Tags Artigos com tags "Nilcemar Nogueira"

Nilcemar Nogueira

Por Redação

A secretária de cultura da cidade do Rio de Janeiro, Nilcemar Nogueira, emitiu uma opinião sobre a decisão do prefeito Marcelo Crivella de cortar 50% da subvenção municipal às escolas de samba do Grupo Especial.

Nilcemar, que é neta da lendária Dona Zica da Mangueira, é uma agente cultural de larga trajetória no samba. Ela criou o Centro Cultural Cartola, foi dirigente do Museu da Imagem e do Som e lutou para que o gênero samba fosse considerado patrimônio da humanidade, título concedido pela Unesco em 2007. Sobre a polêmica, ela defendeu a argumentação de Crivella sobre as dificuldades das finanças da prefeitura e propôs, a partir da redução de verbas, uma reinvenção para o Carnaval.

Nilcemar Nogueira é secretária de cultura da gestão Crivella – Foto: Reprodução/Facebook

Alegorias menores, comissões de frente mais tímidas e valorização do sambista são pautas que entraram na lista de adequações possíveis das escolas na visão da secretária. Leia o texto escrito por ela nas redes sociais.

“O Carnaval carioca é uma expressão do povo desta cidade. Além das nossas escolas de samba – e aqui destaco não só as do Grupo Especial mas todas, prestando enorme reverência à fibra e à arte das que se apresentam na Intendente Magalhães -, temos os blocos e as bandas que ocupam com sua alegria as ruas do Rio, numa tradição que só cresce ano a ano, e manifestações lindas como os bate-bolas, entre tantas outras.
A crise econômica no país atinge todos os setores. Ninguém está à margem dela. Nem o carnaval, nem as escolas de samba. Isso nos preocupa a todos. E todos que amamos a festa, e eu a amo, estamos neste momento responsáveis por pensar soluções, envolvendo adequações de custos, revisões de processos e gastos, repensando o que foi o desfile e o que ele pode ser sem perder suas características. E quando falo em características, falo do sentido cultural, nas pessoas, no ser humano: as passistas, as baianas, o ritmista, a costureira, o aderecista em primeiro lugar. Onde esta crise econômica já impacta a vida dessas pessoas. Não tenho uma resposta agora. Ouço proposições. Talvez uma alegoria a menor por escola, como já ouvi sugerido? Talvez um ano sem tripés nas comissões de frente, que poderiam levá-las de volta a uma exibição coreográfica mais tradicional? Sã reflexões, pontos de partida. Não digo “é isso” ou “é aquilo”. Eu penso cultura. Eu penso gente. Mas também penso gestão. É irreal não enxergar a crise enorme do país. Não enxergar que é preciso se adaptar à redução de recursos disponíveis, rever o que era feito e como era feito. O grande mestre Fernando Pamplona, um farol do carnaval carioca, dizia: “Tem que se tirar da cabeça aquilo que não se tem no bolso”. Ninguém está com dinheiro sobrando no bolso. Nem os cofres municipais. E ninguém, tenho certeza, ninguém no poder público municipal quer ver o carnaval do Rio sem o desfile das escolas do Grupo Especial. É preciso sentar e estudar toda a situação diante das restrições. Apontar possibilidades de reinvenção do desfile, buscar fontes diferenciadas e privadas de recursos (ainda que sem a garantia de que nessa crise vai ser possível obtê-los), olhar abertamente as planilhas de custos atuais das apresentações, construir sinergia e otimizar gastos. A Riotur é o órgão responsável pelo espetáculo. Sei que ela está aberta e empenhada. Ela administra o espetáculo e a estrutura turística da cidade. É momento de dar as mãos e juntar as cabeças na busca de soluções para um cenário econômico adverso real. Sou e sempre fui coerente com minhas causas – e uma delas é o samba como forma de expressão. Como Secretaria de Cultura, zelo pelos corpos que seguram nossas tradições.”

Na noite da última quarta-feira, 14, a Liesa decidiu suspender o Carnaval 2018 até que o prefeito da cidade decida mudar de ideia e reverter a ideia de cortar pela metade às subvenções municipais aos desfiles.

 

Por Luiz Felippe Reis

Durante a campanha eleitoral à prefeitura do Rio de Janeiro houve quem duvidasse da aproximação do então candidato Marcelo Crivella com as escolas de samba da cidade. Mas, pelo jeito, a aliança expressada no apoio de metade das agremiações do Grupo Especial no segundo turno vai ter continuidade a partir de 1° de janeiro, quando o político assume a administração da Cidade Maravilhosa.

É que o prefeito eleito, que ainda não fechou todo o secretariado municipal, escolheu a gestora cultural Nilcemar Nogueira como nova secretária de cultura do Rio. Nilcemar é neta de Dona Zica, eterna baluarte da Estação Primeira de Mangueira. A informação foi divulgada neste sábado, 17, pelo Jornal O Globo, na coluna do jornalista Ancelmo Gois.

Nilcemar será secretária municipal de cultura no governo do prefeito Marcelo Crivella, que assume em pouco mais de duas semanas – Foto: Reprodução/Facebook

Nilcemar Nogueira é doutora em Psicologia Social pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), mestra em Bens Culturais e Projetos Sociais pela Fundação Getúlio Vargas, e tem ligação profissional intimamente ligada ao samba carioca. Diretora do Centro Cultural Cartola, uma entidade voltada especialmente à defesa das manifestações culturais e do desenvolvimento social, Nilcemar fundou o museu do samba em 2015 e foi presidente do Museu da Imagem e do Som.

O trabalho da futura secretária de governo garantiu ao samba, através do museu inaugurado há um ano, que as memórias de sambistas como Monarco, Delegado, Selminha Sorriso e de muitos outros emblemáticos personagens ficassem eternizadas, garantindo esse acervo para as futuras gerações de apaixonados pelo samba. A abnegação de Nilcemar, aliás, assegurou o samba como Patrimônio Cultural Brasileiro, em 2007, título concedido pelo Iphan – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.

A neta de Dona Zica fundou o Museu do Samba em 2015 – Foto: Divulgação

Dois dos sambistas mais venerados do século passado, Dona Zica e Cartola se conheceram ainda na juventude, eram vizinhos do Morro da Mangueira. Mas o romance só pegou pra valer quando Zica já tinha mais de 40 anos, após a morte do primeiro marido. Cartola também chegou a se casar, mas depois de ficar viúvo reencontrou Zica, e aí nada mais poderia separar os dois. O casal viveu junto por 26 anos, até a morte de Cartola, em 1980. Dona Zica morreu 23 anos depois, em 2003.

Eternos! Cartola e Dona Zica foram casados por quase três décadas e são dois dos maiores baluartes da Mangueira do samba brasileiro – Foto: Divulgação

Crivella deve reduzir à metade o número de secretarias

O talento gastronômico de Dona Zica fez parte da história de vida dos famosos mangueirenses. É que, conforme um depoimento da baluarte registrado na biografia de Cartola, ela, na década de 1960, foi comandar um vatapá e dali surgiu a possibilidade de ser realizado um velho sonho de Dona Zica – criar um restaurante -, que seria conhecido como Zicartola, famosa casa de samba que se tornou o point mais bombado da época para os sambistas, frequentado por Ismael Silva, Nelson Cavaquinho, Aracy de Almeida e compositores da Bossa Nova, como Carlos Lyra e Nara Leão.

Durante a ditadura, o Zicartola serviu como palco de reuniões de artistas contrários ao poder militar. Não era incomum, conta a história, presenciar discursos de oposição ao regime, além da luta pela afirmação da música nacional, que segundo os que lá se reuniam estava sendo ameaçada pelos hits estrangeiros, especialmente os americanos.

Em 2011, o Zicartola foi lembrado no desfile da Estação Primeira de Mangueira, que na ocasião homenageou Nelson Cavaquinho. Além de ser citado na letra do samba-enredo, o restaurante foi representado em uma das alegorias da verde e rosa.

A partir de 1° de janeiro, Marcelo Crivella assume a prefeitura do Rio de Janeiro, substituindo Eduardo Paes – Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Nilcemar Nogueira foi a segunda secretária do governo de Marcelo Crivella a ser revelada. Na última quinta-feira, 15, foi confirmado o nome de Fernando McDowell, que foi candidato a vice-prefeito na chapa PRB-PR, na Secretaria de Transportes. A tendência é que o novo prefeito reduza pela metade o número de secretarias. Atualmente, com Eduardo Paes, são 24 pastas. Com o senador no comando, o número deve ficar entre 12 e 13.

Prefeito eleito do Rio, Crivella intercedeu pela quadra da São Clemente