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Marquês de Sapucaí

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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

Por Redação

Dá pra definir o ano de 2017 como um dos piores – se não for o pior – da história do Carnaval. Acidentes trágicos na Avenida, crise, cortes significativos na subvenção do Especial e da Série A, interdição nos barracões… e pra completar a Justiça Federal do Rio de Janeiro decidiu que a São Clemente tem que deixar a quadra situada na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. O despejo é decorrência de uma ação de reintegração de posse do terreno para a União.

Na noite da última terça-feira, 14, funcionários da São Clemente encheram caminhões com pertences da escola de samba que estavam na sede. O local foi lacrado pela justiça na tarde desta quarta-feira, 15.

– Preciso acatar as leis. Vamos fazer tudo que é possível para ter a quadra de volta em breve. Cada tijolo colocado foi dos clementianos. Cada momento vivido nessa quadra foi de alegria, esperança e carinho – falou o presidente Renato Almeida Gomes, o Renatinho, nas redes sociais.

Decisão judicial despejou São Clemente de quadra na Presidente Vargas – Foto: Irapuã Jeferson

A decisão do juiz Carlos Guilherme Francovich Lugunes, da 22ª Vara Federal do Rio, do processo que se arrastava na justiça há 14 anos, não deixou outra alternativa à São Clemente, que deixou o local.

Em setembro do ano passado, a única representante da Zona Sul no Especial já havia passado pelo mesmo trauma e teve que deixar a quadra. Até a final de samba-enredo da escola foi realizada fora do local, na Cidade do Samba. Um mês depois, em outubro, outra deliberação judicial garantiu direito à agremiação de continuar na quadra por 180 dias. O processo se arrastou até a derradeira decisão tomada agora em novembro de 2018.

Por Redação

Firme e forte há três anos, a crise segue apavorando geral, da grande empresa até o mais simples trabalhador brasileiro. Há quem lide com a retração econômica aumentando valores dos serviços pra tirar daí a receita extra no momento de dificuldade, ainda mais num cenário de procura maior que oferta. A Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba, preferiu congelar o valor das entradas do Carnaval do Grupo Especial pelo sexto ano seguido. Desde 2013 não rola reajustes.

Nesta quinta-feira, 21, foi dada a largada para as reservas de camarotes dos setores da Avenida. Pela comodidade e exclusividade, os preços são salgados, mas mantidos na mesma faixa – de R$ 35 mil a R$ 120 mil.

A partir de outubro, começa a reserva das frisas, mais viáveis pra galera. Os preços variam entre filas A – ao lado da pista – B, C e D e no Setor 13 tem ainda as filas E, F e G, com a extinção das cadeiras especiais. O custo por uma frisa com seis lugares, ou seja, dá pra rachar, é de R$ 900 (no final da pista nas últimas filas) a R$ 8 mil (fila A nos setores 8 e 9).

Tem ainda a opção do Setor 12 das Cadeiras Individuais por R$ 190 e meia-entrada a R$ 95. Nas arquibancadas, o valor médio é R$ 232 e meia R$ 116, com variação entre os setores. As mais baratas no 2, 3, 10 e 11. A mais cara no 8. E tem as Arquibancadas Turísticas com preço a R$ 500, no S9

E ainda tem as arquibancadas populares a R$ 10, com meia-entrada a R$ 5.

Coordenador da Central de Atendimento e Vendas da Liesa, Heron Schneider festeja a marca de seis anos sem o encarecimento das entradas na Avenida.

– São seis anos já. Tudo teve reajuste, nós não reajustamos. Quer dizer, não passamos para o público essa despesa. Isso é importante – comentou.

*Foto de Capa: Alexandre Macieira/Riotur

 

Por Redação

O palco tão acostumado com as maravilhas dos desfiles das escolas de samba serviu de templo para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus na noite desta sexta-feira, 18. O evento “Vigília do Resgate” levou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí, segundo a organização do evento, aproximadamente 100 mil pessoas, que se espremeram por todos os setores, incluindo pista, arquibancadas e frisas.

Arquibancadas, frisas e pista lotadas na “Vigília do Resgate”, evento promovido pela Igreja Universal do Reino de Deus – Fotos: Reprodução/Facebook

Eventos deste porte em grandes complexos não são novidades para a Igreja Universal. Nos anos 1990, a denominação evangélica levava multidões para o Maracanã, principal estádio de futebol do Rio de Janeiro, com públicos que também ultrapassavam a marca dos 100 mil. No Sambódromo, em 2007, a cantora gospel Ana Paula Valadão fez a gravação de um CD na Praça da Apoteose.

Em 2011 e 2013, a “Vigília do Resgate” carregou milhares para a Sapucaí e também para o Anhembi, o sambódromo paulistano, que recebeu uma edição neste ano, em abril.

A estrutura para o evento desta sexta foi montado cedo nas dependências do Sambódromo carioca I Foto: Roberta Freitas

Pelas redes sociais, o acontecimento dividiu a opinião de sambistas. Alguns mostraram inconformidade, outros mais aceitação com o evento. Para os mais tolerantes, a Avenida pode e deve ser utilizada por outras tribos fora do período do Carnaval. Aos mais rigorosos, se destacou o argumento de que, pelas críticas que fazem à tal “festa profana”, evangélicos jamais deveriam usar o palco das escolas, e que a utilização do espaço por eles seria uma afronta.

E não são apenas os evangélicos – e o Carnaval, claro – que aproveitam do belo espaço na Sapucaí. O Sambódromo já serviu de palco para shows memoráveis, como das bandas Aerosmith, Nirvana, Pearl Jam, Guns N’ Roses e Red Hot Chili Peppers, e artistas como Jack Johnson, Avril Lavigne e Roger Waters.

Em novembro, por exemplo, o cantor Bruno Mars tem um espetáculo marcado pro lugar. Antes disso, em outubro, o DJ David Guetta comanda uma festa de música eletrônica na Praça da Apoteose.

Por Redação

O dia foi de boas novas no quesito finanças para as 13 escolas de samba do Grupo Especial. Em reunião em Brasília com o presidente da República Michel Temer, a comitiva de dirigentes conseguiu R$ 13 milhões – R$ 1 milhão pra cada agremiação – e voltou ao patamar anterior ao corte de verba do prefeito Marcelo Crivella, que reduziu pela metade o aporte municipal.

Mas nem a novidade positiva foi capaz de viabilizar os tradicionais ensaios técnicos da Sapucaí, que seguem suspensos. O tema chegou a ser levantado durante a reunião com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, na tarde desta terça-feira, 25. Convidado Especial na comitiva de dirigentes do samba que foi à capital federal, Milton Cunha informou que ainda não há uma certeza sobre a viabilidade dos treinos na Avenida.

Uma comitiva de dirigentes do samba foi a Brasília e se reuniu com o presidente da República Michel Temer, pela manhã, e à tarde com o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão – Foto: Divulgação

A Liesa, Liga Independente das Escolas de Samba, estima que os ensaios técnicos custem cerca de R$ 4 milhões.

Foto de Capa: GRES PORTELA

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Por Redação

“O Rei que bordou o mundo” é o título do enredo que a Acadêmicos do Cubango levará para a Sapucaí, em 2018. A narrativa dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora falará da vida e da obra de Arthur Bispo do Rosário.

A nova diretoria da escola já havia anunciado, na noite do sorteio da posição de desfile, que o enredo sobre os 200 anos de Nova Friburgo estava em suspenso, uma vez que as negociações com a cidade não apresentavam avanços. Finalmente, optou-se por um enredo autoral dos jovens carnavalescos, que explicaram a proposta:

-O enredo vem preencher uma lacuna importante. Nós sabemos que Arthur Bispo do Rosário já apareceu em alguns desfiles, inclusive na própria Cubango (2010 e 2013), mas sempre de forma genérica. Via de regra, o Bispo aparece como um personagem entre muitos, ilustrando a relação entre arte e loucura, o que não é o foco da nossa proposta. O público sabe da existência dele, mas poucos conhecem a sua história de vida e mesmo a sua obra, que é extremamente profunda. Falaremos da peregrinação que o levou a “inventariar o mundo”, dos folguedos regionais do Sergipe, dos símbolos que ele mais utilizava nas peças, e também do fato de que ele é um personagem negro e marginalizado que precisa entrar, de vez, no mapa das escolas de samba – defendeu Haddad.

Para Leonardo Bora, o enredo tem forte identificação com a Acadêmicos do Cubango e possibilitará um visual diferenciado:

-Contra a tão debatida crise é preciso criatividade e ousadia. E este enredo nos oferece as duas coisas. Eu pesquiso a obra do Bispo desde 2010, nas mais variadas áreas: literatura, teatro, cinema, dança, artes plásticas, psicanálise, estudos culturais, filosofia, moda. Em 2012, eu e Gabriel Haddad fomos à Bienal de São Paulo (Bispo do Rosário foi o artista homenageado daquela edição) e pudemos observar a obra dele em diálogo com artistas contemporâneos do mundo inteiro. Na época eu escrevia um ensaio que comparava o trabalho do Bispo com um conto de Guimarães Rosa, “Cara-de-Bronze”. É impressionante perceber o quanto é uma obra densa e coesa, que deixou nomes como Louise Bourgeois boquiabertos. Lá, em 2012, tivemos o estalo: como nenhuma escola de samba ainda não apresentou um enredo inteiro sobre o Bispo do Rosário? É uma ideia antiga, portanto, que estava há cinco anos na gaveta. Agora chegou o momento, a nossa estreia na Série A. E será ótimo desenvolver essa narrativa na Cubango, que tem um histórico de enredos sobre diferentes facetas da afro-brasilidade, as religiosidades de matriz popular, o ato de escrever e bordar palavras, que é o símbolo da escola.

A proposta visual diferenciada já se faz notar no cartaz do enredo, que reinterpreta a bússola-mandala do Manto da Apresentação, a mais conhecida peça confeccionada por Bispo do Rosário. Segundo os carnavalescos, era importante que a “logomarca” dialogasse com a linguagem estética do homenageado, valorizando o trabalho manual. Justamente por isso, os letreiros foram bordados a mão pela mãe do carnavalesco Leonardo Bora, Ana Maria.

-Tudo o que está na logo passou pelas mãos de alguém. As tramas, os botões costurados, os bordados. O cartaz do enredo é o espírito da nossa proposta –  finalizou Haddad.

Em breve, será divulgada a data da entrega da sinopse aos compositores. A Cubango será a quinta escola a desfilar no Sábado de carnaval de 2018.

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Por Fábio Klotz

O casamento entre Wander Pires e a Mocidade mais uma vez funcionou. O intérprete embalou o vice-campeonato da escola. No ensaio técnico, ele já havia avisado que a verde e branco brigaria pelo título (a Portela levou a melhor por um décimo). Agora, no Desfile das Campeãs, neste sábado, 4, Wander aumentou o tom de otimismo para 2018.

Wander Pires distribuiu rosas na Avenida | Foto: Michele Iassanori

– Não tinha dúvida de que brigaríamos pelo título, pela competência da escola e pela competência do nosso trabalho. Ano que vem vamos pegar este um décimo que perdemos – declarou Wander Pires, satisfeito com o retorno à escola:

– Deu tudo certo. Foi um retorno com pé direito – acrescentou.

Assim como no desfile de segunda-feira, Wander Pires distribuiu rosas na Sapucaí, uma forma de retribuir o carinho do público. O intérprete já renovou com a Mocidade e será a voz oficial da escola em 2018.

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Por Fábio Klotz

O vice-campeonato da Mocidade teve um gostinho de título. Além de voltar no Desfile das Campeãs após uma ausência de 14 anos, a escola de Padre Miguel resgatou o orgulho e a confiança. A verde e branco esbanja otimismo para o futuro e tem planos ambiciosos, conta o vice-presidente Rodrigo Pacheco.

– Independentemente de termos ficado com o segundo lugar, a comunidade como um todo está vibrando como campeã. Isso é muito legal. Podem ter certeza de que tirar a Mocidade do Desfile das Campeãs vai ser difícil. Sabíamos que na hora que acertássemos a mão nós ganharíamos a força que a Mocidade precisa. Ano que vem, se Deus quiser, é o título e não parar mais de figurar no Desfile das Campeãs – declarou o dirigente, neste sábado, dia 4, no Desfile das Campeãs.

Rodrigo Pacheco mostra otimismo com o futuro da Mocidade| Foto: Irapuã Jeferson

A Mocidade acertou a mão e aposta na manutenção do time que ficou em segundo lugar. A escola já anunciou a renovação com o carnavalesco Alexandre Louzada, os coreógrafos Jorge Texeira e Saulo Finelon, o intérprete Wander Pires, o mestre de bateria Dudu, a rainha Camila Silva e a porta-bandeira Cristiane Caldas. Agora, falta definir o nome do mestre-sala, já que Diogo Jesus deixou a agremiação.

– Antes do Carnaval já tínhamos a noção do espetáculo que seria feito, tanto que estávamos convictos de que brigaríamos pelo título. Diante deste cenário, já renovamos com quase todo mundo. A mudança será pontual em relação ao mestre-sala, que preferiu sair. A partir de segunda, vamos começar a procurar esta questão do mestre-sala para resolver isso – finalizou Rodrigo Pacheco.

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Por Angelina Nunes e Rafaella Javoski

As notas recebidas pela bateria da Grande Rio não foram bem aceitas pelos componentes da escola. Com dois 9,9 e um 9,8, a Tricolor de Caxias perdeu 0,4 ponto e ficou em quinto lugar apresentando o enredo em homenagem a Ivete Sangalo. Para não desanimar os ritmistas, o grupo de cantores da escola preparou uma camisa especial para o Desfile das Campeãs, neste sábado, 4:  Obrigado bateria “Invocada” #mestrethiagodiogo”.

Lembrado na mensagem, mestre Thiago Diogo afirmou que vai estudar os vídeos em cada uma das cabines para saber quais foram os erros.

– Eu saí daqui muito satisfeito com o desfile, mas respeito o julgamento – afirmou. – Não adianta questionar, tudo que eu falar agora pode ser choro de perdedor. Estamos aqui para dar um show a quem veio nos assistir.

Presidente de honra da escola, Hélio de Oliveira, o Helinho, também não gostou das notas divulgadas na última quarta-feira.

– Uma escola do porte da Grande Rio só pode ficar satisfeita se for campeã. Algumas notas eu não aceito, principalmente as da bateria – desabafou ele.

 

Por Redação

O bordão “Ivete é Grande Rio” parece que pegou na veia até da própria homenageada no enredo da escola, que estava com a emoção à flor da pele na noite deste sábado, 4, no início do desfile da tricolor, quinta colocada neste Carnaval.

Ivete se emocionou no início do desfile da Grande Rio | Foto: Michele Iassanori

Com a voz embargada e chorando muito, Ivete agradeceu pela oportunidade e definiu a festa da agremiação como um evento inesquecível.

– Eu tô muito feliz. Muito obrigada pelo carinho, por esse amor. Foi o Carnaval mais lindo da minha vida! Muito obrigada por esse amor que me alimenta.

Aplaudida de pé por uma Sapucaí lotada, a cantora baiana aproveitou para fazer um pedido especial:

– Quero fazer um apelo: deixem o meu rio São Francisco em paz – completou, ainda com a voz embargada.

Por Rafael Arantes

O Carnaval deste ano teve um sabor muito especial para mestre Ciça. O comandante da bateria da União da Ilha conseguiu três notas dez das quatro recebidas, garantindo os 30 pontos válidos para o quesito. De quebra, levou a Tricolor o Estandarte de Ouro, inédito até então para o veterano. Mesmo com as conquistas, o diretor ainda não sabe ao certo o que será de seu futuro no Carnaval. O mestre, que revelou ao Sambarazzo que pensou em se aposentar em 2018, admite que ainda não renovou seu vínculo com a Ilha, mas que o desejo inicial é de permanecer na agremiação.

– Até segunda, pelo menos, eu ainda estou na Ilha. Não sei o que vai acontecer, está cedo ainda. O Carnaval está acabando hoje e eu tenho que agradecer muito à União da Ilha. Acho que cumpri minha missão na escola. Mas vamos ver o que vai acontecer… Querer ficar, eu quero, mas sou profissional. Temos que esperar – comentou.

Foto: Rafael Arantes

Mesmo com o futuro ainda incerto, o mestre fez questão de elogiar o carinho que sempre recebeu dos integrantes da Ilha. Segundo ele, a escola foi a grande responsável por reanimá-lo após o período conturbado que enfrentou quando deixou a Grande Rio, depois do Carnaval de 2014.

– É claro que estou feliz. É um momento muito importante pra mim, uma reviravolta muito grande na minha vida. A Ilha me acolheu quando eu estava triste, abriu os braços pra mim e me jogou pra cima. Sou muito feliz de ter conseguido resgatar a alegria da rapaziada da Ilha, do “Bonde do Caveira” – disse.

 

Por Rafael Arantes

Um dos assuntos mais comentados antes do Carnaval deste ano foi a implantação da cabine dupla de julgadores e, após a apuração, nem todo mundo bateu palma para a inovação da Liesa. Coreógrafo da Mangueira e do Império Serrano, Junior Scapin foi avaliado com um 10 e um 9,9 no módulo no desfile da verde e rosa e questionou o julgamento.

– Como dois julgadores vendo a mesma coisa, separados por uma parede, me dão notas diferentes?! Respeito, mas não aceito. Acho que a Liesa precisa olhar direitinho para essa cabine. É o trabalho de um ano que passa por ali – desabafou.

Foto: Rafael Arantes

Campeão na Série A pelo Império, o coreógrafo ainda não sabe em qual das duas escolas deve permanecer, mas garante que o saldo do Carnaval em dose dupla foi muito positivo.

– Fui muito feliz nas duas escolas, mas ainda não sei o que acontecerá no ano que vem. Não conversei com nenhuma das duas ainda, mesmo o Império já tendo me procurado. São duas grandes escolas e tenho que decidir direitinho até o que eu mesmo vou querer pra mim – afirmou.

Campeão na Série A, Scapin ficou com o 4° lugar no Grupo Especial.

Por Rafael Arantes

Muito se esperou pela possibilidade de Fátima Bernardes deixar a rotina como apresentadora de lado para figurar no Carnaval como rainha de bateria neste Carnaval. O fato, no entanto, não virou realidade e a jornalista descartou até mesmo a ideia de aceitar um possível convite.

– Isso foi uma brincadeira do presidente Ney Filardi (da Ilha). Não tem nada a ver. Se fosse antigamente, mais nova, talvez eu até aceitasse se tivesse algo. Mas hoje não tem nada disso – disse.

Foto: Rafael Arantes

Se Fátima está acostumada com a rotina de transmissões do Carnaval, a apresentadora teve seu momento de foliã neste sábado das campeãs durante o desfile da Grande Rio.

– Ainda bem que estou de folga e pude desfilar. Achei a homenagem para a Ivete linda e fiquei admirando. Sou muito fã dela – acrescentou.

A Grande Rio ficou com o 5° lugar no Carnaval deste ano.

Por -

Por Rafael Arantes

O dia é de festa e a rainha de bateria da Grande Rio, Paloma Bernardi, não quer nem pensar se o futuro na escola de Caxias será ou não na frente da bateria ‘Invocada’. A atriz, que é torcedora da Tricolor, garante que sua vontade é de permanecer desfilando pela agremiação independentemente do posto.

Foto: Rafael Arantes

– Eu sou Grande Rio e quero estar na escola independentemente do posto. Se minha agenda deixar, vou desfilar. Se a diretoria quiser que eu continue como rainha, vou continuar. Mas, se não for, não terá problema nenhum. Não vou deixar de amar todo mundo – disse Paloma.

A rainha ainda aproveitou para festejar o sucesso do desfile em homenagem à Ivete Sangalo.

– Com certeza foi um marco no Carnaval. Independentemente de ser campeã ou não. Foi muito linda a participação dela. Fizemos história, sim – comentou.

A Grande Rio ficou com o 5° lugar no Grupo Especial deste ano.

Por Fábio Klotz

A novidade de desfilar sem alas não agradou os jurados. A Beija-Flor foi penalizada nos quesitos enredo e fantasias e viu o sonho do título acabar. A escola de Nilópolis ficou na sexta colocação e abriu o Desfile das Campeãs, neste sábado, dia 4. Diretor de Carnaval e de Harmonia, Laíla destacou “coincidências” do júri em alguns quesitos.

Laíla alfinetou jurados do Carnaval | Foto: Irapuã Jeferson

– Se você analisar, de quatro, cinco anos para cá, eles pegam a Beija-Flor sempre nos mesmos quesitos: fantasia, alegoria ou enredo. Não tem para onde correr. É só pegar e ver. Você tem um samba que é tido como o melhor do Carnaval e leva pancada. Aí fica difícil. Tenho lastimado sempre – disparou Laíla.

Ele evitou falar sobre mudanças na escola.

– Vamos ver o que vai rolar. Tem muita água para rolar – encerrou.

O enredo da Beija-Flor neste Carnaval foi “A virgem dos lábios de mel – Iracema”. A escola dividiu o desfile em tribos e atos, rejeitando a ideia de alas.

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Por Fábio Klotz

“Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver este rio passar…” O enredo da Portela retrata com perfeição o sentimento da escola após o desfile da madrugada desta terça-feira, 28. Presidente da azul e branco, Luís Carlos Magalhães deixou a Marquês de Sapucaí confiante e, em festa, mostrou otimismo na conquista do campeonato.

Foto: Irapuã Jeferson
Presidente da Portela, Luis Carlos Magalhães confiante em ser campeão | Foto: J Ricardo

– São muitas alegrias. Foi um desfile muito bom, que agradou tanto ao público quanto aos componentes. Um samba maravilhoso. Tudo tem dado tão certo. Claro que a Portela precisa vencer e é justo que ela vença. A Portela está merecendo há tanto tempo. Esperamos a vitória. Estou muito confiante. Que a Mangueira não nos pregue uma peça dessa de novo – declarou o presidente, se referindo ao título da verde e rosa em 2016, desbancando, entre outras escolas, a Portela, que ficou em 3°.

Caso o título vá para Madureira, o dirigente já sabe a quem dedicar: Marcos Falcon, ex-presidente da Portela morto em setembro do ano passado, que foi homenageado (com uma bandeira com seu rosto) numa das alegorias do carnaval da escola

– Foi uma homenagem muito bonita. Ele que trouxe a autoestima da escola novamente. Ele fez o portelense se orgulhar novamente. É uma pena que ele não tenha conseguido a vitória. Vamos dedicar a ele se a vitória vier – encerrou.

Falcon foi homenageado pela Portela | Foto: J Ricardo

A Portela não é campeã desde 1984. Nesta quarta-feira, 1, a azul e branco descobre se quebra o jejum em 2017 ou não.

Por Rafael Arantes e Sara Paixão

Mal passou da linha final do desfile, e o carnavalesco Leandro Vieira só fez comemorar seu segundo carnaval na Mangueira. Extasiado, o artista era só alegria quando viu o último carro passar pela Avenida.

– Foi um desfile incrível. Eu não vi tudo porque brinquei, curti. Assim como vi o povo gostando também. Eu acho que deu certo, né? – indagou.

No entanto, uma alegoria pode aumentar a adrenalina do artista na Quarta-feira de Cinzas, quando ele vai conhecer as notas dos jurados e ver se vai terminar o dia aos gritos de “bicampeão”. O carro que falava sobre a festa de São João emperrou e a escola abriu um imenso buraco em frente à cabine dupla de jurados.

Foto: J Ricardo

Carnavalesco deixou a Avenida orgulhoso

Leandro, que tem sido cotado como possível sucessor de Renato Lage no Salgueiro, ainda aproveitou para exaltar o momento profissional que vive graças à Estação Primeira:

– Estou muito feliz aqui. Dois carnavais que me enchem de orgulho. Saiu como esperava.

Buraco gigante pode atrapalhar os planos da Mangueira – Foto: Diego Mendes

Sobre o acidente com a segunda alegoria da Unidos da Tijuca, que desabou deixando mais de 15 feridos, dois deles em estado grave, o artista disse que a verde e rosa entrou na pista de desfiles para afastar os males.

– Mangueira é pra lavar a alma. O que tinha de ruim aqui a Mangueira mandou pra longe. Não penso em nada disso – finalizou.

A Mangueira fechou o Carnaval do Grupo Especial carioca na manhã desta terça-feira, 28. A escola teve um dos desfiles mais elogiados pela crítica especializada.

Por Rafael Arantes

A Mangueira foi a última a desfilar entre as escolas do Grupo Especial, mas foi a primeira a escutar o grito de “campeã” na Praça da Apoteose. A Verde e Rosa viu seus componentes e o público dos setores 12 e 13 protagonizarem uma grande festa na dispersão.

Uma das alegorias, já pronta para deixar a Sapucaí, serviu de palco para os componentes festejarem o desfile desta Segunda=feira de Carnaval.  O carnavalesco Leandro Vieira também deixou a Avenida fazendo a festa com os integrantes.

Foto: Rafael Arantes

Por Rafael Arantes

Renata Santos já passou vários momentos marcantes desfilando na Mangueira, mas nesta segunda-feira a musa mal conseguiu explicar o sentimento que tomou conta após deixar a Sapucaí.

– Não está dando pra pensar. Foi um desfile muito emocionante. Quero ver o VT logo, saber como foi. Pra mim foi mágico – disse.

Foto: Rafael Arantes

A gata, que já ocupou o posto de rainha de bateria da verde e rosa, ainda admitiu que entrou na Avenida muito abalada com os acidentes ocorridos com Tijuca e Tuiuti.

– Muito triste tudo isso que aconteceu e fiquei muito nervosa. Mas agora estou de alma lavada – finalizou.

Por Rafael Arantes

Enquanto o desespero tomava conta da Sapucaí pelo desabamento de uma parte da segunda alegoria da Tijuca que feriu 16 pessoas, o presidente Fernando Horta fez duras críticas à ação do Corpo de Bombeiro no atendimento às vítimas. Segundo o dirigente, o trabalho de resgate das pessoas acidentadas deixou a desejar e dificultou a sequência do desfile da escola do Borel.

– O carro não quebrou, tanto é que passou na Avenida. Só acho que houve um trabalho muito demorado dos bombeiros. Eu sei que eles têm que preservar a saúde das pessoas, mas não sei se eles tiveram interesse nenhum de resolver, de tirar meus componentes lá de dentro. Acho que eles demoraram demais. Pedi para tirar o carro pelo recuo e eles não autorizaram.  Vamos apurar isso com calma, de cabeça fria – disse.

Presidente da Tijuca reclamou da ação dos bombeiros em acidente com alegoria | Foto: Rafael Arantes

Dos 16 feridos, dois casos preocupam. Uma pessoa tem traumatismo craniano e outra com um sério trauma no abdômen. O acidente ocorreu em frente ao Setor 1 . No trabalho de resgate, a alegoria ficou parada em frente à arquibancada cerca de 30 minutos. Enquanto isso, as alas ultrapassavam o carro e seguiam pelo desfile.

Os bombeiros usaram macas e cadeiras de rodas para retirar os feridos do local. Após a saída dos acidentados, a alegoria seguiu pela Sapucaí e deixou o Sambódromo. A Polícia Civil realizará perícia no carro pelos arredores da Sapucaí.