Tags Artigos com tags "paulo barros"

paulo barros

Por Redação

Uma discussão que o Carnaval precisa encarar, e que vai muito além dos cortes de verba, é no que diz respeito ao conceito da festa e sua realização. O que pode ser melhorado no evento da Sapucaí? O que pode despertar maior interesse do público? Novas ideias, fora de velhos clichês, podem fazer a diferença pro samba voltar aos tempos de glória e cair nos braços do povo novamente, com a mesma força de outros carnavais.

Aos 20 anos de idade, Gabriel David, conselheiro da Beija-Flor e herdeiro do patrono Anísio Abraão David, abre o debate para reflexão e propõe novos métodos. Na visão dele, o Carnaval precisa se remodelar pra ontem.

– Se o Carnaval não mudar, vai acabar. E é uma mudança urgente. Tem que ser um espetáculo mais atual, mais comercial. E não é planejar pra daqui a uns anos, não. Vamos mudar agora, em 2018. Vai ser o quarto ano que estou mais presente, mas é o primeiro que começo a falar. Comecei a pedir um pouco mais de interação. Acredito muito na figura do carro alegórico, que foi uma figura que a gente fugiu no Carnaval passado. Mas, no Carnaval deste ano acho que a gente dá um bom passo nesse sentido – opina.

“Paro pra assistir o Paulo Barros”

‘Paro pra assistir o Paulo Barros. Acho que ele muda a concepção de fazer carnaval. Quero evoluir com base na ideia dele’, admitiu Gabriel – Foto: Michele Iassanori/Sambarazzo

Para o novato, o estilo de Paulo Barros deve ser seguido pelos demais carnavalescos da festa, a título de seduzir o público.

– Paro pra assistir o Paulo Barros, por exemplo. Acho que ele muda a concepção de fazer carnaval. Quero evoluir com base na ideia dele. Muito se critica se o Paulo cria ou copia. Mas esse não é o ponto. A qualidade dele é essa, é ter interatividade com o público, é se preocupar com o espetáculo. Não acho que seja só botando gente em cima de carro batendo palma. É muito mais do que isso. A comissão (da Beija-Flor) deste ano não foi criada pra ganhar carnaval. Não é que eu não queira ganhar. Quero passar a imagem de que você não perdeu seu tempo ali, indo ao Sambódromo – discursa Gabriel.

“Ninguém fica 12 horas ouvindo só samba”

Vivendo intensamente o cotidiano do barracão da Beija-Flor, Gabriel David compartilha com o diretor de carnaval Laíla novas propostas para a festa – Foto: Irapuã Jeferson

Pra este ano, Gabriel David vai lançar uma área VIP na Avenida. “Nosso Camarote”, comandado por ele, e que tem como sócio Ronaldo Fenômeno, vai ter de tudo. De música sertaneja aos sucessos do momento de todos os ritmos, incluindo os sambas-enredo, uma tática utilizada hoje por qualquer festival internacional de música. O conselheiro busca unir tantos estilos a fim de atrair para o mundo do Carnaval os mais jovens.

– Será um camarote totalmente diferenciado. Boate que não toca só samba. Foi esse tipo de espaço que fez o jovem voltar à Sapucaí. Ninguém fica 12 horas só ouvindo samba, nem 12 horas ouvindo só sertanejo. Qualquer festival toca outros tipos de música. Esse é um modelo que o Carnaval ainda não entendeu. Você tem que dar um serviço completo pro cliente. Os shows principais acontecerão nos intervalos. A ideia é trazer o público jovem pra escola de samba, num ambiente que o jovem queira estar, com artistas como Luan Santana e Ludmilla, e sambistas como Jorge Aragão e Péricles – conta.

Por -

Por Redação

Paulo Barros é o artista mais bem pago do Carnaval, mas nem por isso deixa de sonhar com a Mega da Virada. O carnavalesco, que costuma saber gastar bem o que ganha, e não economiza com viagens internacionais e carros de luxo, vê a bolada de fim de ano da loteria da Caixa, estimada em R$ 280 milhões de reais, como uma grana meio impossível de torrar até o fim da vida.

Paulo Barros diz que correria contra o tempo pra gastar a bolada da mega-sena I Foto: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

– Gasto o quanto puder. Mesmo que eu quisesse gastar tudo, não conseguiria. É muita grana. Isso, fazendo 1% ao mês na aplicação, dá R$ 2,8 milhões. Ninguém consegue gastar isso. Só se for uma anta. Anta consegue – brinca.

Paulo Barros não revelou ao Sambarazzo se arriscou a sorte e preencheu um bilhete pra tentar ficar milionário. Mas disse que precisaria correr contra o tempo pra aproveitar tudo do bom e do melhor.

– Tanta coisa que ver nesse mundo com esse dinheiro. Ainda mais com 55 anos…’Corra que o futuro vem aí’ – diz Barros, em alusão ao título do enredo futurista da Unidos de Vila Isabel, onde dá expediente.

As apostas pra Mega da Virada podem ser feitas até as 14h deste domingo, 31 de dezembro. A aposta simples custa R$ 3,50.

Leia também!

Na intimidade! Paulo Barros apresenta a linda casa onde curte a boa vida

Por -

Por Redação

Quem já teve a honra de conversar com Laíla sabe: o papo sempre rende. O “problema” é que quando a prosa é com um jornalista fica difícil até escolher a frase mais impactante pra virar aspa central da matéria. É que o diretor de carnaval da Beija-Flor (quase 50 anos de serviços bem prestados ao samba nas costas) sabe das coisas, e, pra alegria de quem vos escreve, também gosta de falar.

Sem fugir de pergunta alguma num ano atípico para a festa – o Carnaval 2017 foi marcado por trágicos acidentes na Sapucaí, drásticos cortes de verba pelas mãos de um prefeito evangélico e interdição dos barracões a três meses do desfile -, o mandachuva da Beija-Flor soltou o verbo na entrevista ao Sambarazzo.

“Estão querendo regredir pra 1950, quando crioulo não podia cantar samba”

Para o líder da comissão carnavalesca da azul e branco de Nilópolis, o Carnaval do Rio de Janeiro vive um período de retrocesso e censura, que remete à época em que ser sambista era coisa de marginal.

– Acho que estão querendo regredir. Estão querendo trazer o espetáculo de volta pra 1950, quando o samba era proibido, quando crioulo não podia cantar samba, quando as escolas eram perseguidas diretamente – sintetiza.

Apesar do protesto, e convicto de que há clara tentativa de esvaziar a festa, Laíla contemporiza na hora de supor os motivos que teriam levado o prefeito do Rio Marcelo Crivella (PRB) a cortar metade da grana que as agremiações vinham recebendo.

– Não quero acreditar que o prefeito seria louco de querer prejudicar o Carnaval por causa da intolerância religiosa. A gente se pegar por uma guerra religiosa… não pode ser isso. Sou espírita declarado, mas não posso acreditar que ele esteja misturando as coisas. Ele deve estar buscando dentro da cabeça dele segurar o estado, fazer a cidade voltar a ter as rendas habituais. Acho que fez mais pela administração mesmo – pondera.

Barracões interditados: “O Ministério do Trabalho não tá errado”

A respeito das interdições dos 13 barracões da Cidade do Samba, Laíla também não passa a mão na cabeça das escolas. Mas considerou inoportuno o momento para tais fiscalizações, que obrigaram as chamadas “fábricas dos sonhos” a ficar de portas fechadas a três meses do evento na Sapucaí – a liberação aconteceu esta semana.

– O Ministério do Trabalho não tá errado, só acho que essa fiscalização foi tardia e aconteceu na hora errada, faltando pouco tempo pro desfile. Mas tenho certeza de que havia necessidade disso. Estávamos habituados a trabalhar no ‘bota pra lá, bota pra cá’. Não tinha segurança. Mas que local de trabalho não deve ser seguro? Todos devem ser – frisa.

As vistorias nos barracões atrasaram – e muito – o Carnaval 2018.

– Tá tudo bastante atrasado. Hoje, estamos só com 30% da escola pronta. Mas, quando chegar na semana do Carnaval, vamos terminar tudo, como sempre – garante Laíla, adiantando que ano que vem a Beija-Flor vai desfilar com 3300 pessoas, cinco carros alegóricos e um tripé.

“Custou a acontecer”, diz Laíla sobre acidentes do Carnaval 2017

Concluídas as fiscalizações, e agora tocando o carnaval em ambiente considerado mais seguro pelos órgãos competentes, Laíla fica à vontade para falar dos chocantes acidentes da Sapucaí este ano, que tiveram contornos dramáticos e triste fim: a radialista Liza Carioca, atropelada por uma desgovernada alegoria da Paraíso do Tuiuti, no Domingo de Carnaval, morreu após meses de internação:

– Custou a acontecer. Não deveria ter tragédia, mas, da maneira como era tocado, custou a acontecer. Infelizmente, acidentes acontecem, mas a prevenção é sempre bem-vinda. Agora, acidente sempre teve, sempre teve carro que bateu, destaque que caiu, até na Beija-Flor… Mas nada nessa proporção.

Fim de uma era? Laíla e o cancelamento dos ensaios técnicos

Outra notícia que deu um balde de água fria nos amantes do samba foi o fim dos ensaios técnicos no Sambódromo, que deixam o calendário oficial da cidade após 15 anos de treinos de graça, com arquibancadas lotadas.

– Sugeri à Liesa (Liga Independente das Escolas de Samba) um ensaio técnico coletivo, em reunião com a presença de diretores de todas as escolas. Sugeri de, na lavagem da Sapucaí, cada escola levar componentes e fazer um grande desfile com todas, cantando sambas como um pout-pourri, emendando um no outro. Teve um ato lá da Igreja Evangélica, por que o samba não poderia se manifestar assim? Mas depende da liga. A ideia foi dada, e seria um ato lindíssimo – acredita.

Apesar de lamentar o cancelamento dos treinos técnicos no palco principal da festa, Laíla acha que as escolas pouco vão sentir, na prática, a falta do ensaio na Avenida, que pra ele tinha pouca valia no aspecto técnico:

– O ensaio é muito bom pro povo que não tem condições de assistir no dia do desfile oficial. Mas você faz um ensaio técnico hoje, e no desfile é completamente diferente. Dá até pra consertar, corrigir alguma coisa que poderia dar errado no dia do desfile, mas vale muito mais como festa. Proveito mesmo você só tira no dia. Já aconteceu da Beija-Flor fazer um ensaio ótimo e no dia do desfile estar uma escola morna. Mas é pena acabar, já tinha virado hobby pro sambista.

“Faria de novo”, garante Laíla sobre botar 100% dos componentes fantasiados de índio

Os jurados não curtiram e avaliaram mal o quesito “Fantasias” da Beija-Flor no último carnaval – foram sete décimos perdidos, sem considerar o descarte da nota mais baixa (9,7 – 9,9 – 9,9 – 9,8). Laíla acreditou que daria certo a ideia de vestir a escola inteira de índio dentro do enredo “A virgem dos lábios de mel – Iracema”, inspirado no clássico de José de Alencar. Mas arrependimento é uma palavra que não compõe o dicionário do diretor.

– Faria de novo. Considero a ideia magnífica pra diminuir um pouco do modelo antigo, e fazer uma nova linguagem. Mas não soubemos fazer uma execução excelente. Foi um problema artístico, e nisso me incluo. A responsabilidade é minha – assume.

“Se o Paulo Barros fizer amanhã, vão dizer que ele é gênio”

Seguidor da doutrina espírita e muito atento às energias que movem o mundo, Laíla afirma que a torcida contra ajudou a fazer a ideia dos índios não dar certo.

– Foram 12 escolas de samba, e as 11 não queriam que desse certo. Porque iria revolucionar. Aí, toma-lhe porrada. Hoje, é tudo igual nos desfiles. É muito comum encher tudo de pluma e enganar trouxa. Mas aí o componente balança a cabeça e tá todo mundo emocionado. Na verdade, o desfile de escola de samba perdeu padrão artístico. Todo mundo tem direito de gostar ou não gostar dos índios, mas teve pessoas de conhecimento carnavalesco que elogiaram. Se o Paulo (Barros) fizer amanhã, vão dizer que ele é um gênio. Mas é aquilo, estou sempre tentando o diferente. Pode não dar certo, mas tô tentando – avalia.

“Não sou brigão. Defendo aquilo que faço”

Embora faça o mea-culpa em relação às fantasias pouco variadas, Laíla aproveita pra reclamar da alternância de créditos na alegria e na tristeza.

– Funciona assim: deu certo, as 'garotas' aparecem. Deu errado, o velho segura. Não me arrependo de nada na minha carreira. Sou brigão? Não sou brigão. Defendo aquilo que faço. Estou há 23 anos aqui, e se ficar mais 23 a porrada vai ser pior. Toda carreira tem altos e baixos. Mas tenho pontuado muito nesse tempo todo. Acho que tive muitos acertos – opina.

Para 2018, Laíla vai dividir a glória ou a derrota com uma comissão composta por Cid Carvalho (de volta à escola após mais de uma década longe), Victor Santos, Bianca Behrends, Léo Mídia e Rodrigo Pacheco, além do luxuoso auxílio do coreógrafo Marcelo Misailidis, idealizador do enredo "Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu", e Gabriel David, herdeiro do patrono Anísio Abraão David e que, aos 20 anos, cada vez ganha mais espaço na escola.

– Temos um pensamento coletivo. Hoje, temos poder de criação, de ideias na parte alegórica, com o Marcelo, com as novas ideias novas e modernas do Gabriel, e com o conhecimento e habilidade de cada um da equipe. Cada um tem uma função. Eu sou o da porrada e ao mesmo tempo o de passar a mão na cabeça – diz.

Crise? Que crise? “A Beija-Flor não vai parar de gastar. Não nos falta nada”

Ficar em sexto lugar na última temporada fará a Beija-Flor surgir na Passarela do Samba em 2018 mais moderna, apesar da crise financeira que assola o país.

– Depois do carnaval deste ano, decidimos que alegoricamente a gente deveria mudar. Dentro desses caminhos novos, tem que diminuir as despesas, fazer alguns ajustes. Se antes tinha 100 esculturas, passa a ter 10. Mas é muito simples: estamos em crise, mas qual é a escola que vai deixar de fazer carnaval pra ganhar? Não nos falta nada. Mas não se joga dinheiro fora como antes. A estrutura mudou – explica.

Aos 74 anos, Laíla diz que ganha bem com o carnaval: “Tô rico de experiência”

Falando em dinheiro, Laíla não revela quanto ganha, mas diz ser o suficiente para um profissional de seu gabarito. E, aos 74 anos, diz que ainda há muitos sonhos a realizar:

– Rico? Tô rico de felicidade, de experiência. Gosto de receber o que recebo, tô satisfeito. Tinha outras formas de ganhar mais, saía muito pra fazer trabalhos em escolas fora do Rio. Mas hoje a idade pesa um pouquinho.

“Jamais pensei que seria referência”

Luiz Fernando do Carmo virou Laíla e entrou pra história da festa popular mais famosa do planeta ao trilhar uma bem-sucedida trajetória. Embora não buscasse isso, é ciente de que virou referência quando o assunto é direção de carnaval. No entanto, não aponta um sucessor.

– Acho válido uma escola ter diretor de carnaval a partir do momento que esse profissional tenha conhecimento. Esse cargo surgiu pra banir a direção de harmonia. Eu, aqui na Beija-Flor, assumi direção de carnaval e harmonia pra não ter ninguém me mandando que saiba menos que eu. Jamais pensei que seria referência. Mas não indico ninguém. Ninguém me indicou pra nada – lembra Laíla, que já emprestou seu talento a outras bandeiras, como Salgueiro, Unidos da Tijuca e Grande Rio.

Apesar do vasto currículo e de uma vida dedicada ao samba – em 2018, Laíla completa 50 anos como diretor de carnaval -, ele não fala em aposentadoria.

– Ninguém se realiza antes da morte. Ainda tenho muita coisa pra fazer. Na vida pessoal, não quero mais nada. Na vida profissional, estou sempre buscando – conclui.

Por Luiz Felippe Reis

Mais revolucionário dos carnavalescos, capaz de sacudir as estruturas da festa na última década e acostumado aos títulos e a criar carnavais memoráveis, Paulo Barros foi além dos prêmios especializados ou troféus. Ele ganhou a eternidade nesta quarta-feira, 22, no prestigiado Museu da Imagem e do Som, no Centro do Rio.

É que ele foi o convidado da série “Depoimentos para a posteridade” e entrou numa seleta lista, que conta com nomes marcantes da história cultural e artística brasileira, como as lendas da música Ary Barroso, Chico Buarque, Gilberto Gil, Ivan Lins, Lamartine Babo e Vinicius de Moraes; os gênios dos palcos como Chico Anysio, Dercy Gonçalves, Fernanda Montenegro e Oscarito; os craques Pelé e Zico, bem como os renomados escritores Guimarães Rosa e Millôr Fernandes. Para citar mais algumas figuras de peso que receberam tamanha honraria, o político Luiz Carlos Prestes e o arquiteto Oscar Niemeyer. No Carnaval, Renato Lage, Rosa Magalhães, Laíla e Natal da Portela são algumas personalidades que merecidamente já se eternizaram pelo MIS.

PB eterno! Paulo Barros gravou depoimentos para o MIS e entrou em galeria de respeito de artistas que contribuíram para a cultura brasileira – Foto: Irapuã Jeferson

Em quase cinco horas de depoimento, Paulo Barros falou sobre o início da trajetória no Carnaval, lembranças do passado e experiências adquiridas ao longo dos 25 anos como artista da festa mais popular do mundo, até a consagração. Ele também respondeu a perguntas dos integrantes da mesa, que se formou com os jornalistas Marcos Uchôa, da TV Globo, e Alice Fernandes, editora do Sambarazzo; o presidente da Portela, escola de Barros até 2017, Luís Carlos Magalhães, a mestre em letras Isabel Azevedo, da Casa da Ciência, instituição parceira nos trabalhos de pesquisa dos enredos apresentados por ele na Sapucaí, e Rachel Valença, pesquisadora e vice-presidente do MIS, que mediou o encontro.

– Quando eu recebi esse convite, eu falei assim… Nossa. Um depoimento desse pro MIS, uma entidade dessa. Uma fala minha que vai ficar guardada pra todo sempre. Fiquei muito feliz, dei uma tremida na base. E é bom  também pra poder falar um pouco mais, que às vezes a gente não tem oportunidade de falar. Meu trabalho é baseado no amor, no que eu gosto, e eu espero que vá pra eternidade essa paixão, que ela continue pra sempre, é isso que eu espero – declarou Paulo, logo após o encerramento do encontro, que poderá ser consultado no acervo do museu já a partir da próxima semana.

Presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães foi um dos convidados por Paulo Barros para estar na mesa do depoimento. Amigos, os dois revelaram alguns detalhes dos desfiles da águia, e o comandante da azul e branco fez questão de destacar o perfil diferente do que muitos imaginam que o carnavalesco possui.

– Foi muito bom, já assisti a vários aqui. Foi muito bom, pra todo mundo. Foi muito bom pra ele, muito bom pra quem quiser vir fazer pesquisa, porque revela um outro Paulo Barros. Não é aquele cara turrão, distante. Não, ele é isso aqui. As pessoas têm que conhecer. Ele foi muito importante na minha vida, foram grandes momentos – declarou o dirigente.

Pais de Paulo Barros foram fundamentais na aproximação dele ao Carnaval: ‘Meu pai entendia tudo só de olhar’
Paulo Barros com a mãe, Dona Celina, e com o pai, Seu Valdir, que morreu em 2013 – Fotos: Reprodução/Instagram
Durante o depoimento ao MIS, Paulo Barros falou bastante sobre a relação com os pais – Foto: Arquivo pessoal
Ao lado família do carnavalesco, que aparece na foto com a mãe, Dona Celina, e os irmãos Marco Antônio, Vera Lúcia e Elizabeth – Foto: Arquivo pessoal

Paulo recordou das conversas com o pai, Seu Valdir Braga, que morreu há quatro anos, e das primeiras memórias da construção do amor dele pelo Carnaval e pelas escolas de samba. Mãe do artista, Dona Celina Barros foi responsável direta pelas primeiras aparições do carnavalesco no meio do samba. Aos 15 anos de Paulo, foi ela quem costurou a primeira roupa dele de desfile:

– Todo mundo esperava o Natal e o Ano Novo. Eu esperava o Carnaval. Ia sempre nas lojas pra ver se tinha chegado o CD das escolas de samba, porque não era como hoje, que tem data pra lançar o CD. Você tinha que ficar indo atrás.

Sobre o início da carreira, o artista mais bem pago da festa lembrou de Joãosinho Trinta, outro gênio que entrou pra história, e que batiza até o lugar onde Paulo Barros dá expediente, a Cidade do Samba. Os primeiros passos dele foram com João, no barracão da Beija-Flor de Nilópolis, ainda nos anos 1970, após pedir uma chance ao lendário carnavalesco.

Já nas memórias das primeiras assinaturas de carnaval, lá pelo começo da década de 1990, o filho de Seu Valdir e Dona Celina recordou as dificuldades nos barracões da Vizinha Faladeira e o quanto tais barreiras artísticas forjaram o caráter trabalhador – característica, aliás, sempre ressaltada por quem trabalha ou trabalhou com Paulo – do artista.

Ex-comissário de bordo, Paulo Barros aprendeu a valorizar a excelência no trabalho na Varig
Paulo Barros na noite em que se formou comissário de bordo, em 1985. Na foto, ele aparece ao lado da colega Cleide Frasson – Foto: Arquivo pessoal

Enquanto convivia com o perrengue e as conhecidas condições de trabalho insalubres dos grupos de acesso, o comissário de bordo Paulo Barros aprendia a excelência profissional na Varig, companhia aérea brasileira, uma referência no mundo inteiro. A empresa já não existe mais – foi vendida em 2007 -, mas foi um grande orgulho nacional, ganhando prêmios ao redor do mundo pelos serviços prestados à aviação. A inspiração para o perfeccionismo de Barros no Carnaval vem também daí.

– A Varig foi a grande responsável pela minha vida, por tudo que sou – revelou Paulo durante o depoimento. Ele recordou ainda uma história de quando usou uma contusão leve durante uma turbulência num voo internacional para se licenciar e curtir o Carnaval carioca.

A referência nos Fernandos
Fernando Pamplona e Fernando Pinto marcaram época, cada um a seu estilo – Foto: Reprodução/Internet

Dois gigantes na história dos desfiles, os carnavalescos Fernando Pamplona e Fernando Pinto tiveram importância na construção do perfil de Barros. Paulo lembra surpreendentemente com carinho de uma bronca que levou de Pamplona. O antigo artista da festa o criticou e disse que o então contratado da Tijuca tinha que “cuidar mais da escola de samba”. Na época, ele assimilou a opinião e acabou por ficar orgulhoso pela importância que já conquistava ali, a ponto de ser repreendido por uma lenda.

Sobre Fernando Pinto, ex-Mocidade, Barros tem na memória “Tupinicópolis”, carnaval vice-campeão da verde e branco em 1987.

– Acho que pareço um pouco com ele. Tenho flashes de desfile dele, achei uma ousadia ele vestir um índio de tênis. Percebi que era aquilo que eu queria fazer – resumiu, admitindo ter sentido inveja daquele trabalho.

O Sucesso na Tuiuti

Hoje visto por milhões de pessoas todos os anos, o acontecimento Paulo Barros na Avenida foi inaugurado em 2003 pela Paraíso do Tuiuti, quando pela primeira vez ele teria a chance de ser analisado no Sábado de Carnaval, no Grupo A. O enredo sobre o pintor Cândido Portinari rendeu prêmios, elogios, status e valorização no passe do artista. Paulo Barros conta que o presidente da escola na época era vidrado no “Mais Você”, programa de Ana Maria Braga na TV Globo, e por isso não estava presente nas manhãs do barracão, dificultando algumas soluções emergenciais, o que deixava o carnavalesco furioso. Apesar dos problemas financeiros e alguma incompatibilidade na relação, o triunfo da Tuiuti foi gigante, capaz de roubar a cena de escolas mais tradicionais, como Vila Isabel e União da Ilha – que estavam naquele grupo à época -, e até da campeã São Clemente.

A experiência de recorrer à reciclagem de materiais velhos, expediente que usava nos tempos de Vizinha e Arranco, ajudaram, e muito, nesse ano. O abre-alas, coberto de latas de tinta, e a alegoria do espantalho chamaram tanta atenção pra criatividade – a marca mais latente dele – que escolas do Grupo Especial começaram a entender que ali poderia estar um novo talento.

Caprichosos de Pilares contratou e descontratou Paulo Barros

Passada a euforia do Carnaval 2003, a Caprichosos de Pilares, do Especial naquele momento, não pensou duas vezes e já no Sábado das Campeãs acertou com Paulo Barros. Algumas semanas depois, a escola desistiu, alegando que o carnavalesco não teria uma equipe para iniciar os trabalhos com a azul e branco e desfez o acordo, acertando com Cahê Rodrigues (hoje na Imperatriz) pouco depois.

A chegada à Unidos da Tijuca
Quem te viu, quem te vê! Amigo e parceiro de trabalho de Paulo Barros hoje na Vila Isabel, Paulo Menezes se recusou no passado a trabalhar com o xará – Foto: Reprodução

Já sem esperança na elite e buscando uma nova casa no Grupo de Acesso, o artista foi contatado por Fernando Horta, presidente da Unidos da Tijuca, que estava atrás de um novo carnavalesco. A ideia inicial do dirigente português era ter dois jovens talentos no comando do carnaval da escola do Borel. A pedida era uma dupla de Paulos, Barros e Menezes. A parceria não vingou por uma negativa de Menezes em trabalhar dividindo a assinatura.

Horta perguntou a Paulo Barros se havia problema em dividir a produção, no que ele, de pronto, aceitou a parceria. Paulo Menezes, que vinha de um lindo – até hoje lembrado – carnaval da União da Ilha sobre Maria Clara Machado, também no Grupo A, não quis a dupla e ficou na União da Ilha, mesmo no acesso.

O presidente da Tijuca, diante das respostas dos dois, optou por Paulo Barros.

Rancor e rivalidade não prevaleceram. Os dois hoje são amigos e dividem a produção artística da Vila Isabel pra 2018. Em 2017, no título portelense, os dois estiveram juntos também.

“Nunca vou criar nada igual”, diz Paulo sobre carro do DNA
O dna

Como único carnavalesco da Tijuca, Paulo Barros começava a escalada meteórica para virar um astro entre os artistas da festa. O carro do DNA, com um estilo totalmente revolucionário para a estética até ali empregada nos desfiles, mexeu com o povo da Avenida. As alegorias vivas, reeditadas de formas diversas em outros anos, ressuscitaram a busca pela criatividade e tiraram muita gente da zona de conforto.

Apesar do frenesi da Sapucaí com tal acontecimento, poucos apostavam no sucesso, pelo contrário: a expectativa pra quem via as alegorias da Tijuca era de rebaixamento. Paulo lembra que até os empurradores tinham vergonha do carro do DNA.

– Ninguém queria empurrar o carro do DNA. Os empurradores de carro tinham vergonha de levar só aquela estrutura de ferro pra Avenida. Eles se negaram a empurrar. O Horta tinha pavor de olhar aquele carro. Mas confiou em mim. Depois do resultado do desfile, ele disse que o carro do DNA era o xodó dele.

Talvez a maior criação de Paulo Barros, o carro do DNA passou na Avenida pra delírio do público, mas sem que o carnavalesco presenciasse o referido encantamento coletivo.

– Não vi. Eu achava que o carnavalesco tinha que vir na frente da escola, é o que a gente aprende – disse Paulo, que teve a primeira passagem pela Unidos da Tijuca por três anos, conseguindo dois vice-campeonatos e três participações no Desfile das Campeãs, que envolve as seis melhores da festa. Até ali, na Era Sambódromo, a escola só tinha participado do Sábado seguinte à Quarta-feira de Cinzas em 2000, quando ficou em 5° lugar.

As maiores dores: Viradouro 2007 e Unidos da Tijuca 2011
Em 2007, Paulo Barros assinou “A Viradouro vira o jogo” e ficou em 5° lugar – Foto: Reprodução/Youtube

 

Em 2011, Barros criou “Esta noite levarei sua alma” e foi vice-campeão – Foto: Riotur

Nos dois anos, Paulo perdeu o campeonato para a Beija-Flor de Nilópolis:

– Ali na Viradouro, eu me senti derrubado. Fui muito penalizado. Na Tijuca, fui obrigado a perder para o rei Roberto Carlos. Nada contra ele. Mas foi um carnaval pleno pra mim – disse Paulo, que acredita também ter alcançado a plenitude um ano antes, no “É Segredo!”, também da escola tijucana, quando conquistou o primeiro título da carreira, em 2010.

Holocausto censurado na Viradouro
A alegoria gerou um intenso debate entre os que apoiavam a iniciativa e os que reprovavam – Foto: Reprodução

No segundo ano de Paulo Barros na Viradouro, em 2008, o enredo “Arrepia” teria entre as alegorias uma representando o Holocausto, genocídio em massa de judeus durante a Segunda Guerra Mundial, pelas mãos da Alemanha nazista de Adolf Hitler. Mas a pressão foi grande, e a alegoria foi proibida de sair do barracão:

– Foi uma das maiores tristezas da minha vida. Faltavam poucos dias para o desfile quando a justiça impediu o carro de ir pra Sapucaí. Mas aquilo era arte, era história. Isso mostra o preconceito com o Carnaval, porque o Holocausto está no cinema, no teatro, está nas artes, mas no Carnaval não pode. E acontece assim porque as pessoas têm aquela ideia da festa da carne, que o Carnaval não pode ser sério.

Polêmica por carro de F1 na comissão de frente tirou Paulo Barros da Tijuca em 2014
Com discordância sobre utilização de carro, Paulo Barros decidiu fazer um Pit Stop de Tijuca e partiu pra Mocidade – Foto: Fernando Maia/Riotur

Três títulos, um vice e um terceiro lugar. Assim Paulo Barros construiu a segunda passagem pela Unidos da Tijuca. Mas no último ano, exatamente o do tri, uma polêmica por um carro, que lembrava um F1, encerrou o contrato.

– O técnico (do carro) foi fazer o teste no barracão, e o carro deu defeito. Perguntei se o carro poderia dar defeito na Avenida, ele disse que sim. Eu não queria o carro, sugeri dois karts. Mas a escola decidiu ficar com aquele carro adaptado. Chegou no desfile, o carro funcionou no primeiro módulo, e não funcionou mais, e as pessoas tiveram que empurrar. Mas eu não justifiquei em momento nenhum pros jurados que o carro seria motorizado, e os jurados acharam que empurrar fazia parte da encenação. Quando não confiam em mim, não tenho por que ficar.

Paulo Barros encerrou falando das alegrias e eventuais dificuldades que teve na Mocidade e na Portela e ainda sobre os desafios na Vila Isabel.

É TETRA!

Aos 55 anos, Paulo Barros tem 14 carnavais no Grupo Especial, com passagens por Unidos da Tijuca, Viradouro, Vila Isabel, Mocidade e Portela. Foram quatro títulos, três vice-campeonatos e dois terceiros lugares. Ao todo, foram 12 Desfiles das Campeãs, que sempre reúne as seis melhores escolas do ano. Ele só não voltou ao Sábado em 2008, na Viradouro, e em 2015, na Mocidade, se tornando o dono de um dos mais expressivos currículos da festa, naturalmente digno da honraria concedida pelo Museu da Imagem e do Som.

Nos quesitos de responsabilidade dele – Alegorias e Adereços, Fantasias e Enredo – Paulo Barros teve até hoje na elite 126 notas dez, de 174 possíveis, um aproveitamento de 72,4% de avaliações máximas. Palmas pra ele!

Por Redação

Artista mais bem pago do Carnaval do Rio de Janeiro, Paulo Barros vai desbravar outros caminhos da cultura popular brasileira. Atual campeão na Cidade Maravilhosa, o carnavalesco foi contratado pelo Boi Caprichoso, agremiação do festival folclórico de Parintins, no interior do Amazonas.

O início da trajetória do mirabolante artista – tetracampeão no Rio – na festa do boi-bumbá será em 2018, mas não ainda como diretor artístico. Nessa primeira temporada, quando o Bumbódromo completa 30 anos, ele será responsável por um show de abertura na apresentação do Boi. Após a experiência inaugural, Paulo Barros assume a direção artística do Caprichoso pra 2019.

– Perguntaram se eu não poderia dar consultoria pra 2018, mas prefiro não. Disse a eles na reunião que seria inviável fechar um projeto pra 2018, que primeiro eu teria que entender o processo da festa, como funciona, julgamento, quesitos… Seria leviandade minha conceber um projeto do qual não tenha conhecimento das regras ainda. Até porque pretendo criar um show totalmente voltado para o entretenimento, buscar soluções pra agregar ainda mais visibilidade para a festa. E, pra tudo isso acontecer, o prazo para 2018 é muito curto. – Pretendo começar a desenhar esse formato pra 2019 a partir de agora. E, na verdade, esse projeto vai em direção a uma ideia que já perambula pela minha cabeça há anos. Criar um espetáculo que reúna canto, dança, iluminação e palco – disse.

Carnavalesco Paulo Barros é do Boi Caprichoso a partir de 2018

O anúncio da contratação de peso foi do presidente do Caprichoso, Babá Tupinambá, que destacou a forte ligação com as tradições do espetáculo folclórico, mas que não se fecha às inovações já conhecidas de Barros. Pra ele, o casamento do Boi com Paulo será uma ‘busca por outras dimensões’.

– Temos que ser melhor que nós mesmos. Não vamos ser carnavalescos, vamos manter a tradição, mas seremos mais ousados-  comentou Babá.

O próximo festival será em junho e julho de 2018. O Boi Caprichoso é o atual campeão e conquistou o 25° título. Outro Boi, o Garantido, tem 30 campeonatos.

Por Redação

Disposta a entrar na rota do campeonato, a Unidos de Vila Isabel vai apresentar fantasias do Carnaval 2018 da escola, tocado pelo carnavalesco no Paulo Barros através do enredo “Corra que o futuro vem aí”. A Feijoada do próximo sábado, 11, será o cenário para a exibição das alas, e a oportunidade é boa, hein? Algumas peças serão colocadas à venda, e você vai poder desfilar na azul e branco.

O Sambarazzo adianta algumas alas que serão apresentadas pro público no fim de semana que vem. Quer ver mais? Vai lá na Vila Isabel, no sábado, a quadra fica na Boulevard 28 de setembro, no bairro de Vila Isabel na Zona Norte do Rio de Janeiro. Ingresso a R$ 10 e prato de feijão sai por R$ 20.

Confira:

 

Por Redação

Paulo Barros já tinha mostrado, quando abriu as portas de casa para o Sambarazzo, em Itaipu, no Rio de Janeiro, o quanto é apaixonado pelos cachorros. Mas nesta terça-feira, 31, o carnavalesco caprichou na dose de amor e fez do barracão da Unidos de Vila Isabel, na Cidade do Samba, o lar provisório de sete filhotinhos abandonados.

– Nasceram aqui do lado do barracão. Estavam no meio do lixo… – lamentou o artista.

Pegou pra criar! Paulo Barros não resistiu, e acabou ficando com dois dos filhotes abandonados I Foto: Arquivo pessoal

Tão logo abrigou e alimentou os cães, Paulo Barros usou a conta pessoal do Instagram pra saber quem gostaria de adotar. Os bichinhos, claro, fizeram o maior sucesso na internet.

– Não paro de receber mensagens, mas já estão todos adotados, a procura tá imensa. E eu fiquei com dois – comemorou o autor do desfile de 2018 da Vila Isabel, “Corra que o futuro vem aí”, assinado em parceria com Paulo Menezes.

Barriga cheia! O carnavalesco, com a ajuda da equipe da Vila Isabel, resgatou os cães e os alimentou nas dependências da azul e branco na Cidade do Samba I Foto: Arquivo pessoal

Veja também!

Na intimidade! Paulo Barros apresenta a linda casa onde curte a boa vida

Mora na quadra! Vira-lata abandonada é adotada e vira mascote da Mocidade

Mestre-sala da Beija-Flor, Claudinho salva cachorro que caiu no mar

Bom pra cachorro! Cantor da Viradouro resgata animais das ruas: “amo bicho”

Que fofo! Mestre Casagrande adota filhote abandonado na quadra da Tijuca

Diretor do Salgueiro faz denúncia e consegue salvar cão maltratado

Por Redação

Ainda não é possível se teletransportar para o futuro, mas Paulo Barros, carnavalesco da Vila Isabel, foi a Paris, na França, para conhecer o Centro de Tecnologia da aliança Renault-Nissan, que é um núcleo de inovação que visa trabalhar a mobilidade do futuro, em parceria com startups, universidades e investidores.

Criador do enredo “Corra que o futuro vem aí”, o artista ganhou mais fontes de inspiração depois da viagem. Na visita, o contratado da Vila Isabel chegou a andar no carro que não precisa de motorista. Ele conheceu ainda um automóvel pra lá de futurista que deve ser lançado em 2022.

Na noite desta sexta-feira, 8, Paulo Barros participou de um jantar com o presidente da Nissan no segmento de tecnologia do futuro François Dossa, que foi há pouco tempo representante da empresa no Brasil.

Em 2018, a Vila Isabel será a terceira a desfilar no Domingo de Carnaval, pelo Grupo Especial.

*Fotos: Arquivo pessoal

 

Por -

Por Redação

Fim da linha para o período mais misterioso do Carnaval: o da escolha dos enredos. Todas as 13 escolas do Grupo Especial já sabem – e todo mundo também – sobre o que vão falar no próximo desfile.

O resgate de temas críticos se destaca. Pelo menos cinco enredos abriram as portas a reflexões de toda sorte, seja de caráter social ou cultural. Racismo (Tuiuti), xenofobia (Portela), preconceito contra mulheres (Salgueiro), desigualdade social (Beija-Flor) e até um debate mais profundo sobre os destinos da festa na Sapucaí, com a Mangueira. Outras narrativas históricas e culturais também compõem uma safra de enredos digna de aplausos.

DOMINGO

Na estreia pelo Império Serrano, o carnavalesco Fábio Ricardo aposta na cultura milenar da China para manter a verde e branco nove vezes campeã da festa na elite. A ideia é mostrar, além da riqueza histórica dos chineses, que a escola da Serrinha e o país asiático têm mais coisas em comum do que se possa imaginar.

 

 

Jorge Silveira estreia no Especial e leva pra Avenida “Academicamente popular”, sobre os 200 anos da escola de belas artes do Rio de Janeiro, a mais importante da América latina. A sacada do artista é levar as artes plásticas ao público, com uma linguagem popular, alegre, mas cheia de conteúdo histórico que o tema exige.

 

Atual campeão pela Portela, Paulo Barros foi para a Vila Isabel e vai transportar todo mundo na Sapucaí pra tempos que ainda virão. “Corra que o futuro vem aí” promete esbanjar tecnologia e impactar com muitas imagens de leitura direta e objetiva. Pra onde vamos? Como será o amanhã? Perguntas que a Vila se propõe a responder em ritmo de samba em 2018.

 

 

Na Tuiuti, Jack Vasconcelos propõe reflexão com “Meu Deus, Meu Deus. Está extinta a escravidão?”. Após 130 da Lei Áurea, os negros ainda vivem sob as amarras do racismo e da falta de igualdade das oportunidades -uma “bondade cruel”, como definiu o carnavalesco na sinopse. Uma leitura histórica, imersa numa crítica atualíssima.

 

 

O renomado casal de carnavalescos Renato e Márcia Lage e a Grande Rio brindam com alegria a Sapucaí no Domingo de Carnaval. “Vai para o trono ou não vai?” homenageia José Abelardo Barbosa, o gigante Chacrinha, um dos maiores comunicadores da história da televisão brasileira e figura emblemática da cultura nacional.

 

 

Leandro Vieira meteu o dedo na ferida. “Com dinheiro ou sem dinheiro, eu brinco” critica os destinos escolhidos pelo Carnaval e desbrava os porquês do evidente distanciamento popular das escolas. Reflexão imediata a partir do corte de verba da prefeitura de Marcelo Crivella, que não será poupado no desfile.

 

Atual campeão, Alexandre Louzada aposta na mesma fórmula vitoriosa de 2017. Pra quem uniu Brasil e Marrocos num desfile vencedor, “Namastê… A estrela que habita em mim, saúda a que existe em você” forma um elo do nosso país com a exuberante Índia do gigantesco Mahatma Ghandi.

 

SEGUNDA

O multifacetado Miguel Falabella é o dono dos holofotes da Tijuca em 2018. Annik Salmon, Hélcio Paim e Marcus Paulo lançam “Um Coração Urbano: Miguel, o arcanjo das artes, saúda o povo e pede passagem”, que mostra vida e obra do artista, um dos grandes escritores nacionais de entretenimento do país.

 

 

 

Em sua volta à Portela, a professora Rosa Magalhães dá mais uma aula com “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”. Uma crítica atual que aborda intolerância e xenofobia dentro de uma história encantadora de judeus fugidos da Europa, com destino ao Nordeste do Brasil, que contribuíram na formação de Nova York.

 

 

Severo Luzardo põe a mesa, a Sapucaí come com os olhos e a União da Ilha experimenta um enredo sobre culinária: “Brasil bom de boca”. A ideia é mostrar os hábitos alimentares do brasileiro, passando pela influência estrangeira em nossos pratos. Da mesa de jantar ao galpão do boteco, tem pra todos os gostos.

 

 

 

Sob o comando artístico de Alex de Souza, o Salgueiro se reencontra com um tema afro. “Senhoras do ventre do mundo” exalta históricas mulheres negras, que, apesar de seus feitos, tinham de lidar com o preconceito em suas épocas. Embora não seja focado na crítica, o enredo deixa uma mensagem contra a intolerância.

 

 

 

Pela Imperatriz, Cahê Rodrigues faz “Uma noite real no Museu Nacional”, contando a história de 200 anos do espaço cultural, artístico e científico do Rio de Janeiro. O palácio serviu de casa para a família real, o que deve devolver à Imperatriz a cara suntuosa da década de 1990, quando a escola levou quatro campeonatos.

 

“Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pariu” é o enredo que vai fazer a Beija-Flor não se esconder da reflexão ante o dramático cenário de desigualdades, injustiças e amarguras sociais que emolduram a história brasileira. Um tema atual e mais um a lançar críticas sociais abrangentes.

 

O Carnaval do Grupo Especial começa em pouco mais de seis meses, a partir do dia 11 de fevereiro.

 

Foto de capa: Cezar Loureiro/Riotur

Por Redação

A sorte foi lançada. As 13 escolas do Grupo Especial conheceram na noite deste sábado, 15, a posição exata em que vão desfilar no Carnaval 2018. Mas Mocidade e Tuiuti foram além do sorteio, que rolou durante a quarta edição da Carnavália Sambacon, no Centro do Rio, e resolveram, em comum acordo, trocar as posições sorteadas nas bolinhas.

O apresentador da Liesa, Jorge Perlingeiro, com o vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco, e o presidente da Tuiuti, Renato “Thor. Entre eles, ainda, o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta – Foto: Irapuã Jeferson

A verde e branco perdeu a disputa entre os pares com a Portela e ficou no Domingo, enquanto a Tuiuti nem testou a sorte, já que estava previamente posicionada como a última escola do primeiro dia, mas livre para alterar, caso quisesse. E assim foi. Mocidade passou ao derradeiro posto, enquanto a representante de São Cristóvão ficou na quarta posição da noite de abertura do Grupo Especial.

Vice-presidente da Mocidade, Rodrigo Pacheco queria a Mocidade com a concentração em frente ao prédio dos correios, e o presidente da Tuiuti, Renato “Thor”, tava de olho num horário um pouco mais cedo.

– Pra gente é melhor, a gente já tem uma estrutura montada pra desfilar nos Correios, teríamos que montar uma estrutura nova no Balança. E a questão de horário também, pra Tuiuti era melhor, ele (Thor) queria desfilar mais cedo, chegamos a um denominador comum. Não houve resistência dele. A gente já deixou ajustado desde antes – revelou Rodrigo Pacheco.

Com a última posição de domingo já garantida, “Thor” era possivelmente o dirigente menos ansioso entre todos da noite de sábado. Ao fim das contas, bom pra ambas as partes.

– Tô numa posição confortável. O que for bom pra gente, a gente troca. Mas vamos fazer um belíssimo Carnaval para que a Tuiuti seja vista como uma escola do Grupo Especial. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu ano passado… acidentes acontecem. Eu não trabalhei um ano inteiro para aquilo acontecer. Mas repito hoje aqui. A Tuiuti é uma escola do Especial e quem esperar vai ver – disse “Thor” pouco antes do sorteio.

As duas escolas de samba já têm enredo. Enquanto a Mocidade vai exaltar a Índia, país da Ásia Meridional, com “Namastê: a Estrela que habita em mim, saúda a que existe em você”, de Alexandre Louzada, a Tuiuti lança um tema capaz de fazer refletir: ‘Meu Deus! Meu Deus! Está extinta a escravidão?”, de Jack Vasconcelos.

O Carnaval 2018 está marcado para a segunda semana de fevereiro, a partir do dia 9 (Sexta-feira).

 

Por -

Por Redação

A Beija-Flor de Nilópolis conta com um time que reúne algumas das figuras mais famosas do Carnaval, como Neguinho da Beija-Flor e Selminha Sorriso. Mas o nome da escola a roubar a cena na noite deste sábado, 15, foi o de um cara pouco conhecido do público: Almir José Reis.

Atuando nos bastidores da azul e branco – ele é diretor financeiro da agremiação -, coube ao dirigente a missão de tirar do globo de sorteio as bolinhas que definiriam a ordem da Beija nos desfiles das escolas de samba do Grupo Especial e a data de apresentação. A sorte sorriu tanto para Almir, que ele acabou sendo a estrela do evento, que rolou durante a quarta edição da Carnavália Sambacon, no Centro do Rio.

Almir conseguiu a façanha de sortear, nas duas oportunidades que teve, as bolas mais altas possíveis (10, e posteriormente 6), que colocaram a Beija-Flor de Nilópolis onde ela queria: encerrando o Carnaval 2018, sendo a sexta e última escola a desfilar no Sambódromo carioca.

– Nem dormi direito. Quando soube que seria eu a sortear, há duas semanas, já não consegui mais dormir direito, é muita responsabilidade. Fiquei nervoso na hora de tirar a bolinha, qualquer um ficaria – revelou ao Sambarazzo.

Foto: Sambarazzo
Sobre a dose elevada de sorte testemunhada pelos convidados e que impressionou os demais dirigentes, ele diz não ter sido exatamente uma surpresa: ele se intitula um sujeito sortudo.

Chiquinho da Mangueira, à direita, tirou a bola 9 e, como a maioria dos presentes, já achou que o “jogo” estava ganho. Mas a sorte de Almir falou mais alto, e ele tirou a bola 10, podendo escolher o dia da Beija-Flor entrar na Avenida: Segunda-Feira de Carnaval | Foto: Irapuã Jeferson/Sambarazzo

– Acho que isso foi resultado de amor mesmo ao Carnaval. A gente faz com tanto carinho, que acontece. Mas já me considero uma pessoa de sorte. Comprei uma rifa que nem queria uma vez, por insistência de uma senhora em Nilópolis, e não é que ganhei uma cesta básica? – lembrou.

Foto: Eduardo Hollanda

Quem curtiu a mão santa de Almir foi Neguinho da Beija-Flor, que, gaiato toda vida, pediu ao amigo as seis dezenas da Mega Sena.

– Me dá o número, porque sorte assim eu nunca vi – comentou, às gargalhadas.

Patrono da azul e branco, Anísio Abraão David foi outro a celebrar o desempenho de Almir.

– Ele já ligou, gritou no telefone. Foi muita sorte mesmo. Juro que não rolou mandinga – brincou Almir, que nunca havia representado a Beija-Flor no sorteio.

Confira a ordem completa!

Foto: Sambarazzo

Por Redação
Quem acompanha Paulo Barros no Instagram sabe que é zero a paciência do artista com quem publica inverdades sobre os carnavais que produz.

Nesta terça-feira, 4, o carnavalesco resolveu retrucar o blogueiro Dam Menezes, que sempre tá por dentro de tudo que rola com as musas e rainhas da festa, após ler que Anitta seria destaque de uma das alegorias da Vila Isabel em 2018, e que a cantora, patrocinada pela Samsung, desfilaria tirando selfies em plena Sapucaí.


Paulo Barros ironizou o “furo” jornalístico de Dam Menezes e escreveu, também no Instagram, uma mensagem “parabenizando” o blogueiro pela “ideia maravilhosa”.

– Por que não pensei nisso antes? Sensacional! Eita, gentalha sem noção. Esse rapaz tem que procurar louça pra lavar. Até poderia se candidatar a desfilar de ‘Magda’ num carro do Falabella (Miguel Falabella, enredo da Unidos da Tijuca) – disse, entre outras coisas, Paulo Barros.


A postagem inicial de Dam Menezes foi motivada pela explicação que Paulo Barros deu ao Sambarazzo para o fato de ter retirado da logomarca do enredo “O futuro vem aí” a imagem de Steve Jobs, um dos fundadores da gigante Apple, em virtude de interesses comerciais. Daí, começou a especulação sobre qual marca estaria inserida no desfile da Vila, e a citação de Anitta como personagem de uma alegoria.

A Vila Isabel entrega aos compositores na próxima sexta-feira, 7, a sinopse detalhando o tema futurista de Paulo Barros e Paulo Menezes, que vão assinar juntos o desfile da escola.

Por Redação

Visando aumentar os patrocínios para o desfile de 2018, a Vila Isabel acaba de fazer uma mudança estratégica na logo do enredo “Corra que o futuro vem aí”.

Incialmente, a arte – usada para estampar camisas oficiais da escola e todo o material de divulgação do carnaval da azul e branco – continha imagens de figuras que ganharam projeção mundial por terem sido visionárias e revolucionárias em suas áreas de atuação, como foto do pai da aviação, o brasileiro Santos Dumont, e do físico alemão Albert Einstein.

Quem também aparecia com destaque na imagem divulgada era Steve Jobs, americano que morreu em 2011, e ficou famoso por ser um dos fundadores da gigante de informática Apple. Mas, para não atrapalhar eventuais parcerias com empresas concorrentes, a escola optou por tirar o magnata da logomarca.

– A decisão é em virtude de negociação com futuros patrocinadores. A antiga logo, então, não vale mais – explica ao Sambarazzo o carnavalesco Paulo Barros, sem poder revelar ainda que empresas serão contactadas pela agremiação.

Por -

Por Redação

O Carnaval carioca segue surpreso pela pretensão do prefeito Marcelo Crivella de cortar pela metade a subvenção da prefeitura às escolas de samba – a verba cairia de R$ 2 milhões para R$ 1 milhão a partir deste ano. A retração do valor seria, na proposta do chefe do executivo, para aumentar o investimento nas diárias pagas, por criança, às creches privadas conveniadas com a prefeitura. De acordo com levantamento feito pela própria Riotur, o Carnaval de 2017 movimentou R$ 3 bilhões na economia carioca. Em impostos, a prefeitura lucrou com a expressiva movimentação.

A proposta fez a Liesa suspender os desfiles até que haja uma reunião com o político e a posição dele seja revista.

Durante as eleições municipais de 2016, Crivella se reuniu com líderes do Carnaval e teve adesão à sua campanha, principalmente no segundo turno. Algumas escolas anunciaram apoio aberto ao então candidato; a Liesa se manteve neutra à época, assim como outras agremiações.

Crivella recebeu apoio de alguns dirigentes na campanha, como Chiquinho da Mangueira (de verde) – Foto: Edivaldo Reis/PRB

Artistas da festa, carnavalescos do Grupo Especial sentem o clima de incerteza no ar diante da redução e ainda pela suspensão dos desfiles feita pela Liesa, que considera inviável apresentar o espetáculo sem 50% do aporte vigente.

Cid Carvalho, da Beija-Flor, argumenta que as receitas geradas pelo Carnaval seriam, na verdade, a grande possibilidade para Crivella de fato investir nas áreas que julgasse prioritárias. Na opinião do artista, o discurso do político não tem base sólida. Sem encontrar fundamento na argumentação orçamentária do prefeito, Cid acredita que a religião do chefe do executivo – bispo licenciado da Igreja Universal do Reino de Deus – deve ter pesado na decisão.

– Acho que a matemática é uma ciência exata, contra os números não se pode construir argumentos, e os números mostram a verdade. O Carnaval é extremamente lucrativo pros cofres da cidade do Rio de Janeiro. Se não há discussão quanto a isso, qual a justificativa de cortar investimentos de algo que é rentável, que dá lucro pra cidade. É, no mínimo, contraditório. Não há nenhuma justificativa inteligente pra fazer esse tipo de proposta. Então, a gente começa olhar pra outro lado. É a religiosidade que está sendo colocada em prática numa cidade, num país que é laico? Não contra a religião do prefeito, nada contra os seguidores do prefeito. O respeito que eu exijo para a minha crença, é o mesmo respeito que eu dou para a dos outros Não se pode misturar administração pública com religião, isso é um absurdo. Por que mexer nisso? Se esse investimento lá na frente vai se transformar em verba para o prefeito e sua gestão usar nas áreas que ele bem entender. Por que colocar em risco um evento que vai ajudá-lo para administrar em termos financeiros – opinou.

Carnavalesco Cid Carvalho, da Beija-Flor – Foto: Irapuã Jeferson
“Tenho muita pena desse pensamento do prefeito”, diz carnavalesco da Mangueira

Carnavalesco da Mangueira, Leandro Vieira questionou a visão de gestão de Marcelo Crivella sobre a festa. Para ele, falta ao político um olhar mais amplo sobre os significados do Carnaval.

– Eu tenho muita pena desse pensamento do prefeito. Na verdade, o prefeito tem tido um comportamento que demonstra que ele não entende absolutamente nada de Carnaval. O pensamento dele sobre o Carnaval carioca, sobre o desfile das escolas de samba, é um equívoco. Porque ele não olha para o desfile com o olhar de administrador. O carnaval rende quase 30 mil empregos indiretos, é uma produção que começa em maio, é um ano inteiro fazendo carnaval – disse Leandro Vieira à Rádio Arquibancada.

Foto: Irapuã Jeferson

Procurado pela reportagem do Sambarazzo, o carnavalesco Paulo Barros, da Vila Isabel, preferiu não se manifestar abertamente e deixou a polêmica de lado.

– Prefiro me calar. Já me julgam pelo o que eu falo, imagine se souberem o que penso – resumiu.

Marcus Paulo, da Unidos da Tijuca, resolveu protestar contra a decisão de Crivella com bom humor. Através das redes sociais, ele tem propagado imagens dos desfiles para quem sabe demover o prefeito da ideia de cortar pela metade a subvenção.

 

Por Redação

Pra festejar 55 anos de vida, o carnavalesco Paulo Barros escolheu o barracão da Vila Isabel, onde reuniu amigos e colegas de trabalho em plena Cidade do Samba, no Centro do Rio, nesta sexta-feira, 19.

Artista mais bem pago da festa, Barros deixou a ostentação de lado e comemorou do jeito mais simples possível: um ‘churras’ pra cerca de 50 pessoas, entre amigos e parceiros de barracão.

A festinha durou cerca de quatro horas e contou com artistas da própria Vila Isabel, como os componentes da comissão de carnaval Moisés Carvalho e Ricardo Fernandes, e o carnavalesco Paulo Menezes, que vai dividir com Paulo Barros a assinatura do desfile da Vila Isabel em 2018. Entre as alegorias, ainda em processo de desmonte, Paulo celebrou com amigos que fez no samba em mais de 20 anos de Carnaval.

Lá pelas 20h, rolou o tradicional parabéns, e Paulo fez questão de distribuir pedaços de bolo pra todos os convidados.

No dia seguinte, sábado, 20, ele ganhou um plus no fim de semana de aniversário. É que o artista foi ao lançamento oficial do enredo da Vizinha Faladeira, que tem Paulo Barros como tema para o Carnaval 2018

Paulo Barros vai desenvolver o segundo carnaval pela Vila Isabel. O primeiro foi em 2009, em parceria com Alex de Souza, num enredo que falava sobre o Theatro Municipal e que deu o quarto lugar à azul e branco. Em 2017, a escola do bairro de Noel ficou com o 10° lugar.

Por Redação

Artista mais bem pago da festa, Paulo Barros vai ganhar um presentão no próximo Carnaval. É que o carnavalesco da Vila Isabel foi anunciado há 45 dias como enredo da Vizinha Faladeira, escola que disputa o Grupo de Acesso B em 2018. E nesta semana foi finalmente divulgada a sinopse do tema que trata de um dos artistas mais premiados dos desfiles da Avenida.

Entre os rasgados elogios ao tetracampeão da festa, o carnavalesco Jean Rodrigues escreveu no texto de apresentação do enredo que “Paulo traz de volta o sentimento de orgulho e a saudável competição entre agremiações, torcedores e espectadores vão ao sambódromo como vão ao Maracanã ver a final de um campeonato torcer, aplaudir e vibrar com fantásticos lances plásticos e cenográficos…” e ainda que o artista é o grande responsável pela reativação do interesse pelos desfiles da Sapucaí.

Paulo Barros é o enredo da Vizinha Faladeira – Foto: Michele Iassanori

Marca do estilo Paulo Barros, a criatividade também foi lembrada na explicação do enredo como ‘latas em alegorias, canudos em roupas, corpos nus em moléculas… automóveis Volkswagen, uma inusitada alegoria’. Toda a inovação de Barros desencadeou a busca por novas formas de fazer, desejo de reinventar até hoje pretendido por todas as escolas.

Antes de lembrar do jeitão espetaculoso do carnavalesco, Jean listou outros artistas que fizeram história em suas épocas, como Fernando Pamplona, Arlindo Rodrigues, Oswaldo Jardim e Joãozinho Trinta.

A alegoria que retratou a dor dos moradores da cidade de Mariana, palco do maior desastre ambiental do Brasil, quando um deslizamento sem precedentes de rejeitos de minério cobriu o município de lama em 2016 – Foto: Michele Iassanori

Confira a sinopse do enredo “O marquês numa viagem pioneira, vê nascer um rei na Vizinha Faladeira!… Paulo Barros, o DNA do Carnaval”

“Dormia tranquilamente o carnaval carioca após as décadas de 40 e 50, embalados por marchinhas e ranchões ninado pelos acordes de Braguinha e Chiquinha Gonzaga, mas a calma e tranquilidade desse sono longo teria um despertar! Novos ventos trariam novos profissionais ao ramo. Elementos ligados as artes e aos movimentos culturais do pós-guerra, aportariam nos portos da folia.

Nos anos 60 surgiria um dos ícones desse contexto, Fernando Pamplona atravessa a década colecionando títulos, ladeados por não menos famosos Arlindo Rodrigues, Rosa Magalhães, Oswaldo Jardim entre outros…

O nome carnavalesco começa a despontar como profissão e não mais como função dentro das agremiações, um embrião de profissional de carnaval começa a se formar, separando-o de figurinista, artista plástico, diretor de arte e etc…

Agora assumindo a gestão de alegorias e fantasias passa a administrar completamente o desfile, de maneira efetiva o carnavalesco assume a função de principal gestor da parte artística do espetáculo.

O surgimento de liga e associações estruturam os desfiles, trazendo no seu rastro a transmissão de TV e alusivas premiações, lhes conferindo status e prestígio nos meios culturais e sociais.

No início da década de 70, surge um novo momento na folia carioca, incorpora-se ao espetáculo o nome de “Joãozinho Trinta”, aumentando o tamanho das alegorias e arrojando o formato de fantasias, é avassalador, um colecionador de títulos e triunfos. Uma nova visão do carnaval, apronta a marcha que segue sólida até os anos 90.

É um novo ritmo, uma nova concepção, pelo menos durante uma década, João inventa, e recria a nova plástica das escolas de samba, é uma trajetória brilhante e gloriosa.

João encerra seu desfile nesse planeta em um quente dezembro de 2011. Aos mais aguerridos pessimistas coube a função de sepultar, tão somente ele, como também uma era, aos ortodoxos o próprio carnaval.

Mas nada de sono profundo ou marasmo, os inconformados adeptos do novo, logo estremeceriam as arquibancadas!

A década de 90 trouxe de forma discreta um novo astro, aquele que reformaria e porque não dizer recriaria o espetáculo. Surge na ARES Vizinha Faladeira um carnavalesco que mudaria a história do carnaval. De visão simples e aguçado sentido plástico surge Paulo Barros.

Logo os arroubos de João e os abalos por ele causados foram esquecidos, o mais cético dos conhecedores da festa, se rende ao inusitado formato “Paulo Barros”.

Enxergando a utilização do que era inútil lixo, em útil luxo, transforma latas em alegorias, canudos em roupas, malandro em Deus e corpos nus em moléculas, utiliza de tudo a sua volta e a nossa também em elementos de carnaval. Absurdamente fantástico ele vê em automóveis Volkswagen, uma inusitada alegoria.

Paulo contraria a inércia, o movimento gravitacional e avança pelo cinema, pela música, pelos heróis dele e de todos nós. E até pelos mais ferrenhos críticos, é consagrado como o responsável pelo substancial aumento do atrativo ao espetáculo.

Paulo traz de volta o sentimento de orgulho e a saudável competição entre agremiações, torcedores e espectadores vão ao sambódromo como vão ao Maracanã, ver a final de um campeonato torcer, aplaudir e vibrar com fantásticos lances plásticos e cenográficos. Ele próprio desencadeia a busca por novas formas e formatos levando as coirmãs, a uma corrida pelo encantamento no espetáculo como uma grande olimpíada de carnaval, onde todas as escolas se esmeram em inovação e aprimoramento de seus desfiles.

O show na sua mais pura síntese incorpora-se ao desfile, está inaugurada e irreversivelmente instalada a era Paulo Barros! Títulos sequenciados e isoladamente pretendidos o consagram. Espetáculos e apresentações de sua criação são realizados fora do carnaval e em âmbitos inusitados Paulo também se transforma num excelente alvo de mídia e recursos, em definitivo, consagrado e aclamado pelos canais competentes.

Os pessimistas, apostam no fim da era Barros, mas os números os frustram, Paulo já atravessa mais de uma década à frente de uma mecânica inesgotável. Creio que ainda veremos muito dele, e de suas ideias, de seus voos sobre o que prevíamos e o que de forma alguma jamais supomos. Não está no seu script parar, cessar, interromper o espetáculo.

Para os críticos de plantão e os expectadores em igual postura cabe sentar-se e assistir mesmo de forma discreta ou de aberta atitude de fã e admirador, ao espetáculo que seu original trabalho e apurada visão nos oferece a cada ano, a cada vez que assistimos ao começo de desfiles não só no Rio de Janeiro, mas em qualquer lugar desse país, onde haja carnaval!!!

Por Jean Rodrigues”

Foto: Michele Iassanori

Vizinha Faladeira é a escola que projetou Paulo Barros no mundo do samba, dando a primeira oportunidade pra ele em 1994. Naquele ano, a agremiação do bairro de Santo Cristo, Centro do Rio, foi vice-campeã do Grupo B, subindo de divisão.

Paulo faria mais dois carnavais na Vizinha, antes de se transferir para o Arranco do Engenho de Dentro em 1999. Em 2002, o talento revolucionário do artista chamou a atenção da Tuiuti, que apostou no jovem valor. Após um desfile elogiadíssimo no Grupo A de 2003, Barros foi convidado pela Unidos da Tijuca para fazer carnaval no Grupo Especial de 2004.

A partir daí, Paulo Barros não deixou mais as capas dos jornais e os holofotes de TV e passou a protagonizar a cena dos desfiles até hoje. Na Tijuca, ele foi tricampeão (2010, 2012 e 2014) e conquistou mais três vices (2004, 2005 e 2011) e passou por Viradouro, Vila Isabel, Mocidade e Portela. Foi na Águia que ele ganhou o quarto campeonato na carreira neste ano.

Sétima colocada em 2017, a Vizinha Faladeira será a 10ª a desfilar na Terça-feira de Carnaval, pela Série B, que tem seus desfiles na Estrada Intendente Magalhães, no Campinho, Zona Norte do Rio.

Por Redação

Um dos destinos mais requisitados pelos turistas do mundo, a cidade de Cancún ganhou mais um fã. É que o carnavalesco Paulo Barros, da Vila Isabel, tá aproveitando as férias no litoral mexicano e, claro, ficou encantado com as belezas naturais do lugar. Há duas semanas na região, o artista curte as águas azul-turquesa e o visual paradisíaco do conjunto de praias e dá uma relaxada antes de encarar o batente no barracão da azul e branco.

É a primeira vez do carnavalesco no México, que ainda passou por Playa Del Carmen, na cidade de Solidaridad, vizinha a Cancún, também no estado de Quintana Roo. Se as praias do país conquistam os visitantes, Paulo tá fascinado também pelas piscinas do hotel.

– As piscinas são maravilhosas. É o paraíso – resumiu.

A tão festejada culinária mexicana também foi uma atração para Paulo, que abriu o cardápio ao Sambarazzo  e mostrou os pratos que experimentou nos restaurantes do país.

Paulo Barros viajou sozinho, mas fez amigos na terra do Chapolin Colorado, como o arquiteto Pedro e o executivo de uma empresa David. Ele volta ao Brasil na expectativa da Vila Isabel definir o enredo para 2018. Será que de Cancún ele vai trazer na bagagem alguma ideia para o próximo Carnaval?

O carnavalesco é um apaixonado pelas viagens – ele já até fez um enredo sobre isso, em 2016 na Portela. Aqui no Sambarazzo, a gente já acompanhou passagens do artista pela Grécia e boa parte Europa, nos Estados Unidos, na Disney,  Miami e pelo Brasil, como Minas Gerais, Búzios

Confira as fotos da viagem:

 

 

 

Por Redação

Enquanto a Vila não bate o martelo em relação ao enredo de 2018, Paulo Barros vai “brincando” de trabalhar. É que o artista usou o Instagram na noite desta quarta-feira, 3, pra postar fotos e pequenos textos que serviriam perfeitamente como título de enredo do carnavalesco, que adora um enigma.

Às 18h, Barros publicou uma foto de duas pessoas caminhando num túnel em direção à luz, com os dizeres “Depois do fim, o início”. A postagem rendeu comentários sugerindo que seja o tema da azul e branco do ano que vem.

– Vixe, é o novo enredo? Arrebenta menos, por favor – pediu um seguidor.

Quatro horas depois, o campeão do Carnaval 2017 pela Portela continuou entretendo os fãs. Desta vez, com a clássica frase de Deus listada na Bíblia: “Faça-se a luz”.

– Será que vem a criação por aê 2018? – indagou outro.

Paulo Barros não respondeu, deixando no ar um dos climas mais prediletos dele: o de mistério. O artista, que convidou Paulo Menezes para assinar com ele o desfile da Vila Isabel, está de férias no México. Mas, pelo visto, com um olho em Cancun e outro no Carnaval do ano que vem.

Por Luiz Felippe Reis

A parceria entre carnavalescos que deu certo na Portela – a escola foi campeã do Carnaval – vai ser reeditada na Vila Isabel. É que Paulo Barros convocou novamente Paulo Menezes para integrar a equipe de criação artística da azul e branco do bairro de Noel. Só que desta vez a dupla vai trabalhar totalmente em conjunto e a assinatura do desfile será dos dois.

Paulo²! Menezes e Barros vão mais uma vez trabalhar juntos, desta vez na Vila Isabel – Foto: Arquivo pessoal

Amigos de longa data, os Paulos agora não querem saber de se desgrudar quando o assunto é trabalho. Barros fez o convite, e Menezes apostou na ideia de assinar pela primeira vez um carnaval no Especial com o xará. Juntos, os dois já fizeram a Renascer de Jacarepaguá em 2009 pelo Grupo de Acesso.

– Ano passado, convidei o Paulo pra ajudar nos figurinos. Agora, vou dividir tudo com ele. O Paulo Menezes entende muito de muitas coisas essenciais. Foi peça fundamental em aspectos que acrescentaram muito ao trabalho, como soluções e trocas de tecidos, cálculos de gastos, etc. São capacidades indispensáveis pra qualquer equipe de Carnaval. E, tendo um carnavalesco que entenda disso, é uma tranquilidade a mais. Facilita pra mim, facilita pra escola – explicou Paulo Barros, que é tetracampeão da festa (2010, 2012 e 2014, com a Tijuca, e 2017, com a Portela).

É com eles! Os carnavalescos vão assinar o desfile da Vila em 2018 – Foto: Arquivo pessoal

Em 2016, a dupla dinâmica chegou a viajar para os Estados Unidos para dar tranquilidade ao processo de criação dos figurinos. Não dá pra dizer se essa foi a receita do sucesso, mas deu certo. A Portela faturou todas as notas 10 no quesito Fantasias.

Da Portela, Paulo Barros levou com ele pra Vila Isabel ainda os coreógrafos de comissão de frente Leo Sena e Kelly Siqueira e o diretor Moisés Carvalho, que funciona como um braço-direito do mais mirabolante dos carnavalescos.

No Carnaval carioca, Paulo Menezes começou a carreira no início dos anos 1990 pelos grupos de acesso do Rio de Janeiro. Em poucas temporadas chamou a atenção de escolas mais poderosas, e o Grupo Especial era o destino mais que provável. Na elite, ele fez Tuiuti, Mocidade, Império Serrano, Estácio de Sá, Porto da Pedra, Portela e União da Ilha.

Em entrevista ao Sambarazzo, ainda em 2016, Menezes deu uma palinha de como é a relação dos dois.

– A gente se diverte muito. Trabalhar com amigo é bom, né?! Não tem meias verdades, não tem melindre, não tem nada disso, porque a gente se conhece bem. Pelo olhar, a gente já sabe o que o outro está pensando. É muito bom trabalhar com ele. Não tem horário, não tem nada… Somos de trabalho e estamos muito felizes com isso – festejou o artista.

No último ano, a Vila Isabel ficou com o 10° lugar. Apesar da decepção do resultado, pode sobrar esperança aos mais supersticiosos. Afinal de contas, a Mocidade – campeã em 2017 – e a Mangueira – campeã em 2016 – ficaram exatamente no 10° lugar nos anos anteriores ao respectivos títulos.

Por Redação

Foi na feijoada deste domingo, 9, que a Vila Isabel apresentou a renovada equipe para o Carnaval 2018. A escola conheceu o novo presidente Bernardo Belo. Ele, que substitui Levi Júnior, já fazia parte do grupo que comanda a escola e foi aclamado pelos votantes da azul e branca. O mandato vai até 2021 e não houve chapa de oposição. Além do dirigente, a comunidade da azul e branco do bairro de Noel pode tietar os novos reforços da equipe.

Levi Júnior passou o bastão para Bernardo Belo, que é o novo presidente da Vila Isabel – Foto: Divulgação/Eduardo Hollanda

Foram apresentados o carnavalesco Paulo Barros, o mestre de bateria Chuvisco, a porta-bandeira Denadir Garcia, os coreógrafos Leo Senna e Kelly Siqueira e a equipe de carnaval, que tem Luiz Guimarães, Ricardo Fernandes, Júnior Schall e Moisés Carvalho. Marcelinho Emoção chegou para a harmonia.

Pra uma data especial dessas, a Vila convidou a campeã Mocidade, que foi à quadra no bairro de Noel Rosa com a equipe principal.

– Eu gosto muito de uma frase do Chico Xavier: ‘Embora ninguém possa voltar atrás e fazer um novo começo, é possível começar agora e fazer um novo final’. Essa é a Vila Isabel que eu quero! Fomos atrás dos melhores profissionais do carnaval e vamos trabalhar juntos para a escola voltar a ser campeã  – afirma o presidente Bernardo, que tem como vice o advogado Fernando Fernandes.