Tags Artigos com tags "Portela 2018"

Portela 2018

Por Luiz Felippe Reis

Campeã depois de 33 anos e dona de uma fanática torcida espalhada pelo mundo, a Portela tem buscado – e tem todos os atributos pra conseguir – a necessária autossuficiência financeira. A escola quer ‘cair’ no mercado e atrair parceiros, através da valorização da pesada marca, uma das mais fortes do Carnaval. Entre os pilares dessa busca, ainda incipiente no universo da festa, o marketing se impõe.

A Portela investe no setor e tem tentado melhorar as relações comerciais. Em 2015, a diretoria portelense implementou o programa de sócio-torcedor “Águia no Coração”, voltado para a imensa legião de torcedores. O método de geração de receitas é um sucesso no futebol, e a águia foi buscar empresas experientes na área visando também ser bem-sucedida. Há dois meses, a azul e branco fechou um contrato com a Saravah Branding, Comunicação e Design, que terá a responsa de cuidar da marca da agremiação e traçar novas estratégias, num plano inédito em terras carnavalescas. Com mais de 316 mil pessoas conectadas, a página oficial da azul e branco no Facebook também é um retrato da atenção especial dada à valorização da marca. Parcerias, intercâmbios, palestras… ajudam a fortalecer o trabalho nessa direção.

A águia quer voar mais alto: ‘A ideia é jogar a Portela além dos muros da Clara Nunes, da Sapucaí’ – Foto: Michele Iassanori
A marca do programa de sócio-torcedor portelense – Foto: Divulgação

Presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães sabe que é fundamental pras escolas diminuir as dependências das canetas municipais, nem sempre tão generosas.

– Fiz essa aposta: no título e na marca. O título eu acreditava pelo trabalho que estava sendo feito, e a marca é gigantesca. A ideia é jogar a Portela além dos muros da Clara Nunes, da Sapucaí, e os resultados só vêm a médio prazo. Não é questão de ser pessimista, mas nunca mais seremos os mesmos. Tem que ter recursos públicos, mas as escolas precisam ter recursos alternativos. Queremos ‘cair’ no mercado – comentou o dirigente, que foi palestrante na 69ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), o maior congresso de cientistas e inovadores brasileiros, há cinco meses.

‘Tem que chegar mais gente, tem espaço’, comentou o presidente portelense, Luís Carlos Magalhães – Foto: Irapuã Jeferson

Comentarista de Carnaval antes de assumir a presidência – após a trágica morte de Marcos Falcon -, Magalhães acredita que a chegada de novos perfis de dirigentes podem contribuir com o samba.

– Tem que chegar mais gente, tem espaço. Dá pra administrar sem ser patrono. Eu tô animado por tudo, mas, olha, cansa pra caramba, e tem a cobrança em casa também – concluiu, aos risos.

De olho no bicampeonato que não rola desde os anos 1960, a Portela será a segunda a desfilar, na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “De repente de lá pra cá e “dirrepente” daqui pra lá”, assinado pela professora Rosa Magalhães.

Por Redação

Esperança de grande desafogo, diante do corte de verbas públicas – em 50% – ao Carnaval imposto pelo prefeito do Rio Marcelo Crivella, o Ministério da Cultura decidiu cancelar o repasse no valor de R$ 8 milhões – R$ 1 milhão pela Lei Rouanet e R$ 7 milhões através da Caixa – às escolas de samba do Grupo Especial, jogando um balde de água fria nas pretensões mais animadas de dirigentes e torcedores.

O departamento do Governo Federal, do presidente da República Michel Temer, alegou que exigências não foram cumpridas pela Liesa. Em nota, o MinC esclareceu a reviravolta:

– Infelizmente a Liga das Escolas de Samba não atendeu as exigências da Caixa e do MinC, que são as mesmas feitas a todos os projetos culturais patrocinados via Lei Rouanet – destacou o texto, que ainda responsabiliza a Liesa pela impossibilidade do repasse: ‘A responsabilidade é da Liga das Escolas de Samba’.

Presidente da Liesa, Jorge Castanheira reagiu às alegações do Ministério da Cultura e lamentou a negativa do governo brasileiro.

– A nossa preocupação é muito grande com relação a isso. Nós fizemos tudo o que foi pedido, e aí vem essa informação contrariando tudo o que tinha sido combinado lá atrás. Não sei se tem esperança ainda, não posso dizer – lamentou.

Decisão do Ministério da Cultura tirou R$ 8 milhões do Carnaval – Foto: Irapuã Jeferson

Entenda a história:

Em junho deste ano, o prefeito Marcelo Crivella anunciou um corte de 50% da subvenção direcionada às escolas de samba. A decisão gerou desdobramentos: a primeira delas foi executada pela Liesa, que chegou a suspender os desfiles da Sapucaí do Grupo Especial.

Com a fogueira acesa, sambistas chegaram a sair às ruas para se manifestar contra a redução de verba. A partir daí, o prefeito recebeu os dirigentes e não arredou o pé, mantendo o valor de R$ 1 milhão para cada escola do Especial. Poucos dias depois, os presidentes das agremiações finalizaram as negociações e ficou estabelecido que o contrato dos anos anteriores seria mantido, só com a alteração, evidentemente, das datas e dos valores.

Outro acordo era de que o pagamento da subvenção seria feito em cinco parcelas. Quatro delas de R$ 225 mil e uma última de R$ 100 mil, com o primeiro pagamento previsto para o mês de julho. Houve atrasos e até agora, meados de dezembro, apenas a metade do valor foi quitado.

Cúpula de dirigentes do Carnaval foi a Brasília e saiu de lá com promessa de apoio financeiro do Governo Federal, que não aceitou o projeto elaborado pelas escolas de samba – Foto: Divulgação

Uma luz no fim do túnel surgiu com o apoio do Governo Federal, encabeçado pelo ministro da Cultura Sérgio Sá Leitão, que encampou a luta das escolas e prometeu repôr a verba perdida. Os dirigentes foram a Brasília e voltaram pra casa com a promessa dos R$ 13 milhões – R$ 1 milhão pra cada. Sem previsão de quando a grana iria chegar, sobrava como alento a promessa de R$ 8 milhões através da Caixa Econômica, o que se perdeu nesta semana.

Por Redação

A agonia das 13 escolas do Grupo Especial tá perto de acabar. É que fiscais do Ministério do Trabalho decidiram liberar cinco barracões na manhã e tarde desta quarta-feira, 22, em vistoria feita na Cidade do Samba. Salgueiro, Vila Isabel, Beija-Flor, Mocidade e Mangueira já podem funcionar normalmente e botar os operários pra trabalhar até o desfile de 2018. A projeção é que até o final desta semana, os outros espaços também sejam desinterditados completamente.

Cidade do Samba deve ser liberada completamente até o final da semana – Foto: Edmar Moreira/Riotur

Além de pequenos detalhes, a principal preocupação dos fiscais do órgão federal era com relação as deficiências na parte elétrica dos barracões, o que foi sanado pelas agremiações. Em agosto deste ano, um funcionário morreu eletrocutado no barracão da São Clemente enquanto trabalhava, o que chamou a atenção do Ministério do Trabalho na questão da segurança dos trabalhadores.

Foi no dia 19 do mês passado que os locais foram interditados. Trinta e quatro dias depois de muita apreensão e mobilização das escolas para atender minimamente as exigências do ministério, os impedimentos começam a se desfazer. Regina Celi, presidente do Salgueiro, primeira a ter as instalações totalmente liberadas nesta quarta-feira, 22, festejou a desinterdição e deixou claro que o momento é de correr atrás.

– Não medimos esforços para atender a todas as exigências. Temos pouco tempo e daremos nosso melhor – disse.

Salgueiro publicou nas redes sociais o termo de suspensão de interdição do barracão – Foto: Reprodução

Presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães também comemorou a liberação dos espaços que estavam paralisados e indicou a nova preocupação das escolas de samba a partir de agora: saber o quanto cada uma terá para desenvolver os carnavais do ano que vem.

– As escolas foram liberadas, agora é apertar o botão. A Portela já estava liberada. O desenho tá todo feito… alegorias, fantasias. A partir de agora, o mais importante é saber quando e quanto vamos ganhar. Falta o caderno de encargos, que pode pintar alguma coisa, o governo federal também. Agora, tá muito em cima, cara! Então, você tem que administrar sem saber o quanto e como vai ganhar – comentou o dirigente.

Última a ser inspecionada nesta quarta-feira, 22, a Mangueira também conseguiu ser aprovada pelo Ministério do Trabalho e sair dessa. O carnavalesco Leandro Vieira não comemorou, mas fez questão de informar e tranquilizar os torcedores da verde e rosa.

– Informo que o Barracão da Mangueira foi supervisionado, atendeu as exigências solicitadas pelo Ministério do trabalho, e está liberado para seguir na execução de seu projeto de Carnaval. Seguimos dando continuidade ao nosso organograma de trabalho – escreveu na página oficial dele no Facebook.

A Beija-Flor também vai finalmente prosseguir os trabalhos pra 2018. Cid Carvalho, carnavalesco, tá ligado que a hora é de acelerar o passo.

– Simbora trabalhar, simbora tirar o atraso – exclamou o artista. Também integrante da comissão de carnaval da azul e branco, Laíla havia demonstrado preocupação ainda no mês passado: ‘Nunca vi a Beija-Flor no ferro em outubro’.

A Vila Isabel também respirou aliviada com a suspensão das interdições. Paulo Barros concordou com as intervenções do órgão, mas lamentou o período das inspeções, a menos de 120 dias dos desfiles.

– Eles demoraram a visitar os barracões. Tem que profissionalizar mesmo. Mas querer fazer isso a três meses do Carnaval? – questionou o artista.

Daqui a em diante, as escolas de samba, ainda sem a verba repassada integralmente pela prefeitura, têm 80 dias pra finalizar os barracões até os desfiles do Grupo Especial a partir de 11 de fevereiro.

Por Redação

Talvez inspirada pelos versos do principal do refrão do samba desta temporada, a Portela tá de ‘coração aberto’ pra ‘quem quiser chegar’. É que a escola convidou torcidas organizadas de várias agremiações do Rio de Janeiro para participar do ensaio técnico da águia na Sapucaí, no dia 4 de fevereiro de 2018. Vale lembrar que Portela e Mocidade – as campeãs de 2017 – são as únicas escolas de samba a fazerem ensaio técnico na Sapucaí, já que a temporada de treinos no Sambódromo foi cancelada.

O presidente portelense, Luís Carlos Magalhães fez questão de convocar os apaixonados pelas escolas de samba para o treino na última sexta-feira, 17, durante o encontro das torcidas organizadas das agremiações do Grupo Especial e Série A.

– O ensaio técnico é o grande momento para as torcidas das escolas. É o dia em que elas se organizam e colorem as arquibancadas com suas faixas e bandeiras. Por isso, já que não haverá ensaio para todas as agremiações, resolvemos convidar alguns integrantes de cada torcida para estarem conosco no nosso, que será também o teste de luz e som do Sambódromo. O Carnaval precisa dessa união – disse Magalhães, ressaltando que o número de componentes e as regras para a participação ainda precisarão ser alinhados com a Liesa e a coordenação dos ensaios.

Presidente da Portela, Luís Carlos Magalhães chamou torcidas organizadas para estarem com a escola no ensaio técnico da Sapucaí, em fevereiro do ano que vem – Fotos: Raphael Perucci/Divulgação

Protagonistas da última edição do ‘Portela Convida’, ao lado da Unidos de Padre Miguel, as torcidas Raiz Mangueirense, Nação Mangueirense, Nação Verde e Rosa, Independentes Mocidade, Nação Unida de Padre Miguel, Explode Coração, Soberanos Beija-Flor, Sou Grande Rio… Amor! e Garras do Tigre foram homenageadas com sambas-enredo clássicos das escolas. Todas também receberam diplomas de participação, incluindo as torcidas anfitriãs Guerreiros da Águia, Amigos da Águia, Nação Portelense e Sangue Azul.

Por Redação

Dois velhos parceiros de Portela, Noca e Monarco resolveram reatar a aliança entre eles. A paz foi celebrada no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, na tarde da última segunda-feira, 30. Os dois, juntos, cantaram o hino portelense, escrito por Chico Santana, logo na abertura da atração e conversaram sobre música e as histórias que viram na escola de samba ao longo de várias décadas de amizade.

Amigos para sempre! Noca e Monarco reataram a amizade no programa “Sem Censura”, da TV Brasil, na tarde desta segunda-feira, 30. – Foto: Reprodução/TV Brasil

Os dois baluartes da maior campeã da festa se afastaram em 2016, quando uma briga generalizada aconteceu na quadra da Águia pouco depois do anúncio do samba campeão naquela oportunidade. A torcida da obra escrita por Noca e outros compositores – derrotada no concurso – teve responsabilidade no caso, e a confusão gerou a expulsão do veterano da Velha Guarda portelense.

No programa de TV, Noca tratou de explicar que o desentendimento entre os sambistas acabou se consolidando por uma falha na comunicação entre eles. Após um ano, os dois são amigos de novo.

– Eu e Monarco jamais brigaríamos. Houve uma falta de comunicação da nossa parte. O que aconteceu na Portela, após o resultado, eu nem estava mais na Portela. Os meus netos me levaram embora. Uma jornalista me ligou, perguntando sobre o tumulto, e eu disse que iria me afastar. O Monarco ficou sabendo e botou pra quebrar no dia seguinte. Mas sempre nos respeitamos, nos admiramos – explicou Noca.

Monarco lembra do episódio, mas prefere focar no presente e no futuro dos dois. Na história, que tinha tudo pra terminar num afastamento definitivo entre os chapas, o perdão falou mais alto. O samba agradece.

– Ele dizer que nunca mais iria pisar na Portela me deixou triste. Decidimos fazer as pazes, nos falamos.  Prefiro deixar isso pra trás. Fiquei triste, porque nunca tinha visto aquilo na Portela, e a culpa caiu sobre a torcida dele, e me deixou chateado porque minha Portela não merece isso. A escola abre as portas, a Portela está sempre de braços abertos. E para o Noca não será diferente – comentou Monarco, demonstrando que perdoou mesmo o amigo.

Curiosamente, o “Sem Censura” convidou para o programa uma psicóloga para falar sobre a importância das amizades no cotidiano do ser humano. O nome dela? Mônica Portella. É, a azul e branco de Madureira tá mesmo no caminho desses dois.

Confira o programa na íntegra:

Por Luiz Felippe Reis

Foram 169 sambas-enredo concorrentes lutando pra virar hino nas escolas do Grupo Especial, mas apenas 13 ganharam tal honra, depois de muita disputa, rivalidade, emoção intensa e grana investida. Com tudo escolhido – após mais de três meses de eliminatórias -, o passo seguinte foi ajustar pra deixar impecáveis as trilhas sonoras no CD oficial de 2018.

Por sete dias, os segmentos das agremiações da elite tomaram a Cidade do Samba e gravaram o batuque das baterias, as vozes dos cantores e, como já é tradicional, o coro de fundo das comunidades. Algumas escolas convocaram a participação da sua galera pelo Facebook, outras, além disso, prepararam ônibus pra carregar essa multidão aos estúdios montados especialmente no complexo de barracões. O resultado disso foi algo infelizmente incomum: Cidade do Samba movimentada.

Diretor de carnaval da Beija-Flor, Laíla é o produtor do CD das escolas de samba do Grupo Especial e acaba sendo um conselheiro técnico nas gravações das coirmãs – Foto: Eduardo Hollanda

Iniciadas no dia 17 de outubro, com Tuiuti e Grande Rio, as sessões de gravação terminaram nesta segunda-feira, 24, com a Beija-Flor de Nilópolis. O processo, que é bem desgastante, chega a durar três ou quatro horas por escola, mas ninguém sai de lá até que esteja perfeito. O comando técnico é de Laíla, diretor de carnaval da Beija-Flor, mas que, na gravação do CD, veste a camisa de todas.

– Tenho uma honra muito grande por ter recebido essa oportunidade lá atrás. As escolas estão muito fechadas com relação a esse trabalho, os diretores estão atendendo cada vez mais. Sou um cara muito pé no chão, mas sei o quanto eu contribuí. Não sou de ficar humilhando, nem me achando melhor que ninguém. Trabalho sempre com o “nós” – comentou Laíla, que há 50 anos participa da produção do disco.

Vamos lembrar as apresentações na Cidade do Samba das treze escolas do Grupo Especial. Por ordem, Tuiuti, Grande Rio, São Clemente, União da Ilha, Império Serrano, Mangueira, Vila Isabel, Salgueiro, Portela, Unidos da Tijuca, Imperatriz, Mocidade e Beija-Flor.

 

Dia 17

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 18

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 19

Vídeo: Srzd

Foto: Vinícius Albudane

 

Fotos: Marcelo Moura/Mangueira

 

 

Dia 20

Fotos da Vila: Eduardo Hollanda

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 21

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Dia 22

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

 

Fotos: Eduardo Hollanda

 

 

Dia 23

Fotos: Maria Zilda e Henrique Matos

Por Redação

A playlist do Carnaval 2018 vai ficando perto de se completar. Nona escola do Especial a definir samba-enredo pro ano que vem, a Portela encerrou o concurso de obras escolhendo a trilha sonora de Samir Trindade, Elson Ramires, Neyzinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, J. Salles e Girão.

Em sua volta à Portela, a professora Rosa Magalhães dá mais uma aula com “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”. Uma crítica atual que aborda intolerância e xenofobia dentro de uma história encantadora de judeus fugidos da Europa, com destino ao Nordeste do Brasil, que contribuíram na formação de Nova York.

O samba vencedor já era apontado como favorito pela internet, ganhando adesão de portelenses e até de torcedores de outras escolas. Líder da parceria, Samir fatura a terceira disputa seguida.

A final de samba-enredo foi transmitida ao vivo pelo Facebook oficial da Portela. A azul e branco foi a quarta escola a abraçar a iniciativa. Em agosto, a Unidos do Viradouro presentou os seguidores com todos os detalhes ao áudio e vídeo na página da vermelho e branco. Em parceria com o Sambarazzo, a Grande Rio e Vila Isabel também exibiram suas finais pro mundo todo, através da rede social.

Confira o samba:

Na quadra, o frenesi, já causando pelo samba-enredo nas fases eliminatórias do concurso, se repetiu, o que selou o destino vencedor da obra.

Fotos: Irapuã Jeferson

Por Kaio Sagaz

Título recém-conquistado, torcida das mais fanáticas do Carnaval, e uma comunidade que vive intensamente tudo o que acontece nas dependências da azul e branco. Esses ingredientes da Portela são pra lá de positivos, mas nada fáceis de administrar. Ciente disso, o presidente Luís Carlos Magalhães não faz rodeio. Vai direto ao ponto na hora de falar dos problemas provocados pela lotação esgotada da quadra, em Madureira, durante a final de samba-enredo que rola na madrugada deste sábado, 14.

Segundo o dirigente, o controle de acesso aos camarotes foi uma missão quase impossível de ser executada.

– Infelizmente, a gente não tem mais estrutura profissional pra isso. No camarote, tem gente que não era pra estar ali e quem deveria estar, não está, não consegue entrar. O samba é isso, não tem estrutura profissional. Todo mundo dá carteirada, aí eu teria que brigar, e eu não posso brigar com ninguém. O samba é isso – disse Luís, com boa dose de sinceridade, em conversa com o Sambarazzo.

Presidente da Portela admite problemas de organização nos camarotes: ‘tem gente que não era pra estar ali e quem deveria estar, não está, não consegue entrar’ – Foto: Irapuã Jeferson

Briga do lado de fora da quadra

Outro registro de confusão foi na parte externa da quadra. Um vídeo que circula na internet mostra seguranças agredindo uma pessoa que tentava entrar na quadra, mas que foi impedida por causa do fechamento dos portões. Luís Carlos lamentou o incidente, registrado por uma pessoa que tentava entrar na quadra.

Veja o vídeo:

– Eu tenho que lamentar, se houve isso realmente. Repito, se houve isso realmente. Não tava sabendo. Não tenho como cuidar de tudo – explicou.

Na final de samba-enredo do ano passado, uma pancadaria tomou conta da quadra, assustando quem estava acompanhando a festa. A confusão gerou diversas expulsões da Portela, inclusive de Noca, importante compositor portelense.

Samba de Samir Trindade vence disputa

playlist do Carnaval 2018 vai ficando perto de se completar. Nona escola do Especial a definir samba-enredo pro ano que vem, a Portela encerrou o concurso de obras escolhendo a trilha sonora de Samir Trindade, Elson Ramires, Neyzinho do Cavaco, Paulo Lopita 77, Beto Rocha, J. Salles e Girão.

O samba vencedor já era apontado como favorito pela internet, ganhando adesão de portelenses e até de torcedores de outras escolas. Líder da parceria, Samir fatura a terceira disputa seguida.

A Portela será a segunda a desfilar, na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “De repente de lá pra cá e dirrepente daqui pra lá”, da carnavalesca Rosa Magalhães.

Por Luiz Felippe Reis

Dominado pela intolerância e ausência quase que total de amor ao próximo, o mundo atual ainda guarda espaço para boas ações, que valem muito em tempos tão difíceis. A Portela, dando o exemplo, vai dar oportunidade a um jovem compositor – portador de uma deficiência mental – de apresentar o seu samba na disputa de obras concorrentes para o Carnaval 2018 no próximo domingo, 20. Mário Henrique, de 15 anos, vive às vésperas de uma tarde certamente inesquecível pra ele na quadra.

O menino não vai estar na competição oficial por não ser da ala de compositores, mas a diretoria portelense abriu uma exceção e vai deixar o compositor soltar a voz e mostrar pro mundo como traduziu em forma de música o enredo ‘De repente de lá pra cá e dirrepente de cá pra lá”, de Rosa Magalhães.

Portador de uma deficiência mental, Mário Henrique vai participar da apresentação de sambas concorrentes da Portela – Foto: Arquivo pessoal

Companheira em todas as jornadas de Mário Henrique, a mãe dele, Dona Rose Fagundes, está radiante com a chance que o filho tem na Águia de Madureira.

– Nós ficamos assim… nossa… muito felizes. Parece até brincadeira. A gente nem sabe como explicar o que sentimos. Ele é portelense, adora samba, viu a sinopse e resolveu fazer e gravou em casa. Ele já está ansioso, tá doido pra se apresentar. Não esperava essa ação da Portela, foi muito bonito o que eles fizeram de dar esse apoio pra ele. Não sabia que ele seria tão bem acolhido. Eu fiquei emocionada por tudo – diz, agradecida.

Auxiliar administrativo de uma empresa de ônibus, Rose sempre viu de perto a paixão de Mário Henrique pelo Carnaval do Rio de Janeiro. Há três anos, foi ela mesmo que levou o menino pra escola mirim Filhos da Águia. Lá, durante esse tempo, ele toca tamborim. Mas foi agora, em 2017, que o garoto se entendeu compositor e resolveu escrever para a Portela. Conhecendo melhor neste ano os bastidores das disputas de samba, Dona Rose espera planejar junto do filho os próximos passos na função de compor.

– Nós chegamos na quadra pra mostrar o samba sem saber de nada. Nem como mostrar o samba, nem sobre os custos da disputa, nós simplesmente fomos lá. Pro ano que vem, a gente vai planejar melhor isso. Acho que ele tem que começar pela mirim, ou talvez entrando numa parceria. Mas isso tudo é maravilhoso. Fiquei feliz pela repercussão toda e eu espero que outras pessoas que nem ele possam se animar também, existem pessoas boas no mundo. Eu tô muito feliz com a Portela – finaliza.

Mário Henrique (ao centro), com a família! A mãe, Dona Rose, e o pai, Seu Mário – Foto: Arquivo pessoal

Presidente do conselho deliberativo da Portela, Fábio Pavão vê a solidariedade e a inclusão como deveres não só das escolas como da sociedade e também vê importância na entrada dos mais jovens no samba.

– Tem duas questões envolvidas isso. A primeira é a inclusão de pessoas portadoras de deficiência na sociedade. Isso é um dever nosso como cidadão. E não envolve só as escolas de samba, mas a sociedade como um todo. E sobre as escolas de samba… É um jovem querendo participar. E no momento que nós vivemos hoje é fundamental que haja uma renovação, que as escolas despertem nos jovens o interesse pelas atividades das escolas de samba. Todo jovem que queira participar tem que ser incentivado, e a Portela fez isso – comentou Pavão, que também integra a comissão de carnaval portelense, junto de Júnior Schall, Claudinho Portela e Marco Aurélio Fernandes.

A repercussão do menino especial compositor começou forte pela campanha feita pela página no Facebook “Sambistas da Depressão”, que ficou sabendo da história do menino e resolveu ajudar, convocando os cantores do Carnaval para auxiliar Mário Henrique na gravação. E, daí, foi uma chuva de solidariedade. Diversos intérprete se prontificaram a entrar nessa:

Wander Pires (Mocidade), Zé Paulo Sierra (Viradouro), Leonardo Bessa (Salgueiro), Diego Nicolau (Renascer), Leozinho Nunes (São Clemente), Lucas Donato (Império Serrano), Hudson Luiz (Salgueiro), Thiago Brito (Unidos de Bangu), Igor Vianna (Alegria da Zona Sul), Tem-Tem Jr. (Caprichosos), Luizinho Andanças… e outros

No Domingo, na quadra, ele abre a apresentação dos sambas concorrentes. Mário Henrique terá no palco com ele os cantores Celsinho e Rafael Faustino, que é da Filhos da Águia.

Confira o samba do menino com a gravação original dele:

A quadra fica na Rua Clara Nunes 81, em Madureira. A entrada é franca. Mesas vão custar R$ 20. Camarotes inferiores e superiores (ambos com 15 lugares) sairão por R$ 150 cada. A classificação é livre. Mais informações: 3256-9411.

Por Redação

Ex-diretor de carnaval de Vila Isabel e Mangueira, Júnior Schall acertou nesta quarta-feira, 26, ida pra Portela. Outro reforço da campeã de 2017 é Marco Aurélio Fernandes, que é representante da Águia na Liesa. Os dois integram a partir de agora a comissão de carnaval da azul e branco ao lado de Claudinho e Fábio Pavão, que analisou a chegada dos dois ao time.

– O Marquinhos já faz parte da Portela como um dos nossos representantes na Liesa. Ele também já atuou nessa função, dentro da comissão em outra época. Agora ele retorna trazendo sua experiência. O Schall também é um profissional qualificado, que já foi campeão e tem passagem por várias escolas. Ele chega à Portela para somar à nossa comissão – comentou Pavão, que também é presidente do Conselho Deliberativo.

Comissão formada! Marco Aurélio Fernandes, Claudinho, Fábio Pavão e Júnior Schall vão trabalhar nos bastidores da azul e branco de Madureira – Foto: Divulgação

Júnior Schall é o quinto reforço da Portela para o campeonato de 2018. Antes dele, a escola encorpou a equipe de carnaval com a carnavalesca Rosa Magalhães, o coreógrafo Sérgio Lobato, o mestre-sala Marlon Lamar e a porta-bandeira Lucinha Nobre.

A Portela será a segunda a desfilar na Segunda-feira de Carnaval, pelo Grupo Especial, com o enredo “De Repente de Lá Pra Cá e Dirrepente de Cá Pra Lá…”.

Por Redação – Atualizado às 16h30 (25/3)

Mal acabou o Carnaval, e as escolas, decepcionadas ou eufóricas pelo resultado, já começam a se movimentar nos bastidores para a montagem da melhor equipe rumo aos desfiles de 2018.

E logo nos primeiros dias pós-Quarta-feira de Cinzas, já teve agremiação mudando ou mantendo a base de olho no campeonato que virá. E o Sambarazzo não quer perder nenhum detalhe do vai-e-vem do mercado e lista, desde já, as principais mudanças nos times que vão defender os pavilhões mais tradicionais da festa. Semanalmente, vamos atualizar as movimentações da dança das cadeiras.

Portela

Campeã do Carnaval, a Portela ainda vive os dias mais felizes de sua história recente, graças ao título conquistado depois de 33 anos. Destaques da temporada que passou, os artistas portelenses estão valorizados no mercado. Paulo Barros já saiu. Rosa chegou.

 

 

 

 

Mocidade

Se a Portela ainda festeja, a Mocidade, vice-campeã neste ano, não perdeu tempo e tratou de renovar com as principais estrelas de 2017. Vamos conferir no mapa abaixo:

 

 

 

Salgueiro

Novo líder do ranking da Liesa, o Salgueiro não quer perder o embalo das boas posições dos últimos anos e mais uma vez promete montar uma equipe capaz de levar a Academia ao 10° título no Carnaval. Os carnavalescos Renato e Márcia Lage saíram. Alex de Souza, ex-Vila, assumiu o posto. Diferentemente dos outros anos, a presidente Regina Celi não renovou com a equipe toda antes mesmo dos desfiles.

 

 

 

 

 

 

Mangueira

Campeã em 2016, a Mangueira deve partir para uma nova manutenção da base, que deu certo, garantindo a verde e rosa mais uma vez no Sábado das Campeãs com o 4° lugar deste ano. A única renovação já anunciada é a do carnavalesco Leandro Vieira, que tá cheio de moral pelas bandas do Palácio do Samba.

 

Grande Rio

A tricolor de Caxias esperava bem mais que o 5° lugar em 2017. Sobrou de consolo o retorno ao Desfile das Campeãs. Se a decepção por não ter conquistado o título inédito, nem mesmo com o peso da homenageada Ivete Sangalo, deixará como consequência uma mudança drástica na equipe, só o futuro vai dizer. Mestre de bateria, Thiago Diogo recebeu propostas, mas deve ficar. Renato Lage chega como o maior reforço da tricolor para 2018.

 

Beija-Flor

Conhecida como a “Deusa da Passarela”, a representante de Nilópolis amargou o 6° lugar na classificação. Mesmo com revés de ficar longe da disputa pelo título, a tendência natural é que figuras emblemáticas como Neguinho; Selminha, Claudinho e Laíla sigam para mais temporadas na escola de samba. O coreógrafo Marcelo Misailidis já disse ao Sambarazzo que não tem pretensões de sair da azul e branco e deve aumentar a lista de renovados. A começar pelo carnavalesco Fran Sérgio, a comissão de carnaval foi desfeita.

 

 

Imperatriz

O resultado não agradou. O 7° lugar tirou a Imperatriz do Sábado das Campeãs depois de quatro anos seguidos. O desempenho abaixo das expectativas não fez a bomba cair no colo do carnavalesco como normalmente acontece. Cahê Rodrigues já renovou. Quem serão os próximos?

 

União da Ilha

Pra lá de satisfeita com o carnaval apresentado em 2017, a União da Ilha tem uma tendência a renovar com boa parte do grupo que botou a escola bem longe do fantasma do rebaixamento e a aproximou de uma vaga no Sábado das Campeãs. Figuras como Ito Melodia, Ciça, Severo Luzardo e o casal Phelipe Lemos e Dandara Ventapane estão em alta no mercado. Mestre de bateria, Ciça recebeu propostas, mas deu prioridade à Ilha.

 

 

 

São Clemente

A pretensão era ficar entre as seis primeiras colocadas, mas a São Clemente saiu da Quarta-feira de Cinzas novamente com o 9° lugar. O presidente da escola, Renatinho, chegou a dizer que foi o melhor desfile da história da preto e amarelo. Isso deve credenciar boa parte da equipe a permanecer. Renovações já foram adiantadas, mas a agremiação perdeu peças importantes e já repôs.

 

 

Vila Isabel

A Vila é até aqui a escola que mais se mexeu para buscar reforços. O diretor de carnaval Ricardo Fernandes volta à ativa pela azul e branco no Carnaval 2018. O carnavalesco Alex de Souza não fica por mais um ano na escola do bairro de Noel, no lugar dele o renomado Paulo Barros foi a escolha. A azul e branco foi buscar no Acesso o premiado mestre Chuvisco. Novos integrantes para a comissão de carnaval também chegaram.

 

 

 

 

 

Unidos da Tijuca

O desastre que acabou se transformando o desfile da Unidos da Tijuca pode mexer nas estruturas da equipe para o Carnaval 2018? A escola ainda tenta digerir o baque do 11° lugar de 2017 e já bota as mangas de fora para superar o problema no ano que vem.

 

 

 

 

 

Tuiuti

Com o cancelamento do rebaixamento, a Tuiuti permanece no Grupo Especial e começa a sonhar na consolidação entre as maiores escolas do Rio de Janeiro. Depois do que aconteceu no desfile deste ano, o jeito é esfriar a cabeça e iniciar o planejamento de 2018 com sabedoria.

 

 

 

Império Serrano

De volta ao pelotão de elite do Carnaval carioca, o império Serrano vai ter que acertar em todos os passos daqui em diante para permanecer. Ano que vem, caem duas. Qual será a estratégia imperiana para a manutenção? Vai segurar o time campeão na Série A ou vai apostar alto em nomes com experiência no Grupo Especial?

 

Na Série A

A Unidos de Padre Miguel perdeu para a Viradouro um dos responsáveis diretos pelos rendimentos recentes elogiados pelo público, pela crítica e pelos jurados, o carnavalesco Edson Pereira. Fora da Viradouro, Jorge Silveira, outro que se saiu muito bem na temporada que passou, está no mercado e pode ser uma boa opção.

A Rocinha, que surpreendeu com o 6° lugar deste ano, fica sem o carnavalesco João Vítor Araújo, que entra na vaga deixada por Edson Pereira na Unidos.

A Estácio perdeu o coreógrafo Márcio Moura para a Viradouro e o mestre de bateria Chuvisco, que desembarcou na Vila Isabel.

Mesmo com o 13° lugar em 2016, a Alegria da Zona Sul decidiu renovar com três artistas. O cantor Igor Vianna, o casal Bárbara Falcão e Wanderson Orelha e o mestre de bateria Claudinho permanecem por mais uma temporada.

No Império da Tijuca, o carnavalesco Júnior Pernambucano e o cantor Rogerinho saíram.