tem uma boa arrancada no item nos últimos quatro anos. “Axé Nkenda” (enredo de 2015), Zezé Di Camargo e Luciano (enredo de 2016), Xingu (2017) e Museu Nacional (2018) fizeram bem ao contexto sonoro da verde e branco.

Pela primeira vez entre as cinco primeiras aparece a Mocidade Independente de Padre Miguel. Já são sete notas dez seguidas, rendimento inferior só a da Mangueira nas duas temporadas mais atuais. Os sambões de 2017 e 2018 fizeram a verde e branco ultrapassar concorrentes como a Vila Isabel, a Beija-Flor e a Unidos da Tijuca. Eis a escola que mais cresceu no quesito de um ano pra cá. Também, pudera, levou até Estandarte de Ouro – prêmio do Jornal O Globo – no Carnaval que passou.

Vila Isabel, Beija-Flor, Tijuca, Grande Rio, União da Ilha e São Clemente, que completam o G-11 das escolas que se mantêm no Especial há pelo menos cinco anos, fecham o ranking.

Tuiuti, Império Serrano e Viradouro não são inspecionadas no ranking, porque não estiveram em todas as edições do Grupo Especial nas últimas cinco temporadas.

 

Levantamento do ano passado, considerando os carnavais de 2013 a 2017:

Série Ranking! Samba-Enredo: as melhores e piores nos últimos 5 anos

Levantamento do ano retrasado, considerando os carnavais de 2012 a 2016:

Série Ranking! As melhores e piores em Samba-Enredo nos últimos 5 anos

 

 

 

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Por Redação

Dois depois de dispensar o coreógrafo Sérgio Lobato, a Portela acelerou o passo e acertou com o experiente comandante de comissões de frente Carlinhos de Jesus, que não defendeu nenhuma escola na temporada que se encerrou. A última bandeira que o mestre da dança brasileira defendeu foi a União da Ilha, onde ganhou até o Estandarte de Ouro, prêmio do Jornal O Globo, de 2017.

– Estou muito feliz com o convite para fazer a comissão de frente da Portela. Era algo que faltava na minha vida, por isso acho que um ciclo se completa agora. A Portela sempre fez parte da minha vida de alguma forma. Primeiro, porque ela é madrinha da Em Cima da Hora, minha escola de origem. O Jerônimo (baluarte e ex-mestre-sala da Portela), por exemplo, é meu amigo de infância. Frequentávamos bailes e festas juntos. Numa dessas ocasiões, eu estava fazendo bagunça na Portelinha, bem garoto, e o Seu Natal me deu um safanãozinho na cabeça… São muitas lembranças de Portela! Sem falar no carinho muito grande que tenho por Tia Surica, Vilma Nascimento, Seu Monarco e tantas outras personalidades da escola – disse Carlinhos, que já venceu sete Estandartes de Ouro (um como passista pela Em Cima da Hora e os demais por comissões de frente).

O coreógrafo Carlinhos Jesus é o novo líder da comissão de frente portelense – Foto: Divulgação

O presidente portelense, Luís Carlos Magalhães, tá animado com a boa nova:

– O Carlinhos de Jesus é um profissional que dispensa apresentações. Todo mundo conhece o currículo dele dentro do carnaval e fora também. Estamos muito felizes com a chegada dele! Daremos todo o suporte para que ele consiga fazer um grande trabalho.
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Do júri neste ano, a comissão de frente portelense arranjou as notas: 9,9; 9,9; 9,9 e 9,8. O resultado foi o pior entre os quesitos da campeã de 2017.

9,9, 9,9, 9,9 e 9,8 foram as notas da comissão de frente da Portela em 2018, comandada por Sérgio Lobato – Foto: Gabriel Monteiro/Riotur

 

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Por Kaio Sagaz

Com o público muito empolgado, a Portela saiu da Avenida aos gritos de bicampeã. As arquibancadas populares curtiram, e muito, o desfile da azul e branco.

Muito emocionada, a rainha de bateria Bianca Monteiro não conseguiu segurar as lágrimas. A moça foi ao público e fez uma apresentação especial.

– Eu sou portelense desde criança, fui da ala de passistas e hoje represento o coração da escola. Isso é carnaval. É um dia muito emocionante pra mim – frisou.

Rainha da Portela, Bianca Monteiro amou a exaltação popular no final do desfile – Foto: Michele Iassanori

Presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães acredita que essa ânimo a mais do público foi consolidado com o ensaio que a escola fez no Sambódromo, no teste de som e luz.

– foi o que nós precisávamos para ter certeza que daria certo. O portelense gostou do samba e o barração estava lindo, o que deu muito orgulho para todos – contou.

 

Gilsinho saiu radiante do carro de som. Cantor oficial no título do ano passado, ele acredita que o mais importante foi ver o torcedor feliz e brincando.

– Foi maravilhoso o que aconteceu. Os componentes cantaram o tempo todo e o publico respondeu bem, vamos torcer para que os jurados tenham gostado também – disse.

A porta-bandeira Lucinha Nobre fez questão de exibir o seu bailado para os torcedores do setor 13.

Porta-bandeira Lucinha Nobre, da Portela, comemorou festa do povo nos setores populares – Foto: Michele Iassanori

– Esse carinho é fantástico. Esse contato entre a gente e a torcida tem sempre que existir. Muito obrigado aos portelenses – concluiu.

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Por Redação

Concisa nas palavras e gigante no talento, Rosa Magalhães tava feliz da vida com o final do desfile portelense. A escola levou pra Avenida uma história fantástica de judeus que fugiram da Europa, passaram pelo nordeste brasileiro e fundaram a cidade de Nova Iorque.

A carnavalesca festejou a boa recepção do público com o desfile da Águia de Madureira:

– Foi um ano muito difícil, mas o povo gostou – definiu a professora.

 

Por Redação

Desde a divisão do título no início de 2017, alguns torcedores da Portela e da Mocidade não se bicam pelas redes sociais. Só que o clima de rivalidade – exposto apenas na internet – perdeu força na última sexta-feira, 19, quando as campeãs se encontraram na quadra da águia e curtiram juntas a noite em Madureira.

A Mocidade foi até o Portelão com o time principal: mestre Dudu, o cantor Wander Pires, o casal Cris Caldas e Marcinho, a rainha de bateria Camila Silva e o diretor de carnaval Marquinho Marino, além de passistas, harmonias e baianas, que representaram em alto nível a verde e branco. De braços abertos – como disse o presidente da águia, Luís Carlos Magalhães, na quadra -, os portelenses receberam os independentes, que interagiram e mostraram que a rivalidade é coisa de quem não entende a sintonia do samba carioca.

As porta-bandeiras da Mocidade e da Portela, Cris Caldas e Lucinha Nobre, dançaram e posaram pra foto juntas nos bastidores da quadra portelense – Fotos: Divulgação

Vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco garante que a animosidade protagonizada pelos torcedores nas redes sociais não teve reflexo nas relações entre as administrações das duas poderosas escolas do Rio.

– Falando da relação entre as escolas, não existe problema algum, temos um contato permanente e nada mudou. Os que trocam farpas não são torcedores de escola de samba. São aqueles que vivem na internet falando mal de tudo e de todos. Os portelenses e independentes de verdade vivem em plena harmonia, bem como todas as demais coirmãs – definiu Rodrigo, que é vice-presidente da escola há três anos.

Evidenciado o erro na justificativa do jurado Valmir Aleixo, de enredo, responsável pelo 9,9 que tirou o título da Mocidade já na Quarta-feira de Cinzas, a escola de samba recorreu às instâncias administrativas da liga e conseguiu, em plenária, reaver o campeonato. A divisão da vitória com a Portela gerou polêmica nas redes sociais. Há, entre portelenses da internet, quem fale sobre “tapetão”. Pacheco contesta.

– Grande parte dos que falam de tapetão não acompanham o dia a dia do carnaval e nem mesmo desfilam. Não fazem ideia do que é colocar um carnaval na Avenida. A quantidade de pessoas envolvidas. Não imaginam o quanto suor e lágrimas existem no trabalho. Noites mal dormidas e etc. Enfim, não poderia deixar todo esse esforço de nossa equipe e comunidade não ser reconhecido por um erro formal de um julgador. Por isso, fomos com tudo em busca do reconhecimento do nosso título e em momento algum considero isso tapetão. Faria tudo novamente – finaliza.

‘Os portelenses e independentes de verdade vivem em plena harmonia’, disse Rodrigo Pacheco, vice-presidente da verde e branco – Foto: Irapuã Jeferson

As duas postulantes ao bicampeonato voltam a se encontrar no Carnaval 2018; a Mocidade será a última a desfilar no Domingo de festa, já a Portela é a segunda de Segunda-feira. Boa sorte pras duas!

Portela recebeu a Mocidade na quadra em Madureira

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Por Redação

Porta-bandeira das mais premiadas da história do Carnaval, Lucinha Nobre vai experimentar uma nova função na festa. É que a dançarina da Portela será comentarista dos desfiles da Série A, pela TV Globo. O contrato já foi assinado com a emissora, e a artista vai dividir espaço, por exemplo, com o carnavalesco Leandro Vieira (Mangueira) nas análises da transmissão do canal carioca na Sexta e no Sábado de agito no Sambódromo.

Lucinha Nobre foi confirmada pela Globo nesta terça-feira, 16 – Fotos: Marcos Salles

A bailarina ficou radiante com a novidade.

– Eu sonho com isso desde sempre. Não chorei na assinatura, mas chorei quando fui confirmada – festejou Lucinha, dona de quatro Estandartes de Ouro de melhor porta-bandeira (prêmio concedido pelo Jornal O Globo aos melhores do Carnaval) – 1993, 2003, 2006 e 2007 -, e mais um como revelação do Carnaval de 1989.

Além dela e de Leandro Vieira, já estão confirmados no time de comentaristas o carnavalesco Chico Spinosa e o cantor Mumuzinho. A apresentação dos desfiles na emissora oficial dos desfiles das escolas de samba da Série A será, pelo segundo ano seguido, dos jornalistas Carlos Gil e Mariana Gross.

Por Luiz Felippe Reis

Campeã depois de 33 anos e dona de uma fanática torcida espalhada pelo mundo, a Portela tem buscado – e tem todos os atributos pra conseguir – a necessária autossuficiência financeira. A escola quer ‘cair’ no mercado e atrair parceiros, através da valorização da pesada marca, uma das mais fortes do Carnaval. Entre os pilares dessa busca, ainda incipiente no universo da festa, o marketing se impõe.

A Portela investe no setor e tem tentado melhorar as relações comerciais. Em 2015, a diretoria portelense implementou o programa de sócio-torcedor “Águia no Coração”, voltado para a imensa legião de torcedores. O método de geração de receitas é um sucesso no futebol, e a águia foi buscar empresas experientes na área visando também ser bem-sucedida. Há dois meses, a azul e branco fechou um contrato com a Saravah Branding, Comunicação e Design, que terá a responsa de cuidar da marca da agremiação e traçar novas estratégias, num plano inédito em terras carnavalescas. Com mais de 316 mil pessoas conectadas, a página oficial da azul e branco no Facebook também é um retrato da atenção especial dada à valorização da marca. Parcerias, intercâmbios, palestras… ajudam a fortalecer o trabalho nessa direção.

A águia quer voar mais alto: ‘A ideia é jogar a Portela além dos muros da Clara Nunes, da Sapucaí’ – Foto: Michele Iassanori
A marca do programa de sócio-torcedor portelense – Foto: Divulgação

Presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães sabe que é fundamental pras escolas diminuir as dependências das canetas municipais, nem sempre tão generosas.

– Fiz essa aposta: no título e na marca. O título eu acreditava pelo trabalho que estava sendo feito, e a marca é gigantesca. A ideia é jogar a Portela além dos muros da Clara Nunes, da Sapucaí, e os resultados só vêm a médio prazo. Não é questão de ser pessimista, mas nunca mais seremos os mesmos. Tem que ter recursos públicos, mas as escolas precisam ter recursos alternativos. Queremos ‘cair’ no mercado – comentou o dirigente, que foi palestrante na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior congresso de cientistas e inovadores brasileiros, há cinco meses.

‘Tem que chegar mais gente, tem espaço’, comentou o presidente portelense, Luís Carlos Magalhães – Foto: Irapuã Jeferson

Comentarista de Carnaval antes de assumir a presidência – após a trágica morte de Marcos Falcon -, Magalhães acredita que a chegada de novos perfis de dirigentes podem contribuir com o samba.

– Tem que chegar mais gente, tem espaço. Dá pra administrar sem ser patrono. Eu tô animado por tudo, mas, olha, cansa pra caramba, e tem a cobrança em casa também – concluiu, aos risos.

De olho no bicampeonato que não rola desde os anos 1960, a Portela será a segunda a desfilar, na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “De repente de lá pra cá e “dirrepente” daqui pra lá”, assinado pela professora Rosa Magalhães.

Por Redação

Dois velhos parceiros de Portela, Noca e Monarco resolveram reatar a aliança entre eles. A paz foi celebrada no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, na tarde da última segunda-feira, 30. Os dois, juntos, cantaram o hino portelense, escrito por Chico Santana, logo na abertura da atração e conversaram sobre música e as histórias que viram na escola de samba ao longo de várias décadas de amizade.

Amigos para sempre! Noca e Monarco reataram a amizade no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, na tarde desta segunda-feira, 30. – Foto: Reprodução/TV Brasil

Os dois baluartes da maior campeã da festa se afastaram em 2016, quando uma briga generalizada aconteceu na quadra da Águia pouco depois do anúncio do samba campeão naquela oportunidade. A torcida da obra escrita por Noca e outros compositores – derrotada no concurso – teve responsabilidade no caso, e a confusão gerou a expulsão do veterano da Velha Guarda portelense.

No programa de TV, Noca tratou de explicar que o desentendimento entre os sambistas acabou se consolidando por uma falha na comunicação entre eles. Após um ano, os dois são amigos de novo.

– Eu e Monarco jamais brigaríamos. Houve uma falta de comunicação da nossa parte. O que aconteceu na Portela, após o resultado, eu nem estava mais na Portela. Os meus netos me levaram embora. Uma jornalista me ligou, perguntando sobre o tumulto, e eu disse que iria me afastar. O Monarco ficou sabendo e botou pra quebrar no dia seguinte. Mas sempre nos respeitamos, nos admiramos – explicou Noca.

Monarco lembra do episódio, mas prefere focar no presente e no futuro dos dois. Na história, que tinha tudo pra terminar num afastamento definitivo entre os chapas, o perdão falou mais alto. O samba agradece.

– Ele dizer que nunca mais iria pisar na Portela me deixou triste. Decidimos fazer as pazes, nos falamos.  Prefiro deixar isso pra trás. Fiquei triste, porque nunca tinha visto aquilo na Portela, e a culpa caiu sobre a torcida dele, e me deixou chateado porque minha Portela não merece isso. A escola abre as portas, a Portela está sempre de braços abertos. E para o Noca não será diferente – comentou Monarco, demonstrando que perdoou mesmo o amigo.

Curiosamente, o “Sem Censura” convidou para o programa uma psicóloga para falar sobre a importância das amizades no cotidiano do ser humano. O nome dela? Mônica Portella. É, a azul e branco de Madureira tá mesmo no caminho desses dois.

Confira o programa na íntegra:

Por Kaio Sagaz

Título recém-conquistado, torcida das mais fanáticas do Carnaval, e uma comunidade que vive intensamente tudo o que acontece nas dependências da azul e branco. Esses ingredientes da Portela são pra lá de positivos, mas nada fáceis de administrar. Ciente disso, o presidente Luís Carlos Magalhães não faz rodeio. Vai direto ao ponto na hora de falar dos problemas provocados pela lotação esgotada da quadra, em Madureira, durante a final de samba-enredo que rola na madrugada deste sábado, 14.

Segundo o dirigente, o controle de acesso aos camarotes foi uma missão quase impossível de ser executada.

– Infelizmente, a gente não tem mais estrutura profissional pra isso. No camarote, tem gente que não era pra estar ali e quem deveria estar, não está, não consegue entrar. O samba é isso, não tem estrutura profissional. Todo mundo dá carteirada, aí eu teria que brigar, e eu não posso brigar com ninguém. O samba é isso – disse Luís, com boa dose de sinceridade, em conversa com o Sambarazzo.

Presidente da Portela admite problemas de organização nos camarotes: ‘tem gente que não era pra estar ali e quem deveria estar, não está, não consegue entrar’ – Foto: Irapuã Jeferson

Briga do lado de fora da quadra

Outro registro de confusão foi na parte externa da quadra. Um vídeo que circula na internet mostra seguranças agredindo uma pessoa que tentava entrar na quadra, mas que foi impedida por causa do fechamento dos portões. Luís Carlos lamentou o incidente, registrado por uma pessoa que tentava entrar na quadra.

Veja o vídeo:

– Eu tenho que lamentar, se houve isso realmente. Repito, se houve isso realmente. Não tava sabendo. Não tenho como cuidar de tudo – explicou.

Na final de samba-enredo do ano passado, uma pancadaria tomou conta da quadra, assustando quem estava acompanhando a festa. A confusão gerou diversas expulsões da Portela, inclusive de Noca, importante compositor portelense.

Samba de Samir Trindade vence disputa

playlist do Carnaval 2018 vai ficando perto de se completar. Nona escola do Especial a definir samba-enredo pro ano que vem, a Portela encerrou o concurso de obras escolhendo a trilha sonora de Samir Trindade, Elson Ramires, Neyzinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, J. Salles e Girão.

O samba vencedor já era apontado como favorito pela internet, ganhando adesão de portelenses e até de torcedores de outras escolas. Líder da parceria, Samir fatura a terceira disputa seguida.

A Portela será a segunda a desfilar, na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”, da carnavalesca Rosa Magalhães.

Por Redação

Um dos homens mais importantes da história da Portela, Marcos Falcon, que morreu assassinado há exatamente um ano, será celebrado nesta terça-feira, 26, onde mais gostava de ficar: na quadra da azul e branco. A escola vai realizar uma missa em memória do líder portelense. A cerimônia, que será comandada pelo padre João Paulo, irá ocorrer na quadra às 20h.

A Portela prepara uma homenagem a Marcos Falcon, que foi eleito presidente da Águia em maio de 2016. Com a morte do dirigente, o vice dele, Luís Carlos Magalhães, assumiu o comando e dedicou a Falcon o título que viria meses depois, já no Carnaval 2017.

A missa é aberta a todos os segmentos da azul e branco e torcedores em geral. A escola pede que o público compareça usando camisa da escola.

Exatamente há um ano, no dia 26 de setembro de 2016, o líder foi assassinado a tiros dentro do comitê de campanha – ele era candidato a vereador no Rio de Janeiro -, em Madureira, na Zona Norte do Rio.

Por Redação

A “Portelinha”, quadra histórica da Portela – atual campeã do Carnaval -, passou por uma recauchutada esperta nas suas dependências. A Velha Guarda botou as mãos à obra e deixou o lugar um brinco aos visitantes. A sede ainda é usada pela escola de samba em eventos de menor porte.

A casa oficial da Águia é o chamado “Portelão”, que tem capacidade maior e costuma receber as principais atividades da principal campeã da festa.

Fotos: Reprodução/Facebook da Portela/PH

Por Luiz Felippe Reis

Dominado pela intolerância e ausência quase que total de amor ao próximo, o mundo atual ainda guarda espaço para boas ações, que valem muito em tempos tão difíceis. A Portela, dando o exemplo, vai dar oportunidade a um jovem compositor – portador de uma deficiência mental – de apresentar o seu samba na disputa de obras concorrentes para o Carnaval 2018 no próximo domingo, 20. Mário Henrique, de 15 anos, vive às vésperas de uma tarde certamente inesquecível pra ele na quadra.

O menino não vai estar na competição oficial por não ser da ala de compositores, mas a diretoria portelense abriu uma exceção e vai deixar o compositor soltar a voz e mostrar pro mundo como traduziu em forma de música o enredo ‘De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá”, de Rosa Magalhães.

Portador de uma deficiência mental, Mário Henrique vai participar da apresentação de sambas concorrentes da Portela – Foto: Arquivo pessoal

Companheira em todas as jornadas de Mário Henrique, a mãe dele, Dona Rose Fagundes, está radiante com a chance que o filho tem na Águia de Madureira.

– Nós ficamos assim… nossa… muito felizes. Parece até brincadeira. A gente nem sabe como explicar o que sentimos. Ele é portelense, adora samba, viu a sinopse e resolveu fazer e gravou em casa. Ele já está ansioso, tá doido pra se apresentar. Não esperava essa ação da Portela, foi muito bonito o que eles fizeram de dar esse apoio pra ele. Não sabia que ele seria tão bem acolhido. Eu fiquei emocionada por tudo – diz, agradecida.

Auxiliar administrativo de uma empresa de ônibus, Rose sempre viu de perto a paixão de Mário Henrique pelo Carnaval do Rio de Janeiro. Há três anos, foi ela mesmo que levou o menino pra escola mirim Filhos da Águia. Lá, durante esse tempo, ele toca tamborim. Mas foi agora, em 2017, que o garoto se entendeu compositor e resolveu escrever para a Portela. Conhecendo melhor neste ano os bastidores das disputas de samba, Dona Rose espera planejar junto do filho os próximos passos na função de compor.

– Nós chegamos na quadra pra mostrar o samba sem saber de nada. Nem como mostrar o samba, nem sobre os custos da disputa, nós simplesmente fomos lá. Pro ano que vem, a gente vai planejar melhor isso. Acho que ele tem que começar pela mirim, ou talvez entrando numa parceria. Mas isso tudo é maravilhoso. Fiquei feliz pela repercussão toda e eu espero que outras pessoas que nem ele possam se animar também, existem pessoas boas no mundo. Eu tô muito feliz com a Portela – finaliza.

Mário Henrique (ao centro), com a família! A mãe, Dona Rose, e o pai, Seu Mário – Foto: Arquivo pessoal

Presidente do conselho deliberativo da Portela, Fábio Pavão vê a solidariedade e a inclusão como deveres não só das escolas como da sociedade e também vê importância na entrada dos mais jovens no samba.

– Tem duas questões envolvidas isso. A primeira é a inclusão de pessoas portadoras de deficiência na sociedade. Isso é um dever nosso como cidadão. E não envolve só as escolas de samba, mas a sociedade como um todo. E sobre as escolas de samba… É um jovem querendo participar. E no momento que nós vivemos hoje é fundamental que haja uma renovação, que as escolas despertem nos jovens o interesse pelas atividades das escolas de samba. Todo jovem que queira participar tem que ser incentivado, e a Portela fez isso – comentou Pavão, que também integra a comissão de carnaval portelense, junto de Júnior Schall, Claudinho Portela e Marco Aurélio Fernandes.

A repercussão do menino especial compositor começou forte pela campanha feita pela página no Facebook “Sambistas da Depressão”, que ficou sabendo da história do menino e resolveu ajudar, convocando os cantores do Carnaval para auxiliar Mário Henrique na gravação. E, daí, foi uma chuva de solidariedade. Diversos intérprete se prontificaram a entrar nessa:

Wander Pires (Mocidade), Zé Paulo Sierra (Viradouro), Leonardo Bessa (Salgueiro), Diego Nicolau (Renascer), Leozinho Nunes (São Clemente), Lucas Donato (Império Serrano), Hudson Luiz (Salgueiro), Thiago Brito (Unidos de Bangu), Igor Vianna (Alegria da Zona Sul), Tem-Tem Jr. (Caprichosos), Luizinho Andanças… e outros

No Domingo, na quadra, ele abre a apresentação dos sambas concorrentes. Mário Henrique terá no palco com ele os cantores Celsinho e Rafael Faustino, que é da Filhos da Águia.

Confira o samba do menino com a gravação original dele:

A quadra fica na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. A entrada é franca. Mesas vão custar R$ 20. Camarotes inferiores e superiores (ambos com 15 lugares) sairão por R$ 150 cada. A classificação é livre. Mais informações: 3256-9411.

Por Redação

Campeão pela Portela em 2017, o carnavalesco Paulo Barros, hoje na Vila Isabel, parece que não esqueceu alguns amigos que deixou na águia. Nesta quinta-feira, 17, dia do aniversário de 84 anos de Monarco, líder da Velha Guarda portelense, ficou claro o sentimento de afeto que o artista ainda carrega pelo baluarte.

É que Paulo fez questão de mandar os parabéns a Monarco pelo Instagram e se derreteu todo a quem ele chamou de ‘meu pai portelense’.

– Quem nunca teve a oportunidade de estar “perto”, em tempo algum, conseguirá mensurar o que significa este senhor. Por mais que eu tente, acho que nunca conseguirei “traduzir” a alma e o espírito desse ser humano… É simplesmente inexplicável! Que Deus nos permita ter você por perto por uma eternidade. Te amo do fundo do coração Parabéns, meu “pai” portelense – publicou o carnavalesco da Vila.

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Por Redação

Fim da linha para o período mais misterioso do Carnaval: o da escolha dos enredos. Todas as 13 escolas do Grupo Especial já sabem – e todo mundo também – sobre o que vão falar no próximo desfile.

O resgate de temas críticos se destaca. Pelo menos cinco enredos abriram as portas a reflexões de toda sorte, seja de caráter social ou cultural. Racismo (Tuiuti), xenofobia (Portela), preconceito contra mulheres (Salgueiro), desigualdade social (Beija-Flor) e até um debate mais profundo sobre os destinos da festa na Sapucaí, com a Mangueira. Outras narrativas históricas e culturais também compõem uma safra de enredos digna de aplausos.

DOMINGO

Na estreia pelo Império Serrano, o carnavalesco Fábio Ricardo aposta na cultura milenar da China para manter a verde e branco nove vezes campeã da festa na elite. A ideia é mostrar, além da riqueza histórica dos chineses, que a escola da Serrinha e o país asiático têm mais coisas em comum do que se possa imaginar.

 

 

Jorge Silveira estreia no Especial e leva pra Avenida “Academicamente popular”, sobre os 200 anos da escola de belas artes do Rio de Janeiro, a mais importante da América latina. A sacada do artista é levar as artes plásticas ao público, com uma linguagem popular, alegre, mas cheia de conteúdo histórico que o tema exige.

 

Atual campeão pela Portela, Paulo Barros foi para a Vila Isabel e vai transportar todo mundo na Sapucaí pra tempos que ainda virão. “Corra que o futuro vem aí” promete esbanjar tecnologia e impactar com muitas imagens de leitura direta e objetiva. Pra onde vamos? Como será o amanhã? Perguntas que a Vila se propõe a responder em ritmo de samba em 2018.

 

 

Na Tuiuti, Jack Vasconcelos propõe reflexão com “Meu Deus, Meu Deus. Está extinta a escravidão?”. Após 130 da Lei Áurea, os negros ainda vivem sob as amarras do racismo e da falta de igualdade das oportunidades -uma “bondade cruel”, como definiu o carnavalesco na sinopse. Uma leitura histórica, imersa numa crítica atualíssima.

 

 

O renomado casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage e a Grande Rio brindam com alegria a Sapucaí no Domingo de Carnaval. “Vai para o trono ou não vai?” homenageia José Abelardo Barbosa, o gigante Chacrinha, um dos maiores comunicadores da história da televisão brasileira e figura emblemática da cultura nacional.

 

 

Leandro Vieira meteu o dedo na ferida. “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” critica os destinos escolhidos pelo Carnaval e desbrava os porquês do evidente distanciamento popular das escolas. Reflexão imediata a partir do corte de verba da prefeitura de Marcelo Crivella, que não será poupado no desfile.

 

Atual campeão, Alexandre Louzada aposta na mesma fórmula vitoriosa de 2017. Pra quem uniu Brasil e Marrocos num desfile vencedor, “Namastê… A estrela que habita em mim, saúda a que existe em você” forma um elo do nosso país com a exuberante Índia do gigantesco Mahatma Ghandi.

 

SEGUNDA

O multifacetado Miguel Falabella é o dono dos holofotes da Tijuca em 2018. Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo lançam “Um Coração Urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”, que mostra vida e obra do artista, um dos grandes escritores nacionais de entretenimento do país.

 

 

 

Em sua volta à Portela, a professora Rosa Magalhães dá mais uma aula com “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”. Uma crítica atual que aborda intolerância e xenofobia dentro de uma história encantadora de judeus fugidos da Europa, com destino ao Nordeste do Brasil, que contribuíram na formação de Nova York.

 

 

Severo Luzardo põe a mesa, a Sapucaí come com os olhos e a União da Ilha experimenta um enredo sobre culinária: “Brasil bom de boca”. A ideia é mostrar os hábitos alimentares do brasileiro, passando pela influência estrangeira em nossos pratos. Da mesa de jantar ao galpão do boteco, tem pra todos os gostos.

 

 

 

Sob o comando artístico de Alex de Souza, o Salgueiro se reencontra com um tema afro. “Senhoras do ventre do mundo” exalta históricas mulheres negras, que, apesar de seus feitos, tinham de lidar com o preconceito em suas épocas. Embora não seja focado na crítica, o enredo deixa uma mensagem contra a intolerância.

 

 

 

Pela Imperatriz, Cahê Rodrigues faz “Uma noite real no Museu Nacional”, contando a história de 200 anos do espaço cultural, artístico e científico do Rio de Janeiro. O palácio serviu de casa para a família real, o que deve devolver à Imperatriz a cara suntuosa da década de 1990, quando a escola levou quatro campeonatos.

 

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. Um tema atual e mais um a lançar críticas sociais abrangentes.

 

O Carnaval do Grupo Especial começa em pouco mais de seis meses, a partir do dia 11 de fevereiro.

 

Foto de capa: Cezar Loureiro/Riotur

Por Redação

Ex-diretor de carnaval de Vila Isabel e Mangueira, Júnior Schall acertou nesta quarta-feira, 26, ida pra Portela. Outro reforço da campeã de 2017 é Marco Aurélio Fernandes, que é representante da Águia na Liesa. Os dois integram a partir de agora a comissão de carnaval da azul e branco ao lado de Claudinho e Fábio Pavão, que analisou a chegada dos dois ao time.

– O Marquinhos já faz parte da Portela como um dos nossos representantes na Liesa. Ele também já atuou nessa função, dentro da comissão em outra época. Agora ele retorna trazendo sua experiência. O Schall também é um profissional qualificado, que já foi campeão e tem passagem por várias escolas. Ele chega à Portela para somar à nossa comissão – comentou Pavão, que também é presidente do Conselho Deliberativo.

Comissão formada! Marco Aurélio Fernandes, Claudinho, Fábio Pavão e Júnior Schall vão trabalhar nos bastidores da azul e branco de Madureira – Foto: Divulgação

Júnior Schall é o quinto reforço da Portela para o campeonato de 2018. Antes dele, a escola encorpou a equipe de carnaval com a carnavalesca Rosa Magalhães, o coreógrafo Sérgio Lobato, o mestre-sala Marlon Lamar e a porta-bandeira Lucinha Nobre.

A Portela será a segunda a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá…”.

Por Redação

A sorte foi lançada. As 13 escolas do Grupo Especial conheceram na noite deste sábado, 15, a posição exata em que vão desfilar no Carnaval 2018. Mas Mocidade e Tuiuti foram além do sorteio, que rolou durante a quarta edição da Carnavália Sambacon, no Centro do Rio, e resolveram, em comum acordo, trocar as posições sorteadas nas bolinhas.

O apresentador da Liesa, Jorge Perlingeiro, com o vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Tuiuti, Renato “Thor. Entre eles, ainda, o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta – Foto: Irapuã Jeferson

A verde e branco perdeu a disputa entre os pares com a Portela e ficou no Domingo, enquanto a Tuiuti nem testou a sorte, já que estava previamente posicionada como a última escola do primeiro dia, mas livre para alterar, caso quisesse. E assim foi. Mocidade passou ao derradeiro posto, enquanto a representante de São Cristóvão ficou na quarta posição da noite de abertura do Grupo Especial.

Vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco queria a Mocidade com a concentração em frente ao prédio dos correios, e o presidente da Tuiuti, Renato “Thor”, tava de olho num horário um pouco mais cedo.

– Pra gente é melhor, a gente já tem uma estrutura montada pra desfilar nos Correios, teríamos que montar uma estrutura nova no Balança. E a questão de horário também, pra Tuiuti era melhor, ele (Thor) queria desfilar mais cedo, chegamos a um denominador comum. Não houve resistência dele. A gente já deixou ajustado desde antes – revelou Rodrigo Pacheco.

Com a última posição de domingo já garantida, “Thor” era possivelmente o dirigente menos ansioso entre todos da noite de sábado. Ao fim das contas, bom pra ambas as partes.

– Tô numa posição confortável. O que for bom pra gente, a gente troca. Mas vamos fazer um belíssimo Carnaval para que a Tuiuti seja vista como uma escola do Grupo Especial. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu ano passado… acidentes acontecem. Eu não trabalhei um ano inteiro para aquilo acontecer. Mas repito hoje aqui. A Tuiuti é uma escola do Especial e quem esperar vai ver – disse “Thor” pouco antes do sorteio.

As duas escolas de samba já têm enredo. Enquanto a Mocidade vai exaltar a Índia, país da Ásia Meridional, com “Namastê: a Estrela que habita em mim, saúda a que existe em você”, de Alexandre Louzada, a Tuiuti lança um tema capaz de fazer refletir: ‘Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?”, de Jack Vasconcelos.

O Carnaval 2018 está marcado para a segunda semana de fevereiro, a partir do dia 9 (Sexta-feira).

 

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Por Redação

A Beija-Flor de Nilópolis conta com um time que reúne algumas das figuras mais famosas do Carnaval, como Neguinho da Beija-Flor e Selminha Sorriso. Mas o nome da escola a roubar a cena na noite deste sábado, 15, foi o de um cara pouco conhecido do público: Almir José Reis.

Atuando nos bastidores da azul e branco – ele é diretor financeiro da agremiação -, coube ao dirigente a missão de tirar do globo de sorteio as bolinhas que definiriam a ordem da Beija nos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial e a data de apresentação. A sorte sorriu tanto para Almir, que ele acabou sendo a estrela do evento, que rolou durante a quarta edição da Carnavália Sambacon, no Centro do Rio.

Almir conseguiu a façanha de sortear, nas duas oportunidades que teve, as bolas mais altas possíveis (10, e posteriormente 6), que colocaram a Beija-Flor de Nilópolis onde ela queria: encerrando o Carnaval 2018, sendo a sexta e última escola a desfilar no Sambódromo carioca.

– Nem dormi direito. Quando soube que seria eu a sortear, há duas semanas, já não consegui mais dormir direito, é muita responsabilidade. Fiquei nervoso na hora de tirar a bolinha, qualquer um ficaria – revelou ao Sambarazzo.

Foto: Sambarazzo
Sobre a dose elevada de sorte testemunhada pelos convidados e que impressionou os demais dirigentes, ele diz não ter sido exatamente uma surpresa: ele se intitula um sujeito sortudo.

Chiquinho da Mangueira, à direita, tirou a bola 9 e, como a maioria dos presentes, já achou que o “jogo” estava ganho. Mas a sorte de Almir falou mais alto, e ele tirou a bola 10, podendo escolher o dia da Beija-Flor entrar na Avenida: Segunda-Feira de Carnaval | Foto: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

– Acho que isso foi resultado de amor mesmo ao Carnaval. A gente faz com tanto carinho, que acontece. Mas já me considero uma pessoa de sorte. Comprei uma rifa que nem queria uma vez, por insistência de uma senhora em Nilópolis, e não é que ganhei uma cesta básica? – lembrou.

Foto: Eduardo Hollanda

Quem curtiu a mão santa de Almir foi Neguinho da Beija-Flor, que, gaiato toda vida, pediu ao amigo as seis dezenas da Mega Sena.

– Me dá o número, porque sorte assim eu nunca vi – comentou, às gargalhadas.

Patrono da azul e branco, Anísio Abraão David foi outro a celebrar o desempenho de Almir.

– Ele já ligou, gritou no telefone. Foi muita sorte mesmo. Juro que não rolou mandinga – brincou Almir, que nunca havia representado a Beija-Flor no sorteio.

Confira a ordem completa!

Foto: Sambarazzo

Por Redação

Pra continuar subindo pelos grupos de acesso da Estrada Intendente Magalhães, a Rosa de Ouro, escola do Grupo C do Carnaval Carioca, vai pegar carona no espírito vencedor da Portela, atual campeã da festa e maior colecionadora de campeonatos no Grupo Especial – são 22 canecos. É que a agremiação, afilhada da azul e branco, vai reeditar o enredo “Tributo à vaidade”, apresentado pela Águia de Madureira em 1991.

Vice-campeã do Grupo D em 2017, a Rosa de Ouro terá a assinatura do carnavalesco Luciano Moreira, que chegou nesta temporada para tentar botar a escola na Série B, divisão de acesso imediato aos desfiles da Sapucaí.

De autoria de Sílvio Cunha, o enredo “Tributo à vaidade” deu o 6° lugar à Portela há 26 anos.

Carnaval de 1991 da Portela será reeditado pela Rosa de Ouro, do Grupo C do Carnaval – Foto: Reprodução/Blog Compositores da Portela

 

Lembre o samba:

Eu sou vaidosa
Eu sou assim
Vaidade não tem preço
Mas eu tenho seu apreço
Pois você gosta de mim

Eu sei que faço seu corpo arrepiar
Eu sei que você não vai sem me ver passar
Eu já vi você chorar
Na hora do meu desfile encerrar

Perguntei ao espelho meu
Qual delas é mais linda do que eu
Ele então me respondeu
Mas linda do que eu só eu

O meu azul veio lá do infinito
O meu canto é mais bonito
Salve Oswaldo Cruz e Madureira
Me chamam celeiro de bamba
A majestade do samba
Da velha guarda formosa e faceira

Eu sou e sei que sou
Mais fascinante, deslumbrante, mais amor
Bem sei que você aprova
Pois meu visual comprova
Eu sou luxo e esplendor

Olha eu aí
Cheguei agora
Cheguei pra levantar o seu astral
Posso perder, posso ganhar, isso é normal
Vinte uma vezes campeã do carnaval

 

Por Redação

É só terminar o Carnaval, e todas as escolas de samba querem saber: “Onde foi que eu errei?”. Com as justificativas dos jurados, divulgadas duas semanas e meia após a Quarta-feira de Cinzas, a planta é dada, e então as diretorias começam a se mexer pra modificar ou pelo menos apurar o desenvolvimento de cada quesito afetado no desfile que passou.

Para os donos das notas 40, os elogios e louros da perfeição até a próxima festa. Para os mal aventurados na temporada, a corneta soa em tom de crítica, muitas vezes feroz e injusta.

De olho nas avaliações dos jurados da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba, que é quem rege o Grupo Especial, o Sambarazzo quis saber – e descobriu – quem está melhor em cada um dos quesito nos últimos cinco anos, de 2013 a 2017. E nesta segunda-feira, 24, encerramos a série de apuração dessa meia década chegando à definição de quais escolas têm se destacado na soma de todos os quesitos.

Salgueiro é a escola mais regular dos últimos cinco anos – Foto: Tata Barreto/Riotur

Samba-EnredoComissão de FrenteAlegorias e Adereços, BateriaMestre-Sala e Porta-BandeiraHarmoniaEvolução, Fantasias e Enredo, os nove quesitos avaliados pelo juri da Liesa foram verificados nesse levantamento estatístico. O ranking lida, portanto, com a frieza dos números, de acordo com a visão dos 36 julgadores anuais dos desfiles.

Regularidade é a palavra de ordem do Salgueiro, líder na pontuação geral, embora tenha vencido só dois rankings (Enredo e Comissão de Frente). A pior performance é em Samba-Enredo, que dá o 4° lugar à Academia. Fora isso, passando por todos itens, a escola quando não ganha, tá em 2° ou 3°. A vantagem de 2,9 pontos em relação à Portela mostra que a vermelho e branco tem sido a mais equilibrada na competição nos últimos cinco anos.

 

 

Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

 

 

Saindo do quarto lugar para o vice, a Portela há quatro anos passou de coadjuvante para protagonista. Com Falcon, novo comandante, a azul e branco arrancou para a disputa dos campeonatos. Mas foi na continuação dessa redenção, com o presidente Luís Carlos Magalhães, que a águia ficou com o título. É impressionante a melhora nas notas, principalmente nos quesitos plásticos. Méritos aí também para Alexandre Louzada e Paulo Barros, dois carnavalescos que fizeram a diferença em Madureira.

 

Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

 

 

Com vitórias em Alegorias e Adereços, Harmonia e Evolução, a Beija-Flor de Nilópolis é a que mais vence quesitos, mas não é líder no ranking geral. Os desempenhos em Fantasias e Enredo pesam na disputa com o Salgueiro, líder na pontuação, e com a Portela. Bateria e Mestre-Sala e Porta-Bandeira são mais dois quesitos que elevam a nilopolitana ao status do top3 do Ranking Geral.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

 

 

Unidos da Tijuca ganha em Bateria e Fantasias. Até 2016, vencia também em Enredo, Comissão de Frente e Alegorias. Mas a tragédia do desfile, quando a parte superior da segunda alegoria despencou em frente ao Setor 1, prejudicou todo o carnaval tijucano, comprometendo vários quesitos. A escola caiu de 1° no Ranking Geral para o quarto lugar.

 

 

Foto: Fat Press/Liesa

 

 

 

Os quesitos plásticos, além do enredo, e o samba-enredo são os que mais se destacam positivamente na Imperatriz. A escola ainda precisa melhorar as análises de Harmonia, Evolução e Comissão de Frente para chegar mais longe e voltar a brigar diretamente pelo caneco. Nos últimos cinco anos, foram quatro participações no Sábado das Campeãs.

 

 

Foto: Cezar Loureiro/Riotur

 

 

O quesito mais tradicional dos desfiles reservou a vitória a uma das bandeiras mais pesadas do Carnaval. A Mangueira vence Mestre-Sala e Porta-Bandeira. Squel e Matheus Olivério fizeram a diferença nesta temporada. Mas outros nomes como Raphael Rodrigues e Marcella Alves também ajudaram na pontuação contada de 2013 a 2017. Enredo, graças ao novo talento Leandro Vieira, e Samba-Enredo dão força para a verde e rosa, que, seguindo esse ritmo, tem tudo para brigar mais uma vez pelo título em 2018.

 

Foto: Gabriel Monteiro/Riotur

 

 

 

Pra ir além e ganhar o título inédito, a Grande Rio tem esbarrado em dificuldades no Samba-Enredo. No “Petróleo” e “Maricá”, em 2013 e 2014 respectivamente, os jurados desceram a caneta. Fantasias e Enredo precisam também de crescimento. Evolução e Comissão de Frente são os melhores quesitos nas cinco temporadas mais recentes.

 

 

Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

 

 

 

Mesmo com as constantes trocas, os casais de mestre-sala e porta-bandeira têm dado as melhores notas à Vila Isabel nesse recorte de 2013 a 2017 do ranking. Samba-Enredo e Bateria vem na sequência com notas razoáveis na média. A escola precisa melhorar sobretudo em Comissão de Frente. O insucesso do desfile deste ano jogou a Vila de 6° para 8° no Ranking Geral. A tricampeã tratou de mexer em 90% do time para a próxima temporada.

 

Foto: Tata Barreto/Riotur

 

 

 

 

Na União da Ilha, o bom desfile de 2017 deu um novo gás, mas há no que evoluir. Comissão de Frente e Samba-Enredo estão na lanterninha da escola. Enredo, Fantasias, Bateria e Mestre-Sala e Porta-Bandeira, muito pela performance deste ano, ganharam pontos e apontam uma escala ascendente nas avaliações.

 

 

 

Foto: Fernando Maia/Riotur

 

 

10ª

 

O título pra Mocidade veio logo no primeiro grande ano da verde e branco depois de um longo tempo. Ainda não deu pra ganhar posições no ranking, mas do ano passado pra este, a escola ganhou mais de cinco pontos e encostou na Ilha. A recuperação foi geral, e o campeonato, mesmo conquistado em abril, após decisão em plenária, pode dar a confiança que a turma de Padre Miguel tanto precisava pra arrancar na tabela dos quesitos.

 

Foto: Irapuã Jeferson

11ª

Em direção ao oitavo campeonato seguido na elite, a São Clemente não tem motivos para reclamar, mas tem o que apurar de olho no objetivo de se aproximar a cada ano das poderosas. Bateria e Mestre-Sala e Porta-Bandeira se destacam no todo com boas pontuações. Os ritmistas de mestre Caliquinho superam tradicionais baterias: Vila Isabel, Grande Rio, União da Ilha e Mocidade. Samba-Enredo e Comissão de Frente ainda são os quesitos de notas mais carentes.

 

 

Foto: J. Ricardo/Sambarazzo

 

CONFIRA:

 

Por Redação

É só terminar o Carnaval, e todas as escolas de samba querem saber: “Onde foi que eu errei?”. Com as justificativas dos jurados, divulgadas duas semanas e meia após a Quarta-feira de Cinzas, a planta é dada, e então as diretorias começam a se mexer pra modificar ou pelo menos apurar o desenvolvimento de cada quesito afetado no desfile que passou.

Para os donos das notas 40, os elogios e louros da perfeição até a próxima festa. Para os mal aventurados na temporada, a corneta soa em tom de crítica, muitas vezes feroz e injusta.

De olho nas avaliações dos jurados da Liesa, a Liga Independente das Escolas de Samba, que é quem rege o Grupo Especial, o Sambarazzo quis saber quem está melhor em cada um dos quesito nos últimos cinco anos, de 2013 a 2017. O primeiro item foi Samba-Enredo, que conta com a supremacia portelense, o segundo foi Comissão de Frente, que tem a força salgueirense, na sequência veio Alegorias e Adereços, onde a Beija-Flor é soberana. Depois a Bateria, quesito que a Unidos da Tijuca domina. Mestre-Sala e Porta-Bandeira mostra a eficiência da Mangueira. A Harmonia já nem é um quesito, é uma característica da Beija-Flor. Evolução vai pela mesma linha e é dominada pela escola de Nilópolis. Nas Fantasias deu Unidos da Tijuca. E neste domingo, 23, encerramos a segunda temporada da série de apuração com Enredo, que molda os caminhos de cada escola e roteiriza a apresentação na Avenida.

Foto: Tata Barreto/Riotur

A regularidade dos últimos anos bota o Salgueiro no topo do ranking. As criações de Renato Lage garantiram leituras quase perfeitas dos temas apresentados pela escola. Para os jurados, “Fama” (2013) e “Culinária mineira” (2015) ficaram devendo em relação aos outros três temas: “Gaia” (2014), “Malandro” (2016) e “Divina Comédia” (2017), o trio garantiu 40 pontos. Renato Lage se despediu, e Alex de Souza, novo carnavalesco, assume com a missão de manter a execução na excelência costumeira dos salgueirenses.

 

1° Salgueiro – Fotos: Cezar Loureiro/Riotur e Michele Iassanori/Sambarazzo

 

 

O eterno camisa 10 do Flamengo e da seleção brasileira, Zico, manteve a tradição do número na Imperatriz: dez, nota dez. O melhor enredo da escola, segundo o júri da Liga, nos últimos cinco anos. Os temas do Pará (2013) e o afro Axé Nkenda (2015) deram ótimos motivos para as renovações seguidas do carnavalesco Cahê Rodrigues e serviram também para colocar a verde e branco na vice-liderança do Ranking. Nas últimas duas temporadas com “Zezé Di Camargo e Luciano” (2016) e “Xingu” (2017), a escola perdeu seis décimos no item, mas conseguiu, ainda assim, ganhar uma posição no ranking, ultrapassando a Tijuca, que caiu de 1° pra 5° após o desastre deste ano.

 

2ª Imperatriz – Fotos: Tata Barreto/Riotur e Irapuã Jeferson/Sambarazzo

 

 

Já são duas notas 40 em dois anos nos carnavais da Mangueira assinados por Leandro Vieira. O novo valor da festa tem sido sinônimo de aprovação. Em Fantasias e Alegorias a verde e rosa ganhou posições, e em enredo, claro, não é diferente. “Maria Bethânia” (2016) e “Só com a ajuda do santo” (2017) não deixaram um décimo sequer pelo caminho. Antes dos dois enredos, a escola estava há cinco anos sem nota máxima no quesito. Em 2015 e 2014, ainda sem Vieira, as narrativas sobre mulheres e festas brasileiras, respectivamente, deram à verde e rosa uma coletânea de 9,9 e afastaram a Estação Primeira da ponta do Ranking.

 

3ª Mangueira – Fotos: Irapuã Jeferson/Sambarazzo e Sofie Mentens/Riotur)

 

 

Enredo é mais um quesito que a Portela apresenta um gráfico totalmente ascendente. Se em 2013, sequer um 9,9 a azul e branco conseguiu, agora raridade é nota diferente de 10. Nas últimas 12 avaliações, dadas em três anos, 10 foram máximas. Os enredos que gabaritaram foram: “450 anos do Rio” (2015), ainda com Alexandre Louzada, e “os rios” (2017) com Paulo Barros. O pior ano foi 2013, quando Madureira, bairro natal da águia, era enredo e perdeu oito décimos dos quatro jurados daquela temporada.

4ª Portela – Fotos: Irapuã Jeferson e Michele Iassanori/Sambarazzo

 

 

Pra Tijuca, Enredo foi mais um quesito a ser avariado pelo acidente no desfile deste ano. Com a segunda alegoria empacada no Setor 1, enquanto os bombeiros prestavam socorro às vítimas do desabamento de parte do carro, as alas passavam à frente e embaralhavam a leitura da narrativa sobre a música americana. Ao todo, 11 décimos ficaram pelo caminho, derrubando a escola do Borel de 1° para 5° no Ranking de Enredo em um ano. Os melhores temas, na visão dos jurados, são os dois de Paulo Barros: “Alemanha” (2013) e “Ayrton Senna/Velocidade” (2014)

5ª Unidos da Tijuca – Fotos: Fat Press/Liesa e Michele Iassanori/Sambarazzo

Beija-Flor, Grande Rio, União da Ilha, Vila Isabel, Mocidade e São Clemente, que completam o G-11 das escolas que se mantêm no Especial há pelo menos cinco anos, fecham o ranking.

ENREDO