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Laíla

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Por Redação

Contratados pela Unidos da Tijuca para o Carnaval 2019, Laíla e Fran Sérgio também darão expediente na folia paulistana. Os dois foram apresentados neste sábado, 14, como novos integrantes da Águia de Ouro, durante uma feijoada. Eles farão parte de uma comissão que ainda será formada pelos carnavalescos Sérgio Caputo Gall, que já estava na agremiação, e Beth Trindade. Laíla será responsável pela direção de carnaval, já Fran atuará como carnavalesco.

Laíla e Fran Sérgio também fazem parte do time da Águia de Ouro – Foto: Reprodução Instagram

Este será o segundo ano seguido de Fran Sérgio assinando um desfile no Anhembi. Neste ano, ele foi carnavalesco da Vila Maria, que terminou em 9º lugar. Para Laíla, será um retorno. O diretor já atuou na Unidos do Peruche no início dos anos 90.

A Águia de Ouro venceu o Grupo de Acesso do carnaval paulistano em 2018 com enredo “Mercadores de sonhos”. Com isso, garantiu sua volta ao Grupo Especial no ano que vem.

Fran postou em suas redes sociais a novidade – Foto: Reprodução Instagram

Laíla e Fran já estão acostumados a trabalhar juntos, tanto que marcaram época pela Beija-Flor de Nilópolis. Laíla saiu da azul e branco nesta temporada, após o título de 2018, num desfecho de casamento de mais de 40 anos, entre idas e vindas. Ao todo, o decano diretor participou de 13 dos 14 títulos da nilopolitana. O carnavalesco Fran Sérgio é outro com décadas de serviços prestados à maior campeã do Século XXI. Pela Beija, Fran ganhou oito vezes (1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011 e 2015). Os dois agora encorpam também o time que já tinha Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo, da Unidos da Tijuca.

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Por Redação

Assentada a poeira, o diretor de carnaval Laíla, ex-Beija-Flor, quer continuar tocando a brilhante carreira no Carnaval carioca. Com uma saída amigável da azul e branco, como ele mesmo se refere, o foco agora Se não tiver condições aqui no Rio, vou buscar outros caminhos.Ainda sem propostas oficiais, o sambista não sabe pra onde vai.

– Única coisa que quero falar é que foi uma saída amigável. Eu e Anísio (Abraão David, patrono da agremiação) nos tornamos amigos, saio respeitando muito todos. Tenho que agradecer os componentes, todos os meus diretores. Falam que sou ditador, mas não sou. Não quero que ninguém esqueça os momentos felizes que tivemos na Beija-Flor. Agora, eu preciso trabalhar, mas se eu não tiver nenhum convite, vou ficar fora do Carnaval carioca. Se não tiver condições aqui no Rio, vou buscar outros caminhos. Não fechei nada com ninguém (falando sobre a Grande Rio) – afirmou Laíla, em entrevista ao Jornal Extra.

Durante a apuração, na Quarta-Feira de Cinzas, Laíla disse ao microfone do Sambarazzo que poderia ir pra Grande Rio – 12ª colocada na festa deste ano – ajudar o presidente de honra da escola, Jayder Soares. O sentimento é recíproco: há dois anos, também em entrevista ao Sambarazzo, o patrono da tricolor disse: ‘Tem a Grande Rio antes do Laíla e depois do Laíla. Ele veio arrumar a casa, arrumou e foi embora’.

Fora da Beija-Flor, Laíla ainda espera propostas: ‘Não fechei nada com ninguém’ – Foto: Michele Iassanori

No dia da apuração das escolas de samba do Grupo Especial, Laíla desabafou sobre problemas internos na escola. Pouco mais de uma semana depois, o diretor não compareceu ao tradicional desfile da Beija-Flor na Estrada Mirandela, no Centro de Nilópolis, o que evidenciou a saída do veterano dos quadros da campeã de 2018.

Em 1975, a Beija-Flor fez uma contratação que mudaria pra sempre sua história no Carnaval carioca. Chegava na azul e branco um diretor de harmonia vindo do Salgueiro chamado Luiz Fernando do Carmo, apelidado de “Laíla”. Com a nova aquisição, a representante de Nilópolis deixou de ser coadjuvante e virou a “Deusa da Passarela”, acumulando títulos (14) e carnavais memoráveis. Ele chegou a trabalhar também em Unidos da Tijuca, Vila Isabel e Grande Rio.

Dos 14 títulos da Beija-Flor (1976, 1977, 1978, 1980, 1983, 1998, 2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011, 2015 e 2018), Laíla participou de 13 deles. Em 1983, ano do 5° campeonato da escola de samba, o sambista estava na Unidos da Tijuca.

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Por Redação

Caiu como uma bomba nos bastidores do Carnaval a notícia de que Laíla não integra mais o elenco da campeã da festa de 2018, a Beija-Flor de Nilópolis.

Após mais de duas décadas dedicadas à azul e branco, o diretor e membro da comissão carnavalesca da agremiação chegou a um acordo com a atual diretoria – liderada pelo diretor Almir José dos Reis, pelo conselheiro Gabriel David e pelo patrono Anísio Abraão David – e não estará mais com a Beija-Flor na próxima temporada.

Laíla emocionado durante a festa na apuração, que consagrou a Beija-Flor de Nilópolis campeã de 2018 – Foto: Irapuã Jeferson

A porta-bandeira Selminha Sorriso foi uma das sambistas surpreendidas com a saída de Laíla da escola.

– Meu coração chora – lamentou a dançarina nas redes sociais.

Leitores do Sambarazzo também comentaram a notícia, que agitou a noite deste sábado, 24, quando a escola desfilou numa das principais ruas de Nilópolis para festejar junto da comunidade o título do Carnaval 2018.

– Meu Deus… que triste. Laíla ainda tinha muito a ensinar aos jovens que estão chegando. É uma pena – escreveu o internauta Bruno Aquino.

Para o leitor Reginaldo Cerbelli, a perda será grande pra escola 14 vezes campeã do Carnaval do Rio:

– A Beija-flor não será mais a mesma sem o Laíla.

Pensa diferente o seguidor Leandro Tavares, que acha que ninguém é insubstituível.

– Não existe ninguém insubstituível, sou Beija-Flor, mas tudo na vida passa por transformação. Só os fortes entendem isso. Os que não são, um dia entenderão com a vida. Boa sorte, Laíla e boa sorte, Beija-Flor – argumentou.

Laíla fora da Beija-Flor! Saída do veterano diretor de carnaval foi anunciada na noite deste sábado, 24 – Foto: Irapuã Jeferson

Beija-Flor divulgou comunicado oficial

A Beija-Flor confirmou a saída de Laíla através de um comunicado cheio de elogios aos bons serviços prestados enquanto o diretor atuou pela escola.

Leia o texto na íntegra:

“Gratidão: é a partir deste importante valor que a Beija-Flor de Nilópolis anuncia nesta segunda, 26, o desligamento de Luiz Fernando do Carmo, o Laíla, do quadro de funcionários da escola. A saída do diretor de carnaval e membro da comissão de carnavalescos acontece amigavelmente em comum acordo entre ele e a diretoria da agremiação, que agradece pela essencial participação de Laíla na formulação de seus últimos 23 desfiles.

Em sua terceira passagem pela azul e branca, iniciada em 1995, o dirigente ajudou a Beija-Flor a conquistar oito vitórias, incluindo o histórico tricampeonato (2003, 2004 e 2005) e um bi (2007 e 2008). Uma das principais figuras da equipe de carnavalescos, desenvolveu também trabalho relevante junto à comunidade, reforçando os resultados nos quesitos Harmonia e Evolução, que ajudaram a garantir a conquista do campeonato do Carnaval 2018.

Trabalhando diariamente pela renovação de seu estilo de desfiles, a Deusa da Passarela reconhece e enaltece a importância das ideias de Laíla e de sua disposição para as tentativas de transformar não só a escola, mas também o maior espetáculo da Terra.

Nesses 23 anos de parceria ininterrupta, a escola aprendeu muito com Laíla e certamente o ensinou bastante. A equipe de carnaval da agremiação de Nilópolis, representada pelo patrono Anísio Abrahão David, deseja caminhos abertos e prósperos a quem tanto lutou para que os nossos estivessem sempre livres e vitoriosos. Obrigado, Laíla! Um grande abraço da Família Beija-Flor!”.

Destino: Grande Rio?

Na Quarta-Feira de Cinzas, tão logo a Beija-Flor foi consagrada campeã, Laíla declarou em entrevista ao Sambarazzo que gostaria de ajudar a Grande Rio, que foi rebaixada para a Série A, a se reestruturar e voltar a desfilar no grupo principal.

Na ocasião, o diretor disse que caso o patrono da Beija-Flor, Anísio, não concordasse com alguns posicionamentos do veterano diretor, seria melhor pôr fim ao casamento. Dito e feito. Agora, é esperar pra ver se em 2019 Laíla vai desfilar defendendo as cores da tricolor Acadêmicos do Grande Rio, onde já trabalhou em outros carnavais.

Por Redação

Dois ícones do samba brasileiro ganharam uma justa homenagem na noite da última segunda-feira, 4. A porta-bandeira Selminha Sorriso e o diretor de carnaval Laíla, ambos da Beija-Flor, ganharam as reverências da Câmara Municipal do Rio. Enquanto a dançarina levou a Medalha Pedro Ernesto, maior comenda da capital fluminense, o comandante da harmonia da azul e branco recebeu uma Moção de Aplausos pelos serviços prestados à cultura carioca.

– Foi um dos dias mais incríveis da minha vida, emocionante demais e jamais esquecerei. Estive cercada de pessoas que ama, que são importante na minha vida pessoal e profissional. Ainda me pergunto se é verdade e se mereço realmente. Foi lindo demais – comentou Selminha, que foi indicada para receber a medalha pelo vereador Professor Célio Luparelli, do DEM.

Confira as fotos: Eduardo Hollanda/Divulgação

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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

Por Luiz Felippe Reis

Campeãs em 2017, Mocidade e Portela ficaram exclusivamente com a missão de diminuir a sensação de desgosto popular pela ausência dos ensaios técnicos na Avenida, cancelados pela Liesa, que alega insuficiência financeira para custear a festa que antecede os desfiles. Pra amenizar a falta, o diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla, teve uma ideia pra marcar posição no palco criado para atender o Carnaval carioca.

Ele sugere uma espécie de ensaio técnico coletivo, com todas as agremiações juntas, de uma vez só, na Avenida durante a lavagem espiritual do Sambódromo, antes, portanto, dos ensaios técnicos de Mocidade e Portela. A possibilidade abraçaria todo o contingente do Carnaval que se despusesse a participar. O veterano sambista fala em tom de convocação.

– Faço um apelo que fizéssemos exatamente no dia da lavagem na Sapucaí. Que se reunisse todo contingente do Carnaval, do samba e das escolas de samba e fizéssemos um grande desfile. Um ensaio só, todo mundo junto. Se desse 10 mil pessoas… paciência – sugeriu Laíla, que também indicou a possibilidade de reduzir duas alegorias do desfile para baratear o Carnaval 2018.

Foto: Alexandre Macieira/Riotur

Mocidade e Portela, como as duas vencedoras do último Carnaval, estão escaladas para a realização dos treinos no Sambódromo no dia do Teste de Som e Luz da Avenida, marcado para fevereiro de 2018. A Liesa, que organiza o Grupo Especial, não vê barreiras numa possível aplicação da ideia de Laíla.

Caso o tal ensaio técnico coletivo aconteça, o presidente da liga, Jorge Castanheira, não acredita que se trataria de um ato de protesto contra a prefeitura do Rio de Janeiro, que cortou pela metade a subvenção às escolas de samba.

– O Laíla nos passou essa ideia e nós falamos pra ele que havia a lavagem do Sambódromo. Caso as escolas de samba queiram participar nesse momento não há problema nenhum, damos apoio. Não veria de modo algum como um ato de protesto, não podemos fechar os olhos para a crise e as condições financeiras dos estados e municípios. Acho que seria um ato de fé e de força das escolas – declarou Castanheira.

O Carnaval 2018 começa em três meses e meio, a partir do dia 9 de fevereiro.

Por Luiz Felippe Reis

Fazer carnaval tem ficado cada vez mais difícil, e a crise, algoz comum das escolas da Série A, atingiu as agremiações do Especial que até pouco tempo contavam com verbas de todo canto. A grana diminuiu de 2014 pra cá, é verdade, mas nada é passível de comparação com o que acontece nesta temporada. Os desfiles de 2018 estão severamente ameaçados. Um país em lenta recuperação financeira e a natural fuga de capital já nem são os piores dos problemas.

A prefeitura resolveu cortar pela metade a subvenção às escolas da elite – caiu de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão -, o que afetou a produção dos desfiles e até ajudou a impulsionar o cancelamento dos ensaios técnicos da Marquês de Sapucaí. A verba prometida pelo Governo Federal – cerca de R$ 600 mil por agremiação – ainda esbarra em trâmites burocráticos. Pra completar, na última quinta-feira, 19, o Ministério do Trabalho decidiu interditar os barracões da Cidade do Samba. O órgão exige mudanças na parte elétrica e em outras condições de trabalho.

Num beco quase sem saída, a preocupação começa a tomar conta nas escolas de samba. Diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, Laíla tem uma sugestão para baratear os carnavais do Especial: gastar menos com carros alegóricos e apostar na força dos componentes.

– As escolas deveriam se reunir e fazer o Carnaval com três alegorias só e inserir o investimento nas suas comunidades. Vai ficar mais barato, alegorias de começo, meio e fim… e deixa o povo extravasar com o que tem de melhor – opinou Laíla em conversa com o Sambarazzo.

Hoje, o limite mínimo de alegorias num desfile do Especial é de cinco carros alegóricos – o máximo é de seis.

Diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla quer desfiles com três alegorias – Foto: Eduardo Hollanda

Interdição dos barracões pode demorar: ‘Estamos aflitos’

O superintendente em exercício do Ministério do Trabalho no Rio, Claudio Secchin, disse na última segunda-feira, 23, que os trabalhos na Cidade do Samba só serão retomados após a aplicação de uma série de medidas para garantir a segurança dos funcionários.

Além da interdição, a situação financeira preocupa:

– Só fazendo mágica, tem que ser malabarista. O descaso das autoridades com as escolas é total – disse Ney Filardi, presidente da União da Ilha do Governador.

Laíla cita o atraso total nos barracões.

– Estamos todos aflitos, porque a crise econômica já fez com que a produção deste ano começasse a atrasar. Ainda estamos na parte da montagem das ferragens das alegorias e não temos “plano B”. Estamos aguardando a posição da nossa diretoria – comentou Laíla, em entrevista ao Jornal Extra.

Presidente da Tijuca, Fernando Horta alerta para os riscos do Carnaval 2018 não se realizar.

– Estamos com o carnaval em risco. A gente espera que a Liesa chegue rapidamente em um acordo com o Ministério do Trabalho para que esses ajustes sejam feitos. Só não concordo que essas medidas sejam tomadas neste período do ano — disse Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca.

Por Luiz Felippe Reis

Quem é ligado em Carnaval sabe da importância da família Abraão David – principalmente na figura de Anísio – para formação, crescimento e consolidação da Beija-Flor de Nilópolis entre as maiores escolas de samba do Rio de Janeiro. Aos 80 anos, o homem forte da azul e branco sabe que inevitavelmente vai chegar a hora de passar o bastão da escola para um sucessor. E, já que alguém terá de substituí-lo mesmo, por que não o próprio filho?

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo – criado pelo coreógrafo Marcelo Misailidis -, que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. A sacada para falar de algo tão triste e atual foi de Gabriel David, filho do patrono Anísio Abraão David, talvez na maior intervenção do herdeiro nos caminhos da escola de samba até hoje.

Como ele confessa, Gabriel chegou a ficar ‘travado’ na hora de opinar, mas contou com a abertura da comissão de carnaval e tem conseguido, aos poucos, dar uns toques e participar mais ativamente do processo de criação no desfile do ano que vem.

– Meu pai me deu total condição de entrar no barracão e fazer o que eu quisesse, com respeito, com tudo, mas tive possibilidade de conversar com o Laíla, de todo mundo me ouvir e conversar de volta, que é o mais importante. Não adianta eu chegar, falar, todo mundo ouvir e fazer. O legal é que rolou uma sinergia. Eu ficava meio travado de chegar na comissão, porque eu tava me metendo no trabalho dos caras, mas eles foram muito positivos. Eles ouviram as ideias, rebateram, e a gente consegue conversar. Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito – revela Gabriel.

Com aval de Laíla, Gabriel David, filho de Anísio Abraão David, tem ganhado força na Beija-Flor de Nilópolis: ‘Não imaginava que o Laíla fosse aceitar as minhas ideias. Ele ouve muito, muito

O dirigente da nova geração tem como objetivo atrair o público mais jovem, por isso a criação de um tema sobre desigualdades sociais, algo tão presente no cotidiano. Gabriel, no entanto, sabe que é fundamental ouvir as vozes da experiência para achar uma mescla no pensamento, capaz de renovar sem tirar as identidades.

– Eu tenho que pegar mais experiência ainda. As pessoas mais velhas pensam diferente, é normal. Tem um contraste. Mas quando o contraste é construtivo, aí pode ser positivo pro Carnaval. Eu tento trazer isso pro Carnaval, mas eu tenho 20 anos… Tem uma equipe forte por trás. Pessoas mais velhas, mais novas, que pensam o tempo todo pra chegar as conclusões. Claro que às vezes a gente quer dar um passo maior que a perna, sempre tem alguém pra travar, isso é muito importante – ponderou.

Em 2018, a Beija-Flor será a sexta e última a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial. A escola busca o 14° título na história. A azul e branco é a maior campeã do Século XXI com sete campeonatos (2003, 2004, 2005, 2007, 2008, 2011 e 2015).

Por Redação
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A poucos dias da inscrição no concurso de samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis, os compositores da azul e branco terão a última chance de corrigir as obras antes do início da competição, que vai escolher em outubro a trilha sonora oficial da escola de samba. O diretor de carnaval e geral de harmonia Laíla é quem vai pessoalmente dar uma ‘mãozinha’ aos sambistas.
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O enredo foi anunciado dia 30 de julho. Ou seja, os autores dos sambas tiveram cerca de 20 dias para criar letra e melodia para concorrer na disputa. A tal consulta rola até a próxima sexta-feira, 18, das 9h às 16h, no barracão da Beija na Cidade do Samba, no Centro do Rio.
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O consultor Laíla vai dar uma ‘colher de chá’ aos compositores da Beija-Flor antes da disputa começar – Foto: Eduardo Hollanda/Divulgação
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A data de inscrição das obras é no próximo domingo, 20, a partir das 10h, também no barracão. Haverá gravação dos sambas no local.
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Em 2018, a Beija-Flor encerra os desfiles do Grupo Especial, na Segunda-feira de Carnaval, com o enredo “Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu”, desenvolvido pela comissão de carnaval da azul e branco, capitaneada por Laíla e Cid Carvalho.
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Por Redação

Na tarde deste sábado, 17, centenas de sambistas foram protestar em frente à prefeitura contra a decisão do prefeito Marcelo Crivella de cortar metade da subvenção às escolas de samba.

Figura emblemática do Carnaval carioca, o diretor de carnaval e harmonia da Beija-Flor, Laíla, esteve na manifestação, convocada pela página Sambistas da Depressão. Ao Sambarazzo, ele disse que não votou em Crivella e projetou uma possível convocação oficial da diretorias das agremiações para um evento ainda maior contra a ideia do prefeito do Rio:

– Não votei nele. Estou aqui como cidadão. Se as diretorias decidirem fazer seu carnaval, nós vamos lidar da melhor maneira possível. Modestamente, sei fazer escola de samba. Se os dirigentes tomarem a decisão de convocar as pessoas, isso aqui vai ficar lotado.

Liderados pelo comentarista de carnaval da Globo Milton Cunha, centenas de componentes das escolas e amantes da festa protestaram da prefeitura até o Sambódromo.

 

*Fotos: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

Por Luiz Felippe Reis

Em 1975, a Beija-Flor fez uma contratação que mudaria pra sempre sua história no Carnaval carioca. Chegava na azul e branco um diretor de harmonia vindo do Salgueiro chamado Luiz Fernando do Carmo, apelidado de “Laíla”. Com a nova aquisição, a representante de Nilópolis deixou de ser coadjuvante e virou a “Deusa da Passarela”, acumulando títulos (13) e carnavais memoráveis. Confiança da diretoria, portanto, é o que não falta para o diretor fazer e acontecer.

Dono da ideia – das alas de roupas diferentes em 2017 – que não vingou para os jurados, Laíla não ficou acuado com a posição dos jurados, rigorosos na hora de canetar o enredo e principalmente as fantasias da Beija-Flor. Para 2018, o jeito é repetir a dose da criação e continuar botando a cachola pra funcionar de olho em mais inovações.

– Cada qual tem o direito de pensar de um jeito, mas honestidade é importante. Eu vou continuar experimentando coisas novas, em busca de coisas novas, de momentos que possa proporcionar um grande espetáculo e sair dessa mesmice que tá aí há não sei quantos séculos. Vocês podem esperar que eu tô cheio de loucuras – promete Laíla.

Tribos com fantasias misturadas foi a inovação principal da Beija-Flor e de Laíla no Carnaval 2017 – Fotos: Irapuã Jeferson e Fat Press/Liesa

Em 2017, a Beija-Flor ficou em 6° lugar, última colocação a dar direito ao Sábado das Campeãs, uma posição aquém dos planos. O 7° posto em 2014 e o 5° em 2016 ainda incomodam.

– Tem hora que há necessidade de mudar e a gente resolveu mudar um pouco. Em cinco anos, nós tomamos quatro porradas – concluiu.

Fran Sérgio, Cristiano Bara e André Cezari saíram da comissão de carnaval. Para o lugar deles, o experiente Cid Carvalho foi a escolha.

Por Fábio Klotz

A novidade de desfilar sem alas não agradou os jurados. A Beija-Flor foi penalizada nos quesitos enredo e fantasias e viu o sonho do título acabar. A escola de Nilópolis ficou na sexta colocação e abriu o Desfile das Campeãs, neste sábado, dia 4. Diretor de Carnaval e de Harmonia, Laíla destacou “coincidências” do júri em alguns quesitos.

Laíla alfinetou jurados do Carnaval | Foto: Irapuã Jeferson

– Se você analisar, de quatro, cinco anos para cá, eles pegam a Beija-Flor sempre nos mesmos quesitos: fantasia, alegoria ou enredo. Não tem para onde correr. É só pegar e ver. Você tem um samba que é tido como o melhor do Carnaval e leva pancada. Aí fica difícil. Tenho lastimado sempre – disparou Laíla.

Ele evitou falar sobre mudanças na escola.

– Vamos ver o que vai rolar. Tem muita água para rolar – encerrou.

O enredo da Beija-Flor neste Carnaval foi “A virgem dos lábios de mel – Iracema”. A escola dividiu o desfile em tribos e atos, rejeitando a ideia de alas.

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“Não vai demorar muito a bandeira virar capacho”, “Será que esqueceram o que é o pavilhão de uma escola de samba?”, “Perdão a todos que defendem o seu manto”

Roberta Freitas, Thainá Teixeira e Rute Alves, porta-bandeiras de Santa Cruz, Rocinha e Unidos da Tijuca, ao comentarem o vídeo, que viralizou nas redes, de uma passista sambando de biquíni com o pavilhão da Unidos da Tijuca.

 

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“Apaixonado? Sim, muito! Estou feliz. A Vivian é uma pessoa incrível, uma companheira mesmo”

Wilsinho Alves, diretor de carnaval da União da Ilha, ao assumir o namoro com a musa da escola, a bela Vivian Sister.

 

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Vi a alegria no rosto das pessoas. Eu passava e sentia o povo cantando pra você, por você. Todos os músicos dizendo que isso nunca aconteceu na Sapucaí, essa comoção toda. Foi mais do que especial. O que vivi hoje foi indescritível”

Ivete Sangalo, cantora e enredo da Grande Rio neste ano, ao traduzir o sentimento de participar da festa dos ensaios técnicos na Marquês de Sapucaí.

 

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“É fácil ser rainha, difícil é se manter tanto tempo”

Raíssa de Oliveira, rainha de bateria da Beija-Flor de Nilópolis, sobre os 15 anos como majestade principal dos ritmistas nilopolitanos.

 

 

“Carnaval carioca e brasileiro deixou de ser profano há muitos anos. O Carnaval gera emprego, gera receita para o Estado, ajuda muitas pessoas desempregadas. Falo isso para o povo de Deus, o profano está na cabeça das pessoas, é necessário ver com outros olhos”

Anderson Paz, cantor da Porto da Pedra, que é evangélico, ao comentar como enxerga a tal “festa profana”.

 

 

 

“Vamos cantar pra caralho! Bora, porra”

Levi Junior, presidente da Vila Isabel, ao tentar mexer com os brios dos componentes da azul e branco, momentos antes do ensaio técnico, realizado há uma semana.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“Queria agradecer ao Supermercado Guanabara, ao meu amigo Emílio Guaracamp, à CSA, à Top Rio, à Odebrecht, infelizmente…, mas é parceira”

Moisés Coutinho, o “Zezo”, presidente da Santa Cruz, ao cumprimentar todos os patrocinadores da escola de samba, no microfone oficial da Sapucaí, durante o início do ensaio técnico da verde e branco.

 

 

 

“Ainda não foi dessa vez. Eles tentam, tentam, tentam, mas existe um pai maior. Estou bem”

Laíla, diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, ao mandar um recado especial para a comunidade de Nilópolis direto do hospital.

 

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Eu tava esquecida dessa emoção. Tanto tempo sem dançar… Um ano parece que é pouca coisa, mas foi muito significativo. Hoje foi especial”

Lucinha Nobre, porta-bandeira da Porto da Pedra, ao se emocionar pela volta à Sapucaí depois de ficar um ano sem escola.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“Não tenho essa coisa de ter que ganhar todo ano. A gente luta sempre pra conseguir o melhor, mas aquela coisa de que se não ganhar vou querer morrer… Não, isso não. Eu não sou fanático”

Fran Sérgio, um dos carnavalescos da Beija-Flor de Nilópolis, ao falar sobre os resultados, entre vitórias e derrotas, que já viveu na carreira.

 

 

Foto: Irapuã Jerferson
“Estou pasmo”

Carlinhos de Jesus, coreógrafo de comissão de frente da Ilha e ex-comunicador da MPB FM, ao saber da notícia que a rádio encerrou atividades.

 

 

Foto: Irapuã Jeferson
“É muita prepotência achar que um dia eu possa ser rainha. Estou muito feliz, gratificada, está muito bom, é uma grande honra”

Wanessa Camargo, musa da Mocidade, sobre a possibilidade de um dia chegar ao posto de rainha de bateria.

 

 

 

“É machista, racista e homofóbico. Quem são os presidentes negros? Quantas mulheres? Quantos gays? A cota é baixíssima. Vamos soltar foguetes pelas mulatas que são rainhas de bateria. Isso é uma procissão de negritude. Na hora que não tiver o quadril o gringo vai embora. É a única fonte de lucro”

Milton Cunha, comentarista da TV Globo, em entrevista ao site Carnavalesco, ao ser perguntado sobre a existência de preconceito no Carnaval.

 

 

 

“O castigo vai acabar. Já passou da hora do Império Serrano voltar pro seu lugar”

Vera Lúcia, presidente do Império Serrano, ao projetar uma melhor sorte para a verde e branco no Carnaval deste ano.

 

 

 

“Pô, é um dos melhores momentos que eu já vivi. Tô me sentindo o presidente dos Estados Unidos”

Renato Thor, presidente da Tuiuti, ao definir o momento que vive presidindo a escola de samba recém-chegada ao Grupo Especial.

 

 

 

Foto: Reprodução/Internet
“Depois que ele chegar aos 21 ele vai decidir, mas sabe como é idade, é muito novo, pode se arrepender. Mas se ele quiser, tô aqui pra apoiar”

Anísio Abraão David, presidente de honra da Beija-Flor de Nilópolis, ao admitir que a sucessão de poder na azul e branco pode acabar sendo uma missão para o filho dele mais novo, Gabriel David. A declaração foi em entrevista à Rádio FM O Dia.

 

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Acho que filho não é empecilho de nada. E quando ele estiver entendendo as coisas, vou levá-lo comigo. Tenho certeza de que vai se orgulhar”

Viviane Araújo, rainha de bateria do Salgueiro, ao projetar o futuro com o noivo Radamés, que é jogador de futebol.

 

“A Caprichosos de Pilares não enrolou bandeira, a Caprichosos tá fazendo carnaval, a Caprichosos vai fazer um grande desfile. Vamos estar orgulhosos, porque há seis meses a escola não tinha luz, não tinha mesa, cadeira. Estamos recuperando a estrutura moral da Caprichosos”

Marquinhos do Toldo, diretor de carnaval da Caprichosos, ao rebater os boatos de que a azul e branco poderia não desfilar em 2017.

 

 

 

“Fiquei desesperada, triste, decepcionada. O interesse final era arranjar dinheiro de qualquer jeito pra escola. A minha vida nunca foi um mar de rosas e dinheiro nenhum vai me corromper. Me senti usada”

Mel Brito, ex-rainha de bateria da Caprichosos e musa do Tuiuti, ao anunciar que não é mais rainha de bateria da escola de Pilares, bairro da Zona Norte carioca.

 

 

 

Foto: Eduardo Hollanda / Divulgação
“Não tô aqui pra roubar o posto de ninguém. Vim somar à escola, não importa o posto. Vou tentar dar o melhor de mim. Acho que gostar de samba é não depender de um posto pra nada”

Camila Silva, nova rainha de bateria da Mocidade Independente de Padre Miguel, ao comentar o clamor da comunidade pela escolha do nome dela como rainha em detrimento à empresária Carmem Mouro, que deixou o posto dois dias depois.

 

 

 

“Minha aposentadoria é aqui. Meus filhos vão me substituir. É a minha casa, minha terra. Não tem para onde correr. A Mocidade me completa, e eu completo a Mocidade”

Wander Pires, intérprete da Mocidade, ao se declarar à verde e branco em pleno ensaio técnico.

 

 

“As baterias estão muito iguais, volto a bater nessa tecla. Eu vim querendo fazer diferente, vou arriscar tudo”

Átila Gomes, mestre de bateria da Sossego, ao criticar baterias do Carnaval e evidenciar os objetivos para este ano.

 

 

Foto: Michele Iassanori
“Só saio se for totalmente nua. Quer dizer, nua não pode… De tapa-sexo…”

Mulher Melão, modelo, ao dizer como gostaria de desfilar no Carnaval que se aproxima.

 

“Eles insistem em agredir a todo instante, com algumas colocações preconceituosas e racistas. Além de ofensas à escola, eles diminuem a imagem do índio, como se o índio não fosse nada. Que no desfile da Imperatriz fique provado que a escola em momento algum quis agredir o agronegócio e que seja exaltada a imagem de respeito ao próximo que o enredo traz”

Cahê Rodrigues, carnavalesco da Imperatriz, sobre a polêmica com o agronegócio, que reagiu negativamente ao tomar conhecimento de alguns trechos do samba-enredo da escola em homenagem aos índios do Parque Indígena do Xingu.

 

 

“Desenvolvi todo o projeto da comissão de frente e passei pra ele, da criação aos movimentos. Falei que não queria balé, pulinhos e, quando fui ao ensaio, tinha exatamente o que eu não queria, um (dançarino) levantando o outro… Não posso colocar o meu projeto em risco.”

Paulo Barros, carnavalesco da Portela, ao comentar a demissão do coreógrafo de comissão de frente Renato Vieira.

 

Foto: Michele Iassanori

“A gente só toma conhecimento do enredo, em si, quando o samba é escolhido. Não querendo ser visionário, mas acho que a Grande Rio vai ser um sucesso”

Alexandre Louzada, carnavalesco da Mocidade, ao analisar os enredos e os sambas das adversárias para o Carnaval deste ano.

Por Rafael Arantes

Luiz Fernando do Carmo, o Laíla. Eis o nome de um dos sambistas mais respeitados do Carnaval carioca. Em Nilópolis então… ele é idolatrado. Não é pra menos, afinal de contas, quando chegou à Beija-Flor, em 1975, a escola deixou de ser coadjuvante e virou a “Deusa da Passarela”, acumulando títulos (13) e carnavais memoráveis.

Mas, durante o ensaio técnico da azul e branco na Sapucaí há duas semanas, o sambista deu um susto e deixou a torcida da Beija-Flor aflita ao passar mal e ser levado de ambulância para o hospital, mas se recuperou rapidamente – ganhou alta médica em menos de uma semana -, mostrando que segue firme e forte para mais um ano no Carnaval.

Laíla completará 50 carnavais de trabalho em 2017 | Foto: Rafael Arantes

– Estou bem agora. Quero ter muita saúde para passar pela Avenida e dar para o povo de todo o mundo o maior espetáculo na Sapucaí. São 50 anos no Carnaval e sempre com alguns sonhos, mas Papai do Céu é quem sabe. A gente sonha toda hora, a todo instante, mas temos que saber, além de sonhar, se estamos no caminho correto para realizar cada desejo – disse o diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor.

Aos 73 anos, Laíla foi duro na queda, e, ainda internado, fez questão de mandar um recado a tão valorizada comunidade nilopolitana, mostrando plena recuperação da crise de pressão alta que sofreu no Sambódromo, no dia 29 de janeiro. O diretor vê o caso pelo lado positivo: o carinho e a preocupação dos amigos e admiradores nos dias em que esteve no hospital.

– É a prova que eu não sou tão ruim assim. Quem trabalha comigo sabe como é o meu estilo e a minha maneira de produzir. Eu não distrato ninguém, só busco os melhores caminhos para ajudar a escola a fazer o que se propõe – comentou.

Carinho da comunidade da Beija-Flor deixou o dirigente emocionado após ficar dias internado em razão de um pico de pressão | Foto: Rafael Arantes

Além da Beija-Flor, onde está na terceira passagem (1976-1980, 1989-1992 e 1995 até hoje), Laíla também atuou em escolas como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio. Além dos 50 anos no Carnaval, o sambista completa também quatro décadas à frente dos discos/CD´s das escolas de samba do Rio de Janeiro.

 

Por João Paulo Saconi

Internado desde o último domingo, 29, após ter passado mal durante o ensaio técnico da Beija-Flor na Marquês de Sapucaí, Laíla mandou um recado bem-humorado para os componentes da azul e branco. O diretor de carnaval gravou um vídeo do leito do CTI do Prontocor, da Tijuca, na Zona Norte do Rio de Janeiro.

Laíla passou mal no último domingo, 29, em plena Avenida e foi internado com pressão alta | Fotos: Reprodução/Instagram e Sambarazzo

Em observação no Centro de Tratamento Intensivo após passar por um procedimento de cateterismo, Laíla disse na gravação que espera voltar ao trabalho até a próxima segunda, 6, e ainda agradeceu aos integrantes da agremiação pelo treino que fizeram na Avenida.

– Alô, minha comunidade. Ainda não foi dessa vez. Eles tentam, tentam, tentam, mas existe um pai maior. Estou bem. Quero agradecer a vocês pelo desfile que vocês fizeram. A todo o povo que ama essa escola de coração como eu amo. A gente trabalha de maneira séria e, às vezes, as pessoas ficam aborrecidas. Pedi a vocês que fizessem o maior desfile técnico da história da Beija-Flor. Mesmo passando mal, eu tenho certeza que foi. Estamos no caminho – afirmou.

Por Rafael Arantes

Falar de Beija-Flor é ter de imediato alguns nomes na cabeça. Neguinho, Selminha Sorriso, Claudinho, Laíla, Raíssa… A equipe da azul e branco é velha conhecida do povo de Nilópolis e conta com total aval da diretoria.

Em conversa com o Sambarazzo, o presidente da agremiação, Farid Abrão David, explicou como os contratados foram ganhando lugares cativos na “Deusa da Passarela” e garante que, no que depender dele, não tem um que vá se despedir tão cedo.

– Vamos criando uma amizade, um elo, e eles acabam ganhando um lugar de vez. Se Deus quiser, esse grupo nunca vai sair da Beija-Flor. Eles não saem daqui nunca – afirmou.

De olho no Carnaval que se aproxima, o dirigente promete uma Beija-Flor, mais uma vez, lutando pelo título do Grupo Especial. A arma para buscar a nova conquista tem sido o samba escolhido. Aclamado pela comunidade e já na boca do povo, como no ensaio técnico deste domingo, 29, a obra nilopolitana é o grande diferencial para o presidente da escola.

– Temos a consciência que temos que fazer um grande desfile e assim vamos disputar o Carnaval. Sempre digo que tudo começa com um grande samba. Ele motiva o componente, a diretoria, a bateria… Ele dá essa força importante e temos esse diferencial – concluiu.

Mestre Rodney e Neguinho são alguns dos velhos conhecidos da Beija-Flor | Foto: Irapuã Jeferson
Mestre Rodney e Neguinho são alguns dos velhos conhecidos da Beija-Flor | Foto: Irapuã Jeferson
Em 2017, a Beija-Flor será a última escola a desfilar no Domingo de Carnaval. A agremiação levará para a Avenida o enredo “Iracema, a virgem dos lábios de mel”, inspirado no conto de José de Alencar.

Selminha e Claudinho completaram este ano 25 anos de parceria como casal de mestre-sala e porta-bandeira em 2016 | Foto: Divulgação
Selminha e Claudinho completaram 25 anos de parceria como casal de mestre-sala e porta-bandeira em 2016 | Foto: Divulgação

Por Luiz Felippe Reis, Rafael Arantes e Renan Rodrigues

Diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, Laíla passou mal durante o ensaio técnico da escola neste domingo, 29. O sambista sofre de pressão alta e não se sentiu bem já nos primeiros minutos de treinamento da azul e branco no Sambódromo.

Na Praça da Apoteose, o sambista foi levado de ambulância para o hospital Souza Aguiar. Ainda na pista, Laíla ensaiou à frente da bateria e, em frente ao Setor 5, teve que ser acudido por integrantes da Beija-Flor que fizeram uma espécie de cordão de isolamento para vigiar o diretor por todo o trajeto na Sapucaí.

Laíla passou mal em frente ao Setor 5 do Sambódromo

– Ele não se sentiu bem e socorremos ele aqui no Setor 5. Teve um pico de pressão alta e foi para o hospital com mais calma – disse Marquinhos Harmonia, da Liesa.

Laíla passa bem

Gabriel David, filho do presidente de honra Anísio Abraão David, é quem trata de tranquilizar toda a comunidade nilopolitana e os sambistas em geral:

– Por todo o carinho e respeito que toda a comunidade tem pelo Laila sempre rola a preocupação, o desejo de saber o que aconteceu. Ele passou mal, mas foi medicado, atendido imediatamente e já está muito bem, graças a Deus.

A assessoria de imprensa da escola divulgou nesta segunda-feira, 30, um comunicado informando que Laíla foi transferido do Hospital Souza Aguiar, no Centro, para o CTI do Hospital Protocor, na Tijuca. Ele passa bem e quadro évestável.

Por Fábio Klotz e Rafael Arantes

Não tem jeito, tá no DNA da Beija-Flor. Da voz inconfundível de Neguinho, passando pela rainha Raissa, aos encantos do casal Selminha Sorriso e Claudinho, o time que entra em campo na Sapucaí com a azul e branco é quase sempre o mesmo. A segurança dos artistas contratados dá a longevidade necessária para marcas emblemáticas serem atingidas.

No Carnaval deste ano, Fran Sérgio, um dos carnavalescos, vai festejar 20 anos na comissão responsável por desenvolver os desfiles da escola que é ‘de fato nilopolitana’.

Para comemorar a marca histórica, o artista vai relembrar uma das coisas que sempre gostou de fazer: desfilar no abre-alas. Fran não participava da primeira alegoria a entrar na Avenida desde 2005. O retorno vai ficar marcado por uma encenação no carro.

– Não imaginava chegar onde cheguei. O começo foi muito difícil, tinha muito medo, mas tinha sempre o sonho. Quis fazer um trabalho que fosse bom para a escola. Trabalhar onde você gosta não tem preço. É fantástico juntar isso tudo. Já havia desfilado no primeiro carro por 10 anos e sempre gostei muito, parei na hora que tinha que parar. Agora volto para fazer uma encenação na alegoria que é o ‘Panteon Indianista’, ou seja, a criação do mundo segundo os deuses indígenas – contou Fran.

Há 20 anos como carnavalesco da Beija-Flor, Fran Sergio vai voltar a desfilar no abre-alas | Foto: Rafael Arantes

Além dos 20 anos integrando a comissão de carnaval, Fran também atuou na escola como desenhista de Milton Cunha, nos anos 1990, e já desfilou até na ala das crianças. Nas duas décadas participando ativamente do desfile, o artista sempre buscou valorizar algo que passou a admirar desde pequeno: a identidade da azul e branco.

– Antigamente, a escola era toda formada por alas comerciais e não ganhava fazia 19 anos. A ideia da comissão foi do Laíla. De valorizar quem já estava trabalhando, valorizar quem já fazia parte. Foi complicado no início, a própria escola não aceitava. Quem era a gente? Hoje é uma coisa mais amadurecida – disse.

“Não tenho essa coisa de ter que ganhar todo ano”, diz Fran

O que não falta para Fran Sérgio nessas décadas de comissão de carnaval são títulos. Depois de estrear com pé direito, ajudando a dar o campeonato do Grupo Especial de 1998 para a Beija-Flor, muitos desfiles acabaram marcando a trajetória dele. Entre eles, dois que não levaram o troféu para Nilópolis. Para ele, independentemente de colocação, o mais importante é a consciência tranquila de ter realizado um trabalho de qualidade.

– Vários desfiles me marcaram, até alguns que não foram títulos. Agotime (2001, a Beija-Flor foi vice-campeã), por exemplo, que eu achava que não tínhamos como perder, mas perdemos. Araxá (1999, a Beija-Flor foi vice-campeã) foi outro que nunca saiu da minha mente. Fico feliz de ver a Beija-Flor satisfeita. Não tenho essa coisa de ter que ganhar todo ano. A gente luta sempre pra conseguir o melhor, mas aquela coisa de que se não ganhar vou querer morrer… Não, isso não. Eu não sou fanático. Olho o que é bom, o que é merecido. É ruim quando é feito de uma forma que você vê que algo externo interferiu, aí eu não gosto. Mas sei que o que é bonito, é bonito, o que merece tem que vencer. Seja nosso ou não – reconhece.

Fran se adaptou ao estilo de Carnaval da Beija-Flor durante trajetória: ‘Valorizo a identidade’ | Foto: Rafael Arantes

Carnavalesco defende enredos patrocinados: “Tem escola agonizando”

Um dos assuntos mais polêmicos quando se fala do desenvolvimento do carnaval das escolas de samba é a questão das parcerias e enredos patrocinados. Para Fran, quanto mais, melhor. Se muita gente critica o acerto de aportes financeiros externos para as agremiações, o carnavalesco vê a condição como uma das grandes aliadas para que os desfiles sejam desenvolvidos com mais tranquilidade.

– O patrocínio ajuda muito, ainda mais nesse tempo de crise. Muita gente não entende, acha que patrocínio é algo que chega e vai mandar. Não é isso. Escola de samba tem que ter parceria, isso é muito claro na minha cabeça. Tem escola agonizando, são tempos difíceis, são tempos que temos problemas na saúde, segurança, educação… E aí? Como você faz a arte? Acho que as pessoas precisam abrir os olhos para isso. Se toda escola tiver todo ano uma parceria boa, será ótimo – analisa.

Em 2017, carnavalesco desenvolverá o enredo “Iracema – a virgem dos lábios de mel” | Foto: Rafael Arantes

Ao longo das duas décadas, Fran Sérgio já teve como parceiros de comissão carnavalescos renomados, como Cid Carvalho, Alexandre Louzada, Shangai e Amarildo de Mello. O artista é o maior campeão da festa carioca, com oito títulos.

Em 2017, a Beija-Flor será a última escola a desfilar no Domingo de Carnaval. Liderada por Laíla, a comissão da azul e branco desenvolverá o enredo “Iracema – A virgem dos lábios de mel”.

“Eu não tenho ala em 2017. É uma grande tribo que vai passar na Avenida e que será representada através de seis atos. São diferentes grupos formados, que vão sendo exibidos ao longo do nosso desfile

Laíla, diretor de carnaval e geral de harmonia da Beija-Flor, ao anunciar ao site Carnavalesco a nova lógica de desfile da azul e branco no Carnaval 2017.

 

 

“Eu não ficaria chateada se arrumassem uma rainha que pudesse ajudar financeiramente. Eles (dirigentes) não querem, querem pessoas que têm amor pela escola. Disseram pra eu tirar isso da cabeça”

Mel Brito, rainha de bateria da Caprichosos de Pilares, ao revelar que chegou a colocar à venda o posto de rainha para ajudar a escola de samba a capitalizar o Carnaval 2017.

 

 

 

“Vinha pedindo isso para a presidente há uns três anos, mas eu queria que viéssemos na frente do abre-alas. Isso vai ajudar o desfile a fluir melhor. Gosto muito da ideia, acho que trabalhando isso direitinho, como estamos, vai dar certo”

Marcão, mestre de bateria do Salgueiro, ao anunciar o novo posicionamento da “Furiosa” na Avenida: atrás do abre-alas salgueirense.

 

 

 

“A Portela não tem musa. As mulheres se apresentam assim, mas não tem nada disso”

Paulo Barros, carnavalesco da Portela, ao decretar que na Águia de Madureira ninguém pode se intitular musa da escola.

 

 

 

“Eu sei como proceder em diversas situações, mas é na direção de carnaval que me sinto bem e que gosto de verdade”

Wilsinho Alves, diretor de carnaval da União da Ilha e ex-presidente da Vila Isabel, ao analisar as funções que já exerceu na carreira dentro do Carnaval e declinar da possibilidade de voltar ao poder maior dentro de uma agremiação.

 

 

 

“Estão usando o nome da Liesa e de outras empresas também, como Antarctica e Brahma, como se estivéssemos ofertando essas vagas. É golpe sujo”

Jorge Castanheira, presidente da Liesa, ao negar que a entidade esteja oferecendo vagas para o Carnaval 2017, tampouco cobrando por quem está em busca de serviço temporário na Marquês de Sapucaí.

 

 

“Não acreditam no meu poder de liderança. Não posso me sentir diminuída. No Carnaval, a gente não pode criar estereótipos. A minha aparência não me diminui. Eu sou uma profissional. Mas, ao mesmo tempo que tem gente machista, tem gente torcendo por mim”

Annik Salmon, uma das carnavalescas da Unidos da Tijuca, ao criticar o machismo que já sentiu na pele dentro do universo do samba.

 

 

“É a mínima vontade de sair da mesmice”

Alex de Souza, carnavalesco da Unidos da Vila Isabel, ao comentar carro abre-alas que promete levar uma nova linguagem afro para a Sapucaí.

 

 

“Eu estava muito bem na Nenê, ganhando bem, feliz. Mas a Mancha Verde tinha caído e precisava de mim. Voltei ganhando menos, a metade do que eu ganhava. O presidente queria cobrir a proposta, queria que eu ficasse, mas não tinha a ver com dinheiro”

Pedro Alexandre Magoo, carnavalesco da Mancha Verde, ao lembrar retorno para a escola palmeirense, que estava no Grupo de Acesso, quando recusou o dobro salário para permanecer na Nenê, do Especial.

 

Para deleite dos amantes do samba e do Carnaval, o Sambarazzo resolveu abrir o HD com os principais fatos que agitaram os bastidores da festa que tanto curtimos ao longo dos últimos 12 meses. A despedida de 2016 vai deixar saudades por muitas razões, mas nem tudo que rolou foi motivo de disparos de confetes e serpentinas.

Relembre com a gente o que movimentou o noticiário e mereceu destaque aqui no site!

Nesta segunda parte da Retrospectiva 2016 é hora de lembrar das ansiedades de pré-Carnaval e das novidades cheias de ressaca logo depois do espetáculo popular mais famoso do planeta.

Nem bem começou 2016, e o carnavalesco Paulo Barros anunciou uma pitada a mais no quesito inovação para o desfile que se avizinhava. A nova sacada do artista mais bem pago do Carnaval era tirar as musas da Portela do chão e jogar as gatas pra cima das alegorias. Pisando no cobiçado solo, só a então rainha de bateria Patrícia Nery e Tia Surica, pastora da Velha Guarda e uma das baluartes mais respeitadas nas bandas de Madureira.

‘No chão, só Tia Surica’, diz Paulo Barros sobre musas da Portela

 

Passado e futuro

Enquanto Martinho da Vila estava de olho num futuro enredo para a Vila Isabel, Jayder Soares, presidente da honra da Grande Rio, recordou boas memórias que tem na escola de Caxias com o diretor de carnaval Laíla, da Beija-Flor.

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De olho no desfile

Nas vésperas do Carnaval do Grupo Especial, as escolas esfregavam as mãos pelo grande momento e revelaram as ideias para o desfile. Na São Clemente, o presidente Renatinho estava empolgado com o “panelaço” que seria promovido pela escola, o que fez o prefeito do Rio, Eduardo Paes, dizer que iria se esconder na hora do carnaval da preto e amarelo. A Vila Isabel recebeu a espiadinha do apresentador Pedro Bial no barracão, e ele gostou do que viu. A Portela convidou o comediante Marcus Majella, que interpreta o impagável Ferdinando, para conhecer os preparativos.

Tentando o bi, a Beija-Flor abriu o barracão e mostrou um carnaval preparado com recursos mais modestos, mas manteve a imponência de sempre. De tão vidrado no trabalho, o carnavalesco Fran Sérgio passou uma temporada morando dentro da fábrica de alegorias da campeã de 2015.

Narrador dos desfiles pela TV Globo até 2016, Luís Roberto conheceu de pertinho todos os 12 projetos que iriam desfilar semanas após na Avenida. Ele olhou tudo direitinho e apontou três favoritas ao caneco.

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De tão empolgado com o barracão do Império Serrano, o carnavalesco Severo Luzardo, durante o ensaio técnico na Sapucaí, chegou a decretar que a escola subiria. A verde e branco ficou com o quarto lugar apenas, mas o artista subiu mesmo. Após o Carnaval, foi convidado pela União da Ilha para comandar o desfile da tricolor no próximo ano. No outro Império da cidade, o da Tijuca, o presidente Tê e o cantor Rogerinho saíram em defesa do samba-enredo, que não estava recebendo o carinho da crítica.

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Cantor e presidente da Estácio de Sá, Wander Pires e Leziário Nascimento foram à igreja pedir proteção a São Jorge. Acabou que a vermelho e branco não resistiu e foi rebaixada para o acesso. Na mesma onda de fé, Laíla, da Beija-Flor, foi ao túmulo de Marquês de Sapucaí, enredo da azul e branco em 2016, também fazer orações e pedidos ao ilustre político brasileiro.

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Enquanto o coro comia nos barracões da Cidade do Samba, os carnavalescos da Unidos da Tijuca, foram tirar uma folguinha da pressão. O quarteto (Mauro Quintaes, Marcus Paulo, Annik Salmon e Hélcio Paim) curtiu um passeio de lancha, em Mangaratiba, se aproveitando do adiantamento dos trabalhos na Cidade do Samba.

Falando em curtição, Zezé Di Camargo e Luciano não economizaram na hora de aproveitar o carnaval da Imperatriz que homenageava a dupla sertaneja. Os dois compraram o camarote mais caro da Sapucaí e fizeram um dos points mais requintados da Avenida nos dias de desfile. Sem a mesma banca dos cantores, o povão aproveitou a gratuidade dos ensaios técnicos para curtir pra valer. Teve gente até invadindo cabine de jurados para assistir aos treinos. “É o amor” pela festa. Um folião até reproduziu em miniaturas um desfile de escola de samba e a Cidade do Samba.

Muita onda! Com barracão adiantado, carnavalescos passeiam de lancha

Zezé Di Camargo e Luciano compram camarote mais caro da Sapucaí

Bombou! Pra ver ensaios, teve gente invadindo até cabine de jurados

Folião reproduz Sapucaí e Cidade do Samba em miniatura

Caíram e levantaram

A mais literal das escorregadas foi a da atriz e fiel componente da Grande Rio, Susana Vieira, que levou um estabaco em pleno ensaio técnico da Tricolor de Caxias. Mas ela deu rapidamente a volta por cima e ficou de pé, assim como o povo das arquibancadas, que aplaudiu a passagem da artista.

Teve ainda as juras de amor de Claudia Leitte à Mocidade. O que ninguém sabia era que, dois meses depois, a cantora deixaria a verde e branco.

Quem levantou voo e acabou indo longe demais foi o drone do Salgueiro, que filmaria do alto todo o ensaio técnico, mas acabou sumindo da Passarela do Samba e fez a escola oferecer recompensa a quem encontrasse o robô.

Ooops! Depois das selfies, Susana Vieira leva tombo na Sapucaí

Sumiu! Salgueiro oferece recompensa por drone perdido na Sapucaí

Ah, o amor… Cláudia Leitte se declara: ‘Serei Mocidade para sempre’

O primeiro mês do ano ainda reservou uma entrevista polêmica da carnavalesca do Salgueiro, Márcia Lage, que soltou o verbo sobre as passagens que teve pelo Império Serrano e pela Mangueira. Deu o que falar.

Márcia Lage: ‘Império Serrano fica esperando milagre pra sair do limbo’

Histórias de TV

Logo após a primeira noite de desfiles da Série A, o diretor de gênero da TV Globo, José Bonifácio Brasil de Oliveira, o Boninho bateu o martelo: Arlindo Cruz não integraria mais a equipe da emissora nos desfiles. O motivo foi a ausência do artista na transmissão da Sexta-Feira de Carnaval.

Nos meses que antecederam o evento, o intérprete da Mangueira, Ciganerey, virou um dos garotos-propaganda de uma famosa marca de carnes e ganhou fama nacional, surgindo na telinha 24 horas por dia.

É vida real, mas a história do presidente da Portela, Serginho Procópio, e do destaque portelense, Carlos Reis, poderia ser coisa de novela. É que os dois revelaram com exclusividade ao Sambarazzo que fazem contato frequente com Clara Nunes, cantora e baluarte da azul e branco que morreu há mais de 30 anos. Outro caso que parece roteirizado – e talvez rendesse um bom filme de drama – foi o do carnavalesco Amauri Santos, que no mesmo ano conseguiu ser rebaixado no Grupo Especial e na Série A, pelas escolas Estácio de Sá e Caprichosos de Pilares.

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As forças da natureza não perdoam

Água e fogo, dois dos elementos naturais que regem o planeta, quando se transformam em desastre não costumam perdoar. Um incêndio na Cidade do Samba assustou muita gente no início do ano, mas não houve qualquer ocorrência grave. E uma enchente perturbou o juízo do carnavalesco da Porto da Pedra, Jaime Cezário, que por causa das fortes chuvas do mês de março perdeu o projeto do Carnaval da vermelho e branco de 2016, ao ficar ilhado dentro do carro.

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Reconhecimento

Pelo trabalho feito na Mangueira, o carnavalesco Leandro Vieira levou a maior comenda da cidade do Rio de Janeiro, a medalha Pedro Ernesto. Para compor a mesa de condecoração, o novato chamou o decano artista Renato Lage, do Salgueiro. Apesar de honrado pelo respeito demonstrado pelo campeão verde e rosa, Lage disse que ficou ainda mais motivado e expressou o novo vigor com certa ênfase: ‘Vou botar pra f…’

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Ex-presidentes

As cores das bandeiras assemelham Vila Isabel e Portela, mas no início de 2016 não só o azul e branco foram comuns às duas escolas. Ambas tiveram presidentes abdicando do poder maior. Na Vila, Luciano Ferreira decidiu sair e, de quebra, assumir a homossexualidade. Na Portela, Serginho Procópio anunciou que não tentaria a reeleição em maio e contou que não buscava protagonismo quando assumiu o comando.

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Justificativas

“São as justificativas de março fechando o verão”. As notas que parecem pesadas ou pouco rigorosas ganham novo significado com os argumentos dos jurados, que normalmente são divulgados semanas após a Quarta-feira de Cinzas, quando são conhecidas as notas de cada escola. O Império da Tijuca sofreu por uma imprudência de um componente que resolveu fotografar as alegorias enquanto passava pelos atentos olhares do julgador Carlos Fraga, de Evolução. Não teve jeito: canetada. Já a Vila, no Especial, pagou caro pela empolgação. Isso mesmo. A alegria de um apoio de destaque fez a jurada Edileuza Batista de Aleluia, também de Evolução, retirar 0,1 da agremiação.

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Com a cabeça em 2017

O Carnaval mal passou, mas todo mundo já começa a pensar no ano que virá. E como ninguém quer ficar pra trás nessa disputa parelha, a badalação começa cedo. Primeira a revelar enredo, a Grande Rio não esperou nem passar um mês da festa e saiu anunciando que o tema de 2017 seria a cantora Ivete Sangalo. A Mocidade também não demorou a pensar na temporada seguinte. E, com tanta pressa, demitiu o cantor Bruno Ribas por WhatsApp, aplicativo de comunicação instantânea via celular. Ligeira, a pentacampeã pegou de volta o intérprete Wander Pires, que foi revelado na própria verde e branco.

Ufa! Como teve assunto pra contar pra vocês!

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