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Marquês de Sapucaí

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Por Redação

Terceira a desfilar neste sábado, 10, a Unidos do Viradouro mostrou a tão falada força no Carnaval da Série A. Com alegorias capazes de chamar atenção nesta madrugada, a escola tenta um campeonato que daria o acesso ao Grupo Especial de 2019.

A vermelho e branco apresentou um abre-alas que impôs respeito. Já resumindo o enredo sobre os gênios, criado pelo carnavalesco Edson Pereira, a escola exibiu uma fábrica de criações toda articulada com muita luz.

 

Grande inventor brasileiro, o aviador Santos Dumont foi lembrado pelo sonho de voar e o seu singelo 14 bis esteve no segundo carro alegórico. Um balão e a bela Torre Eiffel, simbolizando Paris, celebrando a genialidade de Santos.

‘No Castelo encantado da ficção, a gente vira a cabeça e pira o coração’ foi o terceiro carro e falou mais sobre genialidade na ficção, quando o homem ultrapassa as barreiras da realidade. O monstro de Dr. Frankestein ganhou destaque.

“A viagem do corso viramor na mais louca criação de todas” falou do amor ao Carnaval, à Viradouro, encerrando em clima de festa o desfile.

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Por Luiz Felippe Reis

Aos 19 anos, Larissa Nicolau tá em casa quando a Santa Cruz entra na Avenida pra um desfile. E foi assim que rolou neste sábado, quando a verde e branco mostrou seus predicados na pista. Nascida e criada na quadra da agremiação da Zona Oeste, a moça é filha de Moyses Coutinho, o Zezo, presidente da Santa Cruz:

– A Santa Cruz é o amor da minha vida, desfilo desde pequena. Isso pra mim é muito mais que ser rainha, vivo intensamente – falou Larissa, que desfilou pelo segundo ano seguido à frente dos ritmistas de mestre Riquinho.

Pai orgulhoso, Zezo garantiu que não fica com ciúme da caçula da família:

– Não tenho ciúme nenhum. A Larissa é uma menina muito bem criada, educada e ama a escola como eu. Fazemos de tudo por isso – disse o dirigente.

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Por Redação

A Vigilância Sanitária está fazendo uma mega operação no Sambódromo do Rio e, em dois dias de desfiles da Série A, realizou um total de 134 visitas de controle de alimentos (conservação) e de temperatura dos ambientes que trabalham com comercialização e distribuição de comida.

Em dois de operação no Sambódromo, a Vigilância Sanitária já inutilizou 133Kg de alimentos – Foto: Sambarazzo

Um vazamento de gás interditou a cozinha do buffet Scala Rio, no Setor 6, e o quiosque do Espetto Carioca, que fica na praça de alimentação do Setor 2, foi proibido de funcionar após descumprir algumas exigências do órgão.

– Mais cedo, verificamos que a exaustão do Espetto Carioca não estava dando vazão, os funcionários trabalhavam sob calor intenso, por isso interditamos parcialmente. Eles poderiam continuar vendendo bebida, mas não espeto. Como sempre monitoramos as interdições, e descobrirmos que eles não estavam cumprindo, agora interditamos totalmente – explicou Aline Borges, coordenadora de alimentos da Vigilância Sanitária, por volta das 2h da manhã deste domingo, 11.

Multa de R$ 1700

Na sexta-feira, 9, primeira noite de desfiles do Grupo de Acesso na Sapucaí, um food truck do Espetto Carioca nas dependências do Sambódromo já havia sido interditado por problemas de exaustão e higiene.

Nos dois dias de Série A, já foram inutilizados 133Kg de alimentos. Os campeões no quesito “fora do padrão de qualidade” são hambúrguer, camarão,  carpaccio, molho funghi e picanha.

– Foi um total de 27 infrações, com 13 multas. O maior problema está nos pontos de venda, principalmente quando há produtos de origem animal – detalhou Marissol Figueiredo, coordenadora de eventos da Vigilância Sanitária.

As empresas autuadas deverão pagar uma multa de R$ 1.700 reais por descumprimento das exigências. Foram coletadas 33 amostras de alimentos pra análise em laboratório.

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Por Clarissa Monteagudo

A origem das bonecas Abayomi emociona: eram feitas pelas africanas escravizadas com retalhos de suas saias para consolar as crianças nos navios negreiros. Brinquedos e também amuletos de proteção, elas são a inspiração do coreógrafo Patrick Carvalho para a Comissão de Frente da Inocentes de Belford Roxo.

– É um trabalho empoderador, com força libertadora. E isso é muito importante nesse momento – contou Patrick, que selecionou todos os bailarinos em audição.

A bailarina Clara Cristina O. O. da Silva, de 19 anos, estava encantada com o trabalho da Comissão:

– Eles são bonecos e repetem os movimentos que eu vou fazendo.

Que vai encantar a Avenida.

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Por Marcelo Barros e Luiz Felippe Reis

Artista dos mais famosos da Série A, Rogerinho, que é mestre-sala da Santa Cruz, quase deixou a porta-bandeira Roberta Freitas sem par. É que o dançarino chegou cerca de 10 minutos antes do desfile, deixando muita gente apreensiva na concentração da verde e branco.

Já no Setor 1 ao lado da parceira, Rogerinho respirou aliviado e responsabilizou o serviço metroviário do Rio de Janeiro.

– O metrô do Rio é uma vergonha, hoje foi tava muito ruim – explicou o artista.

Deu tempo! Rogerinho ficou preso no metrô e quase não chegou a tempo do desfile da Santa Cruz – Foto: Sambarazzo

Parceira dele, Roberta Freitas ficou aliviada com a chegada de Rogerinho:

– Pensei que fosse dançar sozinha – disse, bem mais tranquila.

A Santa Cruz foi a segunda a desfilar neste Sábado de Carnaval, pela Série A, com um enredo sobre a esperança.

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Por Redação

Em virtude dos trágicos acidentes envolvendo alegorias no Carnaval 2017,  o controle de segurança foi reforçado no Sambódromo carioca este ano. A pedido do prefeito do Rio Marcelo Crivella, todos os motoristas dos carros alegóricos serão submetidos a teste de bafômetro.

Vista grossa! Agentes da Lei Seca vão atuar no Sambódromo em todos os dias de desfile – Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

Na Alegria da Zona Sul, primeira a entrar na Avenida neste sábado, 10, pela Série A, todos os condutores passaram no teste de álcool. No entanto, um dos motoristas da escola foi proibido de conduzir a alegoria pela qual era responsável. Segundo agentes da Lei Seca, a carteira de habilitação dele estava vencida. A escola agiu rápido e conseguiu trocar de profissional na hora.

– A ideia é proporcionar uma segurança maior para os desfilantes e público. É novidade para o Carnaval e para a Lei Seca. Atuamos de forma preventiva – explicou o coronel Marco Andrade, coordenador da Operação Lei Seca no Rio de Janeiro, na última sexta, 9.

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Por Clarissa Monteagudo

Nada de faisão nem Swarovski. No carnaval dos materiais alternativos, Shayene Cesário ousou ao utilizar capim preto no lugar das aclamadas e luxuosas penas e canutilhos substituindo cristais. O nome da fantasia era sugestivo: “Mulher que perdeu o luxo”. Em todas as escolas, a reciclagem deu o tom este ano.

–  É muito mais em conta. O capim preto é uma novidade que dá um efeito lindo. Estamos reciclando materiais e buscando alternativas para fazer bonito – disse a musa da Acadêmicos da Rocinha.

Em uma fantasia luxuosa de 800 penas representando a morte, o destaque Markety conta que sua fantasia custava entre R$ 20 mil e R$ 30 mil. Mas, com 25 anos de carnaval, ele já tem um acervo de penas e tanto em casa.

– A gente recicla, pinta. Tudo que se pode fazer pra diminuir custos fazemos. Este ano, usamos muitas mantas de strass para substituir os cristais – contou.

*Fotos: Irapuã Jeferson

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Por Redação

O fim do desfile da Alegria da Zona Sul foi dramático. Na dispersão, componentes e bombeiros se reuniam em volta do abre-alas, preocupados com o estado de saúde do principal destaque do carro, Paulo Caldas. Aparentando muito mal-estar e tonteira, ele conseguiu chegar à Apoteose, mas foi tirado pelo resgate e levado ao pronto-socorro de cadeira de rodas.

– Senti mal já no final, mas aguentei. Tudo por amor à escola. Desfilo há 20 anos, há três na Alegria da Zona Sul. Eu não senti medo de cair, fui até o fim – contou Paulo, que representou um quilombo com a fantasia que pesava 20 quilos.

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Por Kaio Sagaz

A comissão de frente da Alegria da Zona Sul não foi pisou na Sapucaí exclusivamente pra apresentar o enredo da escola, “Bravos Malês – A saga de Luiza Mahin”. É que a escola quis aproveitar a passagem pela pista mais famosa do Carnaval, a Marquês de Sapucaí, pra transmitir uma relevante mensagem.

A vermelho e branco levou uma faixa pedindo o fim da intolerância religiosa, algo um tanto oportuno considerando uma fase em que ficaram mais latentes as diferenças entre evangélicos e amantes do samba após o Rio de Janeiro ganhar um prefeito evangélico, Marcelo Crivella, que cortou pela metade a verba concedida às escolas de samba.

– Essa imagem vai chegar para o prefeito Crivella, e espero que para o mundo inteiro, como para todos os nossos governantes. É uma conscientização, uma corrente do bem. É amar uns aos outros, que é o principal – explicou o coreógrafo Leandro Azevedo, que estreia no quesito comissão de frente.

A ideia da faixa surgiu após ver uma aluna de dança sofrer preconceito.

– Ela chegou na academia chorando, porque estava com uma camisa com desenho de um orixá e, ao descer de um transporte público, foi insultada e empurrada. Desde então, isso ficou muito forte em mim. Temos que ter intolerância à intolerância. Nós viemos ao mundo para poder conviver, e cada um tem a sua forma de pensar – completou o artista.

Bicampeão da “Dança dos Famosos”

Estreante na Sapucaí, Leandro Azevedo tem mais experiência em outros palcos, como do “Domingão do Faustão”, da Rede Globo, onde foi bicampeao da “Dança dos Famosos”:

– Ganhei a primeira vez com o Juliana Didone (atriz) e e depois com a Carol Castro (também atriz). Foi um quadro que mudou a minha vida, mas agora estou passando por uma nova fase e quero mais.

A Alegria da Zona Sul foi a primeira escola a desfilar no segundo dia de apresentações da Série A do Carnaval carioca.

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Por Kaio Sagaz

Teve ares de alívio o desfile da Estácio de Sá, que fechou a primeira noite das escolas da Série A na Sapucaí. Depois de passar grande sufoco no barracão para retirar os carros e encaminhar para o Sambódromo, terminar a apresentação dentro do prazo limite e sem maiores problemas foi o motivo para uma verdadeira festa que foi formada na dispersão. Bastante paparicado, o presidente da agremiação Leziário Nascimento, chamado de “major” pelos integrantes, expressou o clima de batalha vencida pela escola e comemorou bastante.

– Toda crise tem superação, e nós superamos. Botamos a banca na Avenida e é nós aí, é Estácio de Sá. Isso aqui (Sapucaí) é do Estácio, o morro é logo ali – exaltou Leziário, lembrando a proximidade da comunidade do bairro do Estácio com o Sambódromo carioca.

Festa dos integrantes da escola ao fim do desfile

No dia de seu aniversário, o carnavalesco Tarcísio Zanon também demonstrou estar empolgado com o resultado do desfile que criou. Completando 31 anos, o artista que assinou o enredo “No pregão da folia sou comerciante da alegria e com a Estácio boto banca na Avenida” preferiu exaltar o resultado da obra.

– Foram momentos de aflição, sim. Mas a gente conseguiu um belíssimo abre-alas, uma belíssima ala das baianas, e é difícil dizer do que eu gostei mais – concluiu.

Estácio pode ser penalizada em 7 décimos

Quarta alegoria da escola por pouco não foi danificada por ser puxada por dois guinchos no barracão.

Tamanho desafogo dos sambistas da Estácio no final do desfile tem motivo. Na madrugada anterior à apresentação, a escola não conseguiu tirar os carros dos barracões e posicioná-los na Avenida Presidente Vargas até as 6 da manhã, horário máximo permitido pela Lierj (Liga das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, responsável pela organização do Grupo A), para a operação, que só foi concluída as 10 horas, além de ter obstruído a rua lateral à sede. Segundo o regulamento do órgão, tais imprudências gerariam uma perda de sete décimos para a agremiação. Na próxima terça, 13, membros da entidade vão se reunir para decidirem o caso. Leia o trecho do regulamento que indica como a Estácio pode ser penalizada.

SEÇÃO II
DA COMISSÃO DE COORDENAÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO DE ALEGORIAS

II – Aplicar a perda de 0,1 (um décimo de ponto) pelo atraso de até 1h, 0,2 (dois
décimos de ponto) pelo atraso de até 2h, sendo, cumulativamente, acrescida a perda de
0,1 (um décimo de ponto) a cada 30 minutos (meia hora) decorrida a partir da segunda
hora de atraso, quando da saída de suas alegorias do barracão, quando o atraso for de
responsabilidade da agremiação.
III – Aplicar a perda de 0,1 (um décimo de ponto) por intervenção do pessoal de apoio
da LIERJ nos casos em que por imprudência, negligência ou imperícia da agremiação,
alguma alegoria obstrua a via pública, não sendo solucionado em tempo hábil, de modo
a impedir o tráfego no tempo determidado pelo poder público para a liberação das vias
públicas. A escola ficará responsável por qualquer sanção aplicada pelos órgãos
públicos, bem como pelo ressarcimento à LIERJ de eventuais despesas suportadas por
esta.

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Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

Por Redação

Dá pra definir o ano de 2017 como um dos piores – se não for o pior – da história do Carnaval. Acidentes trágicos na Avenida, crise, cortes significativos na subvenção do Especial e da Série A, interdição nos barracões… e pra completar a Justiça Federal do Rio de Janeiro decidiu que a São Clemente tem que deixar a quadra situada na Avenida Presidente Vargas, no Centro do Rio. O despejo é decorrência de uma ação de reintegração de posse do terreno para a União.

Na noite da última terça-feira, 14, funcionários da São Clemente encheram caminhões com pertences da escola de samba que estavam na sede. O local foi lacrado pela justiça na tarde desta quarta-feira, 15.

– Preciso acatar as leis. Vamos fazer tudo que é possível para ter a quadra de volta em breve. Cada tijolo colocado foi dos clementianos. Cada momento vivido nessa quadra foi de alegria, esperança e carinho – falou o presidente Renato Almeida Gomes, o Renatinho, nas redes sociais.

Decisão judicial despejou São Clemente de quadra na Presidente Vargas – Foto: Irapuã Jeferson

A decisão do juiz Carlos Guilherme Francovich Lugunes, da 22ª Vara Federal do Rio, do processo que se arrastava na justiça há 14 anos, não deixou outra alternativa à São Clemente, que deixou o local.

Em setembro do ano passado, a única representante da Zona Sul no Especial já havia passado pelo mesmo trauma e teve que deixar a quadra. Até a final de samba-enredo da escola foi realizada fora do local, na Cidade do Samba. Um mês depois, em outubro, outra deliberação judicial garantiu direito à agremiação de continuar na quadra por 180 dias. O processo se arrastou até a derradeira decisão tomada agora em novembro de 2018.

Por Redação

Firme e forte há três anos, a crise segue apavorando geral, da grande empresa até o mais simples trabalhador brasileiro. Há quem lide com a retração econômica aumentando valores dos serviços pra tirar daí a receita extra no momento de dificuldade, ainda mais num cenário de procura maior que oferta. A Liesa – Liga Independente das Escolas de Samba, preferiu congelar o valor das entradas do Carnaval do Grupo Especial pelo sexto ano seguido. Desde 2013 não rola reajustes.

Nesta quinta-feira, 21, foi dada a largada para as reservas de camarotes dos setores da Avenida. Pela comodidade e exclusividade, os preços são salgados, mas mantidos na mesma faixa – de R$ 35 mil a R$ 120 mil.

A partir de outubro, começa a reserva das frisas, mais viáveis pra galera. Os preços variam entre filas A – ao lado da pista – B, C e D e no Setor 13 tem ainda as filas E, F e G, com a extinção das cadeiras especiais. O custo por uma frisa com seis lugares, ou seja, dá pra rachar, é de R$ 900 (no final da pista nas últimas filas) a R$ 8 mil (fila A nos setores 8 e 9).

Tem ainda a opção do Setor 12 das Cadeiras Individuais por R$ 190 e meia-entrada a R$ 95. Nas arquibancadas, o valor médio é R$ 232 e meia R$ 116, com variação entre os setores. As mais baratas no 2, 3, 10 e 11. A mais cara no 8. E tem as Arquibancadas Turísticas com preço a R$ 500, no S9

E ainda tem as arquibancadas populares a R$ 10, com meia-entrada a R$ 5.

Coordenador da Central de Atendimento e Vendas da Liesa, Heron Schneider festeja a marca de seis anos sem o encarecimento das entradas na Avenida.

– São seis anos já. Tudo teve reajuste, nós não reajustamos. Quer dizer, não passamos para o público essa despesa. Isso é importante – comentou.

*Foto de Capa: Alexandre Macieira/Riotur

 

Por Redação

O palco tão acostumado com as maravilhas dos desfiles das escolas de samba serviu de templo para os fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus na noite desta sexta-feira, 18. O evento “Vigília do Resgate” levou ao Sambódromo da Marquês de Sapucaí, segundo a organização do evento, aproximadamente 100 mil pessoas, que se espremeram por todos os setores, incluindo pista, arquibancadas e frisas.

Arquibancadas, frisas e pista lotadas na “Vigília do Resgate”, evento promovido pela Igreja Universal do Reino de Deus – Fotos: Reprodução/Facebook

Eventos deste porte em grandes complexos não são novidades para a Igreja Universal. Nos anos 1990, a denominação evangélica levava multidões para o Maracanã, principal estádio de futebol do Rio de Janeiro, com públicos que também ultrapassavam a marca dos 100 mil. No Sambódromo, em 2007, a cantora gospel Ana Paula Valadão fez a gravação de um CD na Praça da Apoteose.

Em 2011 e 2013, a “Vigília do Resgate” carregou milhares para a Sapucaí e também para o Anhembi, o sambódromo paulistano, que recebeu uma edição neste ano, em abril.

A estrutura para o evento desta sexta foi montado cedo nas dependências do Sambódromo carioca I Foto: Roberta Freitas

Pelas redes sociais, o acontecimento dividiu a opinião de sambistas. Alguns mostraram inconformidade, outros mais aceitação com o evento. Para os mais tolerantes, a Avenida pode e deve ser utilizada por outras tribos fora do período do Carnaval. Aos mais rigorosos, se destacou o argumento de que, pelas críticas que fazem à tal “festa profana”, evangélicos jamais deveriam usar o palco das escolas, e que a utilização do espaço por eles seria uma afronta.

E não são apenas os evangélicos – e o Carnaval, claro – que aproveitam do belo espaço na Sapucaí. O Sambódromo já serviu de palco para shows memoráveis, como das bandas Aerosmith, Nirvana, Pearl Jam, Guns N’ Roses e Red Hot Chili Peppers, e artistas como Jack Johnson, Avril Lavigne e Roger Waters.

Em novembro, por exemplo, o cantor Bruno Mars tem um espetáculo marcado pro lugar. Antes disso, em outubro, o DJ David Guetta comanda uma festa de música eletrônica na Praça da Apoteose.

Por Redação

O dia foi de boas novas no quesito finanças para as 13 escolas de samba do Grupo Especial. Em reunião em Brasília com o presidente da República Michel Temer, a comitiva de dirigentes conseguiu R$ 13 milhões – R$ 1 milhão pra cada agremiação – e voltou ao patamar anterior ao corte de verba do prefeito Marcelo Crivella, que reduziu pela metade o aporte municipal.

Mas nem a novidade positiva foi capaz de viabilizar os tradicionais ensaios técnicos da Sapucaí, que seguem suspensos. O tema chegou a ser levantado durante a reunião com o ministro da Cultura, Sérgio Sá Leitão, na tarde desta terça-feira, 25. Convidado Especial na comitiva de dirigentes do samba que foi à capital federal, Milton Cunha informou que ainda não há uma certeza sobre a viabilidade dos treinos na Avenida.

Uma comitiva de dirigentes do samba foi a Brasília e se reuniu com o presidente da República Michel Temer, pela manhã, e à tarde com o ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão – Foto: Divulgação

A Liesa, Liga Independente das Escolas de Samba, estima que os ensaios técnicos custem cerca de R$ 4 milhões.

Foto de Capa: GRES PORTELA

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Por Redação

“O Rei que bordou o mundo” é o título do enredo que a Acadêmicos do Cubango levará para a Sapucaí, em 2018. A narrativa dos carnavalescos Gabriel Haddad e Leonardo Bora falará da vida e da obra de Arthur Bispo do Rosário.

A nova diretoria da escola já havia anunciado, na noite do sorteio da posição de desfile, que o enredo sobre os 200 anos de Nova Friburgo estava em suspenso, uma vez que as negociações com a cidade não apresentavam avanços. Finalmente, optou-se por um enredo autoral dos jovens carnavalescos, que explicaram a proposta:

-O enredo vem preencher uma lacuna importante. Nós sabemos que Arthur Bispo do Rosário já apareceu em alguns desfiles, inclusive na própria Cubango (2010 e 2013), mas sempre de forma genérica. Via de regra, o Bispo aparece como um personagem entre muitos, ilustrando a relação entre arte e loucura, o que não é o foco da nossa proposta. O público sabe da existência dele, mas poucos conhecem a sua história de vida e mesmo a sua obra, que é extremamente profunda. Falaremos da peregrinação que o levou a “inventariar o mundo”, dos folguedos regionais do Sergipe, dos símbolos que ele mais utilizava nas peças, e também do fato de que ele é um personagem negro e marginalizado que precisa entrar, de vez, no mapa das escolas de samba – defendeu Haddad.

Para Leonardo Bora, o enredo tem forte identificação com a Acadêmicos do Cubango e possibilitará um visual diferenciado:

-Contra a tão debatida crise é preciso criatividade e ousadia. E este enredo nos oferece as duas coisas. Eu pesquiso a obra do Bispo desde 2010, nas mais variadas áreas: literatura, teatro, cinema, dança, artes plásticas, psicanálise, estudos culturais, filosofia, moda. Em 2012, eu e Gabriel Haddad fomos à Bienal de São Paulo (Bispo do Rosário foi o artista homenageado daquela edição) e pudemos observar a obra dele em diálogo com artistas contemporâneos do mundo inteiro. Na época eu escrevia um ensaio que comparava o trabalho do Bispo com um conto de Guimarães Rosa, “Cara-de-Bronze”. É impressionante perceber o quanto é uma obra densa e coesa, que deixou nomes como Louise Bourgeois boquiabertos. Lá, em 2012, tivemos o estalo: como nenhuma escola de samba ainda não apresentou um enredo inteiro sobre o Bispo do Rosário? É uma ideia antiga, portanto, que estava há cinco anos na gaveta. Agora chegou o momento, a nossa estreia na Série A. E será ótimo desenvolver essa narrativa na Cubango, que tem um histórico de enredos sobre diferentes facetas da afro-brasilidade, as religiosidades de matriz popular, o ato de escrever e bordar palavras, que é o símbolo da escola.

A proposta visual diferenciada já se faz notar no cartaz do enredo, que reinterpreta a bússola-mandala do Manto da Apresentação, a mais conhecida peça confeccionada por Bispo do Rosário. Segundo os carnavalescos, era importante que a “logomarca” dialogasse com a linguagem estética do homenageado, valorizando o trabalho manual. Justamente por isso, os letreiros foram bordados a mão pela mãe do carnavalesco Leonardo Bora, Ana Maria.

-Tudo o que está na logo passou pelas mãos de alguém. As tramas, os botões costurados, os bordados. O cartaz do enredo é o espírito da nossa proposta –  finalizou Haddad.

Em breve, será divulgada a data da entrega da sinopse aos compositores. A Cubango será a quinta escola a desfilar no Sábado de carnaval de 2018.

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Por Fábio Klotz

O casamento entre Wander Pires e a Mocidade mais uma vez funcionou. O intérprete embalou o vice-campeonato da escola. No ensaio técnico, ele já havia avisado que a verde e branco brigaria pelo título (a Portela levou a melhor por um décimo). Agora, no Desfile das Campeãs, neste sábado, 4, Wander aumentou o tom de otimismo para 2018.

Wander Pires distribuiu rosas na Avenida | Foto: Michele Iassanori

– Não tinha dúvida de que brigaríamos pelo título, pela competência da escola e pela competência do nosso trabalho. Ano que vem vamos pegar este um décimo que perdemos – declarou Wander Pires, satisfeito com o retorno à escola:

– Deu tudo certo. Foi um retorno com pé direito – acrescentou.

Assim como no desfile de segunda-feira, Wander Pires distribuiu rosas na Sapucaí, uma forma de retribuir o carinho do público. O intérprete já renovou com a Mocidade e será a voz oficial da escola em 2018.

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Por Fábio Klotz

O vice-campeonato da Mocidade teve um gostinho de título. Além de voltar no Desfile das Campeãs após uma ausência de 14 anos, a escola de Padre Miguel resgatou o orgulho e a confiança. A verde e branco esbanja otimismo para o futuro e tem planos ambiciosos, conta o vice-presidente Rodrigo Pacheco.

– Independentemente de termos ficado com o segundo lugar, a comunidade como um todo está vibrando como campeã. Isso é muito legal. Podem ter certeza de que tirar a Mocidade do Desfile das Campeãs vai ser difícil. Sabíamos que na hora que acertássemos a mão nós ganharíamos a força que a Mocidade precisa. Ano que vem, se Deus quiser, é o título e não parar mais de figurar no Desfile das Campeãs – declarou o dirigente, neste sábado, dia 4, no Desfile das Campeãs.

Rodrigo Pacheco mostra otimismo com o futuro da Mocidade| Foto: Irapuã Jeferson

A Mocidade acertou a mão e aposta na manutenção do time que ficou em segundo lugar. A escola já anunciou a renovação com o carnavalesco Alexandre Louzada, os coreógrafos Jorge Texeira e Saulo Finelon, o intérprete Wander Pires, o mestre de bateria Dudu, a rainha Camila Silva e a porta-bandeira Cristiane Caldas. Agora, falta definir o nome do mestre-sala, já que Diogo Jesus deixou a agremiação.

– Antes do Carnaval já tínhamos a noção do espetáculo que seria feito, tanto que estávamos convictos de que brigaríamos pelo título. Diante deste cenário, já renovamos com quase todo mundo. A mudança será pontual em relação ao mestre-sala, que preferiu sair. A partir de segunda, vamos começar a procurar esta questão do mestre-sala para resolver isso – finalizou Rodrigo Pacheco.

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Por Angelina Nunes e Rafaella Javoski

As notas recebidas pela bateria da Grande Rio não foram bem aceitas pelos componentes da escola. Com dois 9,9 e um 9,8, a Tricolor de Caxias perdeu 0,4 ponto e ficou em quinto lugar apresentando o enredo em homenagem a Ivete Sangalo. Para não desanimar os ritmistas, o grupo de cantores da escola preparou uma camisa especial para o Desfile das Campeãs, neste sábado, 4:  Obrigado bateria “Invocada” #mestrethiagodiogo”.

Lembrado na mensagem, mestre Thiago Diogo afirmou que vai estudar os vídeos em cada uma das cabines para saber quais foram os erros.

– Eu saí daqui muito satisfeito com o desfile, mas respeito o julgamento – afirmou. – Não adianta questionar, tudo que eu falar agora pode ser choro de perdedor. Estamos aqui para dar um show a quem veio nos assistir.

Presidente de honra da escola, Hélio de Oliveira, o Helinho, também não gostou das notas divulgadas na última quarta-feira.

– Uma escola do porte da Grande Rio só pode ficar satisfeita se for campeã. Algumas notas eu não aceito, principalmente as da bateria – desabafou ele.

 

Por Redação

O bordão “Ivete é Grande Rio” parece que pegou na veia até da própria homenageada no enredo da escola, que estava com a emoção à flor da pele na noite deste sábado, 4, no início do desfile da tricolor, quinta colocada neste Carnaval.

Ivete se emocionou no início do desfile da Grande Rio | Foto: Michele Iassanori

Com a voz embargada e chorando muito, Ivete agradeceu pela oportunidade e definiu a festa da agremiação como um evento inesquecível.

– Eu tô muito feliz. Muito obrigada pelo carinho, por esse amor. Foi o Carnaval mais lindo da minha vida! Muito obrigada por esse amor que me alimenta.

Aplaudida de pé por uma Sapucaí lotada, a cantora baiana aproveitou para fazer um pedido especial:

– Quero fazer um apelo: deixem o meu rio São Francisco em paz – completou, ainda com a voz embargada.